William James

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William James
Nacionalidade Estados Unidos Estadunidense
Residência Estados Unidos
Nascimento 11 de janeiro de 1842
Local Nova Iorque
Morte 26 de agosto de 1910 (68 anos)
Local Chocorua
Alma mater Universidade Harvard
Tese 1869
Conhecido(a) por Pragmatismo, Psicologia da experiência religiosa, Teoria James-Lange da emoção, Funcionalismo, Metapsíquica, Epistemologia radical.

William James (Nova Iorque 11 de janeiro de 1842 – Chocorua, New Hampshire (Estados Unidos da América) em 26 de agosto de 1910) é um dos fundadores da psicologia moderna e importante filósofo ligado ao Pragmatismo. Nascido nos Estados Unidos, teve sua formação em medicina. Ele escreveu livros influentes sobre a então jovem ciência da psicologia, incluindo temas como a educação e a psicologia da experiência religiosa. James foi um dos formuladores e defensores da filosofia do pragmatismo, perspectiva que até hoje exerce bastante influência, principalmente nos EUA[1] [2] . Ele também foi importante pelo seu trabalho na metapsíquica. Era irmão do escritor Henry James e de Alice James.

Entre 1865 e 1866, aos 23 anos, acompanhou o naturalista Louis Agassiz na Expedição Thayer ao Brasil. Nos oito meses de sua estadia no país, passados principalmente no Rio de Janeiro e na Amazônia, James rascunhou um diário, e produziu desenhos de cenas da expedição, que expressam uma consciência crítica e um distanciamento moral da idéia colonialista que a norteava.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estudou filosofia na Universidade de Berlim, entre 1867 e 1868 e, em 1869 graduou-se em medicina em Harvard, onde foi professor de fisiologia e anatomia, psicologia e filosofia.

James interagiu com uma ampla gama de escritores e acadêmicos ao longo de sua vida, incluindo seu padrinho Ralph Waldo Emerson, seu afilhado William James Sidis, e outros como Bertrand Russell, Charles Peirce, George Santayana, John Dewey, Mark Twain e Carl Jung. Sua obra foi uma das grandes influências que embasam o movimento neo-pragmático de Nelson Goodman, Richard Rorty e Hilary Putnam.

Carreira[editar | editar código-fonte]

William James recebeu educação eclética, desenvolvendo fluência em francês e alemão e um caráter cosmopolita. Sua inclinação artística precoce levou-o a trabalhar no ateliê de William Morris Hunt em Newport. Em 1861, no entanto, James preferiu dedicar-se à ciência na Lawrence Scientific School (Universidade de Harvard). No início de sua vida adulta, James sofreu de uma série de problemas físicos, envolvendo seus olhos, costas, estômago e pele. Ele também apresentou sintomas psicológicos, diagnosticados na época como neurastenia, e que incluíram períodos durante os quais ele contemplou o suicídio por meses.

Em 1864, James decidiu ingressar o curso de medicina, na Harvard Medical School. Foi nesse período que ele começou a estudar teologia. Ele interrompeu seus estudos durante parte de 1865 para se juntar ao zoólogo e geólogo suíço Louis Agassiz numa expedição científica no Rio Amazonas, mas teve de interromper sua viagem após oito meses, tendo sentido forte enjôo e contraído varíola. Seus estudos foram interrompidos mais uma vez devido a doenças em abril de 1867. Ele viajou à Alemanha em busca de uma cura, onde ficou até Novembro de 1868. Esse período marcou o início de sua produção literária, com alguns de seus artigos aparecendo em publicações especializadas. James completou o curso de medicina em Junho de 1869, mas nunca praticou essa profissão. Ele se casou com Alice Gibbens em 1878.

A diversidade de interesses de William James fez com que ocupasse diferentes postos durante sua carreira em Harvard. Ele foi nomeado instrutor em fisiologia e anatomia em 1873, tornando-se professor-assistente de psicologia em 1876. Em 1881, assumiu o posto de professor-assistente de filosofia, tornando-se professor titular em 1885. Mais tarde, em 1889, retornou à psicologia como diretor, voltando à filosofia em 1897, área em que tornou-se professor emérito em 1907. Em 1902, ele escreveria: “Eu inicialmente estudei medicina para ser um fisiologista, mas eu acabei direcionado à filosofia e à psicologia como que por fatalidade. Eu nunca havia tido instrução filosófica, e a primeira palestra sobre psicologia que escutei foi a que eu proferi.”

James estudou medicina, fisiologia e biologia, tendo como um de seus principais interesses o estudo científico da mente humana em um tempo em que a psicologia estava se constituindo como ciência. A familiaridade de James com o trabalho de figuras como Hermann Helmholtz na Alemanha e Pierre Janet na França facilitou sua introdução de cursos de psicologia científica em Harvard. Ele lecionou sua primeira disciplina em psicologia experimental em Harvard no ano acadêmico de 1875-1876.

Durante seus anos em Harvard, James se juntou a discussões filosóficas com Charles Sanders Peirce, Oliver Wendell Holmes e Chauncey Wright, que evoluíram em um animado grupo conhecido como o Clube Metafísico, em 1872. Louis Menand, em seu livro sobre o assunto, especula que o Clube estabeleceu os fundamentos para o pensamento intelectual americano por décadas.

Em 1885 se tornou um pesquisador da paranormalidade, tendo sido o primeiro presidente da American Society for Psychical Research, instituição a qual ele ajudou a fundar. Durante duas décadas estudou a mediunidade de Leonora Piper. Em 1896, um discurso no qual ele alegou que Piper é uma paranormal autêntica chegou a ser publicado pela revista Science[3] .

Em 1907 participou da Comunidade Helicon Hall, em Englewood, New Jersey.[4] [5]

Ao longo de sua carreira, James publicou clássicos como Princípios de Psicologia, Imortalidade Humana, Variedades da Experiência Religiosa, Universo Pluralístico, Pragmatismo e O Significado da Verdade. Em seus últimos anos, foi acometido por problemas cardíacos. Essa condição piorou em 1909, quando ele trabalhava em um texto de filosofia (inacabado mas publicado de forma póstuma como Alguns Problemas em Filosofia). Ele viajou para a Europa em 1910 para tentar tratamentos experimentais, sem sucesso, retornando para os Estados Unidos a seguir. James faleceu em conseqüência de problemas cardíacos em 26 de Agosto de 1910.

Em um estudo empírico por Haggbloom et al., usando critérios como o número de citações, James foi considerado o 14° mais célebre psicólogo do século XX.

Algumas de suas obras[editar | editar código-fonte]

Princípios de Psicologia[editar | editar código-fonte]

Em 1890, após 12 anos de escrita, William James publicou o livro Princípios de Psicologia, uma obra pioneira que combinava elementos de filosofia, fisiologia e psicologia. O livro abordou temas diversos como o fluxo de consciência (conceito introduzido por James), a vontade e as emoções. Embora inclua diferentes abordagens e métodos, James (influenciado por contemporâneos como Wilhelm Wundt e Gustav Theodor Fechner) declarou que Princípios de Psicologia é uma obra derivada do método da introspecção. Assim, o autor utiliza diferentes experiências próprias para ilustrar conceitos psicológicos, como a atenção e a consciência.

Um dos capítulos mais influentes dessa obra diz respeito às emoções. Nele, James expõe sua teoria – também associada a Carl Lange – que as emoções são conseqüências, e não causas, das reações fisiológicas associadas a ela: “O senso comum diz, nós perdemos algo, ficamos tristes e choramos; nós encontramos um urso, nos assustamos e corremos; somos insultados por um rival, ficamos bravos e atacamos. A hipótese a ser defendida aqui é que essa sequência está incorreta... que nós nos sentimos tristes porque choramos, bravos porque atacamos, e com medo porque trememos”. James defendia que é conceitualmente impossível imaginar uma emoção como a culpa sem suas claras consequências fisiológicas, como as lágrimas, dores no peito e falta de ar.

Variedades da Experiência Religiosa[editar | editar código-fonte]

Uma compilação de palestras de James sobre “Teologia Natural” resultou no livro Variedades da Experiência Religiosa, publicado em 1902. Essa obra se ocupava de uma discussão sobre o lugar ocupado pelo sentimento religioso, frente ao crescente materialismo científico de sua época. O interesse de James não estava em religiões organizadas ou instituições, mas nos sentimentos e atos que cada um experienciava em sua relação com o que considerava divino. A obra aborda a singularidade das experiências místicas, mencionando que seu significado era pessoal e dificilmente transferível através de linguagem.

Para James, a experiência religiosa poderia levar a um estado de satisfação e contentamento, além de promover uma perspectiva mais alegre e otimista do mundo e do futuro. Por essa razão, considerou que o sentimento religioso pode ser útil, sendo mais uma dimensão da experiência humana. James começou a desenvolver nessa obra o sentido de verdade utilitária que seria exposto em mais detalhes em Pragmatismo. A experiência religiosa ou mística seria verdadeira enquanto ferramenta útil para determinados fins. Assim, o autor defende que a religião é um fenômeno real, no sentido que seu simbolismo evoca sentimentos e ações concretas, que não deveriam ser ignorados pela ciência.

Pragmatismo[editar | editar código-fonte]

A perspectiva filosófica exposta em Pragmatismo, de 1907, postula que as teorias científicas e filosóficas devem ser usadas como instrumentos a serem julgados por seus resultados ou fins. James argumenta que todas as teorias são apenas aproximações da realidade, e que portanto seria um erro considerá-las apenas por sua própria coerência interna. O autor argumenta que essa busca por coerência seria a posição racionalista, em que a busca de princípios e categorias platônicas se sobrepõe aos fatos e aos resultados. Em contraponto, James sugere que a veracidade de uma idéia deve ser considerada em um sentido instrumental, analisando os resultados produzidos por sua adoção.

Uma das conseqüências dessa visão utilitária da verdade é que fenômenos como a religião, que para James são idéias úteis, deveriam ser considerados verdadeiros se mostrassem bons resultados: “em princípios pragmáticos, se a hipótese de Deus funciona satisfatoriamente no sentido mais amplo da palavra, ela é verdadeira”. A filosofia do pragmatismo é, para James, um meio-termo entre o racionalismo e o empiricismo, sendo uma perspectiva aberta à investigação de qualquer hipótese, desde que essa seja capaz de se mostrar concretamente útil. A perspectiva pragmatista de James teve grande influência para o movimento funcionalista da psicologia.

Emoção[editar | editar código-fonte]

Willian James propôs uma teoria das emoções ao mesmo tempo que o fisiologista dinamarquês Carl Lange. Ambos trabalharam independentemente e, de acordo com esta teoria, conhecida por teoria emocional de James-Lange, os sentimentos, isto é, as sensações subjetivas das emoções são um produto do reconhecimento do cérebro cortical das demais reações fisiológicas e comportamentais desencadeadas no corpo por determinado evento ambiental (o estímulo emocional).[6]

De modo resumido, esta idéia inverte a perspectiva do senso comum segundo a qual a reação a um estímulo emocional (aumento do batimento do coração ou a expressão de um sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da emoção que está sentindo. Ao contrário, para James e Carl Lange, primeiro reagimos (reações fisiológicas e comportamentais) ao estímulo emocional; o sentimento da emoção se dá porque tomamos consciência dessas respostas emocionais. Assim, a consciência de uma emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido. Em outras palavras, nós não sorrimos porque estamos alegres, mas estamos alegres porque sorrimos![7]

Seguidores[editar | editar código-fonte]

Entre os seus mais famosos alunos encontra-se John Dewey, considerado o pai da educação moderna, e Edward L. Thorndike (suas pesquisas sobre os gatos antecederam os estudos que levaram ao início do behavorismo).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • The Subjective Effects of Nitrous Oxide (1882).
  • The Principles of Psychology, 2 vols. (1890) Dover Publications, 1950, vol. 1: ISBN 0-486-20381-6, vol. 2: ISBN 0-486-20382-4.
  • Psychology (Briefer Course) (1892) University of Notre Dame Press, 1985: ISBN 0-268-01557-0; Dover Publications, 2001: ISBN 0-486-41604-6.
  • The Will to Believe, and Other Essays in Popular Philosophy (1897).
  • A vontade de crer (1897) (tradução por Cecília Camargo Bartalotti) Loyola, 2001: ISBN 85-15-02252-4.
  • Human Immortality: Two Supposed Objections to the Doctrine (the Ingersoll Lecture, 1897).
  • Talks to Teachers on Psychology: and to Students on Some of Life's Ideals (1899), Dover Publications 2001: ISBN 0-486-41964-9, IndyPublish.com 2005: ISBN 1-4219-5806-6.
  • The Varieties of Religious Experience: A Study in Human Nature (1902): ISBN 0-14-039034-0.
  • The Moral Equivalent of War (1906)
  • Pragmatism: A New Name for Some Old Ways of Thinking (1907), Hackett Publishing, 1981: ISBN 0-915145-05-7, Dover 1995: ISBN 0-486-28270-8.
  • A Pluralistic Universe (1909), Hibbert Lectures, University of Nebraska Press, 1996: ISBN 0-8032-7591-9.
  • The Meaning of Truth: A Sequel to "Pragmatism" (1909) Prometheus Books, 1997: ISBN 1-57392-138-6.
  • Some Problems of Philosophy: A Beginning of an Introduction to Philosophy (1911), University of Nebraska Press, 1996: ISBN 0-8032-7587-0
  • Memories and Studies (1911) Reprint Services Corp, 1992: ISBN 0-7812-3481-6.
  • Essays in Radical Empiricism (1912) Dover Publications, 2003: ISBN 0-486-43094-4.
  • Letters of William James, 2 vols. (1920).
  • Collected Essays and Reviews (1920).
  • Ralph Barton Perry, The Thought and Character of William James, 2 vols. (1935) Vanderbilt University Press, 1996 reprint: ISBN 0-8265-1279-8 (contém cerca de 500 cartas não encontradas em edições anteriores de Letters of William James).
  • William James on Psychical Research (1960).
  • The Correspondence of William James, 12 vols. (1992-2004) University of Virginia Press: ISBN 0-8139-2318-2.

Textos completos de trabalhos de William James[editar | editar código-fonte]

em português
  • Os Pensadores - William James. Editora Abril Cultural, 1979 (Pragmatismo, O Significado da Verdade, Princípios de Psicologia, Ensaios em Empirismo Radical).
em inglês

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Patricia M. Shields. 2008. Rediscovering the Taproot: Is Classical Pragmatism the Route to Renew Public Administration? Public Administration Review 68(2) 205-221
  2. Hildebrand, David L. 2008. Public Administration as Pragmatic, Democratic and Objective. Public Administration Review.68(2) 222-229
  3. Science, New Series, Vol. 3, No. 77. (Jun. 19, 1896), pp. 881-888.
  4. The Sinclair Colony The New York Times (em inglês)
  5. SINCLAIR EXPLAINS HIS HOME COLONY; 300 at His Meeting to Applaud Anti-Worry Syndicating. 100 FAMILIES ARE READY Doesn't Want All Socialists -- Meeting Favors Co-operation in Child Raising The New York Times (em inglês)
  6. What is an Emotion?.
  7. Extraido de http://www.alessandrofazolo.com/blog/lerblog/blog/73/
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