Alfred Russel Wallace

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Alfred Russel Wallace
Explorador, biólogo, biogeógrafo, antropólogo
Dados gerais
Nacionalidade Reino Unido Britânico
Nascimento 8 de janeiro de 1823
Local Usk, Gales
Morte 7 de novembro de 1913 (90 anos)
Local Broadstone, Inglaterra
Atividade
Campo(s) Explorador, biólogo, biogeógrafo, antropólogo
Conhecido(a) por codescobrir a seleção natural e por suas obras em biogeografia
Prêmio(s) Medalha Real (1868), Medalha Darwin (1890), Medalha Copley (1908)

Alfred Russel Wallace, OM, FRS (Usk, País de Gales, 8 de janeiro de 1823Broadstone, Dorset, Inglaterra, 7 de novembro de 1913) foi um naturalista, geógrafo, antropólogo e biólogo britânico.

Em fevereiro de 1858, durante uma jornada de pesquisa nas ilhas Molucas, Indonésia, Wallace escreveu um ensaio no qual praticamente definia as bases da teoria da evolução e enviou-o a Charles Darwin, com quem mantinha correspondência, pedindo ao colega uma avaliação do mérito de sua teoria, bem como o encaminhamento do manuscrito ao geólogo Charles Lyell.[1]

Darwin, ao se dar conta de que o manuscrito de Wallace apresentava uma teoria praticamente idêntica à sua - aquela em que vinha trabalhando, com grande sigilo, ao longo de vinte anos - escreveu ao amigo Charles Lyell: "Toda a minha originalidade será esmagada". Para evitar que isso acontecesse, Lyell e o botânico Joseph Hooker - também amigo de Darwin e com grande influência no meio científico - propuseram que os trabalhos fossem apresentados simultaneamente à Linnean Society of London, o mais importante centro de estudos de história natural da Grã-Bretanha, o que aconteceu em 1 de julho de 1858. Em seguida, Darwin decidiu terminar e expor rapidamente sua teoria: A Origem das Espécies, que foi publicada no ano seguinte.

Wallace foi o primeiro a propor a distribuição geográfica das espécies animais e, como tal, é considerado um dos precursores da ecologia e da biogeografia e, por vezes, chamado de "Pai da Biogeografia".

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Uma fotografia da autobiografia de Wallace mostrando o edifício que ele e o irmão John projetaram e construíram para o Mechanics' Institute de Neath.

Wallace nasceu no vilarejo de Llandoc, próximo à Usk, Monmouthshire, País de Gales. Foi o oitavo de nove filhos de Thomas Vere Wallace e Mary Anne Greenell.[2] Sua mãe era de uma família inglesa de classe média de Hertford. Thomas Wallace era de ascendência escocesa e sua família, como muitos Wallaces escoceses, reivindicavam uma ligação com William Wallace, o líder da insurreição contra a Inglaterra no século XIII.[3] Thomas Wallace obteve graduação em direito, embora nunca tenha praticado a profissão e herdou terras rentáveis, mas investimentos ruins e empresas falidas resultaram numa deterioração regular das condições financeiras da família.[3] Quando Alfred Wallace tinha cinco anos, sua família mudou-se para Hertford, ao norte de Londres, onde frequentou a Hertford Grammar School (Liceu) até que dificuldades financeiras forçaram sua família a retirá-lo em 1836.[4]

Wallace então se mudou para Londres para morar e trabalhar com seu irmão mais velho John, um aprendiz de construtor com dezenove anos (em 1979 uma placa foi colocada na Rua St. Peter, 44, em Croydon em comemoração ao fato dele ter morado lá em algum momento daquele período). Essa foi uma medida paliativa até que William, o primogênito, estivesse em condições de receber Alfred como um aprendiz de agrimensor. Enquanto isso, ele assistiu às aulas e leu livros no Instituto de Mecânica de Londres, onde esteve exposto às ideias políticas radicais de reformistas sociais tais como Robert Owen e Thomas Paine. Deixou Londres em 1837 para morar com William e trabalhar como seu aprendiz por seis anos. Ao fim de 1839 mudaram-se para Kington, próximo da fronteira galesa, antes de finalmente se fixarem em Neath, Glamorgan. Entre 1840 e 1843, Alfred Wallace realizou trabalhos de agrimensura na zona rural ao oeste da Inglaterra e Gales. Por volta do final de 1843 a empresa de William declinou por conta de condições econômicas difíceis, e Alfred partiu em janeiro, com vinte anos.[5] [6]

Após um breve período de desemprego, Alfred Wallace foi contratado como mestre na Collegiate School em Leicester para ensinar desenho, cartografia e agrimensura. Wallace passou bastante tempo na biblioteca de Leicester onde leu "An Essay on the Principle of Population" de Thomas Malthus e onde em uma noite encontrou o entomologista Henry Walter Bates. Bates tinha apenas 19 anos, porém já havia publicado um artigo acerca de besouros no periódico The Zoologist. Ele formou uma amizade com Wallace e o familiarizou com a coleção de insetos.[7] William faleceu em março de 1845, e Wallace abandonou seu cargo de professor para assumir a firma de seu irmão em Neath. Ele e seu irmão John não foram capazes de tocar o negócio, e após alguns meses Wallace encontrou trabalho como engenheiro civil em uma firma próxima que trabalhava na medição para uma ferrovia proposta no Vale de Neath. O trabalho de Wallace na agrimensura consistia em passar bastante tempo ao ar livre no campo, fato que lhe permitiu deleitar-se com sua nova paixão em coletar insetos. Wallace teve êxito em persuadir seu irmão John a acompanhá-lo no empreendimento de uma firma de arquitetura e engenharia civil, a qual executou vários projetos incluindo o planejamento e edificação do prédio do Instituto de Mecânica de Neath. William Jevons, o fundador deste instituto, ficou impressionado com Wallace e o convenceu a lecionar ciência e engenharia. No outono de 1846, aos 23 anos, ele e John reuniram condições para adquirir uma casa de campo próximo a Neath, onde viveram com sua mãe e irmã Fanny (seu pai falecera em 1843).[8] [9] Durante esse período ele leu avidamente, trocando cartas com Bates a respeito do tratado evolucionista de Robert Chambers Vestiges of the Natural History of Creation, A viagem do Beagle de Charles Darwin, e Princípios de Geologia, de Charles Lyell.[10] [11]

Exploração e estudo do mundo natural[editar | editar código-fonte]

Mapa do "arquipélago malaio" mostrando as viagens de Wallace.

Inspirado pelas crônicas de naturalistas viajantes precedentes incluindo Alexander von Humboldt, Charles Darwin e William Henry Edwards, Wallace decidiu que ele também queria viajar para o exterior como naturalista.[12] Em 1848 Wallace e Henry Bates partiram para o Brasil à bordo do Mischief. Sua intenção era coletar insetos e outros espécimes animais na Floresta Amazônica e vendê-los a colecionadores na Inglaterra, a venda de coleções era uma fonte de renda para custear as expedições. Também esperavam juntar evidências da transmutação das espécies. Wallace e Bates passaram a maior parte de seu primeiro ano coletando espécimes próximo a Belém do Pará, quando exploraram o interior separadamente, encontrando-se por ocasião para discutir seus achados. Em 1849, tiveram a breve companhia de um outro jovem explorador, o botânico Richard Spruce, junto com o irmão mais novo de Wallace, Herbert. Herbert partiu logo em seguida (falecendo dois dias depois de febre amarela), mas Spruce, assim como Bates, passaria quase dez anos coletando na América do Sul.[13] [14]

Wallace continuou cartografando o Rio Negro por quatro anos, coletando espécimes e tomando notas acerca dos povos e línguas que encontrou bem como a geografia, flora e fauna.[15] Em 12 de julho de 1852, Wallace embarcou rumo ao Reino Unido no brigue Helen. Após vinte e oito dias ao mar, o bálsamo na carga do navio pegou fogo e a tripulação foi forçada a abandona-lo. A coleção inteira que Wallace levava foi perdida. Pode apenas salvar parte de seu diário e uns poucos esboços. Porém uma pequena parte de su material ficou retida no porto de Manaus, esta se salvou. Wallace e sua tripulação passaram dez dias num barco aberto antes de serem resgatados pelo brigue Jordeson, que estava viajando de Cuba para Londres. As condições no Jordeson' foram tensas por causa dos passageiros inesperados, mas após uma viagem difícil com uma alimentação deficiente o navio finalmente chegou ao seu destino em 1 de outubro de 1852.[16] [17] [18]

Após seu retorno ao Reino Unido, Wallace passou dezoito meses em Londres vivendo do pagamento do seguro de sua coleção perdida e vendendo o que sobrou. Durante esse período, apesar de ter perdido quase todas as suas anotações de sua expedição à América do Sul, ele escreveu seis ensaios (os quais incluíram On the Monkeys of the Amazon) e dois livros: Palm Trees of the Amazon and Their Uses e Travels on the Amazon.[19] Também firmou contato com inúmeros outros naturalistas britânicos – mais significantemente, Darwin.[20] [21] [22]

Ilustração da rã-voadora, no livro "O Arquipélago Malaio" de Wallace

De 1854 a 1862, de 31 aos 39 anos de idade, Wallace viajou para a Arquipélago Malaio ou Índias Orientais (agora Malásia e Indonésia), afim de coletar espécimes para vender e estudar a natureza. Suas observações das marcantes diferenças zoológicas através do estreito no arquipélago levaram-no a propor a fronteira biogeográfica atualmente conhecida como a Linha de Wallace. Wallace coletou mais de 125.000 espécimes no Arquipélago Malaio (só de besouros mais de 80.000), sendo que mil representavam espécies novas para a ciência.[23] Uma de suas mais bem conhecidas descrições de espécies durante sua viagem é a do sapo que desliza em árvores, Rhacophorus nigropalmatus, conhecido como o "sapo-voador-de-wallace". Enquanto ele explorava o arquipélago, refinou seus pensamentos acerca da evolução e teve sua famosa concepção da seleção natural.

Descrições de seus estudos e aventuras foram eventualmente publicadas em 1869 como The Malay Archipelago, que se tornou um dos mais populares diários de exploração científica do século XIX, mantido continuamente à venda por sua editora inicial (Macmillan) até a segunda década do século XX. A publicação foi elogiada por cientistas tais como Darwin (a quem o livro foi dedicado), e Charles Lyell, e por não-cientistas, tais como o romancista Joseph Conrad, que chamou o livro de seu companheiro de cabeceira favorito e o usou como fonte de informações para vários de seus romances, especialmente Lord Jim.[24]

Retorno ao Reino Unido, casamento e filhos[editar | editar código-fonte]

A. R. Wallace em Singapura em 1862.

Em 1862, Wallace retornou ao Reino Unido e se mudou para a casa de sua irmã Fanny Sims e de seu marido Thomas. Enquanto se recuperava de suas viagens, Wallace organizou sua coleção de espécimes e deu palestras sobre suas aventuras e descobertas em várias sociedades científicas, incluindo a Sociedade Zoológica de Londres. Mais tarde, naquele mesmo ano, Wallace visitou Darwin, em Down House, e se tornou amigo de Charles Lyell e Herbert Spencer.[25]

Durante a década de 1860, Wallace escreveu vários ensaios e deu palestras defendendo a teoria da seleção natural. Também se correspondeu com Darwin sobre vários temas, incluindo a seleção sexual, o aposematismo e os possíveis efeitos da seleção natural sobre a hibridação e a divergência de espécies.[26] Em 1865, Wallace começou a investigar o espiritismo.[27]

Depois de um ano de namoro, Wallace se comprometeu em 1864 com uma jovem, que, em sua autobiografia, identificou simplesmente como senhorita L. No entanto, para o desgosto de Wallace, ela rompeu com o compromisso.[28] Em 1866, Wallace se casou com Annie Mitten, que tinha sido apresentada a ele por Richard Spruce, um amigo do pai de Annie, William Mitten, um especialista em briófitas. Em 1872, Wallace construiu The Dell, uma casa de concreto, em uma propriedade alugada em Grays, Essex, onde viveu até 1876. Wallace teve três filhos: Herbert (1867-1874), que morreu quando criança, Violet (1869-1945) e William (1871-1951).[29]

Problemas financeiros[editar | editar código-fonte]

Durante os anos de 1860 e de 1870, Wallace estava muito preocupado com a segurança financeira de sua família. Enquanto estava no arquipélago malaio, a venda de espécimes havia trazido uma quantidade considerável de dinheiro, que tinha sido cuidadosamente investida pelo agente que vendeu os espécimes para Wallace. No entanto, em seu retorno ao Reino Unido, fez vários investimentos arriscados em ferrovias e em minas que se revelaram um fracasso, por isso ele foi forçado a viver dos lucros gerados pela publicação de O Arquipélago Malaio.[30] Apesar da ajuda de seus amigos, Wallace não conseguiu encontrar um emprego com um salário fixo. Para se manter financeiramente, ele trabalhou como agrimensor para o governo, escreveu 25 artigos para publicação entre 1872 e 1876 por somas modestas e editou várias obras de Lyell e Darwin.[31] Em 1876, ele teve que pedir um adiantamento de 500 libras esterlinas pela publicação de The Geographical Distribution of Animals para evitar a venda de seus bens pessoais.[32] Darwin sabia das dificuldades financeiras de Wallace e lutou para conceder-lhe uma pensão do governo por suas contribuições para a ciência. Quando a pensão anual de $ 200 foi concedido em 1881, foi capaz de estabilizar a sua situação financeira, complementando sua renda com o que ganhava por seus escritos.[33]

Ativismo Social[editar | editar código-fonte]

Durante alguns meses, em Londres, Wallace aprimorou seu desenvolvimento intelectual frequentando aulas no Instituto de Mecânica (London Mechanics Institute), onde adquiriu conhecimento das ideias políticas de reformas sociais-radicais de Robert Owen (1771-1858) que cooperaram para a formação de seu ceticismo religioso e de suas ideias reformistas e socialistas.[34] [35]

Nos momentos vagos, Wallace dedicava seu tempo ao socialismo, militarismo político, espiritualismo e até mesmo às questões pacifistas, defendendo a justiça social e a reforma agrária. Nos mais audaciosos pensamentos pode-se considerar Wallace como um " ambientalista principiante", onde defendeu a preservação de uma área de florestas naturais nas proximidades de Londres que enfrentava forte interferência humana [36] . Contudo, suas ações não se restringiram à Londres, Wallace também clamou pelas florestas de Sequóias da Califórnia.

Wallace também foi um cientista engajado em causas sociais, pois mostrava simpatia aos indivíduos excluídos pela sociedade londrina. Seu amparo abrangia desde crianças nascidas em lares carentes a mulheres sem direitos a votos. Durante seus doze anos de convivência com nativos das terras em que passou deram ao Wallace uma visão mais realista da natureza humana: " Quanto mais vejo pessoas não civilizadas melhor eu compreendo a natureza humana como um todo, e as diferenças essenciais entres os chamados homem civilizado e o selvagem tendem a desaparecer".[37]

Morte[editar | editar código-fonte]

Tumba de Wallace, em Broadstone (Inglaterra), que foi restaurada pelo A. R. Wallace Memorial Fund em 2000.

Em 7 de novembro de 1913, Wallace morreu aos 90 anos em sua casa de campo, chamada de "Old Orchard", em Broadstone (Dorset), que havia sido construída uma década antes.[38] A imprensa amplamente divulgou sua morte na época. The New York Times o chamou de "o último dos gigantes que pertencera a esse grupo maravilhoso de intelectuais que incluía, entre outros, Darwin, Huxley, Spencer, Lyell, e Owen, cuja ousadia nas investigações revolucionaram e evoluíram o pensamento do século". Alguns dos amigos de Wallace sugeriram que ele fosse enterrado na Abadia de Westminster, mas sua esposa seguiu seus desejos e ele foi enterrado no pequeno cemitério em Broadstone, Dorset.[39] Vários proeminentes cientistas britânicos formaram uma comissão para ter um medalhão de Wallace colocado em Westminster, perto de onde Darwin tinha sido enterrado. O medalhão foi inaugurado em 1 de novembro de 1915.

Teoria da Evolução[editar | editar código-fonte]

Em 1855 Wallace publicou o artigo, "On the Law Which has Regulated the Introduction of Species", no qual ele junta e enumera observações gerais sobre a distribuição geográfica e geológica das espécies (biogeografia) e conclui que "Cada espécie surgiu coincidindo tanto em espaço quanto em tempo com uma espécie aproximamente a ela aliada." Esse artigo, também conhecido como a Lei Sarawak (assim denominada devido ao estado de Sarawak, localizado na ilha de Borneo) foi um prenúncio ao monumental artigo que ele escreveu três anos mais tarde.

Wallace encontrou-se brevemente e apenas uma vez com Darwin, e foi um dos seus numerosos correspondentes de todas as partes do mundo, cujas observações Darwin utilizou para dar suporte às suas teorias. Wallace sabia que Darwin tinha interesse na questão de como as espécies se originavam e confiava na opinião dele sobre o assunto. Assim, ele lhe enviou seu ensaio "On the Tendency of Varieties to Depart Indefinitely From the Original Type" (Sobre a Tendência das Variedades de se Separarem Indefinidamente do Tipo Original) - 1858, e pediu-lhe que escrevesse a crítica.

Em 18 de Junho de 1858 Darwin recebeu o manuscrito de Wallace. Embora o ensaio de Wallace ainda não propusesse o famoso conceito darwiniano de seleção natural, enfatizava uma divergência evolutiva entre as espécies e suas similares. Nesse sentido era semelhante à teoria sobre a qual Darwin tinha trabalhado durante 20 anos, e que nunca tinha sido publicada. Darwin escreveu a Charles Lyell: "Ele não poderia ter feito um pequeno resumo melhor! Até os seus termos constam agora nos títulos dos meus capítulos!"

Apesar de Wallace não ter pedido que publicassem o seu ensaio, Charles Lyell e Joseph Hooker decidiram apresentar o ensaio junto aos trechos de um artigo, que Darwin havia escrito em 1844 e mantido confidencial, à Linnean Society of London, em 1 de julho de 1858, dando destaque à teoria de Darwin.

Wallace aceitou o arranjo após o fato, agradecido por ter sido, pelo menos, nele incluso. O status social e científico de Darwin naquela época era muito superior ao de Wallace e era improvável que as observações de Wallace sobre a evolução tivessem sido aceitas com a mesma seriedade, caso fossem apresentadas independentemente. Apesar de afastado da posição de codescobridor e não de socialmente igual à Darwin ou aos outros cientistas britânicos de elite, Wallace foi contemplado com acesso facilitado aos meios científicos britânicos altamente divulgados após a posição favorável que recebeu de Darwin. Quando retornou à Inglaterra, Wallace encontrou-se com Darwin e os dois permaneceram amigos, desde então.

Concepções espíritas e aplicação da teoria à Humanidade[editar | editar código-fonte]

Alfred Russel Wallace, e assinatura, da capa de Darwinism (1889)

Em uma carta a um parente em 1861, Wallace escreveu: "Penso ter razoavelmente escutado e ponderado as evidências de ambos os lados e continuo um completo descrente de quase tudo o que você considera serem as verdades mais sagradas... Posso ver muito a ser admirado em todas as religiões... Mas quanto a haver um Deus e qual seja a Sua natureza; quanto a termos ou não uma alma imortal ou quanto ao nosso estado após a morte, não posso ter medo algum de ter que sofrer pelo estudo da natureza e pela busca da verdade...."

Em 1864, antes que Darwin tivesse abordado publicamente o assunto, apesar de outros o terem, Wallace publicou um artigo, The Origin of Human Races and the Antiquity of Man Deduced from the Theory of 'Natural Selection' (A Origem das Raças Humanas e a Antiguidade do Homem Deduzidos da Teoria de "Seleção Natural"), aplicando a teoria à Humanidade. Wallace tornou-se a seguir um espiritista e, mais tarde, argumentou que a seleção natural não poderia justificar o gênio matemático, artístico ou musical, nem contemplações metafísicas, a razão ou o humor, e que algo no "invisível universo do Espírito" tinha intercedido pelo menos três vezes na história:

  1. A criação da vida a partir da matéria inorgânica;
  2. A introdução da consciência nos animais superiores;
  3. A geração das faculdades acima mencionadas no espírito humano.

Ele também acreditava que a razão de ser do universo era o desenvolvimento do espírito humano (ver Wallace (1889)). Essas concepções muito perturbaram Darwin ao longo de sua vida, argumentando ele que apelos espirituais eram desnecessários e que a seleção sexual podia facilmente explicar esses fenômenos aparentemente não adaptativos.

Em 1865 Wallace investigou os fenômenos das mesas girantes ainda tão em voga na Europa; a mediunidade de Mr. Marshall, de Mr. Cuppy e outras, afirmando mais tarde que as comunicações com espíritos "são inteiramente comprovadas tão bem como quaisquer fatos que são provados em outras ciências".

Em muitos relatos da história da teoria da evolução, Wallace é relegado ao papel de um simples estímulo para a teoria do próprio Darwin. Na realidade, Wallace desenvolveu suas próprias concepções distintas sobre a evolução (concepções essas que divergiam das de Darwin) e era considerado por muitos (especialmente por Darwin) como um pensador de primeira grandeza sobre a teoria da evolução no seu tempo, e cujas ideias não podiam ser ignoradas. Ele é um dos naturalistas mais citados na obra de Darwin Descent of Man (A Origem do Homem), frequentemente dele discordando fortemente.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Dentre os muitos prêmios concedidos a Wallace vale citar a Order of Merit (Ordem do Mérito), de 1908, a Medalha Copley da Royal Society (Sociedade Real), de 1908, a Medalha do Fundador da Royal Geographical Society e a Medalha de Ouro da Linnean Society (Sociedade Lineana), de 1892.

Ele também foi honrado ao serem batizadas crateras de Marte e da Lua com base em seu nome, tendo às vezes sido chamado de "A Lua de Darwin", um fato muito curioso.

Wallace Center[editar | editar código-fonte]

Em 14 de julho de 2005, o Ministro Chefe Pehin Sri Dr Haji Abdul Taib Mahmud instou a Unimas [2] a criar o Wallace Center (Centro Wallace, em Santubong) em um esforço para inspirar jovens cientistas a desenvolverem mais pesquisas sobre a rica biodiverisdade do país.

  • WCS Sarawak. Um centro completo a ser estabelecido e denominado em honra do renomado naturalista britânico irá inspirar jovens cientistas a desenvolver mais pequisas sobre biodiversidade em Sarawak, em Borneo Malaia.

Publicações[editar | editar código-fonte]

Wallace foi um autor prolífero. Em 2002, um historiador de ciência publicou uma análise quantitativa das publicações de Wallace. Ele descobriu que Wallace havia publicado 22 livros completos e pelo menos 747 peças curtas, 508 das quais eram artigos científicos (191 deles publicados na Nature). Ele ainda subdividiu as 747 peças curtas por seus assuntos primários: 29% eram sobre biogeografia e história natural, 27% eram sobre teoria da evolução, 25% eram críticas sociais, 12% eram de Antropologia, e 7% estavam ligados ao espiritismo e frenologia.[40] Uma bibliografia online de escritos de Wallace tem mais de 750 entradas.[22]

Livros[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1]
  2. Wilson 2000, p. 1
  3. a b Smith, Charles H.. Alfred Russel Wallace: A Capsule Biography The Alfred Russel Wallace Page hosted by Western Kentucky University. Visitado em 2007-04-27. Cópia arquivada em 5 April 2007.
  4. Wilson 2000, p. 6-10
  5. Raby 1996, p. 77-78
  6. Slotten 2004, p. 11–14
  7. Shermer 2002, p. 53
  8. Slotten 2004, p. 26–29
  9. Wilson 2000, p. 19–20
  10. Raby 2002, p. 78
  11. Wallace 1905, p. 254,256
  12. Slotten 2004, p. 34–37
  13. Wilson 2000, p. 36
  14. Raby 2002, p. 89, 98–99, 120–21
  15. Raby 2002, p. 89–95
  16. Shermer 2002, p. 72–73
  17. Slotten 2004, p. 87-88
  18. Slotten 2004, p. 84–88
  19. Wilson 2000, p. 45
  20. Slotten 2004, p. 87-88
  21. Raby p. 148.
  22. a b Wallace, Alfred. Bibliography of the Writings of Alfred Russel Wallace The Alfred Russel Wallace Page hosted by Western Kentucky University. Visitado em 2007-05-06.
  23. Shermer 2002, p. 14
  24. Slotten 2004, p. 267
  25. Shermer 2002, p. 151-15
  26. Slotten 2004, p. 249-258
  27. Slotten 2004, p. 235
  28. Shermer 2002, p. 156
  29. Slotten 2004, p. 239-240
  30. Slotten 2004, p. 265-267
  31. Slotten 2004, p. 299-300
  32. Slotten 2004, p. 325
  33. Slotten 2004, p. 361-364
  34. CAMERINI, J. R. The Alfred Russel Wallace reader: A sellection of writing from the field. Baltimore, The Johns Hopkins University Press, 2002.
  35. MORGANTE, J. S. Alfred Russel Wallace: Coproponente da seleção natural, tributo ao centenário de seu falecimento. Genética na Escola. São Paulo, n. 1, v. 8, p. 76, 2013.
  36. O resgate de Alfred Wallace. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2013/11/o-resgate-de-alfred-wallace>. Acesso em: 18 de Fev de 2014.
  37. BERRY, A. Alfred Russel Wallace: evolution’s red-hot radical. Nature, v. 496, n. 7444, p. 162–4, 11 abr. 2013.
  38. Slotten 2004, p. 490
  39. Slotten 2004, p. 490
  40. Shermer 2002, p. 15-17

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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