Lesbofobia

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Protesto contra a lesbofobia em São Paulo.

Lesbofobia (ou lesbifobia) inclui várias formas de negatividade em relação às mulheres lésbicas como indivíduos, como um casal ou como um grupo social. Com base nas categorias de sexo ou gênero biológico, orientação sexual, identidade lésbica e expressão de gênero, esta negatividade engloba preconceito, discriminação e abuso, além de atitudes e sentimentos variando de desdém a hostilidade. Como tal, a lesbofobia é sexismo contra as mulheres que intersecta com homofobia e vice-versa. Cynthia Petersen, uma professora de Direito na Universidade de Ottawa, definiu lesbofobia como também incluindo "o medo que as mulheres têm de amar outras mulheres, assim como o medo que os homens (incluindo gays) têm das mulheres não amá-los".1

Daniel Borrillo destaca que a homofobia geral denuncia "desvios e deslizes do masculino em direção ao feminino e vice-versa, de tal maneira que se opera uma espécie de atualização constante nos indivíduos, lembrando-os de seu “gênero certo”. Toda suspeita de homossexualidade parece soar como uma traição capaz de questionar a identidade mais profunda do ser". 2 Já a homofobia específica é uma forma de intolerância direcionada a gays e lésbicas; assim, a lesbofobia, como a "gayfobia", seria uma declinação da homofobia específica: "A lesbofobia consiste em uma especificidade no cerne de outra: a lésbica sofre uma violência particular advinda de um duplo menosprezo, pelo fato de ser mulher e pelo de ser homossexual. Diferentemente do gay, ela acumula discriminações contra o sexo e contra a sexualidade. O que caracteriza as lésbicas nas relações sociais baseadas em gênero é o fato de elas serem, devido a sua feminilidade, invisíveis e silenciosas".3

Historicamente, as lésbicas foram menos perseguidas que os gays, mas isso não pode ser interpretado como indicativo de maior tolerância, ao contrário, tal indiferença sinaliza uma depreciação ainda mais forte, "reflexo de uma misoginia que, ao fazer da sexualidade feminina um objeto do desejo masculino, torna impensáveis as relações erótico-afetivas entre mulheres".3 O desdém pela sexualidade feminina, inclusive a sexualidade lésbica, se transforma em violência quando as mulheres se recusam a cumprir seu papel "Biológico" de esposas e mães. A recusa do casamento e da maternidade seriam um perigo um perigo para a sociedade e para as prórpias mulheres, já que, ao se aproximarem de uma característica considerada viril, põem em risco a sua identidade e, o que seria mais nocivo, equilíbrio demográfico.4 "Ao desafiarem a norma que destina “por natureza” o sexo feminino para o casamento e para a maternidade, as lésbicas são espontaneamente associadas às feministas, que contestam esses únicos destinos possíveis. Antifeminismo e lesbofobia se alimentam, então, um do outro,sendo a lesbofobia uma fonte eficaz para retratar o feminismo como “antinatural” e “imoral”. Essa é a maneira como a caricatura antifeminista fez da mulher independente uma lésbica e da lésbica um personagem invisível, apagado, vítima de um sentimento passageiro e suscetível de “reparação” por meio da intervenção salutar de um homem 'de verdade"'. 4

Referências

  1. Petersen, Cynthia. (1994) "Living Dangerously: Speaking Lesbian, Teaching Law." Canadian Journal of Women & the Law 7(2).
  2. BORRILLO, Daniel. A homofobia. [S.l.: s.n.], 2009. p. 22.
  3. a b BORRILLO, Daniel. A homofobia. [S.l.: s.n.], 2009. p. 23.
  4. a b BORRILLO, Daniel. A homofobia. [S.l.: s.n.], 2009. p. 24.

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