Pílula contraceptiva oral combinada

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Pílula contraceptiva oral combinada
Informação
Tipo Hormonal
Primeiro uso 1960
Taxas de gravidez (primeiro ano)
Uso perfeito 0.1 %
Uso típico 5 %
Utilização
Duração do efeito 1-4 dias
Reversibilidade Sim
Notas Deve ser tomada a cada intervalo de (nas mesmas) 12 horas do dia
Intervalo clínico 6 meses
Vantagens e desvantagens
Proteção contra DST Não
Aumento de peso Não. (As mais antigas sim)
Vantagens na menstruação As cólicas são reguladas, e geralmente mais leves e menos dolorosas
Benefícios Diminuição do risco de câncer no ovário e endométrio.
Pode tratar acne, PCOS, endometriose.
Riscos Aumento de TVPs, derrames, câncer de mama

A pílula contraceptiva oral combinada, também conhecida como pílula anticoncepcional, ou simplesmente "a pílula", é uma combinação de estrogênio e progestágeno administrada oralmente para inibir a fertilidade normal da mulher. Os contraceptivos orais foram aprovados para o uso inicialmente nos Estados Unidos em 1960, e são uma forma muito popular de controle de natalidade. São usadas atualmente por mais de 100 milhões de mulheres em todo o mundo e por quase 12 milhões de mulheres nos Estados Unidos.[1] [2] Os usos variam amplamente entre os países,[3] idades, educação e estado matrimonial: um quarto das mulheres entre 16 e 49 anos na Grã-Bretanha atualmente usam a pílula (pílula combinada ou mini-pílula),[4] em comparação a somente 1% das mulheres no Japão.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Embalagem de pílulas contraceptivas

A síntese da Noretindrona, composto base do primeiro contraceptivo oral, foi realizada no dia 15 de outubro de 1951, pelo químico mexicano Luis E. Miramontes quando ele tinha somente 26 anos de idade. Miramontes recebeu a patente do composto junto com Carl Djerassi e Jorge Rosenkranz, da companhia química mexicana Syntex S.A.

Uso clínico[editar | editar código-fonte]

É importante destacar que o uso da pílula contraceptiva para o tratamento das doenças acima não é obrigatório. Seu uso deve ser avaliado tanto pela paciente quanto por ginecologista, e adequado a cada caso.

Mecanismo de ação[editar | editar código-fonte]

A maturação dos folículos necessita de hormonas da hipófise (glândula endócrina junto ao cérebro), a FSH (Folicle stimulating hormone ou hormona estimuladora do folículo) e também a LH. Normalmente surgem vários folículos ováricos (cada um com 1 ovócito) em crescimento que, ao aumentarem de tamanho, excretam estrogénios em cada vez maior quantidade que actuam por feedback negativo na hipófise, havendo redução progressiva da libertação de LH e FSH. Os vários folículos então competem por essas escassas hormonas, sendo que o maior folículo (que tem maior superfície e portanto mais receptores para elas) é activado suficientemente e os menores degeneram. Esse folículo maior então produz cada vez mais estrogénio, até que em altas concentrações ocorre conversão do feedback negativo em feedback positivo que leva à excreção em massa de LH e FSH que estimulam o rompimento do folículo e a ovulação.

A administração de doses baixas mas constantes de estrogénio e progesterona inibe a produção de FSH e LH na hipófise, por feedback negativo enquanto todos os folículos são ainda pequenos. A diminuição das concentrações de FSH e LH leva ao não desenvolvimento dos folículos que surgem, já que nenhum deles é suficientemente grande para ter receptores de FSH suficientes para não degenerar.

Ou seja, há como que uma simulação da produção de estrogénio por um folículo grande apesar de nenhum existir (porque o estrogénio vem do medicamento), e portanto todos os folículos degeneram de acordo com o mecanismo normal de "seleção natural" de apenas um deles, o maior, para ovular. Devido à pílula ele não existe, portanto não há ovulação de nenhum.

Eficácia[editar | editar código-fonte]

O índice de Pearl é frequentemente usado para comparar a eficácia dos diferentes métodos de contracepção.[6] Ele é expresso como o "número de gravidezes indesejadas em 100 mulheres normalmente férteis em um período de um ano". Cada método de controle de natalidade tem dois números no índice de Pearl:

  • efetividade do método: é o número do índice de Pearl para uso sob condições perfeitas. O número de efetividade do método para a pílula anticoncepcional tem sido medido entre 0,3 e 1,25, o que significa que em condições ideais, entre 0,3 e 1,25 usuárias a cada 100 se tornaram grávidas durante o primeiro ano de uso perfeito da pílula (índice de Pearl = 0,3 a 1,25).
  • efetividade do usuário ou efetividade típica: é o número do índice de Pearl para uso que não é consistente ou sempre correto. A efetividade do usuário medida pelo índice de Pearl para a pílula anticoncepcional está entre 2,15 e 8,0, o que significa que entre 2,15 e 8,0 usuárias a cada 100 se tornaram grávidas durante o primeiro ano de uso típico da pílula (índice de Pearl = 2,15 a 8,0).[7] [8]

Se a mulher começar a tomar a pílula dentro de cinco dias após o início do seu ciclo menstrual (o ciclo menstrual inicia no primeiro dia de sangramento), ela irá ter uma proteção contra a gravidez desde a primeira pílula que tomar. Se uma mulher começar a tomar a pílula em outro período do ciclo menstrual, ela deve usar outra forma de contraceptivo por sete dias.[9]

Ocasionalmente muitas mulheres esquecem de tomar a pílula diariamente, prejudicando a sua efetividade. O uso correto do pacote de pílulas para 21 dias é tomar as pílulas todos os dias aproximadamente no mesmo horário do dia durante 21 dias, seguidos por uma pausa de sete dias.

O uso de outros medicamentos pode impedir que a pílula funcione, devido a interações com o metabolismo dos constituintes hormonais. Uma diarréia também pode fazer com que a pílula pare de funcionar, porque ela faz com que os hormônios contidos nas pílulas não sejam adequadamente absorvidos pelos intestinos.

Fármacos usados[editar | editar código-fonte]

Há vários tipos de pílula, cada um com análogos dos estrogénios ou progesteronas em coquetéis diferentes.

Derivados estrogénicos comuns[editar | editar código-fonte]

Derivados da progesterona[editar | editar código-fonte]

Administração[editar | editar código-fonte]

Podem ter um estrogénio e uma progesterona, ou mais recentemente só progesterona (também inibe sozinha a libertação hipofisária de FSH).

Há embalagens monofásicas (sempre mesmas doses e fármacos), bifásicas ou trifásicas (três fases cada uma com doses e/ou fármacos diferentes).

Existem ainda, além das embalagens com pílulas orais (com ou sem pausa de alguns dias), preparações para implantação subcutânea com libertação automática.

A pílula é grátis nos centros de planejamento familiar em Portugal, assim como na maioria dos Postos de Saúde da rede pública no Brasil.

Efeitos contraceptivos[editar | editar código-fonte]

A pílula contraceptiva oral combinada age por três mecanismos importantes:

1) Inibição da ovulação (principal efeito)

2) Atrofia do endométrio (impede a implantação do embrião)

3) Espessamento do muco do colo uterino (impede a entrada dos espermatozoides)

Estes mecanismos são simultâneos e garantem elevada eficácia da pílula quando tomada adequadamente.

A eficácia da pílula é perdida nos seguintes casos:

  • esquecimento de sua ingestão por mais de 12 horas
  • surgimento de diarreia e/ou vômitos nas primeiras horas de sua ingestão
  • uso de antibióticos ou medicamentos que são citados na própria bula da pílula

Em caso de esquecimento de tomada da pílula por mais de 12 horas, deve-se tomar as seguintes medidas para prevenção de gravidez:

a) esquecimento na primeira semana da cartela: Se houve relações sexuais na semana anterior, há risco de gravidez. Deve-se procurar um médico. Se não houve relações, deve-se tomar a pilula esquecida assim que se lembrar e usar método de barreira (camisinha) nos próximos 7 dias.

b) esquecimento na segunda semana da cartela: Tomar a pílula esquecida assim que se lembrar, não há necessidade de outros procedimentos.

c) esquecimento na terceira semana da cartela: Tomar a pílula esquecida assim que se lembrar, continuar a cartela até o fim e não fazer a pausa. Deve-se iniciar a próxima cartela sem interrupção. Ou, pode-se aproveitar o esquecimento da pílula para já fazer a pausa e depois do intervalo correto, iniciar nova cartela. Não há risco de gravidez.

Esses procedimentos são seguros para o esquecimento de uma única pílula. Caso o esquecimento seja de mais pílulas, o risco de gravidez é elevado independente da semana do esquecimento.

A pílula anticoncepcional atua por ação de hormônios que impedem a gravidez por três efeitos expressivos e conjuntos. Porém, como a dosagem hormonal da pílula é bastante baixa, a sua ingestão de forma incorreta leva a uma grande perda de eficácia. Portanto, a pílula é extremamente segura se tomada corretamente e bastante insegura se seu uso for inadequado. A qualidade deste método contraceptivo depende muito da disciplina da usuária.

Efeitos adversos[editar | editar código-fonte]

  • Alterações do humor e comportamento ligeiras.
  • Subida da tensão arterial ligeira.
  • Aumento da hormona tiroxina da tiróide.
  • Aumentam o colesterol e os outros lipídios moderadamente.
  • Maior pigmentação cutânea (escurecimento da pele)
  • Aumento ligeiro da função cardíaca.
  • Por vezes muito ligeiro efeito virilizante (devido à pequena atividade androgénica da progesterona), menos pronunciado nas pílulas de última geração.
  • Aumento de peso
  • Retenção de líquidos
  • Redução da libido[10] [11] [12]

Raramente:

Cuidados e contra-indicações[editar | editar código-fonte]

Os contraceptivos orais podem influenciar a coagulação, aumentando o risco de uma trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto do miocárdio (ataque cardíaco). Os contraceptivos orais combinados geralmente são contraindicados para mulheres com doença cardiovascular pré-existente, mulheres que têm tendência familiar de formar coágulos sanguíneos (como as que tem o hereditário Fator V de Leiden), mulheres com obesidade severa e/ou hipercolesterolemia (alto nível de colesterol) e tabagistas com mais de 35 anos.

As pesquisas sobre a relação entre o risco de câncer de mama com a contracepção hormonal são complexas e aparentemente contraditórias.

As autoridades médicas afirmam que os potenciais riscos à saúde dos contraceptivos orais são menores do que aqueles da gravidez e nascimento.[13] Algumas organizações argumentaram que a comparação do método contraceptivo com o não-método (a gravidez) não é relevante - ao contrário, a comparação da segurança deve ser feita entre os diferentes métodos de contracepção.[14]

Aplicação[editar | editar código-fonte]

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Deve ser tomada todos os dias durante 21 dias seguidos por mês, sempre à mesma hora (para a maioria das pílulas o atraso é de 12 horas).

  • Embalagens de 21 comprimidos
Toma-se todos os dias sem parar, interrompe-se 7 dias, inicia-se nova embalagem no 8º dia.
  • Embalagens de 28 comprimidos
Tomar sem parar.

Em que dia se deve começar a tomar a pílula?

Se: Quando?
Nunca tomou 1º dia da menstruação
Está a tomar a embalagem de 21 comprimidos Interrompe-se 7 dias e começa-se nova emb.
Esta a tomar a embalagem de 28 comprimidos Começa-se após o 28º dia da pílula.

Nota: Todas as pílulas trazem folhetos explicativos de como se deve tomar, pode também falar com o enfermeiro do Centro de Saúde. Não esqueça que a pílula não protege contra doenças sexualmente transmissíveis, pelo que o preservativo deve sempre ser usado para prevenção de doenças.

Quando deve consultar um médico[editar | editar código-fonte]

Deve fazer uma primeira consulta, depois um controlo ao fim de 3 meses e, por fim, visitas regulares de 9 em 9 meses. No entanto, se enquanto tiver a tomar a pílula ocorrer as seguintes opções, deve consultar um médico:

  • Ganho de peso repentino, sem que tenha havido mudança na dieta ou no estilo de vida;
  • Dores de cabeça fortes e fora do comum;
  • Dores na barriga da perna ou no tórax;
  • Vômitos ou diarreia persistente
  • Corrimento mamário;
  • Hemorragias vaginais abundantes;
  • Qualquer sintoma que não tenha tido antes de tomar.

Pílula do dia seguinte[editar | editar código-fonte]

Esta pílula é inibidora da ovulação, sendo actualmente impossível afirmar ou infirmar de forma cientifica, se é também inibidora da fecundação e/ou da implantação.

Deve ser usada da forma prescrita e apenas pontualmente, em situações especiais. A ênfase no uso esporádico se justifica porque a pílula do dia seguinte joga no corpo um nível de hormônios bastante alto, que pode trazer efeitos colaterais, e o uso excessivo diminui sua eficácia e facilita distúrbios hormonais. Mas, na maioria dos casos, e tendo uso correto, a pílula do dia seguinte não traz riscos para a saúde.

A contracepção de emergência é utilizada há cerca de 20 anos em muitos países do mundo e foi considerada segura para a saúde da mulher pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por muitas outras Agências Mundiais de saúde.

A contracepção de emergência pode ser usada depois de se ter relações sexuais desprotegidas ou quando, por exemplo, o preservativo se rompe, quando houve esquecimento da pílula, ou depois de uma situação complicada como é uma violação ou uma relação sexual não desejada, por forma a evitar uma gravidez. Deve-se tomar o mais cedo possível,após a relação sexual.

A contracepção de emergência está disponível em Portugal, sem receita médica. Se precisar de a utilizar, recorra a um Centro de Atendimento para Jovens, a um Centro de Saúde ou a um Gabinete de Apoio à Sexualidade Juvenil do Instituto Português da Juventude.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Hatcher, Robert A.; Nelson, Anita. In: in Hatcher, Robert A. (ed.). Contraceptive Technology. 18th rev. ed.. ed. New York: Ardent Media, 2004. 391-460 pp. ISBN 0-966-49025-8.
  2. Mosher WD, Martinez GM, Chandra A, Abma JC, Willson SJ. (2004). "Use of contraception and use of family planning services in the United States: 1982-2002". Adv Data (350): 1-36. PMID 15633582. all US women aged 15-44
  3. UN Population Division. World Contraceptive Use 2005. New York: United Nations, 2006. ISBN 9-211-51418-5. women aged 15-49 married or in consensual union
  4. Taylor, Tamara; Keyse, Laura; Bryant, Aimee. Contraception and Sexual Health, 2005/06. London: Office for National Statistics, 2006. ISBN 1-85774-638-4. British women aged 16-49: 24% currently use the Pill (17% use Combined pill, 5% use Minipill, 2% don't know type)
  5. Aiko Hayashi. "Japanese Women Shun The Pill", CBS News, August 20, 2004. Página visitada em 2006-06-12.
  6. Pearl R.. (1933). "Factors in human fertility and their statistical evaluation". Lancet 2: 607-611.
  7. Audet MC, Moreau M, Koltun WD, Waldbaum AS, Shangold G, Fisher AC, Creasy GW. (2001). "Evaluation of contraceptive efficacy and cycle control of a transdermal contraceptive patch vs an oral contraceptive: a randomized controlled trial" (Slides of comparative efficacy]). JAMA 285 (18): 2347-54. PMID 11343482.
  8. Guttmacher Institute. Contraceptive Use Facts in Brief Guttmacher Institute. Visitado em 2005-05-10. - see table First-Year Contraceptive Failure Rates
  9. Johnson, Jennifer (March 2006). Starting the Pill The Pill Planned Parenthood. Visitado em 2007-01-27.
  10. Pílula anticoncepcional pode alterar a libido, alerta especialista Abril.com
  11. GASPARIN, Gabriela Anticoncepcionais podem reduzir libido; mudar pílula soluciona problema Folha Online
  12. Pílulas anticoncepcionais podem causar queda da libido em algumas mulheres UOL News
  13. Crooks, Robert L. and Karla Baur. Our Sexuality. Belmont, CA: Thomson Wadsworth, 2005. ISBN 0-534-65176-3.
  14. Holck, Susan. Contraceptive Safety Special Challenges in Third World Women's Health 1989 Annual Meeting of the American Public Health Association. Visitado em 2006-10-07.