Neurastenia

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Neurastenia
CID10 = F48.0
Classificação e recursos externos
CID-9 300.5
MeSH D009440
Star of life caution.svg Aviso médico

Neurastenia (neuro = cérebro, astenia= fraqueza), é um transtorno psicológico resultado do enfraquecimento do sistema nervoso central, culminando em astenia física e mental.[1] [2]

É um termo antigo,[3] usado pela primeira vez por George Miller Beard em 1869 para designar um quadro de exaustão física e psicológica, fraqueza, nervosismo e sensibilidade aumentada (principalmente irritabilidade e humor depressivo).[4] Era um diagnóstico muito frequente no final do século XIX que desapareceu e foi revivido várias vezes durante o século XX sendo incluído no CID-10 pela OMS mas não pelo dicionário de saúde mental atual (DSM IV). Sua prevalência está entre 3 e 11% da população mundial, sendo tão comum em homens quanto em mulheres.[5]

Causas[editar | editar código-fonte]

É resultado de uma combinação de fatores endôgenos (predisposição genética para ansiedade, depressão e sensibilidade ao cortisol) e exôgenos (situações traumáticas, trabalho exaustivo e frustrante, problemas familiares...). Está associado a um déficit na dopamina [6] . O diagnóstico deve ser feito investigando outras possibilidades de fadiga crônica como distúrbios metabólicos (diabetes, doença celíaca...), infecciosa (HIV, hepatite C, mononucleose...) ou imunológicos (miastenia grave, lúpus sistêmico...).

No mundo[editar | editar código-fonte]

É um diagnóstico comum na Ásia e América do Norte por não ter a conotação negativa de uma doença mental, e justamente por isso sendo usada como um disfarce para transtornos mais graves como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar.[7] Nos Estados Unidos é também chamada de 'American nervousness' ou apenas 'Americanitis' por ser tratada como uma síndrome característica dos americanos.[8] O consumo da carne aumenta a predisposição para a neurastenia [carece de fontes]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

A neurastenia pode ocorrer em todas as idades

Além da fadiga constante, seu principal sintoma, segundo Charcot os sintomas são[9] :

Outros sintomas importantes descritos por Beard são [10] :

  • Dores pelo corpo
  • Dormências localizadas
  • Dificuldade de concentração
  • Problemas de memória
  • Medos mórbidos
  • Inquietação
  • Transtornos do sono
  • Problemas sexuais

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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O melhor tratamento deve incluir uma melhora na alimentação, rica em cereais, legumes, verduras e frutas e cortando álcool, carnes gordurosas e café. Exercícios físicos começando por alongamento, aquecimento e com foco nos exercícios aeróbicos. Cortar cigarro e todas as drogas ilícitas. Tirar um período para repouso (férias). E além disso Beard também sugeria hidroterapia, eletroconvulsoterapia e massagem.[10]

A psicoterapia também é uma importante ferramenta para auxiliar o indivíduo a desenvolver maneiras mais saudáveis de lidar com seus estressores, auxiliar a se organizar melhor de acordo com novas prioridades, compreender melhor a si mesmo, compartilhar suas dificuldades num ambiente seguro e íntimo e ajudar o paciente a recuperar sua motivação e determinação.[10] [11] [12] A psicoterapia mais adequada (como por exemplo psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, terapia analítico-comportamental...) varia de acordo com a demanda do paciente.

Casos notáveis[editar | editar código-fonte]

  • William James foi diagnosticado com a neurastenia, e supostamente declarou que "Eu acredito que não há ninguém que é educado, que nunca flertou com a idéia de suicídio.". Defendia que a neurastenia era uma 'americanite'.[10]
  • Virginia Woolf era conhecida por ter sido forçada a fazer repousos terapêuticos, que ela descreve em seu livro 'On Being III'.
  • Marcel Proust dizia que sofreu de neurastenia.
  • Max Weber foi acometido de uma série crise após a morte de seu pai em 1897, e com quem rompera pouco antes. Segundo relatam seus biógrafos, o sociólogo e historiador alemão sofreria de neusastenia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. InfoEscola 0 Neurastenia
  2. Infopédia - Neurastenia
  3. PsicologiaNet - O que é Neurastenia
  4. JUSTINO, Dom. Neurastenia (recentes contribuições ao seu estudo). Hist. cienc. saude-Manguinhos [online]. 2010, vol.17, suppl.2 [citado 2011-03-25], pp. 582-585 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702010000600019&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0104-5970. doi: 10.1590/S0104-59702010000600019.
  5. TAYLOR, Ruth. Death of neurasthenia and its psychological reincarnation: a study of neurasthenia at the National Hospital for the Relief and Cure of the Paralysed and Epileptic, Queen Square. British Journal of Psychiatry, London, v.179, p.550-557. 2001.
  6. Silva, Jorge Alberto Costa e.(1991) Da neurastenia à síndrome de fadiga crônica. Temas (Säo Paulo);21(40/41):56-81, jan.-jun. 1991.
  7. Schwartz, Pamela Yew (September 2002). "Why is neurasthenia important in Asian cultures?". West. J. Med. 176 (4): 257–8. PMC 1071745. PMID 12208833. http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=1071745. Retrieved 2008-09-11.
  8. New York Times (1998) http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9A05E1DB133BF935A15752C0A96E958260
  9. ROXO, Henrique de Brito Belford. Nervosismo. Hist. cienc. saude-Manguinhos [online]. 2010, vol.17, suppl.2 [cited 2011-03-25], pp. 654-668 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702010000600024&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0104-5970. doi: 10.1590/S0104-59702010000600024.
  10. a b c d ZORZANELLI, Rafaela Teixeira. Neurastenia. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.17, supl.2, dez. 2010, p.431-446
  11. A Mesa.(2010) De neurastenia a neurosis obsesiva. Affectio Societatis, 2010 - aprendeenlinea.udea.edu.co
  12. HM Fernandez-Alvarez (2005) La integración en psicoterapia: Manual práctico. books.google.com