Acne

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Acne
Acne na testa de um jovem na puberdade
Classificação e recursos externos
CID-10 L70.0
CID-9 706.1
DiseasesDB 10765
MedlinePlus 000873
eMedicine derm/2
MeSH D000152
Star of life caution.svg Aviso médico

Acne é uma doença de pele vulgar, caracterizada por áreas de seborreia (vermelhidão e crostas), comedões (pontos negros e brancos), pápulas, espinhas ou borbulhas e cicatrização cutânea.[1] À parte das marcas de cicatrização, os principais efeitos da doença são psicológicos, como a diminuição da autoestima,[2] em em casos extremos depressão ou suicídio.[3]

Na adolescência, a acne é geralmente provocada pelo aumento de andrógenos como a testosterona, que ocorre durante a puberdade em ambos os sexos.[4] A doença incide principalmente nas áreas da pele com maior número de folículos pilosos, como o rosto, a parte superior do peito e as costas.[5] A acne grave é inflamatória, embora a doença também se possa manifestar de forma não inflamatória.[6] As alterações na pele são provocadas por modificações nas unidades pilosebáceas (estruturas constituídas pelo folículo piloso e respetiva glândula sebácea) induzidas pela estimulação dos andrógenos.[7]

Existem diversos tratamentos disponíveis. Ingerir menos hidratos de carbono simples, como o açúcar, pode ajudar.[8] Entre os fármacos de uso comum estão o peróxido de benzoíla, antibióticos (tópicos ou orais), retinoides, medicamentos antisseborreicos, antiandrógenos, tratamentos hormonais, ácido salicílico, hidroxiácido, ácido azelaico, nicotinamida e sabonetes ceratolíticos.[9] Alguns especialistas recomendam que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível e de forma agressiva para diminuir o impacto a longo prazo nos indivíduos.[2]

A acne ocorre de forma comum durante a adolescência, estimando-se que afete entre 80 a 90% dos adolescentes no ocidente.[10] [11] [12] A taxa de incidência é menor em sociedades rurais.[12] [13] Em 2010, estimou-se que é a 8ª doença mais comum a nível mundial, afetando 650 milhões de epssoas.[14] Na maior parte das pessoas, a acne diminui ao longo do tempo e tende a desaparecer ou diminuir significativamente por volta dos 25 anos de idade.[15] No entanto, não existe forma de prever quanto tempo a doença demora a desaparecer por completo, e algumas pessoas continuam com esta condição para além dos 30 ou 40 anos, e alguns muito para além dessa idade.[16]

Manifestações clínicas[editar | editar código-fonte]

A acne é caracterizada pelo aumento de secreção de sebo pelas glândulas sebáceas, em conjunto com o acúmulo de células mortas no orifício do folículo pilossebáceo, obstruindo o poro da pele. Isto impede a saída de sebo pelo orifício. O acúmulo de sebo libera algumas substâncias que irritam a pele, causando inflamação, e é um meio propício para as bactérias se desenvolverem - notadamente, a Propionibacterium acnes.

As lesões da acne surgem, na maioria dos casos, no rosto. Surgem também, com menor freqüência, nas costas, peito, ombros e braços.

Em seu processo de desenvolvimento a acne adquire diversas formas, representadas a seguir em grau de desenvolvimento e gravidade:

Um adolescente de 16 anos com acne na bochecha.

Tipos de lesões[editar | editar código-fonte]

  • Seborréia: é o excesso de secreção sebácea que ocorre no rosto e tronco. A pele se torna oleosa e brilhante e com aparente dilatação do orifício de saída do folículo pilossebáceo. Ainda que as pessoas que desenvolvem a doença produzam maior quantidade de sebo que os não afetados, a intensidade da acne nem sempre está relacionada com a intensidade de seborréia. Uma medida para impedir o excesso de produção sebácea é o uso de retinóides tópicos e isotretinoína; tais medicamentos interferem no tamanho e produção de sebo das glândulas sebáceas.
  • Cravo: é a lesão mais característica da acne. O cravo fechado é de difícil visualização, sendo uma elevação cutânea de cor embranquecida ou amarelada. O cravo aberto costuma não ser elevado. No entanto, pode se apresentar como uma pequena elevação dura de cor preta, devido à oxidação da superfície do sebo.
  • Pápula: é a inflamação do cravo, que se torna avermelhado e aumenta de tamanho de 1 a 4 milímetros. É dolorosa e se desenvolve principalmente do cravo fechado. O cravo aberto se inflama quando manipulado sem assepsia.
  • Pústula: é a evolução da pápula, com elevação da pele em uma bolsa de pus de profundidade variável, acompanhada de coceira e dor.
  • Nódulo: é uma lesão profunda, coberta por pele normal que evolui até a inflamação e termina com a formação de cicatrizes.
  • Cicatriz: as cicatrizes podem ser atróficas, hipertróficas ou queloides. Os quelóides se apresentam como inchaços bem delimitados, porém de formato irregular de cor rosa a vermelho escuro.
Folículo piloso

Consequências da acne[editar | editar código-fonte]

A acne, conforme o tipo das lesões, pode causar cicatrizes em alguns casos, e é esta a sua única consequência visível a longo prazo. Suas conseqüências mais preocupantes são, na verdade as psicológicas. Ocorre, conforme o grau, grande redução da auto-estima, vergonha de sair de casa e depressão. O pior é que a acne geralmente aparece na adolescência, quando as pessoas tendem a ser mais inseguras socialmente.

Alvos, em alguns casos, de discriminação, as pessoas acometidas pela doença em elevado grau buscam, em vários casos, o isolamento social. A acne atinge a vida social do indivíduo profundamente, pois é justamente na fase da adolescência em que se desenvolvem as relações sociais e o amadurecimento emocional e psicológico. Por esses motivos, é aconselhável, além do tratamento físico, o acompanhamento psicológico do paciente, para que saiba lidar com a doença e não se afaste do meio social.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Existem muitos produtos no mercado para tratar a acne, muitos deles sem que os efeitos tenham sido comprovados cientificamente. Contudo, uma combinação de tratamentos pode reduzir muito a gravidade da acne na maioria dos casos. Os tratamentos que são mais efetivos devem ser acompanhados de perto por um dermatologista porque possuem uma maior possibilidade de efeitos colaterais. Deve-se consultar um médico especializado para escolher qual tratamento utilizar, principalmente quando utilizados em combinação. Alguns tratamentos que se mostraram efetivos:

Reposição de minerais[editar | editar código-fonte]

Estudos desenvolvidos na Suíça revelaram que uma grande parcela dos indivíduos que apresentam manifestação de acne também apresentam deficiências na concentração de determinados minerais no organismo. Nestes casos a simples ingestão diária de água mineral com maior teor de cloretos, acima de 8 mg. por litro permitiu a redução no surgimento da acne[carece de fontes?].

Esfoliação da pele[editar | editar código-fonte]

A esfoliação da pele pode ser feita tanto de maneira mecânica quanto através de substâncias químicas como o peróxido de benzoíla e ácido salicílico. Elas atuam prevenindo o acúmulo de células mortas e também ajudam na desobstrução de poros afetados. Dentre os tratamentos tópicos, o peróxido de benzoíla e o ácido salicílico são as medicações mais eficientes. No entanto, o uso deles não pode ser exagerado, correndo o risco de trazer mais oleosidade ainda à pele. A esfoliação também pode prejudicar o tratamento, aumentando as espinhas em até 20% quando em excesso, pois remove a camada protetora da pele, estimulando a produção de mais sebo.

Antibióticos tópicos e orais[editar | editar código-fonte]

A aplicação de antibióticos na região afetada, utilizando-se cremes e loções a base de eritromicina[17] e ácido fusídico pode ser bastante eficaz. Eles atuam matando as bactérias - notadamente, P. acnes - que se alojam no orifício do folículo piloso. Há também antibióticos orais, que são utilizados em casos mais graves e têm efeito melhor[carece de fontes?].

O uso de antibióticos tem se tornado menos eficiente na medida em que bactérias P. acnes resistentes têm se tornado mais comuns. A acne geralmente irá reaparecer em alguns dias após o fim do tratamento tópico e algumas semanas após o oral[carece de fontes?].

Tratamento hormonal[editar | editar código-fonte]

Nas mulheres, é possível a aplicação de tratamento hormonal, que consiste na ingestão de contraceptivos orais que mantem constante a taxa de hormônios menstruais. Homem também tem controlador hormonal. Para cada tipo de pele existe um determinado tratamento. Qualquer tipo de tratamento deve ser sempre acompanhado por um médico especializado.

Retinóides tópicos[editar | editar código-fonte]

Os retinóides tópicos são mais eficientes que as esfoliações e os antibióticos sozinhos. Os retinóides agem na normalização do ciclo de vida das células do folículo, dissolvendo e prevenindo a formação de cravos. O ácido retinóico, principalmente quando combinado com a eritromicina, costuma ser bastante eficaz para o tratamento da acne. O adapaleno, que tem menores efeitos colaterias, costuma trazer melhores resultados. Estão relacionados à vitamina A (retinóide significa semelhante ao retinol - que é justamente o nome químico da vitamina A)[carece de fontes?].

Retinóides orais[editar | editar código-fonte]

Consiste na ingestão diária de retinóides como a isotretinoína durante um período de 6 a 8 meses. A isotretinoína tem se mostrado muito eficiente; no entanto, pode causar efeitos colaterais perigosos. Por isto, só deve ser utilizada no tratamento da acne severa ou muito resistente[carece de fontes?].

O tratamento requer um acompanhamento médico bem próximo de um dermatologista devido justamente aos efeitos colaterais (os quais podem ser graves). Os efeitos colaterais mais comuns são a desidratação da pele e sangramentos nasais (conseqüentes da desidratação da mucosa nasal). Há relatos de que a substância possa prejudicar o fígado dos pacientes. Por esse motivo, é fundamental que os pacientes façam exames de sangue antes e durante o tratamento. Existem alguns relatos que comprovam que a droga pode gerar depressão. A droga também pode causar graves defeitos em fetos se as mulheres se submeterem ao tratamento antes ou durante a gravidez como defeitos na face, nas orelhas, no coração e no sistema nervoso do feto. Por essa razão o tratamento das mulheres é acompanhado por métodos contraceptivos ou abstinência sexual[carece de fontes?].

Agentes básicos[editar | editar código-fonte]

Algumas soluções inorgânicas de caráter básico, como o bicarbonato de sódio (NaHCO3) têm se mostrado eficazes no controle da oleosidade da pele em aplicações tópicas seguidas. Como o sebo nada mais é que um conjunto de ácidos gordos, estas substâncias aplicadas agem na neutralização destes ácidos, formando sais orgânicos que não servem de alimento para as bactérias e não têm aspecto oleoso.

Plantas Medicinais[editar | editar código-fonte]

Algumas plantas medicinais têm mostrado eficácia contra acne. Dentre ela, a bardana, o óleo de prímula, o óleo de argânia e o agrião podem ser usados no combate a cravos e espinhas e normalmente são administrados como cápsulas ou cremes. A tanchagem pode ser usada para fazer compressas e aplicada sobre as lesões[18] . A vulnerária, ou trevo-da-areia, é aplicada para amenizar as cicactizes deixadas pela acne. Outros usos da vulnerária são para lavar feridas e úlceras de difícil cicatrização.[19] . Outra planta em estudo que tem se mostrado eficaz é o chá verde, aplicado topicamente.[20] .

Clareamento[editar | editar código-fonte]

A acne costuma deixar a pele com manchas vermelhas. Opções para acelerar o clareamento dessas manchas incluem técnicas como luz intensa pulsátil ou produtos como ácido retinóico e ou ácido glicólico e ácido kójico combinados[carece de fontes?]. Hidroquinona , um tratamento para manchas muito recomendado por dermatologistas, quando aplicado no rosto podem causar manchas na pele, por isso não é recomendável o seu uso.[21]

Cicatrizes[editar | editar código-fonte]

A acne pode levar o rosto a ter cicatrizes, principalmente quando as espinhas são espremidas, pode-se tratar essas cicatrizes com várias técnicas como dermoabrasão (lixamento cirúrgico), preenchimento cutâneo, luz intensa pulsátil e peeling médio ou profundo com laser ou com ácidos como o retinóico, co2 fracionado, dependendo do grau da cicatriz[carece de fontes?].

Cura[editar | editar código-fonte]

Embora existam métodos que levem à sua diminuição ou extinção, não existe uma cura específica, pois a acne não é uma doença específica. Sendo uma doença com base em outros eventos, a sua cura tem ramificações, daí a existência de metodologias. Reconhece-se o peróxido de benzoíla eficaz contra a bactéria da acne, que normalmente diminui com a idade, acabando depois dos 21 anos. Em casos especificos, ela pode surgir mesmo depois da adolescência, desencadeada por um desequilíbrio hormonal, mais comumente apresentado em mulheres.

O acne causado pela colonização bacteriana posterior ao bloqueio dos poros pelo excesso de sebo, pode ser tratado com recurso a antibióticos que permitam reduzir a inflamação ao eliminar as bactérias responsáveis. No caso do acne feminino causado pelo aumento da produção ou sensibildiade aos androgénios, pode ser receitada uma pílula contracetiva com potencial anti androgênico.

Há um medicamento chamado Roacutan, que propõe secar as glândulas sebáceas, eliminando assim a acne para sempre. Os tratamentos realizados com o remédio tem trazido bons resultados. Uma porcentagem de 90% dos usuários tiveram a cura efetiva da acne, enquanto outros 10% após algum tempo ouve o ressurgimento, sendo assim tiveram que refazer o tratamento. Porém o Medicamento tem sérios efeitos colaterais incluindo sangramento nasal, dores musculares, aumento do colesterol e triglicerídeos, dor de cabeça, queda de cabelos podendo ainda causar insuficiência renal. [22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. (2009) "Scoring systems in acne vulgaris". Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology 75 (3): 323–6. DOI:10.4103/0378-6323.51258. PMID 19439902.
  2. a b (2006) "Acne and acne scarring – the case for active and early intervention". Australian family physician 35 (7): 503–4. PMID 16820822.
  3. (2006) "Acne, anxiety, depression and suicide in teenagers: A cross-sectional survey of New Zealand secondary school students". Journal of Paediatrics and Child Health 42 (12): 793–6. DOI:10.1111/j.1440-1754.2006.00979.x. PMID 17096715.
  4. (2005) "Acne". New England Journal of Medicine 352 (14): 1463–72. DOI:10.1056/NEJMcp033487. PMID 15814882.
  5. (2013) "Overview of the treatment of acne vulgaris". Osteopathic Family Physician 5 (5): 185–90. DOI:10.1016/j.osfp.2013.03.003.
  6. Harper, Julie C (6 August 2009). Acne Vulgaris eMedicine. Visitado em 2009-12-21.
  7. Kong YL, Tey HL. (June 2013). "Treatment of acne vulgaris during pregnancy and lactation". Drugs 73 (8): 779–87. DOI:10.1007/s40265-013-0060-0. PMID 23657872.
  8. Mahmood, SN. (Apr 1, 2014). "Diet and acne update: carbohydrates emerge as the main culprit.". Journal of drugs in dermatology : JDD 13 (4): 428–35. PMID 24719062.
  9. (2009) "Acne vulgaris: Review and guidelines". Dermatology nursing / Dermatology Nurses' Association 21 (2): 63–8; quiz 69. PMID 19507372.
  10. (Maio-junho de 2011) "Pathways to inflammation: acne pathophysiology". European Journal of Dermatology 21 (3): 323–33. DOI:10.1684/ejd.2011.1357. PMID 21609898.
  11. (2013) "Acne vulgaris". BMJ 346. DOI:10.1136/bmj.f2634. PMID 23657180.
  12. a b Berlin, David J. Goldberg, Alexander L.. Acne and Rosacea Epidemiology, Diagnosis and Treatment.. London: Manson Pub.. p. 8. ISBN 9781840766165.
  13. Spencer, EH. (Apr 2009). "Diet and acne: a review of the evidence.". International Journal of Dermatology 48 (4): 339–47. DOI:10.1111/j.1365-4632.2009.04002.x. PMID 19335417.
  14. Hay, RJ; Johns, NE; Williams, HC; Bolliger, IW; Dellavalle, RP; Margolis, DJ; Marks, R; Naldi, L; Weinstock, MA; Wulf, SK; Michaud, C; J L Murray, C; Naghavi, M. (Oct 28, 2013). "The Global Burden of Skin Disease in 2010: An Analysis of the Prevalence and Impact of Skin Conditions.". The Journal of investigative dermatology 134 (6): 1527–34. DOI:10.1038/jid.2013.446. PMID 24166134.
  15. Arndt, Hsu; Kenneth, Jeffrey. In: Hsu. Manual of dermatologic therapeutics. [S.l.]: Lippincott Williams & Wilkins, 2007. ISBN 0-7817-6058-5.
  16. Anderson, Laurence. Looking Good, the Australian guide to skin care, cosmetic medicine and cosmetic surgery. Sydney: AMPCo., 2006. ISBN 0-85557-044-X.
  17. Tratamento do acne vulgar pela eritromicina tópica [Tratamento do acne vulgar pela eritromicina tópica]
  18. - Acne Plantas Medicinais
  19. - Plantas que Curam
  20. - The efficacy of topical 2% green tea lotion in mild-to-moderate acne vulgaris
  21. ihttp://www.andreaandrade.com/site/blog/67/hidroquinona-porque-nao-uso-e-nem-recomendo/ nserir fonte aqui
  22. Acne Tem Tratamento

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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