Tumor cerebral

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Tumor cerebral
Biópsia de tumor cerebral sendo realizada. Uma pequena parte do tumor é removida através de uma agulha com um sistema de vácuo.
Classificação e recursos externos
CID-10 C71, D33.0-D33.2
CID-9 191, 225.0
DiseasesDB 30781
MedlinePlus 007222 000768
eMedicine emerg/334
Star of life caution.svg Aviso médico

Um tumor cerebral (tumor intracraniano) é um crescimento anormal de células dentro do cranio criado por divisões celulares anormais. Estes tumores podem ser devido a multiplicação de células de dentro do cérebro (primitivas) ou de células de outros tumores no organismo que se implantam no cérebro (metastases). Os tumores primitivos do cérebro podem ser vários tipos de células de dentro do cranio, como os (neurônios, astrócitos, oligodendrócitos, células ependimárias, tecido linfático, vasos sanguíneos, nervos cranianos, células de Schwann produtoras de mielina), hipófise e glândula pineal. Os tumores cranianos primários frequentemente localizam-se em crianças na fossa craniana posterior e em adultos nos dois-terços anteriores dos hemisférios cerebrais , embora eles possam afetar qualquer parte do cérebro. Sua incidência foi estimada em cerca de 1,4% de todos os cânceres e 2,4% de todas as mortes causadas por câncer.


Fator causal e de risco[editar | editar código-fonte]

O fator de risco é tudo aquilo que aumenta a chance de se ter um tumor. Ainda hoje não se conhece os fatores causais dos tumores cerebrais, sendo que a maioria deles aparece sem que possamos saber o porque. Os traumatismos são relacionados ao aparecimento de certos tumores mas sempre resta a dúvida se foi de fato um fator causal ou se ele apenas chamou a atenção para um problema existente. O único fator de risco conhecido é a irradiação do cérebro com baixas doses e continuas, como se fazia antigamente (nas décadas de 20 e 30), no tratamento de lesões de couro cabeludo em crianças que mais tarde vieram a desenvolver tumores. Há muito se discute se outros fatores também poderiam causar ou aumentar o risco de se desenvolver tumores cerebrais. Alguns dos supostos fatores de risco são : uso de fornos de micro-ondas; exposição à radiação de telefones celulares (ou de antenas de telefonia celular próximas); uso de plásticos (como embalagens plásticas de bebidas e demais alimentos); consumo de adoçantes sintéticos. Entretanto, variados estudos chegaram a conclusões diversas e ainda não há comprovação do risco nem da segurança da exposição a estes fatores. Nos casos de falhas imunológicas como na AIDS ou mesmo que uma criança ao nascer tenha tal falha (congênita) ou devido a tratamentos que suprimam o sistema imunitário como no tratamento contra câncer ou para transplantes de órgãos, há uma possibilidade maior de aparecimento de linfomas primitivos do cérebro.

Risco Familiar[editar | editar código-fonte]

Embora muito raro existem famílias com maior tendência a ter tumores e entre eles a Neurofibromatose na qual o paciente apresenta nódulos em todo o corpo. Estão associados a esta síndrome o aparecimento de tumores (benignos) dos nervos, principalmente no da audição (acústico), meningiomas, schwanomas, ependimomas, etc.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Na medida em que não conhecemos os fatores causais podemos fazer muito pouco ou nada, para prevenir tais tumores. Até o momento não existem testes sanguíneos ou outros exames que possam ser usados de rotina com a finalidade de detecção destes tumores. Muitas investigações estão em andamento, principalmente fazendo parte do "Programa Genoma", com o intuito de saber o que altera antes do aparecimento do câncer do sistema nervoso central para assim conseguir impedi-lo. O resultado dos tratamentos depende mais do local onde se encontra o tumor no cérebro e do tipo de tumor que do tamanho ao ser localizado, ou seja, não é como em outros tumores onde o diagnóstico precoce garante melhores resultados.

Propagação[editar | editar código-fonte]

A propagação depende do tipo histológico do tumor, mas no global os tumores cerebrais costumam crescer mais localmente. Alguns tipos histológicos como ependimomas e meduloblastomas, embora não seja comum, podem dar metástases em outros locais como nos ossos.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Podem aparecer vagarosamente e irem piorando ou de uma única vez. Os sintomas são vários, dependendo do tamanho e do local em que o tumor se encontra no cérebro e para onde ele se estende. Sintomas inespecíficos (que podem ser qualquer coisa), embora seja raro como dor de cabeça em alguém sem história prévia, devem ser avaliadas. Outros sintomas dos tumores cerebrais como vômitos e náuseas, convulsões, fraqueza, dificuldades da fala ou de movimento, incoordenação motora, distúrbios visuais, sonolência, distúrbios de comportamento ou mudança de personalidade podem estar presentes. O cérebro está em uma caixa fechada dentro da qual há massa encefálica, sangue e liquor (liquido céfalo-raquidiano). O aumento de qualquer destes elementos se faz em detrimento dos demais, assim o crescimento de uma massa dentro do cérebro afeta os outros componentes e assim pode dar sintomas. Existem também sintomas mais específicos causados pelo aumento da pressão intracraniana, por lesões em áreas vitais no cérebro, edema (inchaço) por retenção de fluidos em volta do tumor, dificuldade de circulação do liquor causando a Hidrocefalia ("água no cérebro"). O diagnóstico depende de exame médico geral e especifico, no qual o médico indagará por seus sintomas e sobre sua história pregressa pessoal e familiar. Após exame físico e neurológico completo no qual se checa reflexos, coordenação motora, sensibilidade, resposta aos estímulos e força muscular. O exame de Fundo de Olho com um aparelho chamado de oftalmoscópio ajuda a avaliar se há edema de papila que é uma maneira indireta de ver se há edema dentro do cérebro (edema cerebral). Após, dependendo dos sintomas e do exame pode ser solicitados exames como Tomografia computadorizada, com e sem contraste para tentar identificar o tumor. Ressonância Nuclear Magnética que de forma parecida com a tomografia pode dar melhor imagem do tumor, conseguindo visualizar imagens que podem não aparecer na tomografia. Tomografia por emissão de pósitrons (PET scan) é mais usado para se seguir um tratamento, distinguindo o tumor do tecido cicatricial.

Biópsia ou cirurgia[editar | editar código-fonte]

Tendo sido diagnosticado um tumor o passo seguinte, dependendo da localização do tumor é uma biópsia ou a retirada cirúrgica do tumor, eventualmente com técnica de biópsia estereotáxica, feita por um neurocirurgião e encaminhada para exame anátomo-patológico, com a finalidade de se estabelecer qual é o tipo de tumor e eventualmente propor novos tratamentos.

Não ha maneira de se fazer prevenção.

Tratamentos[editar | editar código-fonte]

Os tratamentos dependem do local e tipo do tumor, do tamanho, estado geral do paciente e da idade. Tais tumores no geral demandam que sejam tratados por uma equipe médica que se componha de neurocirurgião, radioterapeuta, oncologista clinico, etc. Pois os tratamentos incluem cirurgia, radioterapia e eventualmente quimioterapia. Na maioria das vezes os tratamentos são uma combinação de cirurgia e radioterapia podendo ser usadas drogas como corticosteroides para reduzir o inchaço do tecido cerebral e anticonvulsivantes para prevenir ou controlar os ataques epiléticos relacionados aos tumores.


Prognóstico[editar | editar código-fonte]

O prognostico depende do tipo de tumor, da sua malignidade, da extensão e da idade e estado geral do paciente. De maneira geral quanto menor o tumor, mais periférico e de menor grau de malignidade melhor o prognóstico.


Referências