Misoginia

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Misoginia (do grego μισέω, transl. miseó, "ódio"; e γυνὴ, gyné, "mulher") é o ódio, desprezo ou repulsa ao gênero feminino e às características a ele associadas (mulheres ou meninas). Está diretamente ligada à violência contra a mulher. Misoginia é o antônimo de filoginia, que é o apreço, admiração ou amor pelas mulheres, embora o termo "filoginia" possa ser considerado preconceito benevolente.

Definições[editar | editar código-fonte]

De acordo com o sociólogo Allan G. Johnson, "a misoginia é uma atitude cultural de ódio às mulheres porque elas são femininas." Johnson argumentou que: "A [misoginia] é um aspecto central do preconceito sexista e ideológico, e, como tal, é uma base importante para a opressão de mulheres em sociedades dominadas pelo homem. A misoginia é manifestada em várias formas diferentes, de piadas, pornografia e violência ao auto-desprezo que as mulheres são ensinadas a sentir pelos seus corpos."[1]

Michael Flood define a misoginia como o ódio às mulheres, e observa: "A misoginia funciona como uma ideologia ou sistema de crença que tem acompanhado o patriarcado ou sociedades dominadas pelo homem por milhares de anos e continua colocando mulheres em posições subordinadas com acesso limitado ao poder e tomada de decisões. [...] Aristóteles sustentou que mulheres existem como deformidades naturais e homens imperfeitos [...] Desde então, as mulheres em culturas Ocidentais tem internalizado seu papel como bodes expiatórios da sociedade, influenciadas no século 21 pela objetificação das mesmas pela mídia com seu autodesprezo culturalmente sancionado e fixações em cirurgia plástica, anorexia e bulimia."[2]

Elder Hosokawa diz que a palavra Misoginia, entre outros significados, como ódio ou aversão às mulheres ou ao contato sexual com elas. Tania Torres fala que a palavra é derivada do verso de Aristófanes (Lisístrata 1018), no qual o corifeu declara: egô misôn gynaikas, "porque eu odeio as mulheres".[3]

Alguns autores apontam que há, historicamente, uma tendência quase universal de se reduzir a humanidade ao termo "o homem" e a transformar e considerar as experiências masculinas como as experiências de todos os humanos, tanto para homens quanto para mulheres, sem dar o reconhecimento completo e igualitário à experiência feminina, postura que reflete um comportamento androcêntrico (propensão a supervalorizar o ponto de vista masculino). [4] Como exemplo temos a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, que só mais recentemente passou a ser referida como Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O conceito de misoginia repercutiu em diversas áreas de estudo, como a psiquiatria, psicologia, psicanálise, filosofia, sociologia, antropologia, etc.

Segundo Rita Maria Brudniewski Granato, a misoginia também pode ser definida como um transtorno psíquico, onde o misógino está envolvido num conflito entre a necessidade do amor de uma mulher e o medo profundo e arraigado das mulheres. Suas necessidades de intimidade com uma mulher estão misturadas com o medo de que ela possa aniquilá-lo emocionalmente, como foi em sua história pregressa. Suas experiências infantis é que geraram esse medo latente e inconsciente. A maneira como os pais se relacionam entre si e com os filhos poderia gerar o comportamento misógino. [5]


Misoginia na Grécia Antiga[editar | editar código-fonte]

Na antiga Grécia, a mulher estava sempre sujeita à autoridade de um homem. Para os gregos, a mulher se apresenta como naturalmente inferior ao homem, razão pela qual o matrimônio não previa relação necessariamente amorosa. Aristóteles a vê como um homem defeituoso e afirma que o feto feminino necessita de oitenta dias para receber sua alma, enquanto o feto masculino faz na metade desse tempo. À mulher estava destinada ao espaço privado do lar, enquanto o espaço público era ocupado pelo homem.[6]

Misoginia na Idade Média[editar | editar código-fonte]

Na Idade Média a honra, o prestígio e a religião formavam a base da conduta do homem. Esta última mantinha o controle sobre o matrimônio e a reprodução. Sem o direito ao conhecimento as filosofias religiosas solidificaram a ideia de bruxaria como pretexto para controlar o conhecimento das mulheres. Mesmo no Renascimento e nos séculos XVIII e XIX, conhecida como a época da ciência e do desenvolvimento humano, não houve modificações substanciais na vida da mulher, que permaneceu como reprodutora e tendo como base a religião. [7] [8] [9]

Misoginia na Modernidade[editar | editar código-fonte]

Na Modernidade um dos aspectos importantes da misoginia é a violência contra a mulher, aceita e em alguns casos apoiada pelo aparato jurídico e referendada pela separação entre público e privado. [8] [9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://books.google.com/books?id=V1kiW7x6J1MC&pg=PA197&dq=allan+johnson+misogyny&hl=en&ei=6jxbTMPDGMPgOO2KyakP&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CC0Q6AEwAQ#v=onepage&q&f=false
  2. http://books.google.com/books?id=EUON2SYps-QC&pg=PA444&dq=michael+flood+misogyny&hl=en&ei=fDxbTJjcJ4neOIio-eYN&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCUQ6AEwAA#v=onepage&q=michael%20flood%20misogyny&f=false
  3. TORRES, Tania M.L. Misoginia. São Paulo: Unaspress, 2012
  4. TORRAO FILHO, Amílcar (2005). Uma questão de gênero: onde o masculino e o feminino se cruzam 127-152 pp.. Visitado em 12 de setembro de 2013.
  5. GRANATO, Rita Maria Brudniewski. Relacionamentos conturbados: misoginia. Visitado em 12 de setembro de 2013.
  6. TORRES, Tania M.L. Misoginia. São Paulo: Unaspress, 2012
  7. DUBY, Georges; ZUBER, Christiane Klapisch. História das Mulheres no Ocidente: a Idade Média. Porto: Afrontamento, 1993
  8. a b DUBY, Georges; FARGE, Arlette; DAVIS, Natalie Zemon. História das Mulheres no Ocidente: do Renascimento à Idade Moderna. Porto: Afrontamento, 1994
  9. a b PERROT, Michele; FRAISSE, Genevieve; DUBY, Georges. História das Mulheres no Ocidente: o Século XIX. Porto: Afrontamento, 1994

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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