Epilepsia
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| CID-10 | G40.-G41. |
|---|---|
| CID-9 | 345 |
| DiseasesDB | 4366 |
| MedlinePlus | 000694 |
| eMedicine | neuro/415 |
Epilepsia é uma alteração na atividade elétrica do cérebro, temporária e reversível, que produz manifestações motoras, sensitivas, sensoriais, psíquicas ou neurovegetativas (disritmia cerebral paroxística). Para ser considerada epilepsia, deve ser excluída a convulsão causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos, já que são classificadas diferentemente.
[editar] Etmologia
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A palavra epilepsia vem do grego epilépsía, 'doença que provoca repentina convulsão ou perda de consciência', pelo latim EPILEPSIA
[editar] Crise epiléptica vs. epilepsia
Os sinais elétricos incorretos do cérebro (descarga neuronal) podem ser localizados ou difusos, no primeiro caso aparecendo como uma crise parcial e no segundo caso como generalizada, atingindo ambos os hemisférios cerebrais. Estas alterações geralmente duram de poucos segundos a alguns minutos. De acordo com o grau de comprometimento dos hemisférios cerebrais, a crise convulsiva pode ser de diversos tipos, não se utilizando mais a antiga nomenclatura de “pequeno e grande mal”. Pode ser apenas uma “crise de ausência”, quando o doente fica parado e ausente enquanto durar a crise e retornando onde tinha parado em seguida. Pode ser uma crise parcial simples ou complexa, na forma simples ocorrem apenas alterações na percepção do paciente em relação ao meio exterior, como medo e outras emoções, na forma complexa o paciente perde a consciência. As crises mais conhecidas, devido a dramaticidade do quadro, são as tônico-clônicas, quando o paciente perde a consciência e cai rígido, com as extremidades do corpo tremendo e se contraindo. Existe ainda a somente tônica, a somente clônica, a mioclônica onde o paciente tem leves tremores persistentes. Ao todo existem mais de trinta tipos diferentes.
Qualquer pessoa pode sofrer um ataque epiléptico, devido, por exemplo, a choque elétrico, deficiência em oxigênio, traumatismo craniano, baixa do açúcar no sangue, privação de álcool, abuso da cocaína (1 em cada 20 pessoas têm uma única crise isolada durante a sua vida, e essas crises isoladas não são sinônimo de epilepsia, termo empregado apenas para casos em que as crises têm uma tendência a se repetir espontaneamente ao longo do tempo). As crianças menores podem ter convulsões quando têm febre; nestes casos, são chamadas "convulsões febris", mas não representam epilepsia.
[editar] Como ajudar
Ao presenciar um ataque convulsivo (que tanto pode ser causado por epilepsia como por outros motivos, como verminose, traumatismo craniano e febre alta), percebe-se a contração involuntária da musculatura provocando movimentos desordenados e geralmente perda da consciência. As manifestações mais evidentes são a queda, salivação abundante, eliminação de fezes e urina (às vezes) e movimentos desordenados.
- Proteja a cabeça da vítima com um travesseiro ou pano (para que ela não se machuque se debatendo) e afrouxe-lhe a roupa.
- A vítima poderá morder a própria língua, mas não irá engolí-la. Por isso, não coloque objetos em sua boca nem tente puxar a língua para fora.
- Deixe a vítima debater-se livremente. Coloque-a deitada em posição lateral para que a saliva escorra e o paciente não engasgue.
- Mantenha-a em repouso, cessada a convulsão. Deixe-a dormir.
- Nas convulsões infantis por febre alta, deite a criança envolta de uma toalha úmida.
- Procure ajuda médica se:
- A pessoa se feriu gravemente com a crise (por exemplo, bateu a cabeça em algum objeto)
- A crise dura mais do que o normal para aquela pessoa (se não se souber a duração normal da crise para a pessoa em questão, tomar como limite cinco minutos)
- Importante: Não jogue água sobre a vítima, não dê tapas, não tenha receio (a saliva de uma pessoa com epilepsia não transmite a doença). Não é necessário fazer massagem no coração ou respiração boca-a-boca.
[editar] Ocorrência
Estudos sugerem uma diferenciação da prevalência da epilepsia de acordo com regiões. Nos países desenvolvidos sua incidência é estimada em 40-50/100.000 hab/ano[1], enquanto que nos em desenvolvimento é de 122-190/100.000 hab/ano[2]. Estima-se que 50 milhões de pessoas no mundo já tiveram ao menos uma crise de epilepsia[3]. Estima-se também que os países em desenvolvimento concentrem 85% dos casos onde 90% dos quais não recebem diagnóstico ou tratamento[carece de fontes]. Pode iniciar-se em qualquer idade, mas é mais comum até aos 25 e depois dos 65 anos. Também se observa uma leve diferença entre os sexos: há mais homens que mulheres com epilepsia.
Alguns estudos realizados no Brasil também apontam prevalências diferenciadas por região, variando de 1/1000 hab a 18,6/1000 hab[4].
[editar] Causas
Existem várias causas para a epilepsia, pois muitos fatores podem lesar os neurônios (células nervosas) ou o modo como estes comunicam entre si. Os mais frequentes são: traumatismos cranianos, provocando cicatrizes cerebrais; traumatismos de parto; certas drogas ou tóxicos; interrupção do fluxo sanguíneo cerebral causado por acidente vascular cerebral ou problemas cardiovasculares; doenças infecciosas ou tumores.
Podem ser encontradas lesões no cérebro através de exames de imagem, como a tomografia computadorizada, mas normalmente tais lesões não são encontradas. O eletroencefalograma (EEG) pode ajudar, mas idealmente deve ser feito durante a crise. Existe uma discussão sobre a “personalidade epiléptica” no sistema legal, mas de um modo geral o epiléptico não deve ser considerado inimputável.
Quando se identifica uma causa que provoque a epilepsia, esta é designada por "sintomática", quer dizer, a epilepsia é apenas o sintoma pelo qual a doença subjacente se manifestou; em 65 % dos casos não se consegue detectar nenhuma causa - é a chamada epilepsia "idiopática". Emprega-se o termo epilepsia "criptogénica" quando se suspeita da existência de uma causa mas não se consegue detectar a mesma.
Conquanto possa ser provocada por uma doença infecciosa, a epilepsia, ao invés de algumas crenças habituais, não é contagiosa, ninguém a pode contrair em contato com um epiléptico. Na maioria dos casos a epilepsia deve-se à uma lesão cerebral causada por traumatismo provocado por acidente físico, num tumor, numa infecção, no parasita cisticerco, num parto mal feito ou numa meningite, embora em menor freqüência pode ser genético[5][6], significando que, em poucos casos, a epilepsia pode ser transmitida aos filhos. Outro fator que pode explicar a incidência da epilepsia entre parentes próximos é que algumas causas como a infecção e a meningite, possíveis causas das lesões cerebrais, são contagiosas, expondo parentes próximos a uma incidência maior. Do mesmo modo, a cisticercose que é causada pela ingestão de alimentos contaminados pelo parasita Taenia costumeiramente fazem parte da alimentação de parentes próximos. A despeito da crença popular que a epilepsia é incurável, existem tratamentos medicamentosos e cirurgias capazes de controlar e até curar a epilepsia.
Alguns fatores podem desencadear crises epilépticas:
- mudanças súbitas da intensidade luminosa ou luzes a piscar (algumas pessoas têm ataques quando vêem televisão, jogam no computador ou frequentam discotecas)
- privação de sono
- ingestão alcoólica
- febre
- ansiedade
- cansaço
- algumas drogas e medicamentos
- Verminoses (como a neurocisticercose)
[editar] Estigma e preconceito
A epilepsia é conhecida desde a Antigüidade e já foi associada a factores divinos e demoníacos. Independente do fator, no entanto, as crises epilépticas, principalmente as generalizadas, sempre assustaram muito as pessoas que as presenciam, fazendo com que o epiléptico tenha que enfrentar, no decorrer de sua vida, um obstáculo difícil de transpor: o de ser socialmente estigmatizado.
Segundo o presidente da Sociedade de Neurologia Pediátrica Mexicana, Jesus Gómez-Placencia, em artigo publicado na revista Cérebro & Mente, 75% dos pacientes epiléticos iniciam suas crises antes dos 18 anos. E para a criança com epilepsia, sofrer o estigma chega a ser pior que a própria doença. Ele alerta para a importância de se efetuar o diagnóstico o mais cedo possível, para que se estabeleça o tratamento adequado, e para que possam ser trabalhados os aspectos psico-sociais relevantes para a reintegração do paciente a seu núcleo familiar, escolar e social.
"Em todos os países, a epilepsia representa um problema importante de saúde pública, não somente por sua elevada incidência, mas também pela repercussão da enfermidade, a recorrência de suas crises, além do sofrimento dos próprios pacientes devido às restrições sociais que na maioria das vezes são injustificadas", afirma o neurologista, que também é professor da Universidade de Guadalajara, no México.
[editar] ONU
A Campanha Global contra Epilepsia - "Fora das Sombras" - é uma iniciativa conjunta da Liga Internacional contra Epilepsia (ILAE), do Comitê Internacional para Epilepsia (IBE) e da Organização Mundial de Saúde (WHO). Cada uma das organizações envolvidas tentou, no passado, promover alguma modificação, mas nenhuma de fato foi bem sucedida. O lema oficial da Campanha é: "Melhorar a aceitação, diagnóstico, tratamento, serviços e prevenção de epilepsia em todo o mundo", pois calcula-se que 70-80% das pessoas com epilepsia podem ou poderiam levar vidas normais se tratadas corretamente.
Os objetivos da Campanha são:
- Aumentar a consciência pública e profissional de epilepsia como doença do cérebro universal e tratável
- Elevar a epilepsia a um novo nível de aceitação no domínio público
- Promover educação pública e profissional sobre epilepsia
- Identificar as necessidades das pessoas com epilepsia nos âmbitos regional e nacional
- Encorajar governos e departamentos de saúde a contemplar as necessidades das pessoas com epilepsia, incluindo consciência, educação, diagnóstico, tratamento, cuidados, serviços e prevenção.
A Campanha inclui componentes internacionais, regionais e nacionais, os quais estão inter-relacionados.
Informaçõs sobre a Campanha podem ser obtidas em várias fontes: - Boletin em Saúde Mental OMS - Ambos os sites da ILAE e da IBE - Site da OMS
[editar] Tratamento Clínico
Os principais medicamentos utilizados são:
[editar] Epiléticos famosos
Esta lista inclui algumas celebridades que, por sua biografia, supõe-se que tenham sofrido de epilepsia.
- Alexandre o Grande, rei macedônico
- Alfred Nobel, criador do prêmio Nobel. Há evidências de que sofreu de epilepsia principalmente na infância.
- Caio Júlio César, estadista romano
- arquiduque Carlos da Áustria (1771 - 1847))
- Fiódor Dostoievski, escritor russo. Ele começou a ter as crises aos 25 anos de idade. Os ataques se prolongaram até a sua morte aos 60 anos. Nestes 35 anos, o escritor teve cerca de 400 crises convulsivas, que eram seguidas de confusão mental, depressão e distúrbios temporários de fala e memória. "sim, eu tenho a doença das quedas, a qual não é vergonha para ninguém. E a doença das quedas não impede a vida".
- Gustave Flaubert, escritor francês, autor de Madame Bovary. A doença se manifestou aos 22 anos de idade, com crises parciais simples, (com sintomas visuais de curta duração) e depois com crises complexas. Ele também apresentava os sintomas emocionais, como terror, pânico, alucinações, pensamentos forçados e fuga de idéias.
- Hermann von Helmholtz, físico alemão (1821 - 1894)
- Ian Curtis, roqueiro inglês. O vocalista da banda Joy Division (criada em 1977, época seguinte ao estouro do movimento punk) teve a primeira crise convulsiva logo após a estréia em Londres. O show foi decepcionante e a crise o abalou. Depois disso, a excitação dos shows o levava a ter ataques epilépticos em pleno palco.
- Machado de Assis, escritor brasileiro
- Margaux Hemingway, atriz americana (1955 - 1996)
- Napoleão Bonaparte, imperador francês. "Gemia e babava, tinha uma espécie de convulsão que cessava ao cabo de um quarto de hora..." (testemunho de Talleyrand, ano de 1805, um dos que atestam que o imperador sofria, desde jovem, de epilepsia)
- D. Pedro I, imperador do Brasil. Segundo os historiadores, ele sofria de epilepsia herdada do lado materno de sua família e antes dos 18 anos já tinha sofrido seis crises.
- Richard Burton, ator inglês
- Saul, rei bíblico
- Sócrates
- Van Gogh, pintor holandês. Em uma dessas cartas, quando estava internado em Sait-Remy, ele escreveu: "as alucinações insuportáveis desapareceram, estando agora reduzidas a um pesadelo simples, eu penso que em conseqüência do uso que venho fazendo do brometo de potássio", o primeiro medicamento usado para combater crises epilépticas.
- Lenin, revolucionário russo (1870-1924)
[editar] Ligações externas
- International Bureau for Epilepsy (en)
- European Epilepsy academy (en)
- Museu de epilepsia alemão (multilíngüe)
- Viva com Epilepsia
- Epilepsia, personalidade e agressividade
- Epilepsia é maior no Terceiro Mundo
- Epidemiologia das epilepsias no Brasil
- Resumo da aula sobre Epilepsias da UFF
Referências
- ↑ Hauser WA. Annegers JH and Kurland LT (1991). "Prevalence of epilepsy in Rochester". Epilepsia 32 (4): 429-445.
- ↑ Placencia M. Shorvon SD. Paredes V. Bimos C. Sander JWAS. Suarez J. Cascante SM (1992). "Epileptic seizure in an Andean Region of Equador: Incidence and prevalence and regional variation". Brain 115: 771-782.
- ↑ Epilepsy: aetiogy, epidemiology and prognosis. World Health Organization (February 2001). Página visitada em 2007-06-14.
- ↑ Moacir Alves Borges e Dirce Maria Trevisan Zanetta (2002--07-10). Epidemiologia das epilepsias no Brasil. Com Ciência. Página visitada em 2008-10-20.
- ↑ "Cirurgia de epilepsia cada vez mais cedo", 2007-09-19. Página visitada em 2007-09-19.
- ↑ "GeneCards: list of "disease genes" match the pattern "Epilepsy"". Página visitada em 2007-11-11.
[editar] ONGs
- ASPE - Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia
- The International League Against Epilepsy (ILAE) website, supporting research and patient care worldwide.
- The Epilepsy Foundation, a non-profit organization with an excellent patient-oriented website.
- Epilepsy.com - Epilepsy information for patients, families and caregivers living with epilepsy. Supported by a 501c not-for-profit affiliated with universities, drug and device manufacturers.
- Liga Portuguesa Contra a Epilepsia
- Associação Portuguesa de Familiares, Amigos e Pessoas com Epilepsia
[editar] Organizações regionais
- ASPE - Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia
- Liga Brasileira de Epilepsia
- NYU Comprehensive Epilepsy Center, o maior centro de epilepsia nos EUA (em inglês)
- nyuepilepsy.org (em inglês)
- Finding A Cure for Epilepsy and Seizures (faces) - nyufaces.org
- The Epilepsy Foundation of Victoria, para pessoas que têm epilepsia (em inglês)
- Como ajudar em caso de uma crise epiléptica. Da Epilepsy Action
- National Institute of Neurological Disorders and Stroke Epilepsy Information Page (USA)
- Epilepsy Australia Where to go for help with epilepsy in Australia.
- Epilepsy Association of Australia Information and education, seizure first aid.
- Australian Headlines, online epilepsy magazine Notícias, opiniões, depoimentos (em inglês)
- Epilepsy QueenslandAn award winning site especially for children with epilepsy. (em inglês)
- Epilepsy Canada
- Get on the Team Campaign Epilepsy Awareness Campaign featuring high profile ambassadors.
- The Epilepsy Association of Tasmania A site for Tasmanians living with epilepsy. (em inglês)
- The National Centre for Young People with Epilepsy A UK charity with a school and medical centre. (em inglês)
[editar] Fórums de suporte
- BrainTalk Communities
- Coping With Epilepsy
- Global Epilepsy Network
- National Society for Epilepsy UK based group

