Materialização

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Uma das materializações do espírito Katie King, segundo Sir William Crookes (esquerda).

A materialização, segundo muitos espiritualistas, no Ocidente mais notadamente adeptos e simpatizantes da Doutrina Espírita, é o fenômeno mediúnico no qual um espírito desencarnado ou um objeto qualquer, não proveniente do mundo físico, torna-se visível e tangível. É, portanto, uma manifestação de efeitos físicos. Mas é importante frisar que na Codificação Espírita não existe o termo materialização, Kardec se limitou a chamar de aparições tangíveis, palpáveis.

Afirmam determinadas obras espíritas, que para que um espírito desencarnado materialize o seu perispírito ou um objeto inexistente no mundo físico, ele tem que fazer uso de uma substância semi-material exalada pelos seres vivos em geral e, em maior quantidade, pelos médiuns de efeitos físicos, chamada de ectoplasma. Também o termo ectoplasma é inexistente na Codificação Espírita (o primeiro registro que se tem desse termo foi feito por Charles Richet[1] , Nobel em Medicina), mas aparece em outras obras espíritas, como o livro "Espírito, Perispírito e Alma" (1984) do engenheiro e parapsicólogo Henani G. Andrade. Na Codificação, os Espíritos falam de fluidos, de sua condensação mais ou menos vaporosa, nunca usando o termo ectoplasma.

A mediunidade de efeitos físicos, mais comum na segunda metade do século XIX, foi responsável pelos primeiros fenômenos que deram origem tanto ao Moderno Espiritualismo quanto a Doutrina Espírita. Encontram-se inúmeros registros de mediunidade de efeitos físicos no Antigo Testamento. Moisés foi um grande médium destes efeitos. Na verdade, relatos de efeitos mediúnicos sempre existiram, porém os homens os tratavam como milagres, guiados pela ignorância e superstição. Há também que se definir e distinguir Espiritualismo de Espiritismo, sendo o primeiro apenas o contrariamento ao materialismo e o segundo, a Doutrina ditada pelos Espíritos e compilada por Kardec. Espiritualismo não nasceu com as manifestações que chamaram a atenção dos intelectuais franceses da época em que surgiu o Espiritismo, mas sempre houve, uma vez que está latente no ser humano uma intuição sobre sua natureza física e espiritual, seja católico, protestante, ou adepto de outra; aliás, pode-se dizer que todas as religiões são espiritulistas. Logo, espiritualista é todo aquele que crê ter uma alma ou espírito, e segue-se que nem todo espiritualista é espírita, mas todo espírita é necessariamente espiritualista.

Como a presença de um ou mais médiuns de efeitos físicos é alegadamente essencial à ocorrência de fenômenos de materialização, são raros os Centros Espíritas que atualmente mantêm sessões com tal finalidade. Tais sessões raramente são públicas, devendo os interessados, geralmente, fazer contato prévio com os seus dirigentes para delas participarem. Os espiritos podem se utilizar dos fluidos especiais para os efeitos físicos que queiram fazer, mesmo sem o conhecimento do médium. Acerca dos fenômenos, o que se busca hoje, aliás, é o que o próprio Kardec afirmara outrora: o que se deve buscar é o efeito moral da fenomenologia, e não esta em si mesma, sendo seu estudo importante para a ciência espírita, mas jamais a base da Doutrina Espirita.

Materialização de peças em parafina e outras[editar | editar código-fonte]

As chamadas peças em parafina constituem-se em moldes de partes dos corpos dos espíritos produzidos no processo de materialização em reuniões mediúnicas com o objetivo de estudos dos fenomênos de efeitos físicos.

Embora não se tenha comprovado a autenticidade dessas peças, elas podem ser encontradas no Museu Nacional do Espiritismo (MUNESPI) em Curitiba.

Médiuns muitas vezes não ligados ao espiritismo também alegam ser capazes de reproduzir fenômenos de materialização. A exemplo, Edelarzil Munhoz Cardoso é famosa por suas materializações "apport" em meio ao algodão.

Outras demonstrações[editar | editar código-fonte]

Uma outra forma de demonstração de materializações são as chamadas "fotografias espíritas", que por sinal, nunca puderam ser cientificamente refutadas ou comprovadas.

Médiuns de efeitos físicos[editar | editar código-fonte]

No Brasil, destacaram-se nomes como Anna Prado, Carmine Mirabelli e outros.

Materialização e a Ciência[editar | editar código-fonte]

A questão acerca da existência ou não de espíritos fora outrora questão recorrente em ciência, nos idos anos de seu nascimento e adolescência. Em época em que a separação entre as formas de pensar religiosa e científica ainda não havia se dado por completo; em época que acreditava-se que seres vivos emergiam espontaneamente da matéria inanimada; em época que muitos dos fenômenos científicos tentavam-se explicar como resultantes direta ou indiretamente da existência de fluídos imperceptíveis quasi-transcendentais de naturezas diversas, a citarem-se o calórico e o luminífero; é certamente correto afirmar que indagações sobre materializações de objetos a partir de tais fluidos também fizeram-se recorrentes na ciência [2] [3] . A conexão com os fluidos espíritas fez-se imediada: nessa época dominada pela ideia dos fluidos transcendentes ocorre a codificação do espiritismo.

Idos os distantes séculos XVII, XVIII, e XIX, e, encontrando-nos atualmente no século XXI, uma regressão histórica acerca da rápida evolução da ciência desde a sua dissociação da metodologia religiosa quando do julgamento de Galileu perante o Santo Ofício mostra-nos que, se outrora a ideia dos fluídos fora recorrente, esta rapidamente mostrou-se incorreta diante dos avanços alcançados em função do forte mecanismo de autocorreção intrínseco ao método científico: nas teorias científicas modernas os fluídos etéreos e indetectáveis não mais integram as explicações para os fenômenos tangíveis conhecidos. Como exemplos desse avanço, a temperatura dos corpos liga-se não mais à quantidade de calórico mas sim à energia cinética média das partículas de um sistema; e o éter luminífero mostrou-se em verdade inexistente frente a experiências como a de Michelson e Morley, e teoricamente desnecessário frente à teoria eletromagnética atual. Os avanços na biologia rapidamente desbancaram o vitalismo e a ideia do fluido vital; o advento da física nuclear levou às bombas nucleares de Hiroshima, Nagasaki, e no ápice da Guerra Fria os avanços na compreensão das naturezas físicas e da inter-relação entre matéria e energia levaram a bombas de hidrogênio cerca de 5000 vezes mais potentes (Bomba Tsar) que suas primas de fissão.[2] [3]

Diante dos conhecimentos físicos atuais quanto à estrutura da matéria e quanto às leis da conservação - pilares da física moderna - faz-se hoje correto afirmar que a ideia de materialização de objetos a partir do nada, ou mesmo a partir de fluidos transcendentais emanados por seres vivos, na atual etapa da história do universo, não encontra qualquer corroboração científica; e, para a ciência moderna ao menos, tais fenômenos classificam-se, na melhor das hipóteses, como fruto de uma ilusão dos sentidos [2] [3] . Não há também evidência científica alguma que corrobore a existência de espíritos, e embora uma mistura dos conceitos em discussão continuem a ser estudados por doutrinas não científicas, esses também não enquadram-se como fenômenos naturalmente verossímeis à luz da ciência moderna. Espiritismo, embora clame ser uma doutrina que visa a conciliar religião, ciência e filosofia, não é uma ciência, tampouco uma ciência natural ao rigor da acepção moderna do termo.

Elucidando, à luz da conservação da energia, que conta com uma inexorável e muito conhecida contribuição dada por Albert Einstein, E=mC², e encontra-se igualmente presente no cerne da teoria quânica (expressando-se no hamiltoniano do sistema em foco)[4] [5] [6] [7] , a materialização de um pequeno e simples objeto com cerca de 60 gramas de massa implicaria a preexistência de uma fonte de energia capaz de fornecer a energia equiparável à liberada na explosão de 100 (cem) bombas nucleares idênticas à jogada em Hiroshima[2] [3] . Como outra possibilidade, a transmutação de elementos[2] [3] [4] , à exemplo na materialização de um simples prego a partir de outros elementos químicos encontrados, digamos, no ar ou no algodão, implicaria energias envolvidas se não muito maiores, pelo menos com igual ordem de magnitude. Vale lembrar que toda a energia oriunda do sol provém da constante conversão de hidrogênio em hélio, em um processo de fusão nuclear em cadeia que ocorre em seu núcleo.

Tal escala energética coloca todos os fenômenos de materialização em questão literalmente fora da realidade natural. A materialização descrita pela doutrinas espiritualistas não encontra corroboração alguma frente à ciência moderna.

Referências

  1. [www.parapsych.org/glossary_e_k.html Glossary - Key Words Frequently Used in Parapsychology] (html) The Parapsychological Association (2009). Visitado em 17-04-2013. Cópia arquivada em 1997. "Term introduced into parapsychology by Charles Richet to describe the “exteriorized substance” produced out of the bodies of some physical mediums and from which materializations are sometimes formed. (From the Greek ektos, “outside,” + plasma, “something formed or molded”)"
  2. a b c d e Mosley, Michael - Uma História da Ciência - BBC - Editora Zahar - 1 edição - 2011 - ISBN: 978-85-3780-457-5
  3. a b c d e Documentário seriado audiovisual (ver também livro homônimo): A História da Ciência - Poder e Paixão - Episódios 1 ao 6 - BBC - 2010.
  4. a b Eisberg, Robert; Resnick, Robert - Física Quântica; Átomos, Moléculas, Sólidos, Núcleos e Partículas - 13 edição - Editora Campus - 1979 - ISBN:85-7001-309-4
  5. Goldstein, Rebert - Classical Mechanics - Second Edition - Addison-Wesley Publishing Company - ISBN: 0-201-02918-9.
  6. Griffiths, David J. - Introduction to Quantum Mechanics - Prentice Hall - 1995 - ISBN: 0-13-124405-1.
  7. Cohen-Tannoudji, Claude - Quantum Mechanics - John Wiley - 1977

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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