Assexualidade

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Assexualidade é uma orientação sexual caracterizada pela indiferença à prática sexual.

A sua definição exata ainda é fonte de controvérsias, mas já existe um relativo consenso em relação a isso, pois a AVEN - Asexuality Visibility and Education Network (Rede de Educação e Visibilidade Assexual)[1] - define assexual como a "pessoa que não experiencia atração sexual". Porventura, a Comunidade Assexual A2[2] - principal comunidade brasileira sobre a temática - entende o assexual como "a pessoa que não tem interesse na prática sexual com outra pessoa".

Debate[editar | editar código-fonte]

Bandeira assexual

Há um desacordo sobre se a assexualidade é uma orientação sexual legítima. Muitos ainda confundem assexualidade com baixa libido. Alguns argumentam que ela cai sobre o nome de distúrbio de hipoatividade sexual ou distúrbio da aversão sexual. Entre os que não acreditam ser uma orientação, outras causas sugeridas incluem abuso sexual passado, repressão sexual, problemas hormonais, desenvolvimento tardio de atração, e não ter encontrado a pessoa certa. Muitos assexuais auto-identificados, enquanto isso, negam que tais diagnósticos se apliquem a eles; outros argumentam que, porque a sua assexualidade não lhes causa angústia, não deveria ser vista como um distúrbio emocional ou médico. Outros argumentam que no passado, foram feitas afirmações semelhantes sobre a homossexualidade e bissexualidade, apesar do fato de que muitas pessoas agora as considerem como orientações legítimas.

Entretanto, a maior parte dos argumentos contrários à assexualidade se dão tomando como base as pesquisas relacionadas à falta de atração sexual, que não é sinônimo de assexualidade, já que a falta de atração sexual possui várias causas possíveis. Já as pesquisas voltadas diretamente à área da assexualidade têm concluído que os assexuais não são portadores de patologias e de problemas psicológicos comumente atribuídos à outras pessoas que, por algum problema, não sentem ou deixaram de sentir atração sexual.

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

Um estudo feito com cordeiros chegou ao resultado de que cerca de 2% a 3% dos indivíduos estudados não tinham interesse aparente em acasalar com sexo algum. Outro estudo, foi feito com ratos e gerbils, em que até 12% dos machos não mostraram interesse nas fêmeas. Contudo, como suas interações com outros machos não foram medidas, o estudo é de uso limitado no que toca à assexualidade (Westphal, 2004).

Uma pesquisa de opinião no Reino Unido sobre sexualidade incluiu uma pergunta sobre atração sexual, e 1% dos entrevistados responderam que "nunca se sentiram atraídos sexualmente por absolutamente ninguém" (Bogaert, 2004). O Kinsey Institute conduziu uma pequena pesquisa sobre esse assunto, que concluiu que "os assexuais parecem melhor caracterizados por pouco desejo sexual e excitação que por baixos níveis de comportamento sexual ou alta inibição sexual" (Prause e Graham, 2002). Esse estudo também menciona um conflito quanto à definição de "assexual": os pesquisadores descobriram quatro definições diferentes na literatura, e afirmaram que era incerto se aquelas identificando assexual estavam se referindo a uma orientação.

Lori Brotto[3] , pesquisadora britânica sobre o tema, ao iniciar a sua pesquisa de campo em grupos assexuais, acreditava que essas pessoas poderiam estar se considerando assexuais por alienação, pensamento suicida, sintomas psicopáticos, transtornos sexuais, ansiedade, stress pós-traumático, dentre outros problemas. Mas, ao aprofundar os seus estudos, percebeu que, entre os assexuais, não havia evidência dessa orientação sexual ser determinada por qualquer patologia.

Subclassificações[editar | editar código-fonte]

Há diferenças entre as pessoas que se identificam como assexuais, principalmente entre elas a presença ou ausência de uma direção sexual ou atração romântica. Alguns experimentam apenas um desses, enquanto outros experimentam ambos, e ainda outros nenhum deles. Há uma discórdia sobre qual dessas configurações pode genuinamente ser descrita como assexual.

A direção sexual desses assexuais que têm uma, não é dirigida a nada; é apenas um desejo por estimulação sexual ou liberação. Pode variar de fraco a forte, e de raro a frequente. Alguns assexuais experimentam sentimentos sexuais mas não têm desejo de fazer o ato, enquanto outros procuram liberação sexual, seja via masturbação ou por contato sexual, ou ambos.

Para aqueles assexuais que experimentam sentimentos de atração romântica, ela pode ser direcionada para um ou ambos os gêneros. Esses assexuais frequentemente têm desejos por relacionamentos românticos, variando de ligações casuais até casamento, mas frequentemente não querem que essas relações incluam atividade sexual. Por causa dessa orientação sexual, alguns assexuais se descrevem como assexuais homorromânticos, birromânticos, ou heterorromânticos; isso é relacionado ao conceito de orientação afetiva.

Aqueles assexuais que querem relacionamentos românticos estão numa posição difícil, já que a maioria das pessoas não são assexuais. Assexuais capazes de tolerar o sexo podem fazer par com não-assexuais, mas então sua falta de atração pode ser psicologicamente angustiante para seu companheiro, fazendo um romance de longa duração difícil. Assexuais que não podem tolerar o sexo devem ou se comprometer com seus companheiros e ter uma certa quantidade de qualquer jeito, dar a seus companheiros permissão de procurar sexo em algum outro lugar, ter relacionamentos sem sexo com aqueles poucos que ele tem desejo, só namorar outros assexuais, ou ficarem solteiros.

Alguns assexuais usam um sistema de classificação desenvolvido (e então aposentado) pelo fundador da Asexual Visibility and Education Network, uma das principais comunidades online de assexuais (abreviada como AVEN). Nesse sistema, assexuais são divididos em tipos de A a D: um assexual do tipo A tem direção sexual, mas sem atração romântica, um tipo B tem atração romântica mas não tem direção sexual, um do tipo C tem ambos, e o tipo D, nenhum. As categorias não significam que são inteiramente discretas ou "escritas na pedra"; o tipo de uma pessoa pode mudar, ou pode-se estar na fronteira entre dois tipos. Note que a própria AVEN não usa mais esse sistema, já que ele é muito exclusivo, mas um número de assexuais ainda a sentem como uma ferramenta útil para explicar sua orientação.

Note que a assexualidade não é o mesmo que celibato, que é a abstinência deliberada de atividade sexual; muitos assexuais fazem sexo, e a maioria dos celibatários não são assexuais.

Assexualidade e religião[editar | editar código-fonte]

Muitas religiões ou seitas religiosas acreditam que a assexualidade é uma condição espiritualmente superior, e alguns assexuais creem que sua falta de "desejos básicos" os permite sentir uma espiritualidade mais profunda, embora outros assexuais considerem isso uma atitude elitista. Por exemplo, é possível que em séculos passados, muitos padres católicos, monges, e freiras eram assexuais, incluindo muitos santos canonizados. Em outros credos, crianças eram consideradas um dom de Deus que não deveria ser recusado, um meio de espalhar a religião, ou ambos; deveria ser notado, no entanto, que alguns assexuais têm filhos, e algumas religiões elogiam tanto a assexualidade quanto as crianças. Além do mais, de acordo com algumas crenças religiosas, a sexualidade mesmo é sagrada ou um dom divino; certas variedades de Tantra envolvem sexo, por exemplo, e alguns tipos de neopaganismo e Nova Era incluem o conceito de sexualidade sagrada.

Atualmente, a assexualidade enfrenta pouca condenação religiosa.

Lista de pessoas que assumem ser assexuais[editar | editar código-fonte]

Assexualidade na ficção[editar | editar código-fonte]

Talvez o exemplo mais antigo de personagem assexual possa ser encontrado em Hipólito, que evita todas as mulheres e devota sua vida à castidade.

O Personagem de Sir Artur Conan Doyle, Sherlock Holmes, é outro exemplo de assexualidade.

Em Os Miseráveis, de Victor Hugo, os dois protagonistas, Jean Valjean e Javert, podem ser considerados assexuais.

Na ficção, o romance de John Braine The Jealous God (1964) é um bom exemplo de sexo visto principalmente como pecado. Por outro lado, em seu romance de ficção científica Distress (1995), Greg Egan imagina um mundo no século XXII onde "assex" é uma das sete configurações de gênero conhecidas. Citação de Distress:

"Asex não era nada mais que um termo guarda-chuva para um grupo largo de filosofias, estilos de vestir, mudanças cirúrgicas e de cosméticos, e alterações profundas biológicas. A única coisa que uma pessoa assex tinha necessariamente em comum com outra era a visão que os parâmetros de gênero (neural, endócrino, cromossômico e genital) não interessavam a ninguém mais, somente a si próprios, geralmente (mas nem sempre) a seus amantes, provavelmente a seu médico, e às vezes a alguns poucos amigos próximos. O que uma pessoa realmente fazia em resposta a essa atitude poderia variar de tão pouco como clicar no botão 'A' nos formulário de censo, a escolher um nome assex, a fazer redução de peito ou de pelos do corpo, ajustes do timbre de voz, reescultura facial, 'empouchment' (cirurgia para fazer os genitais masculinos retráteis), todas as formas de assexualidade neural ou física, hermafroditismo ou exoticismo." (Distress, paperback ed., p. 45)

Um exemplo de personagem assexual simpaticamente apresentado na ficção científica é Aghora, um dos Metabarões de Alejandro Jodorowsky, que não é apenas assexual, mas também um transexual.

O conto de Samuel R. Delany de 1969, "Aye, and Gomorrah..." retrata uma sociedade onde astronautas se tornam sem sexo por que a radiação cósmica faz seus órgãos reprodutores inúteis.

No anime Soul Eater, o personagem Chrona não só se mostra um assexual tipo B(tem uma pequena paixão escondida pela garota Maka Albarn mas não se importa com sexo), mas também há a suspeitas de que seja um assexual, um humano sem sexo definido, devido às suas ações não serem nem as de um jovem garoto e nem de uma garota. Só mais tarde através do mangá é confirmado que Chrona é uma menina .

O romance de Ryan A. Morgan de 1997, John-Jack Christian, conta sobre um adolescente lutando para lidar com sua assexualidade num ambiente adolescente normal, antes de recorrer ao fisiculturismo para se manter são.

Na série original de TV Doctor Who (1963–1989), o Doutor quase sempre era retratado como assexual apesar de sua regular companhia de mulheres jovens e atraentes. Já que a primeira companheira do Doutor, Susan Foreman, foi apresentada por sua neta, freqüentemente se assume, mas nunca foi confirmado, que o Doutor tenha sido casado anteriormente, e com filhos. O filme de 1996 causou alguma controvérsia entre os fãs do Doctor Who por ter o beijo do Oitavo Doutor com sua companheira Grace. Na nova série (2005–), o Doutor ocasionalmente flerta, e tem um relacionamento romanticamente tingido com sua companheira Rose Tyler.

Nas tirinhas online da K. Sandra Fuhr, Boy Meets Boy (terminado) e Friendly Hostility (em produção), o cínico Collin Sri'Vastra diz ser assexual. Mais tarde ele cria um relacionamento com sua melhor amiga, Kailen "Fox" Maharassa, mas seu nível afetivo/romântico parece ser muito baixo, pelo menos no início.

Um dos personagens centrais do The House of Spirits de Isabel Allende, Clara, poderia ser considerada assexual. Nos anos posteriores, ela expressava uma falta de interesse no coito, comentando que isso apenas fazia seus ossos doerem.

O personagem central que dá o nome ao livro Deadeye Dick de Kurt Vonnegut é assexual devido a um trauma de infância.

Um dos personagens principais do Sitcom The Big Bang Theory de 2007, Sheldon Cooper é também considerado pelos outros personagens como sendo assexual, mas na terceira temporada da série ele conhece Amy Farrah Fowler (que sofre suspeita de bissexualidade entre os fãs) e começa um relacionamento romântico não-sexual. Apesar de Amy viver se queixando disso e das piadas que sofrem, ela aparenta ser feliz com ele e o relacionamento e vice-versa. Apesar disso, muitos fãs torcem pelo "coito" dos dois e na sexta temporada Sheldon disse que isso era uma possibilidade (confirmada com um beijo na sétima temporada, mas questionada com a fuga dele no season finale, por que Leonard e Penny vão se casar e ele irá perder seu melhor amigo/colega de quarto).

O personagem Alê, interpretado por William Barbier em Malhação ID também é considerado assexual.

Em um episódio da 8ª temporada de House, M.D., o oncologista e melhor amigo do Dr. House, Dr. Wilson, trata um caso no qual o paciente se diz ser assexual, porém é depois descoberto que ele sofria de um prolactinoma.

No seriado Dexter o protagonista de mesmo nome é claramente um assexual, evitando quaisquer tipos de carícias sexuais por não se sentir bem elas, embora, ele tenha relações sexuais eventualmente apenas para não magoar sua namorada.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Asexuality Visibility and Education Network - http://www.asexuality.org
  2. Comunidade Assexual A2 - assexualidade.org
  3. Understanding Asexuality - [[1]]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]