Ayaan Hirsi Ali

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ayaan Hirsi Ali
Ayaan Hirsi Ali, em 2006
Nome completo Ayaan Hirsi Magan Isse Guleid Ali Wai’ays Muhammad Ali Umar Osman Mahamud
Conhecido(a) por Submissão
anti-circuncisão
anti-mutilação genital feminina
Infiel
anti-lei charia
Nascimento 13 de Novembro de 1969 (45 anos)
Mogadíscio, Somália
Nacionalidade Países Baixos holandesa
Cônjuge Niall Ferguson
Ocupação Política e escritora
Religião Nenhuma (ateísmo)

Ayaan Hirsi Ali (nascida Ayaan Hirsi Magan; Mogadíscio, Somália, 13 de Novembro de 1969) é uma ativista, escritora, política e feminista ateísta somali-holandesa-americana, que é conhecida por seus pontos de vista críticos da mutilação genital feminina e o islamismo. Ela escreveu o roteiro de Submission, filme de Theo van Gogh. Depois que ela e o diretor receberam ameaças de morte o diretor foi assassinado. Filha do político somali e líder da oposição Hirsi Magan Isse, ela é uma das fundadoras da organização de direitos das mulheres AHA Foundation.[1]

Quando tinha oito anos, sua família deixou a Somália para a Arábia Saudita, depois Etiópia, e acabaram por se instalar no Quênia. Ela pediu e obteve asilo político nos Países Baixos em 1992, em circunstâncias que mais tarde se tornaram o centro de uma controvérsia política. Em 2003 foi eleita membro da Câmara dos Representantes (câmara baixa do parlamento holandês), representando o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD). Uma crise política em torno do potencial de remoção de sua cidadania holandesa levou à sua renúncia ao parlamento, e levou indiretamente à queda do segundo gabinete Balkenende[2] em 2006.

Em 2005, ela foi nomeada pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.[3] Ela também recebeu vários prêmios, inclusive um prêmio de liberdade de expressão do jornal dinamarquês Jyllands-Posten, o Prêmio Democracia do Partido Liberal Sueco,[4] e o Prêmio Coragem Moral de compromisso com a resolução de conflitos, ética e cidadania mundial. Em 2006, ela publicou um livro de memórias. A tradução em Inglês em 2007 é intitulado Infiel. Desde de 2013 Hirsi Ali se tornou companheira da John F. Kennedy School of Government da Universidade Harvard, um membro da The Future of Diplomacy Project at the Belfer Center, e vive nos Estados Unidos.[5] Ela é casada com o historiador britânico e comentarista público Niall Ferguson. Se tornou uma cidadã naturalizada nos Estados Unidos em 25 de abril de 2013.[6]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália.[7] O seu pai opunha-se ao regime socialista de Siyad Barre e em 1976 a família teve de fugir do país.

Aos cinco anos Ayaan e sua irmã de 4 anos sofreram a infibulação do clitóris numa cerimônia organizada pela avó, apesar da oposição do pai a esta prática. Também chamada de excisão faraônica, a infibulação é considerada a pior de todas, pois, após a amputação do clitóris e dos pequenos lábios, os grandes lábios são seccionados, aproximados e suturados com espinhos de acácia, sendo deixada uma minúscula abertura necessária ao escoamento da urina e da menstruação. Esse orifício é mantido aberto por um filete de madeira, que é, em geral, um palito de fósforo. As pernas devem ficar amarradas durante várias semanas até a total cicatrização. Assim, a vulva desaparece sendo substituída por uma dura cicatriz. Por ocasião do casamento a mulher será “aberta” pelo marido ou por uma “matrona”, mulheres mais experientes designadas a isso. Mais tarde, quando se tem o primeiro filho, essa abertura é aumentada. Algumas vezes, após cada parto, a mulher é novamente infibulada.

Quando tinha seis anos a sua família deixou a Somália para se fixar na Arábia Saudita, depois na Etiópia e mais tarde no Quénia, onde a família obteve asilo político. Foi neste país que Ayaan fez a maior parte dos seus estudos.

Em 1992 Ayaan chegou aos Países Baixos em circunstâncias que ainda não são totalmente claras. Segundo Ayaan, o seu pai pretendia casá-la com um primo residente no Canadá. Enquanto aguardava na Alemanha pelos documentos que lhe permitiriam entrar no Canadá, Ayaan teria decido fugir para os Países Baixos, onde recebeu o estatuto de refugiada.

Trabalhou como empregada de limpeza e tradutora, antes de frequentar o curso de Ciência Política na Universidade de Leiden.

Após a conclusão dos seus estudos trabalhou para a Fundação Wiardi Beckman, um instituto ligado ao Partido Trabalhista (PvdA). A pesquisa que ela ali desenvolveu focou sobretudo a integração de mulheres estrangeiras (maioritariamente muçulmanas) na sociedade neerlandesa.

Esta pesquisa deu-lhe opiniões fortes sobre o assunto, o que resultou num corte de relações com o PvdA. Na sua opinião, não havia espaço suficiente dentro do PvdA para criticar aquilo que ela via como consequências negativas de certos aspectos sócio-culturais dos migrantes e do Islão.

No seu livro "de Zoontjesfabriek" ("Infiel") ela criticou a perspectiva islâmica das mulheres. Na sua opinião, a cultura islâmica pretende apenas que as mulheres produzam filhos para os seus maridos. O livro também critica tradições como a circuncisão feminina, que é muito comum na Somália.

Em 2002 o Partido Liberal VVD convidou Hirsi Ali para integrar as listas do partido, tendo sido eleita deputada em Janeiro de 2003. No livro acima referido, ela diz que a oportunidade oferecida pelo VVD foi um factor importante na decisão de mudar dos trabalhistas para os liberais, de modo a trazer as suas ideias para o parlamento.

Após a publicação do seu livro, Hirsi Ali recebeu várias ameaças de morte. A maioria delas circulou na Internet e não foram consideradas sérias.

Numa entrevista ao jornal diário "Trouw" (sábado, 25 de Julho de 2003), ela afirmou sobre o profeta Maomé: "medido pelos nossos padrões ocidentais, ele é um homem perverso. Um tirano". Hirsi Ali refere-se ao facto de Maomé ter casado com uma rapariga de nove anos. Várias organizações islâmicas e individuos islâmicos processaram-na por discriminação. No entanto Hirsi Ali não foi condenada. De acordo com o promotor público, as suas críticas "não contém quaisquer conclusões com respeito aos muçulmanos, e a sua dignidade como grupo não é negada".

Em 2004, juntamente com o controverso realizador de cinema neerlandês Theo van Gogh, ela fez um filme intitulado "Submissão" sobre a opressão da mulher nas culturas islâmicas. O título refere-se ao Islão (que significa literalmente submissão a Alá) e foi fortemente criticado pelos muçulmanos neerlandeses, que o consideram uma desgraça para a sua religião. O filme mostra mulheres semi-nuas, com textos do Alcorão escritos nos seus corpos. Van Gogh, também um crítico do Islão, recebeu igualmente ameaças de morte e foi assassinado, por um muçulmano radical, em 2 de Novembro de 2004. No corpo de Van Gogh encontrava-se uma carta que referia que a próxima pessoa a ser morta seria Ayaan. A deputada teve de abandonar o país, tendo vivido durante algum tempo na Califórnia, Estados Unidos.

Em Janeiro de 2005 Hirsi Ali regressou ao parlamento neerlandês, tendo anunciado a sua intenção em criar uma sequela para o filme "Submissão", desta feita focando a situação dos homossexuais masculinos no mundo islâmico. A revista "Time" considerou-a uma das cem pessoas mais influentes no planeta em 2005.

Eventos de Maio de 2006[editar | editar código-fonte]

Em Maio de 2006 o programa de televisão neerlandês "Zembla" noticiou que Hirsi Ali tinha prestado falsa informações sobre o seu verdadeiro nome, a sua idade e o seu país de origem quando solicitou asilo político nos Países Baixos. O programa também mostrou provas contra a alegação de Hirsi Ali de que o motivo para o seu asilo teria sido um casamento forçado.

Hirsi Ali reconheceu ter mentido em relação ao seu nome completo, à sua data de nascimento e à forma como chegou aos Países Baixos. No entanto, várias fontes, incluindo o seu livro de Zoontjesfabriek, publicado em 2002, mostravam o seu nome verdadeiro e a sua data de nascimento, tendo também no mesmo ano Hirsi Ali declarado em entrevista à revista política HP/De Tijd o seu nome verdadeiro e data de nascimento. Hirsi Ali também afirma que revelou estes pormenores a figuras do partido VVD quando decidiu se candidatar como deputada em 2002.

Os meios de comunicação dos Países Baixos especularam que Hirsi Ali poderia perder a cidadania neerlandesa devido às declarações fraudulentas. Numa primeira reacção a ministra Rita Verdonk afirmou que iria investigar o caso, mas um deputado solicitou-lhe uma declaração oficial. As investigações ao caso concluiram que Hirsi Ali nunca recebeu a cidadania neerlandesa por ter mentido no processo.

No dia 16 de Maio Hirsi Ali demitiu-se do parlamento, reconhecendo ter mentido no processo de asilo político. No mesmo dia, em conferência de imprensa, Hirsi Ali declarou que achava errado ter recebido estatuto de refugiada, mas que desde 2002 já se sabia publicamente do caso. Reafirmou que o seu pedido de asilo era devido a um casamento forçado, desmentindo desta forma o programa de televisão "Zembla".

Sua cidadania holandesa foi restabelecida ainda em 2006, após Ayaan ter sido obrigada a se declarar a única culpada pela mentira que lhe concedeu o asilo político. A ministra Rita Verdonk, acabou tendo sua renuncia solicitada pelo parlamento por ter colocado como condição única para o restabelecimento da cidadania de Ayaan Hirsi Ali este ato. A ministra Rita Verdonk não renunciou ao cargo, o que acabou desmanchando o governo. Sendo necessário uma nova eleição.

Livros[editar | editar código-fonte]

  • De Zoontjesfabriek over vrouwen, Islam en integratie, traduzido para o inglês como The Son Factory: About Women, Islam and Integration.
  • De maagdenkooi, traduzido para o inglês como The Virgin Cage: An Emancipation Proclamation for Women and Islam e para o português como A virgem na jaula.
  • Mijn Vrijheid, traduzido para o inglês como Infidel e para o português como Infiel.
  • Nomad: From Islam to America: A Personal Journey Through the Clash of Civilizations.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • No dia 20 de Novembro de 2004 Ayaan Hirsi Ali foi galardoada com o Prémio Liberdade do Partido Liberal da Dinamarca "pelo seu trabalho a favor da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres". Devido a ameaças de fundamentalistas islâmicos não foi possível a Ayaan estar presente na cerimónia de entrega do prémio. No entanto, um ano depois, a 17 de Novembro de 2005, ela viajou até à Dinamarca para agradecer pessoalmente a Anders Fogh, primeiro-ministro da Dinamarca e líder do Partido Liberal.
  • No dia 29 de Agosto de 2005 Ayaan foi galardoada com o Prémio Democracia do Partido Liberal da Suécia "pelo seu corajoso trabalho a favor da democracia, direitos humanos e direitos das mulheres."[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Sítio oficial da AHA Foundation. (em inglês) Página visitada em 13 de novembro de 2013.
  2. Castle, Stephen (28 de junho de 2006). Dutch U-turn over passport for Somali-born MP (em inglês) The Independent. Visitado em 13 de novembro de 2013.
  3. Manji, Irshad (18 de abril de 2005). The 2005 TIME 100: Ayaan Hirsi Ali (em inglês) Time. Visitado em 14 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 11 de janeiro de 2007.
  4. Kommentarer (em sueco) Smedjan.com. Visitado em 14 de novembro de 2013.
  5. Ayaan Hirsi Ali terug in Nederland (em neerlandês) NRC Handelsblad (1º de outubro de 2007). Visitado em 14 de novembro de 2013.
  6. Ali, Ayaan Hirsi. Swearing In the Enemy (em inglês) wsj.com. Visitado em 14 de outubro de 2013.
  7. Ayaan Hirsi Ali (em inglês) PEN American Center. Visitado em 13 de novembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]