Dermatite de contato

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Dermatite de contato
Dermatite de contato
Classificação e recursos externos
CID-10 L25.9
CID-9 692.9
DiseasesDB 4466
MeSH D003877
Star of life caution.svg Aviso médico

A dermatite de contato é uma reação inflamatória da pele aos agentes químicos, físicos ou biológicos. A epiderme é lesionada por irritações físicas e químicas repetidas.[1] Também conhecida como dermatite venenata, é uma condição inflamatória, que com frequência apresenta eczemas e é causada por uma reação cutânea a diversos tipos de alergênicos.

A dermatite de contato é uma reação de hipersensibilidade retardada do tipo IV. A sensibilidade cutânea desenvolve-se após períodos breves ou prolongados de exposição e as manifestações clínicas podem surgir horas ou semanas depois que a pele sensibilizada foi exposta.

Classificação[editar | editar código-fonte]

  • Irritante Primário: reação não alérgica que resulta da exposição à substância irritativa.
  • Alérgica: decorrente da exposição de pessoas sensibilizadas aos alérgenos de contato. A reação imunológica desencadeada é do tipo IV.
  • Dermatite de contato fototóxica: É desencadeado por substâncias que se transformam em elementos fototóxicos pela ação da radiação UVA, levando a uma reação eczematosa. Não existe mecanismo imunológico na formação da dermatite.
  • Dermatite de contato fotoalérgica: O mecanismo etiopatogênico é o mesmo do eczema alérgico de contato, com a participação da luz solar no desencadeamento do processo. A formação da reação imunológica do tipo IV necessita da presença concomitante da radiação apropriada e do fotoalérgeno. Após a absorção da energia da luz, a substância é convertida em molécula em estado ativado. Neste processo, a molécula se une a carregador protéico para formar um antígeno completo.

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas mais comuns de dermatite de contato alérgica na América são plantas do gêneroToxicodendron: Toxicodendron radicans, 'Toxicodendron diversilobum e sumac. Milhões de casos ocorrem a cada ano na América do Norte apenas.[2]

O alquil resorcinol da Grevillea banksii e da Grevillea Robyn Gordon são responsáveis ​​por dermatite de contato.[3] Bilobol, outro alquil resorcinol encontrado no fruto da Gingko biloba é um forte rritante da pele humana.[4]

Outras causas comuns de dermatite de contato irritativa são sabonetes alcalinos, detergentes e produtos de limpeza.[5]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

A dermatite de contato é uma erupção cutânea localizada ou irritação da pele causada pelo contato com uma substância estranha. Apenas as regiões superficiais da pele são afetadas na dermatite de contato. A inflamação do tecido afectado está na epiderme (a camada mais externa da pele) e na derme exterior (a camada abaixo da epiderme).[6] Ao contrário da urticária de contato, em que a erupção aparece em poucos minutos após a exposição e desaparece dentro de alguns minutosoua horas, dermatite de contato leva dias para desaparecer. Mesmo assim, a dermatite de contato desaparece apenas se a pele já não entra em contato com o alérgeno ou irritante.[7] A dermatite de contato resulta em áreas de erupções cutâneas com sensação de queimação e coceira, que podem levar de vários dias ou semanas para curar. A dermatite de contato crônica pode se desenvolver quando a remoção do agente agressor não mais fornece o alívio esperado.

Tipos Básicos[editar | editar código-fonte]

São 4 os tipos básicos de dermatite de contato:

  1. Alérgica: Causada pelo contato da pele com substância alergênica. Clinicamente apresenta vasodilatação e infiltrados perivasculares na derme além de edema.
  2. Irritante: Causada pelo contato da pele com substância que lesiona a pele química ou fisicamente. Clinicamente apresenta ressecamento que pode durar dias a meses, vesiculações, fissuras e arranhaduras.
  3. Fototóxico: Causada pelo sol em combinação com uma substância química que lesiona a epiderme. Clinicamente similar à dermatite irritante
  4. Fotoalérgico: Causada pela combinação de luz e substância alergênica. Clinicamente similar à dermatite alérgica.

Manifestações clínicas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas englobam prurido, queimação, eritema, edema e formação de vesículas no ponto de contato. Progride para a transudação, formação de crosta, ressecamento, fissuração culminando no desprendimento da pele.

Liquenificação (espessamento da pele) e alterações pigmentares podem ocorrer em reações repetidas.

Terapia farmacológica[editar | editar código-fonte]

Dependendo da gravidade da reação alérgica esteróides tópicos ou orais podem ser utilizados, no caso dos orais estes, geralmente, são utilizados em doses decrescentes para fornecer o efeito antiinflamatório máximo sem supressão da supra-renal.

Antipruriginosos (anti-histamínicos tópicos ou sistêmicos e/ou preparações tópicas de calamina) podem ser necessários.

Referências[editar | editar código-fonte]

Específicas
  1. BRUNNER e SUDDARTH, p.1772, 2005
  2. Gladman, A. C. (2006). Toxicodendron dermatitis: poison ivy, oak, and sumac. Wilderness & Environmental Medicine 17(2), 120.
  3. (1986) "Contact dermatitis from Grevillea 'Robyn Gordon'". Contact Dermatitis 15 (3): 126–31. PMID 2946534.
  4. (1990) "Comparison of the effects of bilobol and 12-O-tetradecanoylphorbol-13-acetate on skin, and test of tumor promoting potential of bilobol in CD-1 mice". The Journal of Toxicological Sciences 15 (1): 39–46. DOI:10.2131/jts.15.39. PMID 2110595.
  5. Irritant Contact Dermatitis. DermNetNZ.org
  6. European Society of Contact Dermatitis. What is contact dermatitis.
  7. DermNet NZ: Contact Dermatitis. Visitado em 2006-08-14.
Gerais
  1. NETTINA, Sandra M. Brunner: prática de enfermagem. Volume II. 7ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
  2. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. Volume III. 9ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.