Hijra

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Uma Hijra de Goa, Índia em 1994.

Hijras são pessoas transgêneros e intersexuais MtF (Male to Female, "de Homem para Mulher", em português) da Índia, do Paquistão e de Bangladesh, ainda praticamente desconhecidas no Ocidente.

Entre os indianos da cidade de Varanasi, ao norte da Índia, há rituais de castração onde os homens castrados se vestem como mulher e são aceitos e explicados culturalmente, a exemplo de hijras e jankhas. Muitos homens são castrados por sacerdotisas para servirem de escravos a elas, ou para terem relações com elas, já que as mesmas devem permanecer virgens por toda vida. Nesses rituais de castração, as sacerdotisas usam uma adaga para remover o pênis e os testículos, com o devido cuidado para mantê-los vivos. Depois de castrados, esses eunucos são vestidos de mulher e marcados para servir fielmente àquela que os castrou. Alguns Hijras são castrados ainda criança enquanto outras a pedido de mães que tiveram suas filhas assediadas por homens de castas inferiores.

Na Índia, se considera que a castração, tanto masculina como feminina, deve ser praticada por mulheres especializadas e treinadas para tal. Algumas mulheres são treinadas nas artes da sedução para poderem se aproximar dos homens ou das mulheres que devem castrar. A traição também pode resultar na castração da parte infiel, as vezes a mulher traída poderá castrar totalmente ou parcialmente seu namorado ou marido traidor. Os homens castrados podem se juntar às Hijras ou ficar com suas famílias, mas, na maioria das vezes, vestem-se de mulher. [1] [2]

Segundo MONEY (1988),[3] as hijras podem ser consideradas tanto como indivíduos pertencentes a uma casta, quanto a um culto. Possuem uma deusa própria, Bahuchara Mata. Pela medicina ocidental, podem ser consideradas transexuais masculinos.[2]

Ocidentais que lidam com as hjiras, por quaisquer que sejam as razões, frequentemente tendem a exagerar a relação delas com a cultura hindu ou com o hinduísmo. Isso não é estranho, já que no Ocidente o hinduísmo tende a ser identificado com "tolerância, paciência e não violência", enquanto que o islamismo com "terrorismo, fanatismo, opressão". Por isso os europeus, os norte e sul-americanos relacionem automaticamente a questão da diversidade de gênero ao hinduísmo e não ao islamismo. Contudo, a comunidade hijra está tão enraizada no islamismo indo-paquistanês como no hinduísmo em si. Muitas delas, senão a maioria, são muçulmanas – não só no Paquistão e em Bangladesh, mas na secular Índia hindu –, e sua conexão com as dinastias islâmicas que governaram a Índia é motivo de orgulho, inclusive para as hijras que professam o hinduísmo.

Hijra é o termo mais frequente usado para descrevê-las. É derivado do urdu, a língua poética da cultura islâmica do subcontinente indiano. Outra palavra amplamente usada por eles é khusra, que vem da língua punjabi (noroeste da Índia, nordeste do Paquistão). O termo muçulmano mukhannath (ou muhannas) é também usado em certos contextos, e muitas hijras o preferem. Na literatura inglesa a palavra eunuco é mais frequentemente empregada para se referir a elas. É correta até certo ponto, ou seja, no caso de esse termo ser relacionado ao pensamento muçulmano medieval do que significava um eunuco: que era basicamente um homem emasculado. Contudo, essa ideia pode levar a conclusões enganosas de que as hijras são "homens castrados", já que em sua esmagadora maioria são transexuais, transgêneros ou intersexuais.

Algumas hijras afirmam que sua sociedade já foi conhecida desde Índia até Espanha, quando da expansão do Império Otomano. Outras, que fizeram os Hajj (peregrinação a Meca) insinuam uma conexão próxima entre sua sociedade e a antiga comunidade dos eunucos que guardavam o túmulo do profeta Maomé e o sagrado mosteiro de Meca. Levando isso em consideração, as comunidades muçulmanas hijras de hoje em dia são as únicas sobreviventes intactas da sociedade mukhannath islâmica medieval, tendo até mesmo ligações antigas com as tradições hindus.

Hijras na política[editar | editar código-fonte]

Na Índia, o direito de voto só foi concedido aos eunucos a partir de 1994. Uma hijra chamada Shabnam Mausi (literalmente: "tia Shabnam") fez história por se tornar a primeira hijra a ser eleita para a Assembléia Legislativa do estado de Madhya Pradesh na legislatura de 1998 a 2003. No novo milênio, várias hijras ganharam destaque em Madhya Pradesh. Cinco delas, incluindo Shabnam, batizadas como 'paanch Pandavas' (cinco Pandavas), foram eleitas para vários cargos públicos. Kamla Jaan tornou-se prefeita de Katni, enquanto Meenabai tornou-se presidente da câmara do município de Sehora, a mais antiga entidade cívica do país.[4] [5]


Referências

  1. Cohen L. The pleasures of castration: the postoperative status of Hijras, Jankhas and academics. In: Abramsom PR, Pinkerton SD, editors. Sexual nature, sexual culture. Chicago: The University of Chicago Press; 1995. p.276-304.
  2. a b Alexandre Saadeh (2004). "Transtorno de identidade sexual: um estudo psicopatológico de transexualismo masculino e feminino" (PDF). Acessado em 22h59min de 16 de Outubro de 2007 (UTC).
  3. Money J. Gay, straight, and In-between. New York: Oxford University Press; 1988.
  4. www.telegraph.co.uk
  5. BBC Brasil
  • Isabell Zipfel: Hijras, the third sex. eBook with 34 Images. Amazon, ASIN B009ETN58C

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]