Teratologia

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A teratologia (do grego τερατολογία, composto de τερατο- «monstro» e -λογία «estudo») é um ramo da ciência médica preocupado com o estudo da contribuição ambiental ao desenvolvimento pré-natal alterado, ou seja, estuda as causas, mecanismos e padrões do desenvolvimento anormal. Para o estudo desse ramo da ciência é fundamental o conhecimento das etapas do desenvolvimento, pois alguns estágios do desenvolvimento são mais vulneráveis à perturbação do que outros.

Um agente teratogénico é definido como qualquer substância, organismo, agente físico ou estado de deficiência que, estando presente durante a vida embrionária ou fetal, produz uma alteração na estrutura ou função da descendência.

Anomalias congénitas, defeitos congénitos e malformações congénitas são termos normalmente usados para descrever distúrbios do desenvolvimento presentes no nascimento. Os defeitos de nascença (congénitos) são a maior causa de mortalidade infantil e podem ser estruturais, funcionais, metabólicos, comportamentais ou hereditários.

Uma anomalia congénita é qualquer tipo de anormalidade estrutural: entretanto, nem todas as variações do desenvolvimento são anomalias. As variações anatómicas são comuns: por exemplo, os ossos variam entre si não apenas na sua forma básica, mas em pequenos detalhes da estrutura da superfície. As anomalias congénitas são de quatro tipos clinicamente significantes: malformação, perturbação, deformação e displasia. As causas das anomalias congénitas são divididas em:

a) Fatores genéticos (génicos e cromossómicos);
b) Fatores ambientais.

Os fatores genéticos génicos são aqueles que passam dos pai para os filhos e são ditos hereditários (ex: polidactilia), enquanto que os genéticos cromossómicos se referem ao número ou estrutura anormais dos cromossomas da espécie (ex: Síndrome de Down). Os fatores ambientais compreendem os vírus que determinam as infecções (ex: vírus da Rubéola), drogas (ex: álcool, tabaco, antibióticos) e radiações (ex: raios X).

Gárgulas e quimeras são típicos híbridos que representam os monstros com que são designadas algumas anomalias humanas

No entanto, muitas anomalias congénitas comuns são causadas por fatores genéticos e ambientais actuando em conjunto – a herança multifatorial. Na maioria das anomalias congénitas as causas são desconhecidas.

Períodos de gestação[editar | editar código-fonte]

Causas: vulnerabilidades fetais genéticas (ameaças internas) e/ou ameaças ambientais (ameaças externas).

Ameaças internas - Distúrbios Genéticos e Cromossómicos: Duas causas principais:

  • Número anormal de cromossomas;
  • Gene (ou conjunto de genes) defeituosos.

Princípios Básicos das ameaças externas:

  • As partes do corpo não se desenvolvem todas ao mesmo tempo;
  • Existem períodos cruciais (críticos) para cada parte do corpo. Período sensível de desenvolvimento dos orgãos.

O efeito de substâncias teratogénicas sobre um feto é altamente susceptível à fase embrionária de gestação:

  • Primeira semana do desenvolvimento: não é susceptível à ação de agentes teratogénicos, pois as células reguladoras têm capacidade totipotente;
  • 2ªsemana do desenvolvimento: é um período crítico, que vai da gastrulação à neurulação, a ação de um agente teratológico pode matar o embrião;
  • 3ª a 8ª semana do desenvolvimento: corresponde ao período embrionário - formação de órgãos - período altamente suscetível a ação de agentes teratológicos que causam malformações nas estruturas. Os teratógenos tem maior probabilidade de causar danos estruturais durante o período embrionário.

Anomalias causadas por fatores ambientais[editar | editar código-fonte]

Apesar do embrião humano estar bem protegido no útero, certos agentes ambientais – os teratógenos – podem causar perturbações do desenvolvimento após a exposição materna a eles. Um teratógeno é qualquer agente que possa produzir uma anomalia congénita ou elevar a incidência de uma anomalia na população. Fatores ambientais, como infecções e drogas, podem simular condições genéticas, como ocorre quando duas ou mais crianças de pais normais são afetadas. Os órgãos e as partes de um embrião são mais sensíveis aos agentes teratogénicos durante os períodos de diferenciação rápida.

Os fatores ambientais causam de 7 a 10% das anomalias congénitas. Os teratógenos não parecem ser eficazes em causar anomalias antes do início da diferenciação celular; entretanto, sua ação precoce pode causar a morte do embrião, como, por exemplo, durante as primeiras duas semanas do desenvolvimento. Os mecanismos exatos pelos quais drogas, substâncias químicas e outros fatores ambientais perturbam o desenvolvimento embrionário e induzem anormalidades ainda permanecem desconhecidos.

Muitos estudos mostraram que certas influências hereditárias e ambientais podem afetar adversamente o desenvolvimento embrionário alterando processos fundamentais, como o compartimento intracelular, a superfície da célula, a matriz extracelular e o ambiente fetal. Nenhuma hipótese fundamental explica os mecanismos subjacentes. Sugeriu-se que a resposta celular inicial pode assumir mais de uma forma, resultando em sequências diferentes de alterações celulares. Finalmente, estes tipos diferentes de lesão patológica possivelmente levariam ao defeito final através de uma via comum.

Três princípios básicos têm de ser considerados quando se considera a teratogenicidade de um agente como uma droga ou substância química.

a) Os períodos críticos do desenvolvimento;
b) A dose da droga ou da substância química;
c) O genótipo do embrião.

Exemplos de agentes teratogénicos biológicos[editar | editar código-fonte]

Nesta categoria são estudados os efeitos de agentes biológicos tais como: bactérias, vírus, fungos, vermes causadores de doenças tipo:

  • Rubéola - causa cataratas congénitas no recém-nascido
  • AIDS - causa malformações crânio-faciais e atraso no crescimento intra-uterino
  • Sífilis - surdez, hidrocefalia, atraso mental, dentes e ossos anormais
  • Varicela - Distrofia muscular, atraso mental
  • Herpes Simplex - Há relatos que mostram que a infecção materna pelo vírus herpes simples (HSV), no início da gestação, aumenta três vezes a proporção de abortos, enquanto a infecção após a 20ª semana está associada a uma proporção mais alta de prematuros. A infecção do feto pelo HSV usualmente ocorre ao final da gravidez, provavelmente com maior frequência durante o parto. As anormalidades congénitas que foram observadas nos recém-nascidos incluem lesões cutâneas típicas e, em alguns casos, microcefalia, microftalmia, espasticidade, displasia retiniana e retardo mental.
  • Toxoplasmose - Hidrocefalia, cegueira, retardo mental

Exemplos de teratógenos químicos[editar | editar código-fonte]

Nessa categoria são estudados os efeitos de agentes químicos tais como:

Exemplo de teratógenos físicos[editar | editar código-fonte]

Nessa categoria são estudados os efeitos de agentes físicos tais como:

Gêmeos dicéfalos do Museu de Anatomia de Montpellier

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Ribeiro, Erlane M.; Gonzalez Claudette H. Síndrome Alcoólica Fetal: Revisão. Pediatria, SP, 17 (1): 47-56, 1995 disponível on line em nov.2010
  2. DOMENICE, Sorahia et al . Aspectos Moleculares da Determinação e Diferenciação Sexual. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 46, n. 4, Aug. 2002 . disponível on line em 11 Nov. 2010.
  3. Hanson, James W. et. al. Risks to the offspring of women treated with hydantoin anticonvulsants, with emphasis on the fetal hydantoin syndrome The Journal of Pediatrics Volume 89, Issue 4, October 1976, Pages 662-668
  4. Grumach Anete Sevciovic; Corradini, Helcio B. Duas síndromes fetais importantes (1 parte - síndrome fetal hidantoínica) Pediat. (S. Paulo) 3: 304-308, 1981
  5. Penna GO, Pinheiro AM, Hajjar L. Talidomida: mecanismo de ação, efeitos colaterais e uso terapêutico. An Bras Dermatol. 1998; 73: 501-14.
  6. Universidade Federal de São Paulo (2005). Riscos da Exposição à Riscos da Exposição à Radiação Ionizante na Gestação. Página visitada em 2007-10-13.
  7. Castilla, Eduardo E.; Lopez-Camelo, Jorge S.; Paz, Joaquim E.; Orioli, Iêda M. Prevencion primaria de los defectos congenitos. RJ, FIOCRUZ, 1996
  8. Castilla et al. o.c.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • PERSAUD, Moore. Embriologia Básica. 5.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 453 p.

GOLDMAN, Lee; BENNETT, J. Claude. Tratado de Medicina Interna. 21.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. Volume 1. 1266 p.

  • DAMASCENO, DÉBORA CRISTINA et al . Effect of acetylsalicylic acid on the reproductive performance and on offspring from wistar rats. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 48, n. 4, 2002. Disponível online. Acesso em: 19 Mar 2007. Pré-publicação. doi: 10.1590/S0104-42302002000400036
  • TORALLES, Maria Betânia et al. A importância do serviço de Informações sobre Agentes Teratogênicos, Bahia, Brasil, na prevenção de malformações congênitas: análise dos quatro primeiros anos de funcionamento. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 25 (1):105-110, jan, 2009