Genderqueer

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A bandeira genderqueer.

Genderqueer (GQ; ou não-binário) é um "termo guarda-chuva" (termo que, neste caso, embarca várias identidades diferentes dentro de si) para identidades de gênero que não sejam exclusivamente homem nem mulher, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade.[1] Pessoas que se identificam como genderqueer podem ter variadas identidades de género, entre as quais:

Termos de género[editar | editar código-fonte]

Geral[editar | editar código-fonte]

Algumas pessoas genderqueer preferem utilizar pronomes neutros, tais como "one", "ze", "sie", "hir", "co", "ey" ou a versão singular de "they", "their" and "them", enquanto outros preferem os pronomes binários convencionais "ela" ou "ele". Há ainda pessoas genderqueer que preferem que sejam referidas por pronomes alternados, variando por exemplo entre "ele" e "ela", e outras preferem não usar pronomes de todo. [4]

Muitas pessoas genderqueer preferem o uso de uma linguagem neutra adicional, tal como (em Inglês) o título "Mx" em vez de Mr. ou Ms.

Genderqueer foi uma das 56 opções de identidade de género adicionadas ao Facebook em Fevereiro de 2014.[5]

Agender e neutrois[editar | editar código-fonte]

Pessoas agender (de 'a-', significando "sem" em Inglês, e "género"), também chamadas pessoas genderless, genderfree, non-gendered ou ungendered, são aqueles cuja identidade é a falta de género; certas pessoas agender dizem não ter uma identidade de género de todo. Esta é uma identidade de género que está relacionada, e por vezes se merge com, a identidade neutrois.

Neutrois é um género neutro ou inexistente, ou ainda um "não-género". Pessoas neutrois podem ainda descrever-se a si próprias como sem género, nem homem nem mulher, ou andróginas, e possivelmente agender. No entanto, ao contrário de agender (uma identidade que tende a ser descrita como a falta de género) neutrois é uma identidade de género considerada neutra.

Ao contrário da crença popular, pessoas agender e neutrois não são necessariamente intersexo, podendo ter sido designadas com qualquer um dos géneros binários quando nasceram. Muitas sentem disforia de género, tal como as pessoas transsexuais e por vezes transgénero. O termo "neutrois" foi criado em 1995 por H. A. Burnham, que criou a palavra para designar o seu próprio género assim como o de outros com semelhantes sentimentos.

História[editar | editar código-fonte]

A palavra genderqueer tem origem nos anos 90, e começou por ser chamada "Gender Queer" antes que se tornasse uma única palavra. O significado original era literalmente "queer gender", traduzido para Português como "género estranho".

O uso mais antigo da palavra é atribuído a Riki Anne Wilchins, ativista dos direitos LGBT+, que utilizou o conceito na primavera de 1995 na newsletter In Your Face.

A bandeira genderqueer[editar | editar código-fonte]

Criada por Marilyn Roxie em 2011, a bandeira de orgulho genderqueer e não-binário consiste em três riscas horizontais e foi criada para complementar as atuais bandeiras de género e sexualidade.

A risca roxa, mistura de azul e rosa (cores tradicionalmente associadas com homens e mulheres, respetivamente), representa a androginia e "queerness". O branco simboliza agênero, reflentido o uso de branco na bandeira trans para géneros neutros, e o verde representa todos cuja identidade está fora do género binário.

Em 2013, Roxie clarificou que a semelhança entre as cores desta bandeira e a da "Women's Social and Political Union", uma organização de sufrágio baseada no Reino Unido, não era intencional.

Pessoas genderqueer notáveis[editar | editar código-fonte]

  • Angel Haze, rapper de origem norte-americana, identifica-se como agender, tendo revelado a sua identidade de género publicamente em Fevereiro de 2015. O seu pronome pessoal de escolha é o "singular they".[6]

Discriminação[editar | editar código-fonte]

Estados Unidos da América (E.U.A.)[editar | editar código-fonte]

A maioria dos interrogados no questionário "National Transgender Discrimination Survey" escolheu a opção "Um género não listado aqui". 90% dos interrogados Q3GNLH ("Question 3 Gender Not Listed Here") reportaram testemunhar preconceitos anti-trans no local de trabalho e 43% reportaram ter tentado cometer suicídio. [7]

Estado legal[editar | editar código-fonte]

Austrália[editar | editar código-fonte]

Opção "X" no passaporte[editar | editar código-fonte]

Desde 2003 que os cidadãos Australianos podem escolher "X" como o seu género. [8]

Japão[editar | editar código-fonte]

No Japão, o "X-gender" é um terceiro género e identidade genderqueer conhecida como Xジェンダー.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. North American Lexicon of Transgender Terms. San Francisco: [s.n.], 2006. OCLC 184841392 ISBN 9781879194625
  2. Winter, Claire Ruth. Understanding Transgender Diversity: A Sensible Explanation of Sexual and Gender Identities. [S.l.]: CreateSpace, 2010. OCLC 703235508 ISBN 9781456314903
  3. Beemyn, Brett Genny (2008). Genderqueer glbtq: An Encyclopedia of Gay, Lesbian, Bisexual, Transgender, and Queer Culture glbtq, Inc.. Visitado em 3 May 2012.
  4. Feinberg, Leslie. Transgender Warriors: Making History from Joan of Arc to Dennis Rodman. [S.l.: s.n.], 1996.
  5. Peter Weber (21 de Fevereiro, 2014). Confused by All the New Facebook Genders? Here's What They Mean..
  6. Twitter de Angel Haze (14 de Fevereiro de 2015).
  7. Jack Harrison, Jaime Grant e Jody L. Herman. [http://www.thetaskforce.org/static_html/downloads/release_materials/agendernotlistedhere.pdf A Gender Not Listed Here: Genderqueers, Gender Rebels, and OtherWise in the National Transgender Discrimination Survey].
  8. Ten years of ‘X’ passports, and no protection from discrimination (12 de Janeiro de 2013).