Intersexualidade

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Símbolo das variações da intersexualidade.

Intersexualidade, em seres humanos, é qualquer variação de caracteres sexuais incluindo cromossomos, gônadas e / ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo.[1]

Classificações[editar | editar código-fonte]

Escala Quigley para síndrome de insensibilidade androgênica.

Existem diversas causas para intersexualidade, dentre eles[2] :

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas a questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

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Um em cada 100 nascimentos possui algum nível de ambiguidade sexual e entre um e dois em cada 1.000 nascimentos essa ambiguidade é tal que precisa de cirurgia para diferenciação de gênero.[6] [2]

Heterogeneidade[editar | editar código-fonte]

Grupo de orgulho intersexual em 2010.

Heterogeneidade diz respeito ao facto de não existir, numa mesma pessoa/bebé, um alinhamento de todas as características sexuais por um só gênero, ou seja, não são todas tradicionalmente femininas, nem são todas tradicionalmente masculinas. As características ambíguas podem ser relativas a:

Orientação sexual[editar | editar código-fonte]

Bandeira do orgulho intersexual.

Intersexualidade, enquanto transgeneridade, é uma condição sexual e não uma orientação sexual. Portanto, as pessoas que se autodenominam intersexuais podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais ou assexuais. [2]

Terceiro gênero[editar | editar código-fonte]

Cada vez mais pessoas e famílias optam por manter essa condição e não se submeterem aos padrões preto-e-branco de gênero da sociedade. Muitos especialistas defendem que gênero que entre essa visão binária preto-e-branco existem diversos tons de cinza e portanto gênero deve ser visto como uma linha onde o masculino está em um extremo e o feminino em outro extremo e existe uma grande diversidade entre eles.[2]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Antes e depois de cirurgia em adolescente com ginecomastia.

O tipo de tratamento vai depender da causa e existem dois modelos possíveis[2] :

  • Modelo centrado no sigilo e cirurgia: Fazer a cirurgia e medicar nos primeiros 24 meses de vida;
  • Modelo centrado no paciente: Esperar o paciente crescer, explicar a complexidade das questões envolvidas e permitir que ele escolha qual gênero prefere, o momento que deseja a cirurgia e quais cirurgias prefere fazer.

Em caso de clitoromegalia e micropênis, esperar antes de fazer a cirurgia é importante para não correr o risco de prejudicar a funcionalidade do órgão sexual.[2] Outro motivo para esperar antes de fazer a cirurgia é evitar a insatisfação do paciente ao qual foi imposto um sexo, mas desenvolve preferência pelo outro.[7] [8] [2] É importante que os pais e o indivíduo possuam acompanhamento psicoterapêutico para lidar com suas ansiedades e frustrações relativas a toda complexidade envolvida na intersexualidade.[2]

Assim o tratamento moderno envolve psicoterapia para o indivíduo e sua família, cirurgia de redesignação sexual, cirurgia plástica para modificar caracteres sexuais primários e secundários e tratamentos hormonais. É mais fácil fazer genitais femininos e por isso ela tem sido preferida pelo modelo médico tradicional. Mesmo na abordagem centrada no paciente, recomenda-se que a cirurgia seja feita caso haja sério prejuízo funcional e desconforto genital.[2]

Referências

  1. Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.
  2. a b c d e f g h i SANTOS, Moara de Medeiros Rocha; ARAUJO, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de. Desenvolvimento da identidade de gênero em casos de intersexualidade: contribuições da Psicologia. 2006. 246 f. Tese de doutorado em psicologia. Universidade de Brasília, Brasília, 2006. [1]
  3. http://www.brasilescola.com/biologia/sindrome-de-klinefelter.htm
  4. http://www.ismh.org/en/sys/wp-content/uploads/2012/04/2_MERYN-epidemiology-SR-formatted-and-second-checked1.pdf
  5. http://www.vivo.colostate.edu/hbooks/genetics/medgen/chromo_eg/turners.html
  6. Fausto-Sterling, Anne (2000). Sexing the Body: Gender Politics and the Construction of Sexuality. New York: Basic Books. ISBN 0-465-07713-7.
  7. Sarah M Creighton, Catherine L Minto, Stuart J Steele, "Objective cosmetic and anatomical outcomes at adolescence of feminising surgery for ambiguous genitalia done in childhood" (Lancet 2001; 358:124-25).
  8. Sterlin, Anne (2000). Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. Chapter 3: Basic Books. pp. 44–77.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]