Acalasia
| Acalasia da cárdia |
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| Classificação e recursos externos | ||
| CID-10 | K22.0 | |
|---|---|---|
| CID-9 | 530.0 | |
| OMIM | 200400 | |
| DiseasesDB | 72 | |
| MedlinePlus | 000267 | |
| MeSH | C06.405.117.119.500.432 | |
Acalasia da cárdia é uma alteração neuromuscular hipertônica do mecanismo esfincteriano da cárdia, causando dificuldade de passagem do alimento do esôfago para o estômago e podendo evoluir com dilatação do esôfago. O termo acalasia, a rigor, designa toda alteração hipertônica de qualquer músculo circular (esfíncter) ou mecanismo muscular circular, como o piloro e o esfíncter anal, por exemplo, sendo entretanto uso comum seu emprego referindo-se especificamente ao distúrbio motor hipertônico da cárdia.
A acalasia é a mais clássica das disfunções motoras do esôfago, sendo descrita pela primeira vez em 1674 por Thomas Willis. A principal queixa do paciente portador de acalasia é a disfagia e dor retroesternal. Normalmente, a disfagia é de longa evolução, de anos, ao contrário daquela associada ao câncer esofágico, que tem semanas ou, no máximo, alguns meses de evolução. O paciente encontra-se geralmente emagrecido e com uma longa história de vômitos, regurgitação e salivação.
O mecanismo da doença consiste na destruição dos plexos mioentéricos da parede esofágica, com perda progressiva dos movimentos peristálticos e da capacidade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior, a cárdia. Pode ser de origem desconhecida ou ser causada por complicação crônica, a chamada Acalasia secundária, como na Doença de Chagas e na Neuropatia Autonômica Diabética.
Com a perda do tônus da sua parede muscular e a dificuldade da passagem dos alimentos através da cárdia ocorre progressiva dilatação e alongamento do corpo esofágico, podendo formar uma grande câmara retroesternal contendo grandes volumes de alimento e saliva.
Índice |
[editar] Sinais e sintomas
- Disfagia
- Regurgitação
- Dor torácica
- Azia e pirose
- Emagrecimento[]
[editar] Diagnóstico
Devido a similaridade, a acalasia pode ser confundida com outras patologias que atingem o esôfago, como a doença do refluxo gastroesofágico, e, menos comumente, o câncer esofágico, que têm mecanismos próprios.
O diagnóstico nas fases iniciais pode ser difícil, já que a dilatação esofágica (megaesôfago) pode ainda não estar presente. Nesses casos os exames de rotina como endoscopia digestiva alta e o RX contrastado do tubo digestivo alto podem ser normais. Com a evolução da doença, o esôfago acaba por se dilatar e aí a endoscopia pode detectar a presença dessa dilatação e de resíduos alimentares retidos no esôfago. Já o RX contrastado de esôfago mostra a dilatação esofágica e nos casos mais avançados o alongamento e tortuosidade do corpo esofágico. Nas fases iniciais quando ainda não se identificam alterações anatômicas significativas, a esofagomanometria é o exame de escolha para o diagnóstico.
Os principais achados da manometria esofágica são:
- ausência de ondas peristálticas no corpo esofágico, que pode estar atônico ou mostrar apenas ondas simultâneas, não peristálticas, de amplitude variável;
- relaxamento apenas parcial e incompleto da cárdia, frequentemente associado a hipertensão esfincteriana, com valores acima de 45 mmHg. A pressão do esfíncter pode, no entanto, estar normal.
- a pressão intra-esofagiana, normalmente menor que a pressão intra-gástrica, pode estar aumentada pela presença de resíduos alimentares no seu interior.
[editar] Tratamento
As opções para tratamento incluem mudanças no estilo de vida, medicamentos, cirurgia, entre outros.
Os tratamentos disponíveis mais comumente empregados são a dilatação esofágica com balão, bloqueio neuromuscular do cárdia com injeção intra-muscular de toxina botulínica realizada através de endoscopia digestiva alta e a miotomia cirúrgica, este ainda o tratamento mais eficaz.