Síndrome do ovário policístico

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Síndrome do ovário policístico
Ultrassonografia de ovário policístico.
Classificação e recursos externos
CID-10 E28.2
CID-9 256.4
OMIM 184700
MedlinePlus 000369
eMedicine med/2173 ped/2155 radio/565
MeSH D011085
Star of life caution.svg Aviso médico

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP), também conhecida como “síndrome de Stein-Leventhal”, “doença cística do ovário”, “anovulação crônica hiperandrogênica”[1] e "Polycystic Ovary Syndrome" (em inglês, sendo igualmente referida, neste idioma, pela sigla PCOS), vem a ser uma grave e crônica (e até o presente momento incurável) endocrinopatia muito frequente entre as mulheres.

Conquanto seja detentora de uma variada gama de causas que ainda não foram inteiramente compreendidas pela ciência, pesquisas apontam no sentido de que tal síndrome possua raízes genéticas [2] [3] [4] . Ocorre, todavia, que a ciência também vem conseguindo demonstrar que a SOP pode igualmente ser causada, estar relacionada e/ou ser agravada por impactos no período pré-natal, fatores epigenéticos, impactos inter-relacionados ao meio ambiente (especialmente em função da contaminação ocasionada pelos chamados disruptores endócrinos industriais [5] , tais como o Bisfenol A - BPA - este muito presente em produtos plásticos - e determinados fármacos) e pelos crescentes índices de obesidade [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] [15] [16] . Vide a respeito, neste artigo, o tópico "Causas da Síndrome do Ovário Policístico".

Acredita-se que a Síndrome do Ovário Policístico alcance até 20% (alcançando o pico de 26% no Reino Unido, conforme critério de Rotterdam) das mulheres em idade reprodutiva (aproximadamente entre 12 a 45 anos) [17] , manifestando-se, em geral, a partir da puberdade; tendo em vista as suas interações clínicas e bioquímicas, o estudo da síndrome interessa, igualmente, a várias outras áreas do conhecimento [18] .

A SOP, portanto, vem a ser uma das principais causas de subfertilidade das mulheres [19] [20] [21] e o problema endócrino mais frequente durante o período reprodutivo feminino [22] .

A constatação, através de exame de ultrassom, de que os ovários apresentam múltiplos (poli) cistos, por si só, é insuficiente para caracterizar a ocorrência da síndrome, não sendo, assim, uma exigência absoluta para todas as definições conferidas à SOP [23] . Logo, conforme se verá no tópico "definição", a inexistência de cistos ovarianos não descaracteriza, necessariamente, a síndrome, podendo chegar-se ao diagnóstico de que determinada paciente sofre de SOP mediante outros critérios.

Por isso mesmo, em janeiro de 2013, o  National Institutes of Health - NIH (Instituto Nacional de Saúde dos EUA) convocou um painel independente para determinar se "síndrome do ovário policístico" seria o nome correto para designar tal distúrbio hormonal. Os cientistas concluíram que o nome atual, que incide sobre um critério - cistos ovarianos - causa confusão e é uma barreira para obter-se progresso e atenção efetiva em prol da paciente [24] .

Os sintomas imediatos mais corriqueiros são anovulação, excesso de hormônios andróginosresistência à insulina. A anovulação resulta em menstruação irregular, amenorréia (ou oligomenorréia) e infertilidade relacionada com a ovulação. O desequilíbrio hormonal geralmente provoca acne e hirsutismo. A resistência à insulina está associada com obesidadediabetes do tipo 2 e níveis elevados de colesterol [25] . Os sintomas e a gravidade da síndrome variam muito entre as mulheres afetadas.

Índice

Causas[editar | editar código-fonte]

Ultrassonografia transvaginal de ovários policísticos.

A SOP é um distúrbio heterogêneo de etiologia incerta [2] [3] [26] . Sua fisiopatologia integra um heterogêneo grupo de pacientes e apresentações clínicas, o qual a ciência vem procurando interpretar. Estudos recentes parecem indicar uma série de novos caminhos e abordagens que, no futuro, poderão levar ao desenvolvimento de novos tratamentos.

Um bom resumo do atual estado da arte da fisiopatologia da SOP pode ser encontrado no artigo "Developmental Origins and Future Fate in PCOS" (em português: Origens do Desenvolvimento e destino futuro da SOP), de Kathleen M. Hoeger, publicado em 2014 na "Seminars in Reproductive Medicine" [6] . Conforme consta em tal estudo, as últimas pesquisas sobre as origens do desenvolvimento da SOP tem como base ferramentas de modelos animais e evidências translacionais [6] .

A autora do artigo também informa que conceitos a respeito das causas da SOP foram revistos, em especial: [1] impactos no período pré-natal; [2] fatores epigenéticos; [3] impactos do meio ambiente; [4] o papel dos disruptores endócrinos sobre o desenvolvimento e a manifestação da SOP (notadamente o Bisfenol A, composto este muito comum em produtos plásticos); [5] a questão genética (especialmente quanto às futuras direções de pesquisa); [6] a obesidade, cujo alastramento possui implicações sobre muitos aspectos interligados à SOP, especialmente quanto às crescentes taxas de obesidade infantil [6] .

Assim sendo, ver-se-á, nos próximos tópicos, algumas das causas que se encontram na fronteira do conhecimento da SOP:

Causas relacionadas a desordens endócrinas[editar | editar código-fonte]

A fisiologia da doença é bastante complexa e multifatorial. Sabe-se, porém, que quatro regiões do sistema endócrino são acometidas por desordens, a saber: eixo hipotálamo-hipofisário, glândulas supra-renais, tecido adiposo e os ovários.

Neste cenário, que poderá ser melhor visualizado no tópico "patogênese" neste mesmo artigo (vide em linhas posteriores), o eixo hipotálamo-hipofisário merece especial atenção.

Como se sabe, o hipotálamo, em situações normais, libera o hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH), o qual é enviado a uma glândula chamada hipófise (também conhecida como glândula pituitária) através de vasos denominados porta-hipofisários. Quando a hipófise anterior (ou glândula pituitária anterior) é estimulada pelo GnRH, ela produz e libera, em quantidades consideradas normais, o Hormônio Folículo Estimulante (FSH) e o Hormônio luteinizante (LH) [27]

Todavia, as mulheres com a síndrome do ovário policístico (SOP) produzem GnRH em excesso, e este, por sua vez, acaba estimulando (de maneira exagerada) a hipófise anterior, levando à produção demasiada do Hormônio luteinizante (LH) em proporção superior à do Hormônio Folículo Estimulante (FSH) [27] [28] . Este aumento do Hormônio luteinizante (LH) seria o estimulador da superprodução de andrógenos, fato que se agrega à produção exagerada de androgênios pelos ovários [29] .

Outros dois mecanismos possíveis envolvem tanto os ovários quanto as adrenais, também conhecidas como supra-renais por estarem localizadas acima dos rins. Um dos mecanismos seria através do aumento da produção e secreção de hormônios androgênicos, tanto nos ovários quanto nas glândulas adrenais, pela desregulação de enzimas responsáveis pela formação desses hormônios.

Outro mecanismo seria a atuação da insulina também sobre os ovários e glândulas adrenais. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que age aumentando a entrada da glicose presente no sangue, obtida através da alimentação, para dentro das células, que utilizam a glicose como fonte de energia. Entretanto, como na Síndrome dos Ovários Policísticos a sensibilidade das células à insulina pode estar diminuída, ocorre um aumento da insulina sanguínea de maneira compensatória. A insulina acaba atuando nos ovários e nas adrenais, estimulando a produção de hormônios esteróides em excesso [27] .

Há que se falar, ainda, sobre a Obesidade (e/ou propensão para aumento de peso). Ocorre que a gravidade clínica dos sintomas da SOP parece ser em grande parte determinada por fatores como a obesidade e/ou tendência para o aumento de peso. Entretanto, pesquisas sugerem que aproximadamente metade das mulheres com SOP podem apresentar peso normal ou até mesmo estar abaixo do peso [30] [31] .

Eis, assim, alguns fatores importantes, segundo as "Diretrizes da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana", para o desencadeamento da SOP [32] :

  • Hiperativação do sistema relacionado ao estresse e à maior liberação hipotalâmica do hormônio liberador de corticotrofina (CRH);
  •  Diminuição do tono dopaminérgico hipotalâmico; 
  • Maior freqüência dos pulsos do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH);
  • Resistência à insulina, com hiperinsulinismo;
  • Hipersensibilidade das células ovarianas às gonadotrofinas;
  • Ação local ovariana anormal dos moduladores (amplificadores e atenuadores) das gonadotrofinas nas células teca e granulosa;
  •  Moléculas anormais do hormônio luteinizante (LH), com maior atividade biológica; 
  •  Presença de receptor anormalmente sensível ao LH
  •  Transmissão genética, poligênica. 

Causas Genéticas[editar | editar código-fonte]

Na atualidade, evidências apontam que o cerne da SOP possui raízes genéticas. Tal evidência inclui a agregação familiar de casos, maior concordância entre gêmeos monozigóticos (ou univitelinos) do que em gêmeos dizigóticos (ou bivitelinos) e, ainda, herdabilidade das características endócrinas e metabólicas associadas à SOP [2] [3] [4] .

O componente genético parece ser herdado de uma forma autossômica dominante com alta penetrância genética, conquanto possua alta variabilidade entre as mulheres. Cada criança, assim sendo, possui uma chance de cerca de 50% de herdar a variante genética predisponente(s) a partir de um dos pais, e, se uma filha receber tal variante(s), poderá vir a desenvolver, até certo nível, a doença [3] [33] [34] [35] . A(s) variante(s) genética(s) pode(m) ser herdada(s) tanto do pai quanto da mãe, e pode(m) ser passada(s) tanto para os filhos (os quais podem ser portadores assintomáticos ou podem ter sintomas como calvície precoce e/ou excesso de cabelo) quanto para as filhas, as quais poderão desenvolver a síndrome [33] [35] . Os alelos parecem manifestar-se, nas mulheres, pelo menos parcialmente, através de elevados níveis de androgênios secretados pelas células de teca dos folículos ovarianos [34] . O gene exato afetado ainda não foi identificado [3] [4] [36] .

Note-se que dois estudos recentes apontam a associação entre o gene DENND1A e a Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

No primeiro estudo, denominado "Overexpression of a DENND1A isoform produces a polycystic ovary syndrome theca phenotype", publicado on-line em 15/04/2014 na "Proceedings of the National Academy of Sciences", verificou-se que uma variante de um gene ativo em células do ovário (DENND1A.V2) pode levar ao excesso de produção de hormônios androgênicos masculinos semelhantes à testosterona. Em suma, em mulheres com SOP, as células da teca produzem uma quantidade muito maior de DENND1A.V2. Em uma série de experimentos, os pesquisadores descobriram que a proteína levou à produção de altos níveis de hormônios masculinos, sendo esta uma característica típica da SOP [37] .

Outro estudo, denominado "Genetics of polycystic ovary syndrome",da edição de maio de 2014 da Seminars in Reproductive Medicine, estudos de replicação têm demonstrado que as variantes em vários desses locis também conferem risco - para a SOP - em mulheres de etnia europeia. Os locis mais fortes nos europeus contêm genes para DENND1A e THADA, com associações adicionais em locis contendo o LHCGR e FSHR, YAP1 e RAB5/SUOX. Os próximos passos para a descoberta da fisiopatologia corroborada por estes locis e variantes incluem mapeamento para determinar a variante do gene causal, estudos de fenótipo para determinar se essas regiões estão associadas às características particulares da SOP e estudos funcionais da variante causal para determinar a causa direta da SOP baseado na genética subjacente. Tal pesquisa assinala que os próximos anos serão tempos muito emocionantes na medida em que grupos de todo o mundo cada vez mais se reúnem para elucidar as origens genéticas da SOP [38] .

Substâncias e/ou fármacos[editar | editar código-fonte]

Disruptores endócrinos industriais[editar | editar código-fonte]

Conforme noticiado na prestigiada revista científica "Journal of Endocrinological Investigation", mais especificamente no artigo "Industrial endocrine disruptors and polycystic ovary syndrome" (em uma tradução livre para o português, "Disruptores endócrinos industriais e a síndrome do ovário policístico", edição de dezembro de 2013 [5] , recentes pesquisas científicas acerca das raízes geradoras da síndrome tornaram cada vez mais evidente o papel do meio ambiente como um fator determinante. Atualmente, a exposição experimental de disruptores endócrinos industriais têm sido relacionada com o comprometimento da função reprodutiva normal e regulação metabólica, favorecendo, possivelmente, o desenvolvimento ou agravando os distúrbios clínicos inter-relacionados à SOP. Produtos químicos industriais podem refletir o papel contribuitivo de um meio ambiente desfavorável e capaz de revelar características da SOP em indivíduos geneticamente predispostos, podendo, ainda, agravar os desequilíbrios hormonais e a infertilidade das fêmeas já afetadas pela SOP. [5]

A listagem dos disruptores endócrinos é altamente heterogênea e inclui produtos químicos sintéticos utilizados como solventes / lubrificantes industriais e seus subprodutos [[[bifenilpoliclorado|bifenilos policlorados (PCB)]], bifenilos polibromados (PBB), dioxinas], pesticidas e herbicidas [como diclorodifenil tricloroetano (DDT) ou dos seus metabolitos, metoxicloro (MXC)] , fungicidas (vinclozolina), estabilizadores de calor e catalisadores químicos (tais como tributil-estanho), plástico [por exemplo, contaminantes Bisfenol A (BPA)] e plastificantes (ftalatos) ou componentes farmacêuticos (ou seja, dietilestilbestrol; 17α-etinilestradiol). [5]

Deste modo,  a capacidade dos disruptores endócrinos para interferir na produção, liberação, transporte, metabolismo, ligação, ação ou eliminação de hormônios naturais do corpo responsáveis pela manutenção da homeostase, reprodução, desenvolvimento e / ou comportamento pode agravar ou contribuir para o desequilíbrio hormonal característico da SOP. Essa interação pode envolver tanto a função reprodutiva quanto metabólica da síndrome favorecendo seu aparecimento clínico em indivíduos predispostos, inclusive em fases sensíveis da vida (especialmente a fase fetal). [5]

Refletindo a influência nociva do ambiente moderno, o Bisfenol A (produto este muito presente nos plásticos) está emergindo como um jogador-chave na patogênese da SOP, presumivelmente via interação bidirecional com andrógenos. Mais uma vez na história das doenças endócrinas, o meio ambiente e, em particular, desreguladores endócrinos, pode ser a peça que faltava para resolver o "quebra-cabeça" da patogênese da SOP. [5]

Veja também os seguintes links externos:

Produtos plásticos fabricados com Bisfenol A (BPA)[editar | editar código-fonte]

O plástico, conforme vários estudos científicos recentes, vem sendo cada vez mais indicado como um dos maiores responsáveis pela manifestação (ou agravamento em mulheres geneticamente predispostas) da Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Isto se explica pelo fato de que a grande maioria dos plásticos atuais têm, em sua composição química, um perigoso disruptor endócrino industrial chamado Bisfenol A (BPA), o qual se presta, especialmente, como matéria-prima do policarbonato. Utilizado para usos comerciais desde o ano de 1957, o bisfenol, conforme várias pesquisas já atestaram, comporta-se, acaso presente no organismo humano (tanto adulto quanto infantil), como um hormônio feminino (o estrogênio).

Em resumo: o principal malefício do plástico fabricado com Bisfenol A vem a ser o aumento da circulação, no sangue humano, de um produto químico semelhante (isto é, bioidêntico) ao hormônio feminino. Consequentemente, o desequilíbrio hormonal gerado pela contaminação com Bisfenol A afeta tanto homens quanto mulheres, ocasionando profundas alterações na saúde hormonal, reprodutiva e comportamental de ambos os sexos. Nas mulheres, o Bisfenol parece desregular a produção do hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH) - note-se que ao nível da glândula pituitária (hipófise), produtos químicos industriais (incluindo-se o BPA), por si só, foram capazes de perturbar a liberação de gonadotrofinas [5] . Consequentemente, tais distúrbios, conforme se viu acima em Causas relacionadas a desordens endócrinas, encontram-se na raiz da SOP, até mesmo porque a produção exarcebada do hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH) desequilibra a produção do Hormônio luteinizante (LH) em proporção superior à do Hormônio Folículo Estimulante (FSH) [5] . Este aumento do Hormônio luteinizante (LH) seria o estimulador da superprodução de andrógenos, fato que se agrega à produção exagerada de androgênios pelos ovários [29] .

Eis alguns estudos que evidenciam tais afirmações:

  1. Um estudo recente intitulado "Bisphenol A (BPA) and its potential role in the pathogenesis of the polycystic ovary syndrome (PCOS)" [14] (em português: "O bisfenol A e seu potencial papel na patogênese da síndrome do ovário policístico"), publicado na revista Gynecol Endocrinol em janeiro de 2014, confirmou assertivas insertas em pesquisas anteriores acerca do potencial papel do Bisfenol A (BPA) no desenvolvimento da Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Observações recentes demonstraram níveis mais elevados de BPA em fluídos biológicos de mulheres com SOP e seu papel na patogênese da hiperandrogenismo e hiperinsulinemia. Ao que tudo indica, igualmente, a exposição da mãe ao BPA durante a gravidez também pode levar ao desenvolvimento da SOP na prole feminina [14] .
  2. Outro estudo, igualmente importante, de 2011, cuja leitura merece ser indicada, é o seguinte: "Endocrine Disruptors and Polycystic Ovary Syndrome (PCOS): Elevated Serum Levels of Bisphenol A in Women with PCOS" [39] (em português: "Desreguladores endócrinos e Síndrome do Ovário Policístico (SOP): Níveis séricos elevados de bisfenol A em mulheres com SOP"). Eis as conclusões de tal pesquisa: foram encontrados níveis maiores de BPA em mulheres com SOP e uma associação estatisticamente positiva e significativa entre andrógenos e o Bisfenol (BPA), fatores estes que apontam para o fato de que o BPA possui um potencial e relevante papel, por ser um disruptor endócrino, na fisiopatologia da SOP [39] .
  3. No artigo "Industrial endocrine disruptors and polycystic ovary syndrome" (em português, "Disruptores endócrinos industriais e a síndrome do ovário policístico"), edição de dezembro de 2013, revelou-se, ainda, que o eixo hipotálamo-hipofisário é castigado pelo Bisfenol A (BPA), eis que o mesmo desregula a produção do hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH). Ao nível da glândula pituitária (hipófise), produtos químicos industriais (incluindo-se o BPA), por si só, foram capazes de perturbar a liberação de gonadotrofinas [5] . Tais distúrbios, conforme se viu acima em Causas relacionadas a desordens endócrinas, encontram-se na raiz da SOP, até mesmo por conta do desequilíbrio causado na produção do Hormônio luteinizante (LH) em proporção superior à do Hormônio Folículo Estimulante (FSH).
Estrutura Química do Bisfenol A

Eis, abaixo, uma lista contendo apenas alguns dos produtos plásticos que têm como base o Bisfenol A - BPA: [40] :

  • mamadeiras de plástico (recomenda-se, inclusive, o uso de mamadeiras de vidro às de plástico) [41] ;
  • embalagens plásticas para acondicionar alimentos na geladeira (marmitas, jarras de água, etc);
  • formas de plástico para microondas;
  • utensílios de plástico para o lar;
  • copos, pratos e talheres de plástico (inclusive os infantis), especialmente se estiver ingerindo bebidas quentes, tais como cafezinho, chocolate quente, etc [42] ;
  • materiais médicos e dentários. A respeito dos materiais dentários contaminados com BISFENOL A, veja o seguinte link: "Dental Composites for Kids: Even Worse Than Mercury Amalgam?" (em português: "Compósitos odontológicos para Crianças: ainda piores do que os de Amálgama de Mercúrio?");
  • nos enlatados, como revestimento interno (inclusive de refrigerante, leite em pó ou comidas enlatadas);
  • em garrafas plásticas reutilizáveis de água (especialmente tipo squeeze);
  • embalagens e/ou garrafas de plástico de água mineral, refrigerantes, sucos e líquidos em geral;
  • brinquedos de plástico (os quais devem ser evitados sobretudo por crianças);
  • garrafões de plástico de 20 litros, muito comum nos atuais bebedouros de água mineral;
  • papeis térmicos (como os usados em máquinas de cartão de crédito ou de emissão de nota fiscal, tíquetes de cinema , etc) [43] [44] . Nestes casos, acredita-se que o contato com a pele possa ser suficiente para transmitir o bisfenol para o organismo humano.
  • equipamentos de proteção para prática de esportes [45] ;
  • CDs e DVDs [45] ;
  • lentes de óculos [45] ;
  • capacetes [45] ;
  • tubulações e caixas de água;
  • A relação acima está longe de ser completa. Não é incomum, a propósito, que o Bisfenol A deixe de ser indicado na composição química de um determinado produto industrial, especialmente quando é misturado (ou entra como subproduto) em sua composição química;
Papéis térmicos também são altamente suspeitos de causar contaminação pelo Bisfenol A, mesmo mediante simples contato epidérmico e em baixas doses.
Formas de plástico, especialmente quando levadas ao micro-ondas, liberam, na comida, Bisfenol A.
A bebida enlatada também contém Bisfenol A, pois o revestimento interno da lata possui tal substância.
O uso do Bisfenol A em materiais plásticos, tais como as embalagens de água da ilustração, é cada vez mais apontado como maléfico à saúde e potencialmente causador (ou pelo menos gera o agravamento em indivíduos predispostos) da Síndrome do Ovário Policístico.
Copos de plástico também podem possuir bisfenol, dentre outros disruptores endócrinos. Pesquisas condenam, inclusive, o uso do "cafezinho" (ou qualquer outra bebida quente) em copos de plástico.

Vale, ainda, ressaltar: várias pesquisas recentes indicaram [14] que o Bisfenol é considerado um disruptor endócrino capaz de ser transmitido pela mãe (que veio a ser exposta a tal material) para sua prole de forma epigenética. Para maiores informações, vide, nas próximas linhas, o tópico Alterações transgeracionais epigenéticas inter-relacionadas com a Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

O Bisfenol A (BPA) é amplamente utilizado no mundo e está presente em uma gama diversificada de artigos manufaturados, incluindo resinas odontológicas, plásticos de policarbonato e revestimento interno de latas de comida. É um produto químico de alto volume, com a produção mundial em 3,6 109 kg por ano. BPA foi identificado como uma alta prioridade para a avaliação de risco à saúde humana, porque considera-se que ele apresenta maior potencial de exposição humana. A maioria dos estudos sobre os efeitos na saúde do BPA se concentraram na desregulação endócrina levando a toxicidade reprodutiva, mas tal produto apresenta efeitos colaterais adicionais, incluindo danos ao fígado, interrupção da função pancreática de células-β, perturbações hormonais na tireóide e promoção da obesidade [46] .

Note-se que , no Brasil, a ANVISA, no dia 15 de setembro de 2011, proibiu mamadeiras com bisfenol A a partir de janeiro de 2012 [40] . Não há notícias, todavia, de que a ANVISA tenha feito novas proibições, conquanto as evidências científicas contra o uso do bisfenol venham cada vez mais se acumulando.

No Congresso Nacional do Brasil tramitam vários projetos de lei (PL 3075/2011; PL 3075/2011; PL 1197/2011; PL 5831/2009) visando a proibição parcial de tal substância em produtos voltados para o público infantil.

Todavia, o bisfenol afeta (conforme visto anteriormente) não somente crianças mas, também, adultos, inclusive mães gestantes, as quais, caso expostas ao bisfenol, podem provocar o desequilíbrio hormonal do feto (em sendo o feto feminino, as chances de que o mesmo, após o nascimento, desenvolva a SOP já foram demonstradas pela ciência [14] ).

Observe-se que mulheres adultas já acometidas e/ou diagnosticadas com a síndrome do ovário policístico (SOP) podem sofrer um agravamento da sintomatologia típica da síndrome acaso entrem em contato com disruptores endócrinos como o Bisfenol A (BPA) [5] .

Logo, é importante que o Brasil apresente projetos de lei banindo, o máximo possível (inclusive no que diz respeito a produtos usados por adultos), o bisfenol, até mesmo para garantir maior segurança aos consumidores.

O bisfenol A, conforme o estudo "Impact of early-life bisphenol A exposure on behavior and executive function in children" [47] (em português: Impacto da exposição do bisfenol A no início da vida sobre o comportamento e função executiva em crianças"), sugere que o bisfenol A pode comprometer o comportamento, inclusive sexual, de garotas. Neste estudo, a exposição ao BPA durante a fase gestacional afetou a regulação nos domínios comportamentais e emocionais, especialmente entre as meninas. Os médicos podem aconselhar os pacientes em questão para reduzir a sua exposição a certos produtos de consumo, mas os benefícios de tais reduções não são claras. Em resumo, a exposição ao Bisfenol A (BPA) durante a fase gestacional pode afetar processos endócrinos ou de outros neurotransmissores e perturbar a diferenciação sexual do cérebro, alterando o comportamento de uma maneira dependente do gênero sexual [47] .

Estudo semelhante, publicado em 2014 no The Journal of the Society for Reproduction and Fertility, chegou a conclusões desconcertantes e surpreendentes. Intitulado como "Sex Specific Estrogen Receptor beta (ERβ) mRNA Expression in the Rat Hypothalamus and Amygdala is Altered by Neonatal Bisphenol A (BPA) Exposure" [48] [em português: "Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) Expressão mRNA no hipotálamo e amígdala de ratos é alterado pela exposição Neonatal ao Bisfenol A (BPA)"], o estudo esclareceu que a "vida perinatal é uma janela crítica para a organização cerebral do dimorfismo sexual, e é profundamente influenciada por hormônios esteróides. A exposição a compostos de DISRUPTORES ENDÓCRINOS (EDC)'' pode interromper este processo, resultando em uma fisiologia reprodutiva e comportamental comprometidas. Para testar a hipótese de que a exposição ao Bisfenol A (BPA) no período neonatal pode alterar a expressão do Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) em regiões cerebrais fundamentais para o comportamento sociossexual, mapeamos os níveis de mRNA RpE no principal núcleo do leito do núcleo do terminal de estria (BNSTp), o núcleo paraventricular (PVN), o núcleo medial da parte anterior da amígdala (MEA), o núcleo de super óptico (SON), o núcleo suprachiasmic (SCN) e a habenula lateral (LHb) em dias pós-natal (PNDs) 0 a 19. Em seguida, foram injetados, nos filhotes de ratos de ambos os sexos, por via subcutânea durante os três primeiros dias de vida, 10 ug de benzoato de estradiol (BE), 50 ug / kg de BPA (LBPA), ou 50 mg / kg de BPA (HBPA) e RpE em níveis quantificados em cada região de interesse (ROI) em 4 e 10 dias pós-natal (PNDs). A exposição ao benzoato de estradiol (EB) diminuiu o sinal do Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) na maioria das regiões de interesse (ROIs) feminino e no núcleo paraventricular (PVN) masculino. No núcleo de terminal de estria (BNSTp), a expressão do Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) diminuiu em machos LBPA machos e fêmeas HBPA no dia pós-natal nº 10, revertendo, assim, a diferença entre os sexos na expressão. No núcleo paraventricular (PVN), os níveis de mRNA RpE estavam elevados nas mulheres LBPA, também resultando em uma reversão da expressão do dimorfismo sexual. No núcleo medial da parte anterior da amígdala (MEA), o Bisfenol A (BPA) diminuiu a expressão RpE no dia pós-natal (PND) nº 4". O mais importante, todavia, é a conclusão do estudo: "Coletivamente, estes dados demonstram que a região e a expressão sexo-específica (RpE) é vulnerável, no período neonatal, a uma exposição ao bisfenol A (BPA), especialmente em regiões, do cérebro de ratos em desenvolvimento, críticas para o comportamento sociossexual " [48] .

É importante, ainda, avaliar até que ponto o bisfenol já contaminou o meio-ambiente (notadamente águas em represas e lixões). Uma pesquisa científica, a esse respeito, parece ter encontrado concentrações muito elevadas de bisfenol em amostras de água de despejo de resíduos e de compostagem, bem como nas amostras de chorume [49] .

Nesse link da Revista Veja (COMO MANTER O BISFENOL LONGE DO SEU FILHO) consta, inclusive, a seguinte recomendação: "Se puder, substitua mamadeiras, copos, pratos e recipientes para guardar alimentos de plástico por aqueles que que sejam feitos de vidro, madeira, porcelana, aço ou metal. Ao comprar qualquer produto, especialmente para crianças, busque informações nos rótulos das embalagens, como o selo "bisfenol free", os números 3 e 7 no símbolo da reciclagem ou uma certificação de órgãos como o Inmetro ou a Anvisa. Não compre brinquedos ou qualquer tipo de produto que sejam de má qualidade, principalmente para crianças pequenas. Se tiver em casa utensílios de cozinha de plástico, evite colocá-los no microondas ou mesmo congelar alimentos nesses recipientes. Produtos de plástico velhos, danificados ou vencidos devem ser jogados no lixo" [50] .

Veja, ainda, neste mesmo artigo:

Veja também os seguintes links externos:

Excesso de andrógenos (em especial o Bisfenol) durante a gestação do feto feminino.[editar | editar código-fonte]

Um estudo denominado "Androgen excess fetal programming of female reproduction: a developmental aetiology for polycystic ovary syndrome?" (em português: "O excesso de programação androgênica fetal na reprodução feminina: a etiologia de desenvolvimento para a síndrome do ovário policístico?"), após experimentos em macacas do tipo rhesus, demonstrou a possibilidade de fetos femininos submetidos a substâncias andróginas em excesso (especialmente as que provocam a masculinização) desenvolverem, após o nascimento e desenvolvimento, a síndrome do ovário policístico (SOP) [12] .

Vários outros estudos científicos, alguns até mais recentes e usando até mesmo outros modelos animais, parecem ter chegado à mesma conclusão. Eis alguns deles:

  1. "Bisphenol A (BPA) and its potential role in the pathogenesis of the polycystic ovary syndrome (PCOS)" [14] (em português: "O bisfenol A e seu potencial papel na patogênese da síndrome do ovário policístico").
  2. Fetal Programming of Polycystic Ovary Syndrome by Androgen Excess: Evidence from Experimental, Clinical, and Genetic Association Studies [51] (em português: "Programação Fetal da Síndrome dos Ovários Policísticos por excesso de andrógenos: evidências experimentais, clínicas e estudos associados de genética");
  3. Developmental Programming of Polycystic Ovary Syndrome: Role of Prenatal Androgen Excess [52] (em português: "Programação do Desenvolvimento da Síndrome dos Ovários Policísticos: Papel do Excesso de Andrógenos no período pré-natal");
  4. Androgen Excess Disorders in Women: Polycystic Ovary Syndrome and Other Disorders [53] (em português: "Distúrbios de excesso de andrógenos em mulheres: Síndrome dos Ovários Policísticos e outros distúrbios").
  5. Polycystic ovary syndrome: do endocrine-disrupting chemicals play a role? [54] (em português: "Síndrome do ovário policístico: os desreguladores endócrinos desempenham algum papel?").
  6. Bisphenol A and human health: a review of the literature [55] (em português: "Bisfenol A e a saúde humana: uma revisão da literatura").
  7. Bisphenol A in polycystic ovary syndrome and its association with liver-spleen axis [56] (em português: "Bisfenol A na síndrome do ovário policístico e sua associação com eixo fígado-baço").
  8. Phenotypes and enviromental factors: their influence in PCOS [57] (em português: "Fenótipos e fatores Ambientais: sua influência na SOP").
  9. Endocrine-Disrupting Chemicals: Some Actions of POPs on Female Reproduction [58] (em português: "Disruptores Endócrinos Químicos: Algumas ações de poluentes orgânicos persistentes (POPs) na reprodução feminina").

Logo, parece claro que o feto feminino contaminado por Bisfenol A (dentre outros disruptores endócrinos industriais) acaba tornando-se predisposto ao desenvolvimento futuro da Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

Supõe-se, também, que além do Bisfenol A outras substâncias andrógenas e progestágenas usadas durante a gravidez (naturais ou sintéticas) podem levar à masculinização do feto feminino [13] , devendo, por isso, ser inseridas no escopo de investigação dos estudos acima mencionados.

Seguindo esta linha de raciocínio, percebe-se que alguns fármacos também estão implicados, eis que muitos deles, sabidamente, possuem notáveis efeitos androgênicos durante a gestação, podendo levar, inclusive, à masculinização do feto feminino. Eis alguns exemplos [13] :

  1. Valproato (também conhecido como Depakote e/ou Depakene). Supõe-se que certos medicamentos possam ter papel importante (ou até mesmo ser a causa) na eclosão da Síndrome do Ovário Policístico (SOP). É o caso, por exemplo, de mulheres submetidas ao tratamento com Valproato (também conhecido como Depakote e/ou Depakene, um medicamento anticonvulsivo usado para tratamento de transtorno bipolar e epilepsia) durante seus anos pré-púberes [7] [8] . Alguns estudos vão além e sugerem que remédios anti-epilépticos em geral, assim como para tratamento para o transtorno bipolar, poderiam ser uma das causas da SOP. De uma forma ou de outra, evidências científicas sugerem que o Valproato acarretaria o aumento dos níveis de testosterona e provocaria o aumento de peso (e resistência à insulina) [9] [10] . Uma meta-análise realizada em 2011 pelos cientistas Hu X , Wang J , Dong W , Fang Q , Hu L , Liu C, publicado na renomada revista Epilepsy Research, parece ter comprovado a interligação entre a SOP e o Valproato (ou Depakote) [11] .
  2. O Noretindrona (contraceptivo oral e/ou pílula anticoncepcional). Estudos demonstram que o uso deste fármaco anticoncepcional pode causar a masculinização do feto feminino [59] [60] , resultando, dentre outros sintomas, na hipertrofia do clitóris [61] ;
  3. Oxandrolona (também conhecido como Anavar), é utilizado para síndromes catabólicas; pacientes acamados por várias semanas e queimaduras, restaurando assim os tecidos musculares. É administrado oralmente e seus efeitos são devidos à ligação ao receptor de testosterona. O receptor de testosterona induz ações em nívelcelular de diversas maneiras, com ações anabolizantes, androgênicas dentre outras. É também utilizada, sem a devida indicação médica, para atividades de musculação;
  4. A Dietilestilbestrol (um estrógeno sintético não esteróide). Se usado durante a gravidez, pode acarretar, conforme consta no Manual Merck Saúde para a família, "câncer de vagina em meninas adolescentes cujas mães fizeram uso desta droga durante a gestação. Posteriormente, essas meninas podem apresentar uma cavidade uterina anormal, distúrbios menstruais, um colo do útero incompetente (o qual pode causar abortos espontâneos) e um aumento do risco de gravidez ectópica, de gerar um natimorto e de morte neonatal" [62] ;
  5. O Danazol (também conhecido como Ladogal), é utilizado no tratamento de endometriose e doença fibrocística de mama e como profilático no angioedema de origem hereditária da laringe, abdome e cutâneo) [63] [15] . Trata-se de um derivado da etisterona, um esteróide sintético onde seu mecanismo de ação é impedir a liberação das gonadotrofinas e no foco dos receptores de esteroides gonadais em órgãos alvo. Note-se, a propósito, que os dois principais tipos de gonadotrofinas são justamente o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio estimulador do folículo (FSH), os quais exercem papel importante na manifestação da SOP;
  6. outras substâncias e/ou situação raras associadas que possam levar ao pseudo-hermafroditismo feminino (especialmente quando associada à virilização materna durante a gestação) [16] .

Veja, ainda, neste mesmo artigo:

Alterações transgeracionais epigenéticas inter-relacionadas com a Síndrome do Ovário Policístico (SOP)[editar | editar código-fonte]

Estudos recentes revelaram que a mãe, acaso exposta a agentes químicos que possam predispô-la à SOP, poderá transmitir, de forma epigenética, tais características à prole, isto é, para filhas, netas, e assim em diante.

Novamente, aqui, entram em cena os disruptores endócrinos, especialmente o Bisfenol A (BPA), uma vez que a sugestão científica atual é no sentido de que mães contaminadas por tais agentes possam prejudicar o futuro desenvolvimento de seus filhos (especialmente dos sexo feminino), predispondo-os, inclusive, à síndrome do ovário policístico (SOP).

Para melhor compreender-se tais afirmações, é necessário trazer à tona o conceito de epigenética, após o que voltar-se-á à análise das alterações transgeracionais epigenéticas inter-relacionadas com a Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

epigenética, conforme a obra "Conceitos de Genética", de William S. Klug; Michael R. Cummings;Charlotte A. Spencer e; Michael A. Palladino, significa o "estudo dos fatores que afetam a expressão gênica de modo herdável, mas sem alterar a sequência nucleotídica do DNA. A metilação do DNA e as modificações das histonas, como a acetilação e a fosforilação, são exemplos de modificações epigenéticas" [64] .

Assim sendo, quando um embrião é formado, seu epigenoma é completamente apagado e reescrito a partir das informações que estão no seu DNA. A exceção é que, para alguns genes, marcas epigenéticas são mantidas e repassadas de uma geração para a geração seguinte [65] .

Logo, a questão é saber-se até que ponto a herança epigenética pode estar relacionada com a manifestação da síndrome do ovário policístico (SOP). Vejamos alguns estudos que demonstram tal relação.

  1. Na obra "Epigenetic transgenerational actions of endocrine disruptors and male fertility" (em português: "Ações transgeracionais epigenéticas dos disruptores endócrinos e a fertilidade masculina"), de autoria de Matthew D. Anway, Andrea S. Cupp, Mehmet Uzumcu e Michael K. Skinner, publicado na revista Science em 2005 [66] , atestou-se a capacidade de um fator ambiental (por exemplo, disruptores endócrinos) para reprogramar a linha germinal e promover um estado de doença transgeracional, com significativas implicações para a biologia evolutiva e etiologia da doença.
  2. Outro estudo, mais incisivo, denominado "Epigenetic Mechanism Underlying the Development of Polycystic Ovary Syndrome (PCOS)-Like Phenotypes in Prenatally Androgenized Rhesus Monkeys" [67] (em português: "Mecanismo epigenético subjacente ao desenvolvimento de Síndrome do Ovário Policístico (SOP) como fenótipos em macacos rhesus androgenizados no período pré-natal"), após observar macacas do tipo rhesus, concluiu que a androgenização pré-natal do feto feminino pode modificar os padrões de metilação do DNA, especialmente no que diz respeito a  tecidos adiposos viscerais tanto infantis quanto adultos. Este estudo piloto sugere que o excesso de exposição ao andrógeno fetal em primatas não humanos femininos podem predispor a SOP via alteração do epigenoma, proporcionando uma nova avenida para entender a SOP em seres humanos.
  3. A obra "Polycystic Ovary Syndrome: Current and Emerging Concepts" (em português: "Síndrome do Ovário Policístico: Conceitos atuais e emergentes"), lançado pela editora Springer em  04/10/2013 [68] , não somente condensou o conhecimento a respeito do tema, como lançou-lhe novas luzes. Conforme se verifica no referido livro, a origem fetal da síndrome do ovário policístico tem sido cada vez mais pesquisada e observada em inúmeros modelos animais. De fato, fetos femininos de diversos mamíferos têm sido induzidos, em especial macacos do tipo rhesus, ratos, camundongos, ovelhas, dentre outros, a desenvolver a síndrome caso expostos a quantidade excessivas de andróginos, inclusive de forma transgeracional.

Portanto, as alterações transgeracionais epigenéticas, atualmente, encontram-se no centro do debate a respeito da síndrome do ovário policístico (SOP), apontando-se cada vez mais a possibilidade de que a exposição de ancestrais mamíferos a disruptores endócrinos possa gerar a metilação do DNA, induzindo as gerações subsequentes a desenvolver a patologia.

Tais conclusões demonstram o risco e colocam inteiramente em xeque o uso de disruptores endócrinos industriais [5] , especialmente o bisfenol A, conforme os seguintes estudos:

  1. "Epigenetic Perspective on the Developmental Effects of Bisphenol A" [69] (em português: "Perspectiva Epigenética sobre o desenvolvimento dos efeitos do bisfenol A"), de Marija Kundakovic e Frances A. Champagne, publicado em julho de 2013. De acordo com tal estudo, pesquisas em animais sugerem que a exposição in utero e pós-natal precoce a este composto (BPA) pode produzir uma ampla gama de efeitos adversos, incluindo o desenvolvimento prejudicado cérebro, da diferenciação sexual, do comportamento e da função imunológica, efeitos estes que podem se estender para as gerações futuras.
  2. "Sex-specific epigenetic disruption and behavioral changes following low-dose in utero bisphenol A exposure" (em português: "Rompimento epigenético do sexo-específico e mudanças de comportamento em sequência à exposição, em útero, a baixas doses de bisfenol A"), publicado em 2012 na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America [70] , a qual é distribuída com a assistência da Universidade de Stanford).
  3. "Gestational exposure to bisphenol a produces transgenerational changes in behaviors and gene expression" [71] (em português: "Exposição gestacional ao bisfenol produz mudanças transgeracionais de comportamento e de expressão gênica");
  4. "Transgenerational effects of prenatal bisphenol A on social recognition" [72] (em português: "Efeitos transgeracionais do bisfenol A pré-natal sobre o reconhecimento social").

Sugere-se, assim, que não somente fármacos (alguns deles encontram-se acima mencionados), mas especialmente disruptores endócrinos industriais [5] - dentre eles o BISFENOL A (BPA) e também INSETICIDAS [73] [74] [75] [76] - resultantes da poluição ambiental típica da era pós-industrial (e igualmente alimentos industrializados) possam também ser fatores de predisposição (e/ou disruptores endócrinos) capazes de levar ao desenvolvimento da SOP, notadamente de forma transgeracional (e/ou epigenética).

É importante, ainda, avaliar até que ponto tais substâncias já contaminaram o meio ambiente. Exemplificamente, o Bisfenol parece ter sido encontrado em concentrações muito elevadas em amostras de água de despejo de resíduos e de compostagem, bem como nas amostras de chorume [49] .

Neste sentido, vale checar, no seguinte link, uma lista contendo disruptores endócrinos já identificados pela ciência: Widespread Pollutants with Endocrine-disrupting Effects; em português: "Poluentes generalizados com efeitos de desregulação endócrina").

Para maiores informações, recomenda-se a leitura do artigo "How your great grandmother’s chemical exposures may affect you" (em português: "Como as exposições químicas de sua bisavó podem afetá-lo") publicado na  Environmental Health Sciences [77] . Referido , por sua vez, se refere a um estudo denominado "Environmentally Induced Epigenetic Transgenerational Inheritance of Ovarian Disease" [73] (em português: "Herança epigenética transgeracional ambientalmente Induzida em doenças do ovário").

Veja, ainda, neste mesmo artigo:

Anticoncepcionais (e/ou contraceptivos e/ou pílula anticoncepcional)[editar | editar código-fonte]

Além do Noretindrona (contraceptivo oral e/ou pílula anticoncepcional) [59] [60] [61] , cujo uso pode levar (como visto em linhas anteriores) à masculinização do feto feminino e ao futuro desenvolvimento da SOP, há ainda que se observar o seguinte.

Uma abordagem advinda do ramo da medicina natural (ou naturopatia), escrita na obra "The Natural PCOS Diet", de autoria da naturopata Jenny Blondel [78] , parece indicar a possibilidade de que os anticoncepcionais (e/ou contraceptivos) possam (ao invés de tratar a síndrome tal como geralmente aceito pela comunidade científica) gerar um quadro contributivo na majoração do índice de incidência epidemiológica da SOP (ou seja, o uso da pílula anticoncepcional contribuiria para a manifestação síndrome). Isto porque a pílula anticoncepcional parece piorar o problema metabólico (o qual é justamente a raiz do problema), conduzindo à resistência à insulina. Mas isso não seria tudo. Segundo Jenny Blondel, a pílula anticoncepcional também levaria ao ganho de peso, suprimiria a função da tiróide, aumentaria a probabilidade de depressão e a deposição de celulite, e poderia induzir a deficiência de testosterona, gerando impactos sobre a libido [78] .

Por sua vez, a naturopata Lara Briden, em um estudo intitulado "Polycystic Ovarian Syndrome", especialmente no tópico "Does The Pill cause PCOS?" (em português: "A pílula anticoncepcional causaria a SOP?"), [79] [80] afirma que a pílula causaria alterações hormonais permanentes [81] [82] , mesmo quando o seu uso é abandonado pela respectiva usuária, merecendo destaque, dentre tais alterações, justamente a elevação crônica do Hormônio Luteinizante (LH), cuja presença em excesso no organismo feminino está intimamente interligada à eclosão da SOP [79] [80] .

De uma forma ou de outra, um estudo científico intitulado "Cycle characteristics after discontinuation of oral contraceptives" [82] (em português: "Características do ciclo após a descontinuação de contraceptivos orais") indica que os distúrbios cíclicos após a interrupção de contraceptivos orais seriam reversíveis, mas o tempo de regeneração poderia alcançar até 9 meses (significativo) ou até mesmo mais (não significativo). Tais resultados, conforme consta em tal pesquisa, se prestam para ajudar a aconselhar casais que desejam engravidar após a interrupção do uso de pílulas anticoncepcionais ou que desejam continuar a contracepção com métodos alternativos [82] .

Sinais e Sintomas[editar | editar código-fonte]

Alguns dos possíveis sintomas e/ou sinais, conquanto variem de paciente para paciente, são [83] :

  • Perturbações menstruais: a SOP produz, principalmente, oligomenorréia (poucos períodos menstruais) ou amenorréia (ausência de ciclos menstruais). Outros tipos de distúrbios menstruais, contudo, também poderão vir a ser observados [22] [26] . Em suma, a síndrome pode causar períodos menstruais infrequentes, ausentes e/ou irregulares [84] ;
  • Altos níveis de hormônios masculinizantes (excesso de andrógeno, em especial a testosterona): os sinais mais comuns desta condição são a acne e o hirsutismo (padrão masculino de crescimento do cabelo), mas a síndrome também pode produzir hipermenorréia (períodos menstruais muito frequentes), alopécia androgênica (aumento do afinamento capilar ou perda difusa de cabelo), dentre outros sintomas [22] [85] . Cerca de 3/4 dos pacientes com SOP (de acordo com critérios de diagnóstico de NIH/NICHD 1990) apresentam evidências de hiperandrogenemia [86] [87] ;
  • Infertilidade [26] : dificuldade para engravidar, dada a ausência ou dificuldade de ovulação. A infertilidade, em geral, resulta, diretamente, da anovulação crônica (falta de ovulação) [22] . A SOP, não por outro motivo, é considerada a causa mais comum de infertilidade feminina [84] ;

Patologias e alterações Associadas[editar | editar código-fonte]

A SOP, frequentemente, está associada com [83] [91] :

Manifestações Psiquiátricas Associadas[editar | editar código-fonte]

As manifestações psiquiátricas correlacionadas à SOP são variadas. Estudos cada vez mais frequentes apontam que a síndrome é capaz de vir acompanhada ou trazer à tona algumas das seguintes manifestações:

  1. Depressão [84] [105] [106] : a depressão é mais comum e mais grave em mulheres com SOP do que naquelas sem SOP. Tal característica foi demonstrada, desde há várias décadas, em vários estudos. Supõe-se que a depressão possa ser causada ​​pelo perfil hormonal anormal; também parece haver uma ligação entre a satisfação corporal (que é afetada em função da SOP) e a depressão [106] ;
  2. Ansiedade (ou Transtorno Fóbico-Ansioso): sentimentos de preocupação ou desconforto são ligeiramente mais comuns em mulheres com SOP do que naquelas sem SOP. Ainda não está claro se este sintoma estaria associado, principalmente, com as mudanças hormonais associadas à SOP ou, tão-somente, com a pressão social causada pelos sinais externados pela SOP [105] [106] ;
  3. Fobia social (ou Isolamento Social ou aversão aos valores sociais supostamente "normais" e busca por padrões "hipoteticamente alternativos" de vida) [105] [107] ;
  4. Aumento da suscetibilidade nas relações interpessoais [108] ;
  5. Transtorno Obsessivo-Compulsivo - TOC [108] ;
  6. Comportamento neurótico (associado à dificuldade de lidar com o estress) [109] ;
  7. Pensamentos paranóicos [108] ;
  8. Hostilidade e agressividade: estudos apontam que mulheres afetadas pela SOP seriam significativamente mais propensas a reter sentimentos de raiva [109] ;
  9. Desordens alimentares [105] [107] ;
  10. Tendências suicidas: pesquisas demonstraram que  as tentativas de suicídio foram sete vezes mais comum no grupo de mulheres com SOP [105] [107] ;
  11. Mudanças de humor: mulheres com SOP frequentemente relatam mudanças significativas de humor sem uma causa óbvia (algumas vezes alternando picos de alegria com picos de tristeza). Tal fato pode estar ligado a alterações dramáticas no nível de açúcar no sangue e aos diversos desequilíbrios hormonais que muitas vezes acompanham a SOP [106] ;
  12. Apneia do sono e insônia: estudos sugerem que mulheres portadoras da SOP apresentam distúrbios do sono, especialmente apneia do sono e insônia. As perturbações do sono são um dos efeitos mais frustrantes e exasperantes desta condição, e podem estar relacionadas com a resistência à insulina e/ou intolerância à glicose  [84] [110] [111] [112] ;
  13. Transtorno de Identidade de gênero (ou transexualismo) [113] [114] [115] [116] [117] : referido transtorno se caracteriza, nas mulheres, pelo transexualismo FTM (female to male, que se traduz por "de mulher para homem"). Trata-se do transexual que genética e fisicamente nasceu mulher mas desde cedo (geralmente na primeira infância) se identifica como sendo do sexo e gênero masculinos, embora tenha sido culturalmente designado no nascimento como pertencente ao sexo feminino pelos pais. Podem ainda identificar-se como homossexuais, bissexuais, assexuais ou heterossexuais, em virtude de identidade de gênero e orientação sexual serem coisas distintas (vide, a esse respeito, o link "Transexual masculino"). Ocorre, todavia, que várias pesquisas recentes demonstraram que o "transtorno de identidade de gênero" é freqüentemente observado (em maior ou menor grau) nas mulheres acometidas pela Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Neste sentido, vale citar alguns estudos clínicos que evidenciaram esta condição:
    • Prevalence of hyperandrogenism, polycystic ovary syndrome and metabolic syndrome in female-to-male transsexuals (em português Prevalência de hiperandrogenismo, síndrome dos ovários policísticos e síndrome metabólica em transexuais mulher-para-homem) [113] . A conclusão deste estudo, publicado em 2014, foi a seguinte: "O hiperandrogenismo, em geral, e a Síndrome do Ovário Policístico, em particular, são altamente prevalecentes em transexuais mulher-para-homem. O hiperandrogenismo e a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) estão relacionados ao desenvolvimento precoce da Síndrome Metabólica, Resistência à Insulina e outros fatores cardiovasculares com consequências desconhecidas na idade adulta".
    • Association between polycystic ovary syndrome and female-to-male transsexuality (em português Associação entre síndrome do ovário policístico e transexualidade mulher-para-homem) [114] . Neste estudo, conclui-se o seguinte: "pacientes transexuais FTM (mulher-para-homem) têm uma elevada prevalência de SOP e hiperandrogenemia". Mais adiante, aponta-se o seguinte: "Nossos resultados mostram que muitos casos de transexualidade FTM (mulher-para-homem) estão associados com SOP e hiperandrogenemia, o que sugere que eles são fatores importantes na patogênese do transexualismo FTM. Além disso, nossos resultados também sugerem que quando se administra terapia hormonal para pacientes transexuais FTM, é importante que os profissionais tenham em mente que este tratamento piora a resistência à insulina".
    • Distinctive features of female-to-male transsexualism and prevalence of gender identity disorder in Japan (em português Traços característicos distintivos do transexualismo mulher-para-homem e prevalência de transtorno de identidade de gênero no Japão) [115] . Neste estudo, de 2011, chegou-se às seguintes conclusões: "A Síndrome do Ovário Policístico (SOP), conhecida por estar associada com a resistência à insulina e síndrome metabólica, é muitas vezes vista em (FTM) pacientes transexuais mulher-para-homem. Consequentemente, a detecção da SOP é uma parte importante dos cuidados de saúde para esses indivíduos. A SOP e a resistência à insulina são achados comuns em pacientes transexuais FTM (mulher-para-homem) na apresentação inicial".
    • Female Gender Scheme is Disturbed by Polycystic Ovary Syndrome: A Qualitative Study From Iran (em português Esquema do Sexo Feminino é perturbado pela Síndrome do Ovário Policístico: um estudo qualitativo do Irã) [116] ;
    • Psychological gender of patients with polycystic ovary syndrome (em português Sexo psicológico de pacientes com síndrome dos ovários policísticos) [117] . Este último estudo, de 2012, por sinal, é eloquente ao afirmar que as mulheres com SOP têm, dependendo da idade e da gravidade da doença, problemas com identificação psicológica de gênero. A duração e a gravidade da SOP pode afetar negativamente a auto-imagem da paciente, levando-a a uma identificação perturbada do esquema gênero/fêmea e o seu respectivo papel social [117] .
    • Vide, igualmente, neste mesmo artigo, o tópico Lesbianismo, Transexualismo FTM (mulher-para-homem) e a prevalência da Síndrome do Ovário Policístico (SOP), no qual faz-se menção ao estudo intitulado "Prevalence of polycystic ovaries and polycystic ovary syndrome in lesbian women compared with heterosexual women" [118] (em português, "Prevalência de ovários policísticos e síndrome do ovário policístico em mulheres lésbicas em comparação com as mulheres heterossexuais"). Tal pesquisa, realizada no Reino Unido pela "The London Women's Clinic" concluiu que o risco de desenvolvimento de SOP é significativamente maior em mulheres lésbicas do que em heterossexuais. Um dos resultados obtidos demonstrou que 80% das mulheres lésbicas apresentavam sintomas ou problemas ligados ao ovário, enquanto que apenas 32% das auto-declaradas heterossexuais apresentavam problemas similares [118] [119] [120] .

Manifestações associadas à Virilização (ou masculinização) de mulheres[editar | editar código-fonte]

A SOP pode levar ao desenvolvimento de características masculinas, ou seja, virilização (dada a presença de andróginos em excesso no organismo feminino, mais especificamente da testosterona). Eis algumas das manifestações virilizantes que podem vir a ser observadas [83] [106] :

  • Voz mais profunda e/ou grave (engrossamento da voz);
  • Maior quantidade de pelos (hirsutismo);
  • Aumento do clítoris (ou "hipertrofia clitoriana" e/ou "clitoromegalia"). A má-formação congênita (que pode impedir o acesso ao clitóris) e a hipertrofia dos pequenos lábios (que pode encobrir o acesso à vagina) [121] , pode levar à anorgasmia (que vem a ser a dificuldade da mulher alcança orgasmos; algumas pesquisas sugerem, entretanto, que mulheres com hipertrofia clitoriana alcançam mais facilmente o orgasmo clitoriano do que o vaginal). Estudos demonstram que o uso de Noretindrona (contraceptivo oral e/ou pílula anticoncepcional) durante a gravidez pode causar a masculinização do feto [59] [60] , resultando, dentre outros sintomas, na hipertrofia do clitóris [61] ;
  • Diminuição do tamanho dos seios e/ou mamas;
  • Afinamento dos cabelos existentes no couro cabeludo;
  • Calvície (ainda que suave) de padrão masculino (especialmente nas regiões fronto-temporais da cabeça, isto é, nas chamadas "entradas") ou cabelos ralos [84] , raramente chegando à calvície total;
  • Aumento da massa muscular magra [122] ;
  • Aumento da libido (considerando-se, em especial, a maior circulação sanguínea de testosterona). Todavia, muitas pesquisas sugerem que pacientes com SOP também podem padecer de falta de interesse sexual por longos períodos [123] ;
  • Queixo mais proeminente: cabe mencionar, porque se trata de tópico interrelacionado à virilização, que pesquisadores de quatro universidades nos EUA e Canadá divulgaram uma pesquisa, publicada na revista científica “Personality And Individual Differences”, intitulado "The association between men’s ratings of women as desirable long-term mates and individual differences in women’s sexual attitudes and behaviors", segundo a qual mulheres com queixo mais proeminente (o que é normalmente causado por altos níveis de hormônio masculino testosterona) seriam mais sexualmente ativas do que aquelas com queixos mais suaves. Não somente isso, mas a pesquisa também demonstrou que a aparência facial mais masculina (inclusive o queixo mais proeminente) nas mulheres possa conduzir sua falta de restrição sexual, associando-as a um maior número de parceiros sexuais e, ainda, prejudicando, talvez, sua qualidade como parceira de longo prazo [124] [125] . Assim, mulheres com queixos mais proeminentes (ou largos) seriam mais propensas a trair seus parceiros.
  • Pescoço com circunferência maior [126] : conforme publicado no artigo "Neck circumference a good predictor of raised insulin and free androgen index in obese premenopausal women: changes with weight loss" (em português "A circunferência do pescoço: um bom preditor de insulina elevada e índice de andrógeno livre em mulheres pré-menopáusicas obesas: mudanças com a perda de peso"),  A circunferência do pescoço e idade mais jovem foram preditores independentes de maior índice de andrógeno livre (FAI) (r2 = 0,36 combinado). Se a circunferência do pescoço não estiver incluída, então a idade mais jovem, maior índice de massa corporal e elevados níveis de insulina em jejum mostraram-se como preditores independentes de FAI (r2 = 0,29). A relação cintura/quadril não mostrou valor preditivo (r = 0,14). A circunferência do pescoço também foi um bom preditor clínico de irregularidade menstrual, hirsutismo, infertilidade, resistência à insulina e SOP. A circunferência do pescoço de menos de 39, 39-42 e maior que 42 centímetros reflete um baixo, intermediário e alto risco de síndromes metabólicas e SOP em mulheres pré-menopáusicas obesas. Para 42 pacientes que foram acompanhadas por um ano após a cirurgia, a perda de peso foi associada a redução da FAI, menor resistência à insulina e melhorou a regularidade menstrual e resolução da SOP em 11 dos 12 casos. Em conclusão, a circunferência do pescoço é uma boa medida preditiva de hiperinsulinemia e andrógenos em mulheres pré-menopáusicas obesas. Após a cirurgia de perda de peso, a função ovariana e risco vasculopático apresentaram melhora [126] .

Veja, ainda, neste mesmo artigo:

Sintomatologia em mulheres com peso normal ou abaixo do peso normal[editar | editar código-fonte]

O senso comum aponta no sentido de que mulheres com sobrepeso teriam mais chances de desenvolver a SOP ou, até mesmo, representariam o maior grupo de mulheres diagnosticadas com a síndrome. Contudo, estudos demonstram que, na realidade, mulheres com massa magra também formam um conjunto significativo, chegando a representar até 50% do número total de pacientes diagnosticadas [31] [127] [128] .

Tais mulheres (com massa magra porém acometidas pela SOP), por sua vez, parecem ter sintomatologia ligeiramente diferente das pacientes com sobrepeso (e igualmente afetadas pela SOP). Isto porque as mulheres com massa magra apresentam um excesso relativo de testosterona, onde a própria testosterona não é muito alta, mas parece ser elevada em relação aos níveis de estrogênio. Nestes casos, as mulheres muitas vezes não têm o crescimento de pelos em excesso, tendem a ter um corpo atlético e magro, tem uma grande energia sexual e muitas vezes possuem experiências crônicas (e anteriores) de estresse. Nestes casos, é importante corrigir a relação de testosterona/estrogênio de modo que os ovários possam funcionar normalmente [129] .

O tratamento para mulheres magras pode, igualmente, ser ligeiramente diferente do que para mulheres obesas [127] [128] .

Genes da SOP em homens:[editar | editar código-fonte]

O gene de ovário policístico também pode estar envolvido com virilização, calvície e acne em homens [130] .

Mulheres asiáticas afetadas pela SOP:[editar | editar código-fonte]

Sabe-se que mulheres asiáticas, quando afetadas pela SOP, são menos propensas a desenvolver hirsutismo do que mulheres dotadas de outras origens étnicas [131] .

Diagnóstico:[editar | editar código-fonte]

Nem todas as mulheres acometidas com a SOP possuem ovários policísticos (SOP), e, da mesma forma, nem todas as mulheres com cistos ovarianos podem ser automaticamente diagnosticadas como portadoras da síndrome. Embora o exame de ultrassonografia pélvica seja uma importante ferramenta de diagnóstico, ela não é a única [132] . O diagnóstico pode ser obtido de forma simples usando os critérios de Rotterdam (Rotterdam criteria), mesmo quando a síndrome apresenta-se associada a uma vasta gama de sintomas. 

Definição[editar | editar código-fonte]

Três definições são comumente usadas para a caracterização da SOP:

NIH/NICHD[editar | editar código-fonte]

Em 1990, uma oficina de consenso promovida pela NIH/NICHD sugeriu que uma paciente possuiria SOP se ela apresentasse os seguintes sintomas: [98]

  1. Oligo-ovulação;
  2. Sinais de excesso de androgênios (clínico ou bioquímico);
  3. Outros fatores estariam excluídos como causas da SOP;

Rotterdam[editar | editar código-fonte]

Em 2003, uma oficina de consenso patrocinado pela ESHRE/ASRM, em Rotterdam, indicou que a SOP poderia ser dada como diagnosticada acaso presentes ao menos 02 (dois) dos seguintes sintomas: [133]

  1. Oligo-ovulação e/ou anovulação;
  2. Excesso de atividade androgênica;
  3. Ovários policísticos (por ultrassom ginecológico);

Outros fatores estariam excluídos como causas da SOP; [22] [134]

A definição Rotterdam é mais ampla e, atualmente, a mais utilizada, englobando, igualmente, um número consideravelmente maior de mulheres, eis que abarca, notadamente, até mesmo pacientes que não possuem excesso de androgênios. Críticos dessa definição dizem que os resultados obtidos a partir do estudo das mulheres com excesso de andrógenos não podem necessariamente ser extrapolados para mulheres sem excesso de andrógenos. [135] [136]

THE ANDROGEN EXCESS AND PCOS (AE-PCOS SOCIETY)[editar | editar código-fonte]

Em 2006, a “The Androgen Excess and PCOS” (AE-PCOS SOCIETY) sugeriu um reforço nos critérios de diagnóstico, conforme abaixo se percebe: [22]

  1. Excesso de atividade androgênica;
  2. Oligo-ovulação/ anovulação e/ou ovários policísticos;
  3. Outros fatores que possam causar excesso de atividade androgênica estariam excluídos;

Avaliações de diagnóstico padrão[editar | editar código-fonte]

  • Histórico (ou anamnese), especificamente para o padrão menstrual, obesidade, hirsutismo e a ausência de desenvolvimento de mamas. A regra de predição clínica descobriu que estas quatro perguntas podem diagnosticar a SOP com uma sensibilidade de 77,1% (95% intervalo de confiança [IC] 62,7% -88,0%) e uma especificidade de 93,8% (95% IC 82,8% -98,7%). [137]
  • Ultrassonografia ginecológica especificamente voltada para a localização de pequenos folículos ovarianos.  Estes são acreditados como resultado da função ovariana perturbada com a ovulação falha, refletida pela menstruação infrequente ou ausente, sendo esta uma manifestação típica da doença.  Em um ciclo menstrual normal, um óvulo é liberado do folículo dominante   - em essência, um cisto que se rompe para liberar o óvulo. Após a ovulação, o remanescente do folículo é transformado em um corpo lúteo produtor de progesterona, que encolhe e desaparece após cerca de 12-14 dias.  Na SOP, há uma assim chamada "prisão folicular", isto é, vários folículos desenvolvem-se até um determinado tamanho (geralmente entre 5-7 mm), mas não mais do que isso. Nenhum folículo atinge o tamanho pré-ovulatório (16 mm ou mais). De acordo com os critérios de Rotterdam, ao menos 12 ou mais folículos pequenos devem ser encontrados no ovário durante o exame de ultrassom [98] . Os folículos podem ser orientados na periferia, dando a aparência de uma “cadeia de pérolas”. Os inúmeros folículos contribuem para o aumento do tamanho dos ovários, ou seja, cerca de 1,5 a 3 vezes maior do que o normal.
  • O exame Laparoscópico pode revelar uma superfície ovariana branca-perolada, espessa e lisa. Tal fato normalmente seria considerado um achado incidental acaso a laparoscopia fosse realizada por algum outro motivo.
  • Alguns outros exames de sangue são sugestivos, mas não servem como diagnóstico padrão. A proporção de LH (hormônio luteinizante) para a FSH (hormônio folículo-estimulante), quando medido em unidades internacionais, é elevada em mulheres com SOP. Os parâmetros comumente utilizados para designar como anormalmente elevada a relação LH/FSH são de 2:1 [102]  ou 3:1 [28] , tal como testado no 3º dia do ciclo menstrual. O padrão não é muito específico e, em um determinado estudo, uma proporção de 2:1 ou superior estava presente em menos de 50% das mulheres com SOP [102] . Muitas vezes são verificados baixos níveis da globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) [28] , em particular entre as mulheres obesas ou com sobrepeso.

Condições associadas[editar | editar código-fonte]

  • O Teste de tolerância à glicose (TTG), mediante o qual uma dose padrão de glicose é ingerida oralmente e os níveis sanguíneos são verificados após duas horas, realizado em pacientes com fatores de risco (obesidade, histórico familiar, histórico de diabetes gestacional) [22] , pode indicar tolerância debilitada à glicose (resistência à insulina) em 15-33% das mulheres com SOP [137] . A diabete franca pode ser vista, por outro lado, em cerca de 65-68% das mulheres com esta condição. A resistência à insulina pode ser observada em ambos os pacientes com excesso de peso e peso normais, embora seja mais comum na segunda categoria (e naqueles que correspondem aos critérios mais rigorosos do NIH/NICHD para diagnóstico); 50-80% dos pacientes com SOP podem ter, em algum nível, resistência à insulina. [22]
  • Nível de insulina em jejum ou TTG com níveis de insulina (também chamado de IGTT). Níveis elevados de insulina têm sido úteis para prever a resposta à medicação e podem indicar a necessidade de se administrar dosagens, em mulheres nessa condição, mais elevadas de metformina ou o uso de um segundo medicamento para obter-se níveis de insulina significativamente menores. Valores elevados de açúcar no sangue e insulina não preveem quem responde a medicamentos para baixar a insulina, a dietas de baixo índice glicêmico e a exercícios físicos. Muitas mulheres com níveis normais podem se beneficiar da terapia de combinação. A resposta hipoglicêmica, em que o nível de insulina medido nas duas horas anteriores é maior e o açúcar no sangue é mais baixo do que em jejum vem a ser consistente com a resistência à insulina. Uma derivação matemática conhecida como HOMAI, calculada a partir dos valores em jejum de glicose e concentrações de insulina, permite uma medida direta e moderadamente precisa de sensibilidade à insulina (nível de glicose x nível de insulina/22.5).
  • O Teste de tolerância à glicose (TTG), em vez de glicose em jejum, pode facilitar o diagnóstico de aumento da tolerância à glicose e diabete franca entre as pacientes com SOP, de acordo com um estudo prospectivo controlado [138] . Enquanto os níveis de glicose em jejum podem permanecer dentro de limites normais, testes de glicose administrados pela via oral revelaram que até 38% das mulheres assintomáticas com SOP (versus 8,5% na população em geral), na verdade apresentavam tolerância debilitada à glicose, 7,5% das quais possuem diabete franca de acordo com as diretrizes da Associação Americana de Diabetes (American Diabetes Association – ADA). [138]

Diagnóstico Diferencial:[editar | editar código-fonte]

Outras causas da menstruação e hirsutismo irregular ou ausente, como o hipotireoidismo, a hiperplasia adrenal congênita (deficiência de 21-hidroxilase), a síndrome de Cushing, a hiperprolactinemia, neoplasias secretoras de andrógenos, assim como outros distúrbios da hipófise ou distúrbios renais [34] devem ser investigados [22] [134] [137] .  A SOP tem sido relatada em outras situações resistentes à insulina, tais como acromegalia.

Patogênese:[editar | editar código-fonte]

Ovários policísticos desenvolvem-se quando os ovários são estimulados a produzir quantidades excessivas de hormônios masculinos (androgênios), em particular a testosterona, por qualquer um ou mediante a combinação dos seguintes fatores (quase certamente combinado com susceptibilidade genética): [34]

  • Através de níveis elevados de insulina no sangue (hiperinsulinemia) em mulheres cujos ovários são sensíveis a este estímulo; [26]  

Além disso, níveis reduzidos de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) pode resultar no aumento de androgênios livres.

A síndrome adquiriu seu nome mais amplamente utilizado devido ao sinal comum no exame de ultrassom de múltiplos (poli) cistos ovarianos. Estes "cistos" são na verdade folículos imaturos, não cistos. Os folículos se desenvolveram a partir de folículos primordiais, mas o desenvolvimento foi interrompido ("preso") numa fase antral precoce devido à perturbação na função ovariana.  Os folículos podem ser orientados ao longo da periferia do ovário, aparecendo como um "colar de pérolas" no exame de ultrassom.

As mulheres portadoras da SOP experimentam um aumento na frequência de pulsos de GnRH do hipotálamo, que por sua vez resultam em um aumento da relação entre os hormônios LH (Hormônio luteinizante) / FSH (Hormônio folículo-estimulante). [28]

A maioria das pacientes com SOP têm a resistência à insulina e/ou são obesas. Os seus níveis elevados de insulina contribuem ou causam as alterações observadas no eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO) que levam à SOP.

A hiperinsulinemia aumenta a frequência de pulsos de GnRH, provoca a prevalência do LH sobre o FSH, majora a produção de androgênios ovarianos, [26] diminui a maturação folicular e diminui a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG); todos estes passos contribuem para o desenvolvimento da SOP. A resistência à insulina é um achado comum entre as pacientes de peso normal, bem como pacientes com sobrepeso. [22] [89]

Em muitos casos, a SOP é caracterizada por um ciclo de retorno positivo complexo de resistência à insulina e hiperandrogenismo. Na maioria dos casos, não é possível determinar quais (se houver) dos dois deve ser considerado o causador.  Tratamentos experimentais tanto com antiandrogênicos ou agentes sensibilizadores de insulina melhoraram tanto o hiperandrogenismo quanto a resistência à insulina.

O tecido adiposo possui aromatase, uma enzima que converte androstenodiona em estrona e testosterona em estradiol.   O excesso de tecido adiposo em pacientes obesos cria o paradoxo de ter ambos os andrógenos em excesso (que são responsáveis pela hirsutismo e virilização) e estrógenos (que inibe FSH via retorno negativo). [139]

A SOP pode estar, ainda, associada com inflamações crônicas, [26] [100]  sendo que vários investigadores chegaram a correlacionar mediadores químicos inflamatórios com anovulação e outros sintomas típicos da síndrome. [101] [102]   Da mesma forma, parece haver uma relação entre a SOP e o aumento do nível de estresse oxidativo (responsável, inclusive, pelo envelhecimento precoce da pele). [103]

Análises científicas chegaram a sugerir que a produção excessiva de androgênios em mulheres com SOP poderia ser causada pela redução do nível sérico do IGFBP-1 (também conhecida como proteína placentária 12 - PP12), o que, por sua vez, aumentaria o nível de IGF-1 livre, o qual estimularia a produção de androgênios ovarianos. Dados recentes, todavia, concluíram que este mecanismo seria improvável. [140]

A SOP também tem sido associada com um sub-genótipo específico conhecido como FMR1. Pesquisas sugerem que mulheres com "heterozigoto-normal/baixo” do FMR1 possuem sintomas semelhantes aos da síndrome do ovário policístico, tais como atividade folicular excessiva e função ovariana hiperativa.  [141]

Tratamentos:[editar | editar código-fonte]

A síndrome do Ovário Policístico é uma endocrinologia crônica e, até o presente momento, incurável. Há, todavia, diversos tratamentos desenvolvidos sob medida e de acordo com os objetivos de cada paciente capazes de atenuar a sintomatologia. Em termos gerais, tais objetivos podem ser divididos em 04 (quatro) grandes categorias:

Cada uma destas áreas, todavia, envolve um debate considerável quanto ao tratamento ideal. Uma das principais razões para tanto vem a ser a falta de ensaios clínicos em grande escala capazes de comparar diferentes tratamentos. Ensaios menores tendem a ser menos confiáveis e, portanto, podem produzir resultados conflitantes.

Intervenções gerais que ajudam a reduzir o peso ou a resistência à insulina podem ser benéficas para todos os objetivos acima elencados, uma vez que abordam o que se acredita ser a causa subjacente da síndrome.

O médico adequado para avaliar a paciente e seu respectivo tratamento é o endocrinologista. Por outro lado, considerando-se que a SOP parece causar sofrimento emocional significativo, inclusive com importantes manifestações psiquiátricas associadas, o suporte a ser prestado por psicólogos e psiquiatras pode ser bastante útil [142] .

As formas de tratamento mais comuns são [30] :

Vejamos, a seguir, com maior detalhamento, alguns desses tratamentos:

Dieta[editar | editar código-fonte]

Quando a SOP está associada com excesso de peso ou obesidade, a perda de peso, se realizada de forma bem sucedida, vem a ser o método mais eficaz para restaurar a normalidade da ovulação/menstruação. Contudo, muitas mulheres acreditam ser muito difícil alcançar e manter perdas significativas de peso.

Uma revisão científica levada a efeito em 2013 revelou que, independentemente da composição da dieta, é possível alcançar-se decréscimos similares de redução de peso e da composição corporal, bem como melhoria da taxa de gravidez, da regularidade menstrual, ovulação, hiperandrogenismo, resistência à insulina, lipídios, além de aumentar a qualidade de vida [143] . Igualmente, experimentos demonstraram que dietas de baixo índice glicêmico (na qual uma parte significativa do total de carboidratos é obtido de frutas, verduras e de fontes integrais) proporcionaram o aumento da regularidade menstrual, especialmente se comparadas a dietas saudáveis baseadas em macronutrientes [143]

A deficiência da Vitamina D pode ter papel importante no desenvolvimento da síndrome metabólica, por isso é recomendável o tratamento de tal deficiência. A esse respeito, um estudo encontrou níveis insuficientes de “25-hidroxi vitamina D” (< 30 ng / mL) em quase 75% das pacientes com SOP, com níveis mais baixos em pessoas com síndrome metabólica (17,3 ng / mL) do que naquelas sem síndrome metabólica (25,8 ng / mL) [144]

Medicamentos[editar | editar código-fonte]

A redução de resistência à insulina, melhorando a sensibilidade à insulina através de medicamentos como metformina e o mais novo thiazolidinedione (ou glitazonas), apresentava-se como uma abordagem óbvia e estudos iniciais pareciam demonstrar sua eficácia [26] [144] [145] . Estudos mais atuais sugerem, todavia, que a glitazona pode duplicar o risco de fraturas ósseas em mulheres [146] .

Apesar da metformina não ter sido inicialmente licenciada para uso em pacientes com SOP, o National Institute for Health and Clinical Excellence do Reino Unido recomendou, em 2004, que mulheres diagnosticadas com a síndrome e detentoras de um índice de massa corporal acima de 25 fizessem uso da metformina quando outras terapias falhassem na produção de resultados [147] .

Revisões subsequentes, no entanto, em 2008 e 2009, notaram que estudos controlados (ou randomised control trials) não demostraram, em geral, a promessa sugerida pelo estudo observacional anterior [148] [149] .

Infertilidade[editar | editar código-fonte]

Nem todas as mulheres afetadas pela Síndrome do Ovário Policístico enfrentarão, necessariamente, dificuldade para engravidar. Entretanto, naquelas em que se verifica algum tipo de dificuldade para engravidar, percebe-se que a anovulação ou a ovulação infrequente vem a ser, para todas, uma causa em comum.

Outros fatores incluem níveis alterados de gonadotrofina, hiperandrogenemia e hiperinsulinemia [150] . A exemplo das que não possuem a síndrome, as mulheres acometidas pela SOP, mesmo conseguindo ovular, podem ser inférteis em virtude de outras condicionantes, tais como obstruções nas trompas devido a um histórico de doenças sexualmente transmissíveis

Para as mulheres com excesso de peso e anovulatórias (em função da SOP), a perda de peso e ajustes na dieta, especialmente para reduzir a ingestão de hidratos de carbono simples [151] , poderão facilitar a retomada da ovulação natural. 

Para mulheres obesas que mesmo após a perda de peso ainda continuam anovulatórias, ou até mesmo em se tratando de mulheres normalmente magras porém anovulatórias, medicamentos indutores de ovulação, a exemplo do citrato de clomifeno [144] e FSH, são indicados como os principais tratamentos para promovê-la [26] . Até recentemente, o medicamento anti-diabetes metformina era o tratamento recomendado para a anovulação, [26] mas há indícios de que sua eficácia é inferior à do clomifeno [152] .  

Para os pacientes não responsivos ao clomifeno associado à dieta e modificação de estilo de vida, há outras opções disponíveis, incluindo procedimentos de tecnologia de reprodução assistida, como hiperestimulação ovariana controlada com injeções de hormônio folículo-estimulante (FSH) seguidas de fertilização in vitro (FIV). 

Hirsutismo e acne[editar | editar código-fonte]

Quando necessário (por exemplo, em mulheres em idade fértil que necessitem de contracepção), a pílula anticoncepcional padrão é frequentemente efetiva na redução do hirsutismo. [26] [144] A pílula anticoncepcional comumente escolhida vem a ser a que contém acetato de ciproterona (no Reino Unido, as marcas disponíveis são Dianette/Diane). O acetato de ciproterona se caracteriza como sendo uma progesterona com efeitos anti-andrógenos  que bloqueiam a ação de hormônios masculinizantes, os quais, tal como se acredita, contribuem para a acne e o crescimento indesejado de pelos faciais e corporais. Por outro lado, progestagênios, tais como o norgestrel e levonorgestrel devem ser evitado devido aos seus efeitos androgênicos [144] .

É importante ressaltar que, de acordo com a ANVISA, o medicamento Diane® 35 é contra-indicado para pacientes com histórico de processos trombóticos (vide Informe SNVS/Anvisa/Nuvig/GFARM nº 01, de 29 de janeiro de 2013) [153] . No referido Informe, inclusive, a ANVISA destaca que "a bula do referido medicamento já possui as informações de que o mesmo não deve ser utilizado na presença ou histórico de processos trombóticos/tromboembólicos arteriais ou venosos, como por exemplo, trombose venosa profunda, embolia pulmonar, infarto do miocárdio ou de acidente vascular cerebral, bem como na presença ou história de sintomas e/ou sinais prodrômicos de trombose , como por exemplo, episódio isquêmico transitório, angina pectoris" [153] .

Outras drogas com efeitos anti-androgênicos incluem flutamida [154] , e espironolactona [26] [144] ,  as quais podem conferir alguma melhora ao hirsutismo.  A espironolactona é provavelmente a droga mais comumente usada nos EUA. A metformina pode reduzir o hirsutismo, talvez por redução da resistência à insulina, e é frequentemente usada para outras funcionalidades, tais como a resistência à insulina, diabetes, ou obesidade (que também deve se beneficiar de metformina). Eflornithine (Vaniqa) é um fármaco que é aplicado à pele na forma de creme, e atua diretamente sobre os folículos pilosos para inibir o crescimento de cabelo.   É geralmente aplicado à face [144] .

Os medicamentos que reduzem a acne através de efeitos hormonais indiretos também incluem agonistas dopaminérgicos tais como Bromocriptina. Inibidores da 5α-redutase (por exemplo,  finasterida  e  dutasterida) podem também ser usados [98] ;  eles trabalham bloqueando a conversão de testosterona para di-hidrotestosterona (este último responsável pela maioria das alterações do crescimento de cabelo e da acne androgênica).

 Embora estes agentes tenham demonstrado eficácia significativa em ensaios clínicos (para contraceptivos orais, em 60-100% dos indivíduos [144] ), a redução no crescimento de cabelo pode não ser suficiente para eliminar o constrangimento social causado pelo hirsutismo, ou a inconveniência de arrancar ou fazer a barba.  Indivíduos variam em sua resposta a diferentes terapias. Geralmente vale a pena tentar outros tratamentos medicamentosos se um deles não funcionar, mas os tratamentos com drogas não funcionam bem para todos os indivíduos.  Para a remoção de pelos faciais, a eletrólise, ou tratamentos a laser são - pelo menos para alguns - alternativas mais rápidas e mais eficientes do que as terapias médicas acima mencionadas. 

Irregularidade menstrual e hiperplasia endometrial[editar | editar código-fonte]

Se a fertilidade não é o objetivo principal, então a menstruação geralmente pode ser regulada mediante o uso de pílulas contraceptivas [26] [144] . A finalidade de regular a menstruação, em essência, é um conveniência que diz respeito unicamente à mulher e, talvez, à sua sensação de bem-estar; não existe nenhum requisito médico para períodos regulares, desde que eles ocorram com certa frequência.

Se um ciclo menstrual regular não é desejado, então uma terapia para obter-se um ciclo irregular não é necessariamente exigida. A maioria dos especialistas julga que, se um sangramento menstrual ocorrer pelo menos a cada três meses, o endométrio (revestimento do útero), por este critério, estaria sendo suficientemente derramado para evitar-se um aumento do risco de anormalidades endometriais ou câncer [155] . Se a menstruação ocorre com menos frequência ou nem mesmo ocorre, é recomendável, de alguma forma, fazer-se a substituição da progesterona [98] .  Uma alternativa é progestagênio bucal tomado em intervalos (por exemplo, de três em três meses) para induzir uma hemorragia menstrual previsível [26] .

Tramento Cirúrgico da SOP[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o papel das intervenções cirúrgicas no tratamento da SOP vem ganhando novos relevos. Conquanto tenham sido praticamente postos em segundo plano durante longa data, os procedimentos cirúrgicos vêm merecendo renovada atenção da comunidade científica.

Sendo assim, analisar-se-á o papel de dos procedimentos cirúrgicos que vem sendo recomendados no tratamento da síndrome, a saber: cirurgia bariátrica e a cirurgia ovariana.

Cirurgia Bariátrica[editar | editar código-fonte]

Conforme o estudo intitulado "Role of Surgery in the management of PCOS: Rationale and Considerations for bariatric Surgery", de autoria de Hector Morreale, lançado em 2014 na obra "Polycystic Ovary Syndrome: Current and Emerging Concepts"[156] (em português: "Síndrome do Ovário Policístico: Conceitos atuais e emergentes"), a obesidade agravaria todas as manifestações, riscos e comorbidades metabólicas da SOP.

Embora a modificação de estilo de vida e intervenções dietéticas constituam uma estratégia de gestão de primeira linha, estas abordagens não são susceptíveis de serem eficazes a longo prazo em uma proporção significativa da população. Tendo em conta que a maioria das abordagens farmacológicas, na melhor das hipóteses, apresentam benefícios modestos, a cirurgia bariátrica, por outro lado, oferece uma promissora abordagem terapêutica alternativa em obesos (inclusive obesos moderados), obesos mórbidos e, igualmente, naqueles com evidência de comorbidades metabólicas [156] .

Eis, assim, alguns pontos-chaves quanto a esta modalidade de cirurgia [156] :

  • A obesidade é o principal fator responsável pelos distúrbios metabólicos em pacientes com SOP.
  • A modificação do estilo de vida é eficaz para a prevenção de distúrbios metabólicos em pacientes obesos com SOP, mas raramente é eficaz a longo prazo devido à dificuldade em sustentar o estilo de vida recém-adotado pela maioria.
  • A cirurgia bariátrica em mulheres com obesidade grave pode resolver inteiramente o quadro clínico da SOP.
  • A Fertilidade pode ser restaurada após a perda de peso em mulheres com SOP submetidas à cirurgia bariátrica.
  • Evitar os riscos relacionados à gravidez, assim como os demais riscos de vida associados à obesidade severa, ao que tudo indica, compensaria os riscos relacionados ao procedimento em pacientes adequadamente selecionados.

Apesar da promessa, no entanto, os dados existentes sobre a gestão de cirurgia bariátrica da SOP são limitados, e estudos prospectivos em larga escala abordando não só a melhoria dos sintomas SOP e sucesso reprodutivo, mas também as consequências a longo prazo são absolutamente necessários antes da cirurgia bariátrica ser considerada como parte do tratamento rotineiro paradigmático da SOP [156] .

Cirurgia Ovariana[editar | editar código-fonte]

Há, ainda, a cirurgia ovariana, reservada, pelo atual consenso médico, como último recurso acaso falhem as outras - primeiras - fórmulas de tratamento. Em tal hipótese, os ovários policísticos podem ser tratados com um procedimento cirúrgico laparoscópico chamado de "perfuração de ovário" (punção de 4-10 pequenos folículos com eletrocautério - também conhecido por bisturi elétrico -, laser ou agulhas de biópsia).

Tal procedimento cirúrgico, frequentemente, resulta na retomada das ovulações espontâneas [144] ; tratamentos adjuvantes, baseados no uso de clomifeno ou FSH, podem auxiliar, após o procedimento cirúrgico, o início das ovulações.

Atualmente, os centros cirúrgicos mais avançados obtém êxito em realizar cirurgias minimamente invasivas. A moderna técnica da videolaparoscopia, como visto, promove tão-somente algumas perfurações na membrana espessada do ovário. Em tais circunstâncias, o pós-operatório, assim como o retorno às atividades normais, é consideravelmente rápido (a alta geralmente ocorre entre 3 a 4 horas). Os resultados obtidos, especialmente quanto à ovulação, são encorajadores, pois reduzem os níveis de andrógenos e melhoram os distúrbios menstruais em pacientes com a síndrome do ovário policístico [157] .

A cirurgia também oferece a vantagem de alterar, após a sua realização, a composição hormonal das pacientes com SOP. O procedimento provoca, na maioria das vezes, uma diminuição do LH sérico, da concentração de andrógenos (inclusive a diminuição da produção de testosterona) e dos níveis de DHEA. Esta redução nos níveis de androgênios intraovarianos permite o desenvolvimento de folículos funcionais [158] [159] .

Enfim, a cirurgia provoca uma significativa queda nos níveis séricos de andrógenos e LH e um aumento nos níveis de FSH. Acredita-se que as alterações endócrinas após o procedimento convertem o ambiente  andrógeno-dominante intrafolicular adverso em um ambiente eminentemente estrogênico, além de restaurar e/ou conduzir o ambiente hormonal ao normal através da correção de distúrbios causados pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovariano. Assim, crê-se que ambos os efeitos, locais e sistêmicos, promovem o recrutamento folicular, maturação e a subsequente ovulação [159] .

Um estudo recente, de 2014, sugeriu uma revisão (para o tratamento da SOP) do consenso em torno do procedimento cirúrgico. Referido estudo, intitulado “Surgical Management of Polycystic Ovary Syndrome: A Contemporary Viewpoint on Place of Ovarian Surgery in PCOS Management” (em português: "Tratamento Cirúrgico da Síndrome do Ovário Policístico: um ponto de vista contemporâneo da Cirurgia de ovário na Gestão da SOP"), de autoria de Phoebe H. Leonard M.D., Jani R. Jensen M.D., Gaurang S. Daftary M.D., lançado pela renomada editora Springer New York, explicitou que o procedimento cirúrgico para a retirada parcial de tecido ovariano, em mulheres com SOP, tem eficácia reconhecida perante a comunidade científica. O estroma do ovário, especialmente as células da teca, vem a ser a principal fonte de androgênios e, por conseguinte, da hiperandrogenemia. Com a excisão de populações de células de teca, obtém-se como resultado a diminuição da carga de androgênio sintetizada e secretada, resultando na melhoria da hiperandrogenemia. Na verdade, as melhorias no sistema endócrino anormal e no meio metabólico da SOP, após a remoção parcial do tecido ovariano, são bem descritas pela doutrina médica. O declínio nos níveis de andrógenos circulantes, como decorrência, é suposto para restaurar a sensibilidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano; sugere-se que a normalização do eixo gonadotrófico estaria por trás da retomada da ovulação, da regularidade menstrual e da restauração da fertilidade tendo em vista a consequente diminuição de volume dos ovários policísticos [160] .

A cirurgia, igualmente, pode provocar a redução da libido para patamares normais, dada a redução da circulação de hormônios andrógenos.

Há, no entanto, preocupações quanto aos efeitos a longo prazo da perfuração de ovário na função ovariana [144] .

Ainda assim, é importante destacar que a abordagem convencional de ressecção em cunha dos ovários tem sido substituída pelo uso de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas (perfuração de ovário utilizando microlaparoscopia, fertiloscopia e perfuração de ovário guiada por ultrassom), as quais tanto conferem benefícios clínicos quanto reduzem as sequelas a longo prazo associadas à ressecção em cunha [160] . Ainda assim, quando o mioma apresenta-se muito grande, a técnica cirúrgica recomendada continua sendo a laparotomia [161] .

Medicina alternativa[editar | editar código-fonte]

Não há evidências suficientes para concluir-se pela existência de efeitos benéficos advindos da ingestão de D-chiro-Inositol [162] .   Myo-inositol, no entanto, parece ser eficaz com base em uma revisão sistemática [163] .

Epidemiologia:[editar | editar código-fonte]

Conforme o estudo científico "Diagnostic Criteria and Epidemiology of PCOS" (em português: "Critérios de Dignóstico e Epidemiológico na SOP"), publicado em 2014 no livro "Polycystic Ovary Syndrome: Current and Emerging Concepts" (em português: "Síndrome do Ovário Policístico: Conceitos atuais e emergentes"), a prevalência da SOP em qualquer população específica depende do critério diagnóstico utilizado [17] , mas tem alguma variação regional e étnica. Enquanto a maioria dos relatórios sobre a prevalência da SOP variam entre 2 e 20%, sabe-se, todavia, que tal prevalência varia conforme o critério de diagnóstico escolhido. A coorte de nascimento retrospectiva na Austrália encontrou uma prevalência de 8,7% de acordo com critérios do NIH, 17,8%, utilizando critérios de Rotterdam, e 12,0% usando critérios da AES. Um padrão de prevalência semelhante foi encontrado na Turquia, onde 6,1% preencheram os critérios do NIH, 19,9% preencheram os critérios de Rotterdam, e 15,3% preencheram os critérios da AES. No Irão, a prevalência estimada de SOP foi de 7% com base nos critérios do NIH, 15,2%, utilizando critérios de Rotterdam, e 7,92% utilizam critérios AES. Na América do Norte, a maioria das estimativas sobre a população em geral nos Estados Unidos variam de 4 a 8% na literatura, embora a maioria das informações venham de uma população não selecionada de mulheres brancas e negras na região sudeste. Mulheres mexicanas-americanas têm uma maior prevalência, calculada em 13% ou mais. Curiosamente, a prevalência estimada de SOP entre as mulheres no México é de 6%, apenas metade do que a encontrada em suas semelhantes nos Estados Unidos. Estas discrepâncias não destacam apenas uma diversidade étnica na prevalência da doença, mas também a importância do estilo de vida na ocorrência da SOP [17] (variando para uma linha ascendente, inclusive, conforme o maior contato da população feminina com disruptores endócrinos industriais nas sociedades mais industrializadas, dentre eles o bisfenol).

Na Índia, a SOP é relatada entre 9% dos adolescentes. Entre as mulheres indianas com 15-35 anos de idade avaliadas em uma clínica de ginecologia rural, 13% apresentaram irregularidades menstruais, tendo a SOP sido diagnosticada em metade destas mulheres (ou seja, a prevalência da SOP seria algo em torno de 6,5%). No Sri Lanka, uma prevalência semelhante de 6,3% foi observada entre as mulheres com idade entre 15-39. No Irã, a prevalência da SOP é relatada em 8,5% em uma amostra de mulheres em idade reprodutiva selecionadas para participação no Tehran Lipid and Glucose Study. Um estudo grego na ilha de Lesbos encontrou uma prevalência de 6,8%. A prevalência global da SOP em uma população de mulheres australianas indígenas urbanas, utilizando critérios do NIH, foi de 15,3%. Um estudo no Reino Unido encontrou a prevalência de 8% de acordo com critérios rigorosos do NIH, enquanto que 26% de sua população preencheram os critérios de Rotterdam, ilustrando as diferenças observadas quando se utilizam diferentes critérios de diagnósticos. Na Espanha, em uma população de mulheres brancas, as quais se apresentaram espontaneamente para doação de sangue, foi encontrada uma prevalência de 6,5%. Por qualquer medida que seja, a SOP é uma das doenças endócrinas mais comuns em todo o mundo, com variação regional e étnica óbvias [17] .

Lesbianismo, Transexualismo FTM (mulher-para-homem) e a prevalência da Síndrome do Ovário Policístico (SOP)[editar | editar código-fonte]

Pesquisas realizadas no Reino Unido pela "The London Women's Clinic", publicadas no ensaio científico intitulado "Prevalence of polycystic ovaries and polycystic ovary syndrome in lesbian women compared with heterosexual women" [118] (em português: "Prevalência de ovários policísticos e síndrome do ovário policístico em mulheres lésbicas em comparação com as mulheres heterossexuais"), concluíram que o risco de desenvolvimento de SOP é significativamente maior em mulheres lésbicas do que em heterossexuais. Um dos resultados obtidos demonstrou que 80% das mulheres lésbicas apresentavam sintomas ou problemas ligados ao ovário, enquanto que apenas 32% das auto-declaradas heterossexuais apresentavam problemas similares [118] [119] [120] . De uma forma ou de outra, os resultados obtidos mostraram um maior desequilíbrio hormonal entre as mulheres lésbicas [164] .

Uma das causas residiria no hiperandrogenismo - que é associado à SOP. Constatou-se, assim, ao menos aparentemente, uma importante interligação entre esta condição e a orientação sexual deste grupo específico de mulheres (lésbicas). Note-se que tal pesquisa, liderada pela pesquisadora Ph.D Rina Agrawal, Vice-Diretora da "The London Women's Clinic" e Professora Honorária de Medicina Reprodutiva da Universidade de Warwick, foi apresentada na Conferência de Embriologia e Reprodução Humana da Sociedade Européia.

Lésbicas, mulheres bisexuais e transexuais mulher-para-homem devem ter atenção quanto à sintomatologia da SOP a fim de evitar os efeitos maléficos das comorbidades da síndrome, especialmente o câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, dentre várias outras patologias.

 

Os pesquisadores fizeram questão de afirmar que não estavam tentando sugerir que o lesbianismo seria causado pela SOP, aclarando, igualmente, que não estavam procurando uma "cura para o lesbianismo" (e/ou "cura lésbica"), nem que o lesbianismo seria uma "doença" que precisava ser curada. Pelo contrário, o estudo apenas trouxera à tona dados objetivos que, atualmente, vem sendo utilizados em prol das lésbicas na prevenção do desenvolvimento da SOP e suas comorbidades (especialmente a resistência à insulina, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer).

Não por outro motivo, o Gabinete de Saúde da Mulher, da Secretaria-Adjunta de Saúde do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (EUA), vem alertando mulheres lésbicas e bisexuais a respeito do tema, a fim de que permaneçam vigilantes quanto aos sintomas danosos da SOP [120] .

Por outro lado, várias pesquisas recentes demonstraram que o "transtorno de identidade de gênero" (ou transexualismo) é freqüentemente observado (em maior ou menor grau) nas mulheres acometidas pela Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Neste sentido, vale citar alguns estudos clínicos que evidenciaram esta condição:

  1. Prevalence of hyperandrogenism, polycystic ovary syndrome and metabolic syndrome in female-to-male transsexuals (em português: "Prevalência de hiperandrogenismo, síndrome dos ovários policísticos e síndrome metabólica em transexuais mulher-para-homem") [113] . A conclusão deste estudo, publicado em 2014, foi a seguinte: "O hiperandrogenismo, em geral, e a Síndrome do Ovário Policístico, em particular, são altamente prevalecentes em transexuais mulher-para-homem. O hiperandrogenismo e a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) estão relacionados ao desenvolvimento precoce da Síndrome Metabólica, Resistência à Insulina e outros fatores cardiovasculares com consequências desconhecidas na idade adulta".  
  2. Association between polycystic ovary syndrome and female-to-male transsexuality (em português: "Associação entre síndrome do ovário policístico e transexualidade mulher-para-homem") [114] . Neste estudo, conclui-se o seguinte: "pacientes transexuais FTM (mulher-para-homem) têm uma elevada prevalência de SOP e hiperandrogenemia". Mais adiante, aponta-se o seguinte: "Nossos resultados mostram que muitos casos de transexualidade FTM (mulher-para-homem) estão associados com SOP e hiperandrogenemia, o que sugere que eles são fatores importantes na patogênese do transexualismo FTM. Além disso, nossos resultados também sugerem que quando se administra terapia hormonal para pacientes transexuais FTM, é importante que os profissionais tenham em mente que este tratamento piora a resistência à insulina".
  3. Distinctive features of female-to-male transsexualism and prevalence of gender identity disorder in Japan (em português: "Traços característicos distintivos do transexualismo mulher-para-homem e prevalência de transtorno de identidade de gênero no Japão") [115] . Neste estudo, de 2011, chegou-se às seguintes conclusões: "A Síndrome do Ovário Policístico (SOP), conhecida por estar associada com a resistência à insulina e síndrome metabólica, é muitas vezes vista em (FTM) pacientes transexuais mulher-para-homem. Consequentemente, a detecção da SOP é uma parte importante dos cuidados de saúde para esses indivíduos. A SOP e a resistência à insulina são achados comuns em pacientes transexuais FTM (mulher-para-homem) na apresentação inicial".
  4. Female Gender Scheme is Disturbed by Polycystic Ovary Syndrome: A Qualitative Study From Iran (em português: "Esquema do Sexo Feminino é perturbado pela Síndrome do Ovário Policístico: um estudo qualitativo do Irã") [116] ;
  5. Psychological gender of patients with polycystic ovary syndrome (em português: "Sexo psicológico de pacientes com síndrome dos ovários policísticos") [117] . Este último estudo, de 2012, por sinal, é eloquente ao afirmar que as mulheres com SOP têm, dependendo da idade e da gravidade da doença, problemas com identificação psicológica de gênero. A duração e a gravidade da SOP pode afetar negativamente a auto-imagem da paciente, levando-a a uma identificação perturbada do esquema gênero/fêmea e o seu respectivo papel social [117] .

Veja, ainda, neste mesmo artigo, os seguintes tópicos:

Fatores epidemiológicos e disruptores endócrinos industriais (em especial o BISFENOL A)[editar | editar código-fonte]

Ainda sobre padrões epidemiológicos, é importante destacar que o contato com substâncias denominadas disruptores endócrinos industriais (dentre elas o Bisfenol A, largamente usado em produtos plásticos) parecem alterar a estrutura hormonal humana.  

Vale frisar que dentre os disruptores endócrinos, o Bisfenol A vem sendo cada vez mais apontado como sendo um elemento-chave para a manifestação da SOP.

O Bisfenol A, como visto antes, é largamente usado em produtos plásticos e, acaso em contato com o corpo humano (mesmo em pequenas doses), comporta-se como se fosse um hormônio feminino bio-idêntico, sendo, inclusive, especialmente danoso ao feto feminino na medida em que o predispõe a desenvolver a SOP. O Bisfenol gera, inclusive, transtornos à saúde sexual, reprodutiva e comportamental de ambos os sexos.

Conforme o médico especialista em Cardiologia, Nutrologia e Medicina Preventiva, Sergio Vaisman: " 'Como o corpo, tanto do homem quanto da mulher, tem receptores de estrógenos, o BPA interfere na ação desse hormônio e funciona no lugar dele. Nas mulheres ocorre uma hiperdosagem de estrogênio, deixando a pessoa mais suscetível ao câncer de mama. No homem, aumenta a incidência de câncer de próstata', informa o especialista. Além disso, o bisfenol desmasculiniza jovens do sexo masculino, ou seja, o menino perde ou sofre déficit em suas características masculinas. Podem ocorrer: diminuição do pênis, má formação da uretra e redução da produção do número de espermatozóides. 'Ao longo dos últimos 40 anos tem havido uma diminuição da contagem de espermatozóides dos homens em todo o mundo. Isso é derivado de algo que está em volta da gente, como estresse, fumo, drogas e, é claro, o bisfenol-a', pontua o médico" [165] .

A Revista Superinteressante fez, inclusive, uma abordagem direta sobre o tema, intitulada Disruptores endócrinos nos plásticos: como isso prejudica a sua vida?. Eis alguns trechos da reportagem: "Ao invés de 'disruptores', poderíamos também chamá-los de burladores ou fraudadores. Os sinônimos são usados no artigo 'A Ameaça dos Disruptores Endócrinos', de José Santamarta, que explica como essas substâncias sabotam as comunicações e alteram os mensageiros químicos que se movem dentro do nosso corpo. 'Dado que as mensagens hormonais organizam muitos aspectos decisivos do desenvolvimento animal, desde a diferenciação sexual até a organização do cérebro, as substâncias químicas disruptoras hormonais representam um perigo muito especial antes do nascimento e nas primeiras etapas da vida. (…) Como resultado, estamos sujeitos a um conjunto de efeitos maléficos à saúde, o que inclui anormalidades sexuais em crianças e adultos, homens e mulheres. Nos homens, pesquisas mostram a redução drástica do número de espermatozoides no sêmen'” [166] .

Mais adiante, a reportagem da Superinteressante arremata: "Por que o Bisfenol A foi inventado? O BPA foi sintetizado no final do século XIX, quando o foco dos estudos científicos era encontrar moléculas que fossem explosivas e/ou corantes. 'Devemos lembrar toda a questão que envolveu a Europa e a chamada primeira guerra mundial, que viria a ocorrer menos de 20 anos depois, para entender o que estava ocorrendo com o mundo social e econômico da época. Assim, como ela (a molécula) não deu nem para uma coisa nem para outra, foi deixada de lado. Mas na década de 1930, quando se buscava, depois de tudo o que aconteceu neste primeiro quarto do século XX, medicamentos e fármacos que viessem a satisfazer os desejos do modelo desse momento, percebeu-se que o BPA apresentou capacidade de imitar o comportamento do estrogênio (hormônio feminino)', explica o engenheiro agrônomo e ambientalista Luiz Jacques Saldanha para o site Ecodebate (leia a entrevista completa neste link). Nos anos 1950, o BPA começou a ser fortemente utilizado para fins industriais, como na fabricação da resina plástica policarbonato. 'Esta resina surge da reação química entre o BPA e o gás de guerra mais utilizado na primeira guerra, o clorado fosgênio. O PC é considerado um plástico de engenharia e que hoje está em praticamente todos os utensílios chamados de ‘linha branca’, de geladeiras a máquinas de lavar roupa. Como é um aditivo, pode estar presente em vários outros produtos sem sabermos, por não estar escrito em sua composição química. Também é com ele que se fazem os CDs e os DVDs. (…) [a resina] ser estrogênica não é surpresa para ninguém da indústria química'” [166] .

Portanto, as evidências científicas são cada vez mais intensas no sentido de que o bisfenol e os demais disruptores endócrinos estão alterando, de forma acentuada, o comportamento humano, inclusive, conforme estudos científicos parecem sugerir, a orientação sexual, notadamente na fase fetal. Resta saber até que ponto tais alterações (causadas pelos disruptores endócrinos, especialmente o bisfenol) repercutiram nas gerações humanas mais recentes, o que demanda, ainda, mais pesquisas científicas nesta direção.

  • Cabe destacar, dentre muitos outros outros semelhantes, o artigo científico "Disruption of adult expression of sexually selected traits by developmental exposure to bisphenol A" [167] (em português: "O rompimento de expressão adulta de características sexualmente selecionadas pela crescente exposição ao bisfenol A"). Conforme este estudo, ratos masculinos expostos ao bisfenol passaram a agir como fêmeas.  
  • É relevante, ainda, novamente tecer comentários sobre o seguinte estudo: "Industrial endocrine disruptors and polycystic ovary syndrome" (em português, "Disruptores endócrinos industriais e a síndrome do ovário policístico"), edição de dezembro de 2013 [5] . Revelou-se, nesta pesquisa, que o eixo hipotálamo-hipofisário é castigado pelo Bisfenol A (BPA), eis que o mesmo desregula a produção do hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH). Ao nível da glândula pituitária (hipófise), produtos químicos industriais (incluindo-se o BPA), por si só, foram capazes de perturbar a liberação de gonadotrofinas. Tais distúrbios, conforme se viu acima, encontram-se na raiz da SOP, até mesmo por conta do desequilíbrio causado na produção do Hormônio luteinizante (LH) em proporção superior à do Hormônio Folículo Estimulante (FSH)[5] .  
  • O bisfenol A, conforme o estudo "Impact of early-life bisphenol A exposure on behavior and executive function in children" [47] (em português: Impacto da exposição do bisfenol A no início da vida sobre o comportamento e função executiva em crianças"), sugere que o bisfenol A pode comprometer o comportamento, inclusive sexual, de garotas. Neste estudo, a exposição ao BPA durante a fase gestacional afetou a regulação nos domínios comportamentais e emocionais, especialmente entre as meninas. Os médicos podem aconselhar os pacientes em questão para reduzir a sua exposição a certos produtos de consumo, mas os benefícios de tais reduções não são claras. Em resumo, a exposição ao Bisfenol A (BPA) durante a fase gestacional pode afetar processos endócrinos ou de outros neurotransmissores e perturbar a diferenciação sexual do cérebro, alterando o comportamento de uma maneira dependente do gênero sexual [47] .  
  • Estudo semelhante, publicado em 2014 no The Journal of the Society for Reproduction and Fertility, chegou a conclusões desconcertantes e surpreendentes. Intitulado como "Sex Specific Estrogen Receptor beta (ERβ) mRNA Expression in the Rat Hypothalamus and Amygdala is Altered by Neonatal Bisphenol A (BPA) Exposure" [48] [em português: "Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) Expressão mRNA no hipotálamo e amígdala de ratos é alterado pela exposição Neonatal ao Bisfenol A (BPA)"], o estudo esclareceu que a "vida perinatal é uma janela crítica para a organização cerebral do dimorfismo sexual, e é profundamente influenciada por hormônios esteróides. A exposição a compostos de DISRUPTORES ENDÓCRINOS (EDC) pode interromper este processo, resultando em uma fisiologia reprodutiva e comportamental comprometidas. Para testar a hipótese de que a exposição ao Bisfenol A (BPA) no período neonatal pode alterar a expressão do Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) em regiões cerebrais fundamentais para o comportamento sociossexual, mapeamos os níveis de mRNA RpE no principal núcleo do leito do núcleo do terminal de estria (BNSTp), o núcleo paraventricular (PVN), o núcleo medial da parte anterior da amígdala (MEA), o núcleo de super óptico (SON), o núcleo suprachiasmic (SCN) e a habenula lateral (LHb) em dias pós-natal (PNDs) 0 a 19. Em seguida, foram injetados, nos filhotes de ratos de ambos os sexos, por via subcutânea durante os três primeiros dias de vida, 10 ug de benzoato de estradiol (BE), 50 ug / kg de BPA (LBPA), ou 50 mg / kg de BPA (HBPA) e RpE em níveis quantificados em cada região de interesse (ROI) em 4 e 10 dias pós-natal (PNDs). A exposição ao benzoato de estradiol (EB) diminuiu o sinal do Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) na maioria das regiões de interesse (ROIs) feminino e no núcleo paraventricular (PVN) masculino. No núcleo de terminal de estria (BNSTp), a expressão do Receptor Sexo-específico de estrogênio beta (RpE) diminuiu em machos LBPA machos e fêmeas HBPA no dia pós-natal nº 10, revertendo, assim, a diferença entre os sexos na expressão. No núcleo paraventricular (PVN), os níveis de mRNA RpE estavam elevados nas mulheres LBPA, também resultando em uma reversão da expressão do dimorfismo sexual. No núcleo medial da parte anterior da amígdala (MEA), o Bisfenol A (BPA) diminuiu a expressão RpE no dia pós-natal (PND) nº 4". O mais importante, todavia, é a conclusão do estudo: "Coletivamente, estes dados demonstram que a região e a expressão sexo-específica (RpE) é vulnerável, no período neonatal, a uma exposição ao bisfenol A (BPA), especialmente em regiões, do cérebro de ratos em desenvolvimento, críticas para o comportamento sociossexual " [48] .  

Assim, parece clara a evidência de que, apoiando-se nas conclusões epidemiológicas demonstradas no capítulo 6 Epidemiologia, quanto mais uma população estiver exposta aos disruptores endócrinos (e isto parece mais nítido nas sociedades que tenham mais contato com produtos industriais, mais especificamente o bisfenol), maior será a incidência da síndrome do ovário policístico, dentre outras anormalidades (inclusive comportamentais).  

De uma forma ou de outra, o uso acentuado, pelas sociedades modernas, de materiais com disruptores endócrinos (ex. plásticos com Bisfenol A, inclusive em garrafas de plástico, pratos de plástico, mamadeiras, etc) pode estar acelerando e aumentando os índices globais de incidência da Síndrome do Ovário Policístico (SOP).  

Vide, ainda, neste mesmo artigo, os seguintes tópicos:  

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

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