Preservativo
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Preservativo
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| Um preservativo | |
| Informações gerais | |
| Tipo | Barreira |
| Primeiro uso | 1995 (poliuretano) 1912 (látex) 1855 (borracha) Antiguidade (outros materiais) |
| Taxas de falha (por ano, látex) | |
| Uso perfeito | 2% |
| Uso típico | 10-18% |
| Uso | |
| Reversibilidade | sim |
| Lembretes aos usuários | Verifique se a embalagem não foi violada de alguma forma, como pequenas perfurações, assim como a data de validade do produto. |
| Vantagens | |
| Proteção contra DSTs | Sim |
| Benefícios | há a necessidade de medicamentos externos ou visitas ao médico |
| Desvantagens | |
| Riscos | Pode ser danificado pelos lubrificantes à base de óleo |
O preservativo é um método contraceptivo do tipo barreira.
Este é o método contraceptivo mais utilizado em todo o mundo, que ajuda não só no planejamento familiar como também reduz o risco de transmissão de diversas DSTs. É feito de látex ou poliuretano e geralmente já vem lubrificado, existindo em várias cores, aromas e tamanhos. Deve estar presente durante todo o ato sexual: deve colocar-se antes de iniciar a penetração e retirar-se depois da ejaculação, antes que o pênis perca a ereção.
Apesar de ser o método mais eficiente contra a transmissão do vírus HIV (causador da epidemia da SIDA), o uso de preservativo não é aceito pela Igreja Católica Romana, pelas Igrejas Ortodoxas e pelos praticantes do Hinduísmo. O principal argumento utilizado pelas religiões para sua recusa é que um comportamento sexual avesso à promiscuidade e à infidelidade conjugal bastaria para a protecção contra DSTs. 1
Índice |
História [editar]
Atribui-se ao povo grego o uso de bexigas natatórias de peixes e o uso feminino de bexiga de animais. Na Idade Média, entre fórmulas que incluíam partes sexuais, urina e excremento de animais, o modo supersticioso de contracepção avançava para o uso de um preservativo de linho envoltório, por vezes embebido em substâncias ditas medicinais. Os chineses usavam um envoltório feito com papel de seda untado com óleos. Há relatos de preservativos femininos feitos de vegetais.2
Nos séculos XV e XVI, a sífilis era um problema que atemorizava o Velho e o Novo Mundo, quando Gabrielle Fallopio, que descreveu as trompas femininas, realizou o primeiro teste clínico com um preservativo feito de linho e tratado com ervas para prevenir a doença, surgindo daí o nome "camisa de vênus", ou "luva de vênus".3 Um século depois, um médico inglês - conhecido como dr. Condom - resolveu criar um protetor feito com tripa de animais para o rei Carlos II de Inglaterra, a fim de evitar o nascimento de tantos filhos ilegítimos (No entanto não há qualquer evidência de que tal médico tenha realmente existido).
No século XVII, um artesão desenvolveu preservativos a partir intestino de carneiro, que funcionavam como uma segunda pele. Produzida em escala industrial (1780), a França, famosa por seus prostíbulos, passou a exportar o produto.4 Em 1870 surgiram os primeiros preservativos de borracha natural. Entretanto, eram incômodos e não descartáveis. O preservativo de látex é uma invenção americana que se popularizou em 1930. A partir dos anos 1960, perde terreno para a pílula anticoncepcional e medicamentos de combate a maioria das doenças venéreas. O advento da AIDS reabilitou o uso das camisinhas.
Em 1839, o americano Charles Goodyear descobriu o processo de vulcanização da borracha tornando-a mais maleável e resistente, porém somente em 1870 o preservativo de látex passou a ser fabricada em série.
Vantagens [editar]
- De fácil aquisição, é o método ideal para relações ocasionais ou imprevistas.
- Pode ser utilizado sem contra-indicações, e é o único método contraceptivo que reduz a incidência grandemente de doenças venéreas como a SIDA (Aids no Brasil), a gonorréia, entre outras. Porém pode falhar contra o HPV (Efetividade do preservativo Contra DSTs, WHO, 2004).
Desvantagens [editar]
- Se for mal aplicado ou utilizado mais de uma vez, pode romper, não evitando a transmissão do sêmen.
- Como é de utilização única, o custo de cada preservativo não é um factor desprezível, apesar de, no Brasil, os postos de saúde da rede pública fornecerem gratuitamente preservativos, sendo estes da largura padrão (52 milímetros).
- Algumas pessoas são alérgicas ao látex, material de que são compostos a maioria dos preservativos disponíveis (existem também preservativos em outros materiais).
Precauções [editar]
- Convém utilizar marcas conhecidas com controle de segurança e respeitar os prazos de validade. No Brasil, deve ter o selo de aprovação do Inmetro.
- Não é aconselhável lubrificá-lo com vaselina ou óleos, nem expô-lo ao calor (porta-luvas do carro, carteira, bolsos das calças etc.). Se for necessária lubrificação extra, devem ser usados produtos específicos, à base de água, que podem ser facilmente encontrados em supermercados e farmácias.
- Ao ser aberto, deve-se ter cuidado com as unhas e os anéis. Nunca abrir a embalagem com os dentes.
- No passado,existiam tamanhos variados de preservativos, desde os especiais para adolescentes até os destinados a pênis mais grossos que a média. Por determinação da OMS (Organização Mundial de Saúde) o tamanho foi padronizado de acordo com o tamanho médio peniano.
- Ao contrário do pensamento popular, o uso de dois preservativos ao mesmo tempo não é benéfico, podendo prender a circulação sanguínea na região do pênis, acarretando sérios problemas. Além disso, o atrito entre os preservativos pode rompê-los.
- A camisinha deve ser colocada antes de qualquer contato das regiões genitais entre as duas pessoas, pois algumas doenças são transmitidas facilmente pelo contato. Além disso, algumas gotas de sêmen saem do pênis antes da ejaculação, existindo o risco de gravidez.
- Não utilize a camisinha mais de uma vez. Ela não pode ser utilizada em mais de uma relação.
- Se quiser usar lubrificantes, utilize somente aqueles à base de água à venda em farmácias. No caso de sexo anal, o uso de lubrificantes é especialmente recomendado.
- Lave bem as mãos antes de colocar o preservativo pois pode haver sujeiras e bactérias, que podem causar doenças.
Colocação correta do preservativo [editar]
Ao colocar o preservativo, de modo a evitar possíveis rompimentos ou danos ao material, garantindo a eficácia do método contraceptivo, o usuário deve seguir uma seqüência de passos recomendada pelos fabricantes. Os passos mais importantes são:
- Primeiramente, verificação da data de vencimento do preservativo na caixa ou na embalagem. Não se deve utilizá-lo se tal data já estiver expirada (eles podem parecer normais, mas se rompem mais facilmente).
- A abertura da embalagem deve ser feita cuidadosamente em um de seus lados, evitando a abertura com dentes e unhas, o que poderia causar a ruptura do preservativo.
- O usuário deve apertar levemente a extremidade (reservatório de sêmen) do preservativo para evitar o acúmulo de ar nesta região. As bolsas de ar podem romper um preservativo facilmente.
- Deve-se verificar o lado correto do preservativo antes de desenrolá-lo. O preservativo deve ser colocado na ponta do pênis ereto. Há duas maneiras de colocá-lo, mas o preservativo se desenrola em somente uma delas.
- O preservativo deve ser desenrolado sobre o pênis, até a base.
- Antes de começar a relação sexual, é recomendável testar se o preservativo não está "folgado" no pênis.
- Nunca se deve utilizar o mesmo preservativo mais de uma vez. Cada relação sexual necessita de um novo preservativo.
- O preservativo deve ser retirado do pênis logo após a ejaculação. Segurar o preservativo enquanto retira o pênis da vagina ou ânus evita vazamentos.
Efetividade [editar]
Prevenção contra DSTs [editar]
De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos em 2000, o uso de preservativos de latéx pode:
- quando usado regularmente reduzir o risco de transmissão de SIDA/HIV.
- quando usado correctamente reduzir o risco de gonorréia nos homens.
- quando usado correctamente reduzir o risco de transmissão de Chlamydia trachomatis, tricomoníase e sífilis.
- reduzir o risco de manifestações relacionadas com o HPV (embora sem dados conclusivos sobre a transmissão do mesmo).
- sem conclusões no caso da herpes genital e do cancro mole.
O estudo também concluiu que os preservativos masculinos de latéx têm:
- taxas de quebra entre 0.4 a 2,3%
- taxas de deslizamento equivalentes
Estas taxas são influenciadas pela experiência do usuário, tamanho do preservativo e utilização de lubrificação. De modo geral, a eficácia para prevenir DSTs ronda 95%, mas a eficácia como contraceptivo é ligeiramente superior, 97%, quando usado de forma adequada.5
Um artigo no American Journal of Gynecologic Health mostrou que "todas as mulheres que usaram Reality® (uma marca de preservativo feminino) corretamente e freqüentemente ficaram protegidas do protozoário Trichomonas vaginalis (causador da tricomoníase vaginal)".
Causas de falha [editar]
Geralmente as causas mais comuns são rompimento,acumulo de ar no interior do preservativo e deslizamento após a ejaculação.
Preservativo feminino [editar]
É um dispositivo de plástico, maior e mais largo que o preservativo masculino, que deve ser introduzido na vagina. Uma das extremidades, que é fechada, deve ser acomodada ao fundo da cavidade da vagina; a outra, aberta, fica do lado de fora do órgão genital feminino. As camisinhas masculina e feminina não devem ser usadas ao mesmo tempo. Esses preservativos podem aderir um ao outro e se deslocar de onde devem permanecer durante o ato sexual.
A médica sul-africana Sonnet Ehlers, desenvolveu um preservativo feminino que pode ajudar mulheres vítimas de tentativa de estupro, conhecida como "camisinha antiestupro".6 7
Respostas religiosas contra o preservativo [editar]
Várias comunidades religiosas (como a católica, a muçulmana e a protestante) vêem problemas na utilização do preservativo por seus seguidores.
Outras comunidades religiosas não se preocupam tanto com o uso do preservativo. Estas comunidades deixam a cargo dos envolvidos para escolherem o que acham melhor para si mesmos.
Reação católica [editar]
Segundo a doutrina católica, o uso atual e indiscriminado de preservativos incentiva um estilo de vida sexual imoral, promíscuo, irresponsável e banalizado, onde o corpo é usado como um fim em si mesmo e o parceiro(a) é reduzido(a) a um simples objeto de prazer. Esse tipo de vida sexual é fortemente condenado pela Igreja Católica.8 Em relação ao uso do preservativo como um método contraceptivo, a Igreja Católica condena também expressamente o seu uso.9 .
O Papa Bento XVI reafirmou, durante a sua visita aos Camarões e à Angola (17 de Março a 23 de Março de 2009), que somente a distribuição de preservativos não ajuda a controlar o problema da SIDA (AIDS), mas, pelo contário, contribuiria para "piorar a situação". Tais declarações desencadearam uma tempestade de críticas e condenações por parte de governos e das ONGs. O director executivo do Fundo Mundial de Luta contra a SIDA, a tuberculose e o paludismo, Michael Kazatchine, pediu a Bento XVI que retirasse as suas declarações "inaceitáveis". 10
Contudo, em 2010, o Papa Bento XVI afirmou, de forma coloquial e não-oficial, que o uso do preservativo pode ser justificável em alguns casos pontuais para diminuir o risco de contágio às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), "como por exemplo a utilização do preservativo por um(a) prostituto(a)". Porém, o Papa defendeu que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando a abstinência e a fidelidade conjugal não resultarem. Para o Papa, "a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade", por isso ele reafirma que o uso de preservativos não é "a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por HIV" e não é "uma solução verdadeira e moral". Segundo a doutrina católica, a fidelidade no casamento, o amor recíproco, a castidade e a abstinência são os melhores meios de combater as DSTs.8 11 12 13
Ver também [editar]
Referências
- ↑ Reconhecido cientista assegura: papa tinha razão sobre a AIDS.
- ↑ Ana Elisa Camasmie (1 de maio de 2007). Camisinha: Cobertura do sexo (em português). Guia do Estudante. Aventuras na História. Página visitada em 23 de dezembro de 2012.
- ↑ Preservativo, Sida e Saúde Pública.
- ↑ Revista História Viva, nº 19, pg. 19. Editora Duetto. São Paulo (2010).
- ↑ Preservativos masculinos (em espanhol). Center for young womamn's health. Página visitada em 23 de dezembro de 2012.
- ↑ Revista Época. Inventora distribui camisinha “antiestupro” na África do Sul durante a Copa. Página visitada em 04/01/2012.
- ↑ Superinteressante. Médica sulafricana distribui camisinhas antiestupro na Copa. Página visitada em 04/01/2012.
- ↑ a b Igreja, sexo e camisinhas. Diocese de Joinville. Página visitada em 8 de Junho de 2009.
- ↑ Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 498
- ↑ França condena declarações do Papa sobre o preservativo. Público (18 de Março de 2010). Página visitada em 24 de Outubro de 2010.
- ↑ VERDADE DOS FATOS SOBRE BENTO XVI E O USO DE CAMISINHA. Beraká (21 de Novembro de 2010). Página visitada em 22 de Novembro de 2010.
- ↑ Papa justifica o preservativo em alguns casos, mas confirma o Magistério. Zenit (21 de Novembro de 2010). Página visitada em 22 de Novembro de 2010.
- ↑ Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi (em italiano). L'Osservatore Romano (21 de Novembro de 2010). Página visitada em 22 de Novembro de 2010.
Ligações externas [editar]
- Sítio do governo brasileiro sobre o preservativo masculino (em português)
- Sítio do governo brasileiro sobre o preservativo feminino (em português)
- Sítio da indústria farmacêutica Roche sobre os benefícios do preservativo (em português)
- Sítio da campanha Staying Alive alertando sobre os benefícios do uso de preservativos (em português)
- Notícia do jornal O Globo: "Mulheres ainda rejeitam preservativos femininos" por Juliana Braga
- Sítio do Inmetro sobre os cuidados que se deve ter com os preservativos (em português)
- Terra - Vida e Saúde: "As vantagens da camisinha" (em português)
- Portal da Família: "Gravidez na Adolescência" por Sueli Caramello Uliano
- A situação da SIDA em Moçambique (em português)
- Associação Portuguesa de Maternidade e Vida: Prevenção da SIDA
- Histórias das primeiras menções de preservativos na TV (em inglês)
- Como usar o preservativo feminino (as fotos podem ser constrangedoras) (em inglês)
- Como usar o preservativo masculino (as fotos podem ser constrangedoras) (em francês)
- Sítio do governo norte-americano sobre formas de prevenção da gravidez na adolescência (em inglês)
- Como é feita a camisinha? (em português) no Mundo Estranho.