Câncer esofágico

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Câncer esofágico
Classificação e recursos externos
CID-10 C15
CID-9 150
OMIM 133239
DiseasesDB 9150
MedlinePlus 000283
MeSH D004938
Star of life caution.svg Aviso médico

O câncer de esôfago também é conhecido como câncer esofágico ou neoplasia do esôfago e existem vários subtipos desse câncer. O tipo adenocarcinoma representa de 50% a 80% de toda a incidência de câncer de esôfago e surge a partir de células glandulares que estão presentes na junção do esôfago e do estômago. Há também o tipo de câncer de células escamosas, que surge a partir de células que revestem a parte superior do esôfago.[1]

Os tumores de esôfago são diagnosticados por meio de biópsia e geralmente levam a disfagia (dificuldade de engolir), dor, entre outros sintomas. Tumores localizados e pequenos são tratados cirurgicamente com curativos. Tumores maiores geralmente não podem ser operados e são tratados com cuidados paliativos. O crescimento do tumor pode ser retardado com tratamentos de quimioterapia, radioterapia ou uma combinação dos dois.

Em alguns casos, a radioterapia e a quimioterapia podem tornar passíveis de operação os grandes tumores. O prognóstico depende da extensão da doença e outros problemas médicos, mas é bastante pobre.[2]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Os cânceres de esôfago são carcinomas - como também são chamados os cânceres - que surgem a partir do epitélio, que é o revestimento da superfície do esôfago. A maioria dos cânceres de esôfago se enquadram em uma das duas classes: os carcinomas de células escamosas, que são semelhantes aos de cabeça e pescoço em sua aparência e sua associação com o consumo de tabaco e álcool, e os adenocarcinomas, que são frequentemente associados com histórico de doença do refluxo gastroesofágico e esôfago de Barrett.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A disfagia (dificuldade para engolir) e odinofagia (dor ao engolir) são os sintomas mais comuns do câncer de esôfago, sendo que a disfagia é o primeiro sintoma em muitos pacientes. Alimentação com líquidos e alimentos leves geralmente é tolerada, enquanto alimentos sólidos (como pão ou carne) causam mais dificuldade. A má nutrição leva a perda de peso considerável. A dor pode ser severa e agravada pela deglutição e, ainda, espasmódica. Um dos primeiros sinais pode ser voz rouca.

A presença do tumor pode perturbar o peristaltismo (organizado reflexo da deglutição), levando a náuseas e vômitos, regurgitação de alimentos, tosse e aumento do risco de pneumonia aspirativa. A superfície do tumor pode ser frágil e sangrar, causando hematêmese (vômito com sangue). Compressão de estruturas locais ocorre no estágio avançado da doença, levando a problemas como a obstrução das vias aéreas superiores e a síndrome da veia cava superior. Fístulas podem se desenvolver entre o esôfago e a traquéia, aumentando a risco de pneumonia. Essa condição geralmente também está relacionada a tosse e febre.[2]

Se a doença se espalhar para outras partes do corpo, podem surgir sintomas relacionados com: metástase no fígado, que pode causar icterícia e ascite, e metástase no pulmão, que pode causar falta de ar, derrame pleural, etc.

Causas[editar | editar código-fonte]

Aumento de riscos[editar | editar código-fonte]

O esôfago de Barrett é considerado um fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago. Alguns subtipos de câncer estão ligados a fatores de risco particular:

  • A maioria dos doentes têm mais de 60 anos e é mais comum em homens;
  • A probabilidade é maior em pessoas que têm parentes próximos com câncer;
  • Tabagismo e álcool aumentam o risco de desenvolvimento de câncer de esôfago e, juntos, parecem aumentar o risco mais do que individualmente;
  • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e o consequente esôfago de Barrett aumentam o risco de câncer devido à irritação crônica da mucosa (adenocarcinoma é mais comum nessa condição, enquanto todos os outros fatores de risco mais predispõem para o carcinoma de células escamosas).[3] ;
  • Presença do papilomavírus humano (HPV)[4] ;
  • Ferimento corrosivo no esôfago por ingestão de soda cáustica ou ácidos;
  • Histórico de outros cânceres de cabeça e pescoço aumenta a chance de desenvolver um segundo câncer nessa região, incluindo câncer de esôfago;
  • Síndrome de Tylosis e Howel-Evans (engrossamento hereditário da pele das palmas das mãos e plantas dos pés);
  • A obesidade aumenta o risco de adenocarcinoma quádrupla.[6] Suspeita-se que o maior risco de refluxo pode estar por trás dessa associação.[3] [7]
  • Lesão térmica por ingerir bebidas muito quentes[8] [9] .
  • Consumo de álcool por indivíduos que apresentam vermelhidão facial ao ingerí-lo.[10]

Redução de riscos[editar | editar código-fonte]

  • Risco parece ser menor em pacientes em uso de aspirina ou drogas afins ( AINEs ).[12]
  • O papel do Helicobacter pylori na progressão para adenocarcinoma de esôfago ainda é incerta, mas, com base em dados da população, pode realizar um efeito protetor. [13] [14] Acredita-se que H. pylori previne a gastrite crônica, que é um fator de risco para refluxo que, por sua vez, é um fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago.[15]
  • Segundo o National Cancer Institute "dietas ricas em repolho, brócolis e couve-flor, e frutas e legumas verde e amarelo estão associadas a um risco menor de câncer de esôfago."[16]
  • Moderado consumo de café também está associado a um risco menor.[17]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Avaliação clínica[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito com endoscopia, o que implica a passagem de um tubo flexível pelo esôfago e a visualização da parede do esôfago. São realizadas biópsias das lesões suspeitas e examinadas histologicamente para descobrir se os tumores são malignos.

Geralmente são realizados testes adicionais para estimar o estágio do tumor. A tomografia computadorizada do tórax, abdômen e pélvis, pode avaliar se o câncer se espalhou para tecidos adjacentes ou órgãos distantes (principalmente fígado e gânglios linfáticos). A sensibilidade da tomografia é limitada por sua capacidade de detectar massas geralmente maiores que 1 cm.

Histopatologia[editar | editar código-fonte]

A maioria dos tumores do esôfago são malignos, apenas 0,5% são benignos. Uma pequena proporção menos de 10%) é o leiomioma (tumor do músculo liso) ou tumor estromal gastrointestinal (GIST). Os tumores malignos são geralmente adenocarcinomas, carcinomas espinocelular e, ocasionalmente, carcinomas de pequenas células.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento é determinado pelo tipo do câncer(adenocarcinoma ou carcinoma de células escamosas, etc), o estágio da doença, o estado geral do paciente e de outras doenças presentes. Em geral, deve ser assegurada uma nutrição adequada. O atendimento odontológico adequado também é vital.

Uma sonda nasogástrica pode ser necessária para manter a alimentação durante o tratamento e alguns pacientes necessitam de uma gastrostomia (alimentação por meio de um furo na pele que dá acesso direto ao estômago). Essas manobras são especialmente importantes se o paciente tem tendência a aspirar alimentos ou saliva pelas vias aéreas, o que pode aumentar a probabilidade de surgimento de pneumonia aspirativa.

Esofagectomia[editar | editar código-fonte]

Esofagectomia é a remoção de um segmento do esôfago, enquanto outros segmentos do tubo digestivo (geralmente o estômago ou parte do cólon ou do jejuno]) é puxado para cima. [19]Se o tumor é não é passível de cirurgia ou se o paciente não está apto para a operação, tratamentos paliativos podem permitir que o paciente coma alimentos moles.

Terapia endoscópica para doença localizada[editar | editar código-fonte]

A terapia endoscópica é uma alternativa segura, menos invasiva e eficaz para câncer de esôfago descobertos no início da doença. Os candidatos para a terapia endoscópica são Stage 1, os pacientes com tumores invadindo a lâmina própria (T1 mucosas) ou submucosa (T1 submucosa) que não têm ou distante metástase regional. Pacientes com carcinoma in situ ou de alto grau de displasia também pode ser tratada com a terapia endoscópica. Submucosa cancros com maior risco de metástase nodal pode não ser tão favorável à terapêutica curativa.

Terapia com laser[editar | editar código-fonte]

Trata-se da utilização de luz de alta intensidade para destruir células tumorais, mas afeta apenas a área tratada. Isso geralmente é feito se o câncer não pode ser removido por cirurgia. Uma obstrução pode ajudar a reduzir a disfagia e dor. Terapia fotodinâmica (PDT), um tipo de terapia a laser, envolve o uso de drogas que são absorvidas pelas células cancerosas. Quando expostos a uma luz especial, as drogas tornam-se ativos e destroem as células cancerosas.

Quimioterapia[editar | editar código-fonte]

Quimioterapia depende do tipo de tumor, mas geralmente ocorre a cada três semanas.[20] Esse tratamento pode ser feito após a cirurgia (adjuvante, ou seja, para reduzir o risco de reincidência), e antes da cirurgia (neoadjuvante).

Radioterapia[editar | editar código-fonte]

A radioterapia é dada antes, durante ou após a quimioterapia, ou a cirurgia, para controlar os sintomas. Em pacientes com doença localizada, mas com contra-indicações para a cirurgia, a radioterapia radical pode ser usada com intenção curativa.

Acompanhamento[editar | editar código-fonte]

Os pacientes são acompanhados depois do tratamento concluído. Geralmente outros tratamentos são necessários para melhorar os sintomas e aumentar a nutrição.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

Em geral, o prognóstico de câncer de esôfago é bastante pobre, porque tão muitos pacientes com doença avançada: O total ano a taxa de sobrevivência de cinco anos (5YSR) é inferior a 5%. Individualizado prognóstico depende em grande parte no palco. Aqueles com câncer restritos unicamente ao esôfago mucosa tem cerca de 80% 5YSR, mas submucosal traz esse envolvimento para menos de 50%. Extensão na muscularis propria camada muscular (do esofágico) significou um 5YSR 20% e extensão às estruturas adjacentes ao esôfago resultados em% 5YSR 7. Pacientes com metástases à distância (que não são candidatos à cirurgia curativa) têm menos de 3% 5YSR.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O câncer de esôfago é uma forma relativamente rara de câncer, mas, em algumas áreas do mundo têm uma maior incidência do que outros: China, Irã, Islândia, Índia, Japão e Reino Unido parecem ter uma incidência mais elevada, bem como a região em torno do Mar Cáspio[22]. Apesar de não haver relação cientifica, tais regiões abusam no consumo do chá, de alto teor de cafeina ou no caso como de bebidas quentes. Diferentemente, como muito acusado e de forma leiga, países como o México ou Espanha entre outros, de alto consumo de pimenta e seus gêneros, não se enquadram nas citadas áreas de alta incidência dessa forma de câncer.

A incidência do câncer de esôfago e as borboletas taxas de mortalidade em pessoas afrodescendentes têm sido superior à taxa registrada em caucasianos .[24] Já a incidência de adenocarcinoma do esófago, que é associado com o esôfago de Barrett, é o tipo mais comum em homens brancos com idade acima de 60 anos.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Esophageal cancer (2005). at Mount Sinai Hospital
  2. a b Enzinger PC, Mayer RJ. (2003). "Esophageal cancer". N. Engl. J. Med. 349 (23): 2241–52 pp.. DOI:10.1056/NEJMra035010. PMID 14657432.
  3. a b Lagergren J, Bergström R, Lindgren A, Nyrén O. (1999). "Symptomatic gastroesophageal reflux as a risk factor for esophageal adenocarcinoma". N. Engl. J. Med. 340 (11): 825–31 pp.. DOI:10.1056/NEJM199903183401101. PMID 10080844.
  4. Syrjänen KJ. (2002). "HPV infections and oesophageal cancer". J. Clin. Pathol. 55 (10): 721–8 pp.. DOI:10.1136/jcp.55.10.721. PMID 12354793. Predefinição:PMC
  5. Green PH, Fleischauer AT, Bhagat G, Goyal R, Jabri B, Neugut AI. (2003). "Risk of malignancy in patients with celiac disease". Am. J. Med. 115 (3): 191–5 pp.. DOI:10.1016/S0002-9343(03)00302-4. PMID 12935825.
  6. Merry AH, Schouten LJ, Goldbohm RA, van den Brandt PA. (2007). "Body Mass Index, height and risk of adenocarcinoma of the oesophagus and gastric cardia: a prospective cohort study". Gut 56 (11): 1503–11 pp.. DOI:10.1136/gut.2006.116665. PMID 17337464.
  7. Layke JC, Lopez PP. (2006). "Esophageal cancer: a review and update". American Family Physician 73 (12): 2187–94 pp.. PMID 16836035.
  8. Islami F, Pourshams A, Nasrollahzadeh D, et al.. (2009). "Tea drinking habits and oesophageal cancer in a high risk area in northern Iran: population based case-control study". BMJ 338: b929 pp.. DOI:10.1136/bmj.b929. PMID 19325180.
  9. Whiteman DC. (2009). "Hot tea and increased risk of oesophageal cancer.". BMJ 338: b610 pp.. DOI:10.1136/bmj.b610. PMID 19325178.
  10. Brooks PJ, Enoch MA, Goldman D, Li TK, Yokoyama A. (2009). "The alcohol flushing response: An unrecognized risk factor for esophageal cancer from alcohol consumption". PLOS Medicine 6 (3): 191–5 pp.. DOI:10.1371/journal.pmed.1000050. PMID 19320537.
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  12. Corley DA, Kerlikowske K, Verma R, Buffler P. Protective association of aspirin/NSAIDs and esophageal cancer: a systematic review and meta-analysis. Gastroenterology 2003;124:47–56. PMID 12512029. See also NCI - "Esophageal Cancer (PDQ): Prevention".
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18. Gallus S, Bosetti C, Negri E, Talamini R, Montella M, Conti E, Franceschi S, La Vecchia C. Does pizza protect against cancer? Int J Cancer 2003;107:283–4. PMID 12949808. Cited and qtd. by WebMD and BBC News.

19. Deschamps C, Nichols FC, Cassivi SD, et al. (2005). "Long-term function and quality of life after esophageal resection for cancer and Barrett's". Surgical Clinics of North America 85 (3): 649–56. doi:10.1016/j.suc.2005.01.018. PMID 15927658.

20. Ross P, Nicolson M, Cunningham D, Valle J, Seymour M, Harper P, Price T, Anderson H, Iveson T, Hickish T, Lofts F, Norman A. Prospective randomized trial comparing mitomycin, cisplatin, and protracted venous-infusion fluorouracil (PVI 5-FU) with epirubicin, cisplatin, and PVI 5-FU in advanced esophagogastric cancer. J Clin Oncol 2002;20:1996–2004. PMID 11956258.

21. "WHO Disease and injury country estimates".. World Health Organization. 2009. Retrieved Nov. 11, 2009.

22. Stewart BW, Kleihues P (editors). World cancer report. Lyon: IARC, 2003. ISBN 92-832-0411-5.

23. "What Are the Key Statistics About Cancer of the Esophagus?".. Detailed Guide: Esophagus Cancer. American Cancer Society. August 2006. Retrieved 2007-03-21.

24. "Incidence and Mortality Rate Trends".

(PDF). A Snapshot of Esophageal Cancer. National Cancer Institute. September 2006. Retrieved 2007-03-21.

25. Kenneth J. Vega, M.D., M. Mazen JamaM.D.l (September 2000). "Changing pattern of esophageal cancer incidence in New Mexico".. Changing pattern of esophageal cancer incidence in New Mexico. The American Journal of Gastroenterology. Retrieved 2007-03-21.