Transgénero

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Transgeneridade (português brasileiro) ou transgenerismo (português europeu) (termo referente às pessoas transgênero (português brasileiro) ou transgénero (português europeu) ) refere-se à condição onde a expressão de gênero e/ou identidade de gênero de uma pessoa é diferente daquelas atribuídas ao gênero designado no nascimento.[1] Mais recentemente o termo também tem sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro. O prefixo trans significa "além de", "através de".

Transgênero é um conceito abrangente que engloba grupos diversificados de pessoas que têm em comum a não identificação com comportamentos e/ou papéis esperados do gênero determinado no seu nascimento. Esses grupos não são homogêneos dado que a não identificação com o gênero de nascimento se dá em graus diferenciados e refletem realidades diferentes.

Travestis e transexuais são tratadas como parte do grupo de transgênero, mas para alguns esses grupos vivenciam um gênero discordante de seu sexo e isso deveria ser tratado como uma questão de identidade e não como um procedimento cirúrgico e reivindicam serem reconhecidas de acordo com o gênero com o qual se identificam.

A psicóloga brasileira Jaqueline Gomes de Jesus define a população transgênero, ou simplesmente trans, como aquela "composta eminentemente por mulheres transexuais, homens transexuais e travestis, e por outros grupos, tais como os denominados crossdressers, drag queens/drag kings ou transformistas, queer / andróginos ou transgênero". [2]

A gênero designado entendemos como uma série de expectativas de implicações sociais baseadas nas características físicas (principalmente a genitália) com vias a dividir a sociedade humana em dois grandes grupos: homens e mulheres. A isso podemos incluir características de hábitos e comportamentos, que podem ser variáveis em relação a tempo/espaço como por exemplo em termos de roupa, embora seja comum um homem usar calças no dia-a-dia em Portugal e Brasil, tal não acontece em locais como o Vaticano, por outro lado em meados do século XX seria impensável uma mulher usar calças em Portugal, situação que hoje em dia é vista como socialmente aceitável. Também há outras características de comportamento que enquanto alguns a atribuem justificativas biológicas outros atribuem justificativas sociais e apontam suas origens no surgimento da sociedade patriarcal tais como passividade, cooperação, emoção nas mulheres e atividade, competição e razão nos homens.

Estereótipos de género existem de forma binária em áreas tão diversas como a forma de agir, cuidados com a apresentação, emprego, educação, responsabilidades e relacionamentos. Mais recentemente alguns destes estereótipos de género tornaram-se mais esbatidos e menos reforçados que no passado, tendo os governos tomado medidas activas neste sentido em áreas como o emprego.

A letra "T" da sigla LGBT era originalmente utilizada para identificar os travestis (incluindo crossdressers) e/ou transexuais, posteriormente passou a ser utilizada para identificar uma categoria supostamente mais abrangente de pessoas - os transgéneros. Contudo, muitas pessoas transgéneras não se consideram como parte deste movimento, por entender que as questões relacionadas com gênero e identidade fazem parte de um outro espectro não abrangido por grupos que primariamente focam suas ações em questões relativas à orientação sexual.

Pelo facto de, tecnicamente, os termos transexual, transgénero e travesti reflectirem realidades diversas, algumas pessoas preferem utilizar apenas a expressão trans ou a sigla T* para mais correctamente abranger todas estas pessoas.

Algumas pessoas transexuais não se consideram transgéneros, por não considerarem a si como em trânsito entre gêneros, entendem que sua identidade de gênero sempre foi uma só, e que foram designadas erroneamente.

Pode-se afirmar, e ao contrário do que se pensaria à primeira vista, que apenas algumas pessoas transexuais são englobados pelo conceito de transgénero. Muitas pessoas transexuais sentem-se enquadradas dentro dos papéis sociais tradicionais para os homens e as mulheres. O mesmo se passa com os andróginos, hermafroditas, e intersexuais onde a questão de ser ou não transgénero apenas se aplica se as características que os definem como andrógino ou intersexual são visíveis socialmente.

Praticamente em todas as sociedades a sexualidade (e, por inerência a orientação sexual) tem uma esfera visível em termos sociais, em actos tão variados desde uma troca de carícias em público até um acto formal de casamento, passando então a fazer parte do estereótipo social de género. Assumindo esta definição alargada de "género", as pessoas que actuem publicamente fora do comportamento pré-estabelecido como heterossexual (mesmo que no seu íntimo sejam efectivamente heterossexuais) podem também ser consideradas transgéneras.

Vários países e culturas do mundo têm sua forma específica de designar determinados sub-grupos de pessoas transgénero. Na Índia existem as hijras que foram designadas como homens no nascimento e mais tarde passaram a viver como mulheres, na Tailândia o termo Kathoey é utilizado de forma semelhante a transgénero.

As pessoas não-transgéneras são denominadas de cisgéneras.

No Brasil, entre os especialistas, não há consenso sobre o termo. As pessoas que não se identificam com qualquer gênero normalmente são identificadas com o termo queer, com a denominação andrógino, ou pelo termo genérico transgênero. [3]

A designação de gênero irá corresponder uma série de expectativas e comportamentos esperados e tem como primeira referência a genitália (sexo) no momento do nascimento, ou seja, a parte mais visível em termos sociais, o que tradicionalmente dividiu a sociedade entre homens e mulheres, como primeira classificação das pessoas em sociedade.

Observação gramatical[editar | editar código-fonte]

A palavra transgénero ainda não está dicionarizada na língua portuguesa. Contudo, seu uso torna-se a cada dia mais e mais corrente, dando margem à derivação. Ou seja, além dos substantivos transgénero e transgenerismo, temos ainda os adjetivos, de acordo com o que rege a norma culta da língua ("adjetivo concorda em gênero e número com substantivo").[4] [5] [6] Portanto: homem transgénero / mulher transgénera / grupos transgéneros / comunidades transgéneras. Em Portugal a palavra transgénero começou a ser utilizada pela primeira vez pela rede ex aequo - associação jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes, associação essa que mais tarde foi também a primeira que passou a adoptar o termo transgenerismo para substituição do termo transgenderismo, que soa como uma tradução grosseira e imprecisa do inglês transgenderism.

No português do Brasil, tanto a palavra como suas variantes se escrevem com um acento circunflexo em vez do agudo, quando este aparece. Por exemplo, transgênero.

Termos relacionados[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. National Center for Transgender Equality. Transgender Terminology. Maio de 2009.
  2. J G Jesus. Orientações sobre Identidade de Gênero: Conceitos e Termos. Página visitada em 6 de dezembro de 2012.
  3. J G Jesus. Orientações sobre Identidade de Gênero: Conceitos e Termos. Página visitada em 29 de agosto de 2013.
  4. UOL Educação
  5. www.infoescola.com.br
  6. Ciberdúvidas

Ligações externas[editar | editar código-fonte]