Gregory Bateson

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Gregory Bateson (Grantchester, Inglaterra, 9 de maio de 1904São Francisco, Califórnia, 4 de julho de 1980) foi um biólogo e antropólogo por formação. Contudo, como grande pensador sistêmico e epistemólogo da comunicação, incorreu também pela psiquiatria, psicologia, sociologia, lingüística, ecologia e cibernética. Seu pai William Bateson (1861-1926), biólogo inglês conhecido como o pai da genética, foi quem usou pela primeira vez na história da humanidade o termo genética para descrever o estudo da variação e hereditariedade, em 1905 - um ano depois de Gregory nascer. Gregory nasceu britânico em 1904, mas naturalizou-se norte-americano em 1956. Casou-se pela primeira vez com Margaret Mead (1901-1978) para separaram-se em 1951, guardando todavia admiração recíproca e cumplicidade intelectual até suas mortes, ambas de câncer.

Nova Guiné e Ilha de Bali[editar | editar código-fonte]

Gregory Bateson estudou zoologia em Londres e biologia em Cambridge. Combinou estes dois campos de estudos em suas primeiras experiências antropológicas de trabalho de campo com os nativos da Nova Guiné e da Ilha de Bali. A partir da Nova Guiné, escreveu o livro Naven: a Survey of the Problems Suggestes by a Composite Picture of the Culture of a New Guinea Tribe Drawn from Three Points of View (1936). A partir de Bali (de março de 1936 até 1939), e junto com Margaret Mead, resultou o livro Balinese Character - A Photographic Analysis, que tornou-se mítico por estar à frente de seu tempo. Nesta época da sua publicação ainda não se discutia verdadeiramente as questões epistemológicas e heurísticas que os diversos suportes comunicacionais verbais (fala, escrita) e visuais (desenhos, pinturas) poderiam explorar juntamente, respeitando os termos de suas singularidades e complementaridades sígnicas.

Já neste momento de sua obra, Bateson esboçava aspectos do que viria a ser o cerne de sua obra - a comunicação. Analisando antropologicamente aspectos culturais desta tribo, Bateson observou dois tipos de relações que determinariam as dinâmicas sociais: relações simétricas e relações complementares.

As relações simétricas seriam aquelas nas quais os grupos ou indivíduos comunicantes compartilham anseios, aspirações, expectativas e modelos comuns e, por este motivo, colocam-se em posições antagônicas, buscando então, formas simétricas de relação.

Já as relações complementares seriam constituídas quando as aspirações dos grupos ou indivíduos comunicantes são fundamentalmente diferentes, e, portanto, a submissão de uns constitui uma resposta à dominação de outros. Para Bateson, tanto as relações simétricas quanto as complementares precisam ser trabalhadas socialmente para evitar a cismogênese.

Escola de Palo Alto[editar | editar código-fonte]

Nos Estados Unidos, Califórnia, Bateson uniu-se ao grupo da chamada Escola de Palo Alto (conhecida como o Colégio Invisível) e ao Mental Research Institute (MRI). A partir desta experiência, foi publicado em 1981 o livro La Nouvelle Communication, com várias reedições desde então. Na primeira parte, é feita uma apresentação geral e histórica da eclosão da Escola de Palo Alto, descrevendo seus componentes e sintetizando os principais empreendimentos. Na segunda parte do livro, Yves Winkin oferece, para cada dos integrantes do Colégio Invisível, um texto representativo do pensamento de cada um dos autores, seguido de uma entrevista com eles - Bateson, Ray L. Birdwhistell, Erving Goffman, Edward T. Hall, Donald deAvila Jackson, Albert E. Scheflen, Stuart Sigman e Paul Watzlawick, todos antropólogos ou psiquiatras.

Macy Conferences[editar | editar código-fonte]

Entre os anos de 1946 e 1953, Gregory Bateson integrou o grupo reunido sob o nome de Macy Conferences, contribuindo para a consolidação da teoria cibernética junto com outros cientistas renomados: Arturo Rosenblueth, Heinz von Foerster, John von Neumann, Julian Bigelow, Kurt Lewin, Lawrence Kubie, Lawrence K. Frank, Leonard J. Savage, Molly Harrower, Norbert Wiener, Paul Lazarsfeld, Ralph W. Gerard, Walter Pitts, Warren McCulloch e William Ross Ashby; além de Claude Shannon, Erik Erikson, Max Delbrück e a própria Margaret Mead.

Teoria do Duplo Vínculo[editar | editar código-fonte]

Desenvolveu uma atenção especial às relações entre esquizofrenia e comunicação, que originou a Teoria do Duplo Vínculo (Double Bind). Em suas pesquisas sobre as interações humanas, a partir da investigação das formas animais de comunicação, como em estudos de caráter ecológico e etnográfico, sua preocupação era sempre epistemológica. Uma discussão aprofundada deste conceito pode ser encontrada no livro A pragmática da comunicação humana, escrito por Paul Watzlawick, Janet Helmick Beavin e Don D. Jackson, colegas de Bateson na Escola de Palo Alto.

Livros[editar | editar código-fonte]

No conjunto de sua obra, alguns dos livros mais importantes são:

  • NAVEN: A SURVEY OF THE PROBLEMS SUGGESTES BY A COMPOSITE PICTURE OF THE CULTURE OF A NEW GUINEA TRIBE DRAWN FROM THREE POINTS OF VIEW (1936) - Obra considerada um elo entre a antropologia e a cibernética.
  • BALINESE CHARACTER, A PHOTOGRAPHIC ANALYSIS (1942), publicado pela New York Academy of Sciences.
  • STEPS TO AN ECOLOGY OF MIND (1972)
  • MIND AND NATURE, A NECESSARY UNITY (1979), escrito um ano antes de seu falecimento e publicado no Brasil com o título Mente e Natureza pela editora Francisco Alves/RJ (1986). Neste livro encontra-se uma das mais notáveis idéias produzidas pelo pensamento batesoniano, que é a definição de informação: "informação é a diferença que faz diferença".
  • GAIA, A WAY OF KNOWING (1987), publicação póstuma no Brasil com o título Gaia, Uma Teoria do Conhecimento pela editora Gaia/SP (2001) - Livro organizado por William Irwin Thompson que reúne textos de outros autores além de Bateson, como Francisco Varela, Humberto Maturana, James Lovelock, Lynn Margulis, Henri Atlan, John Todd, Hazel Henderson, e do próprio organizador.
  • ANGELS FEAR: TOWARDS AN EPISTEMOLOGY OF THE SACRED (1988), publicação póstuma e co-escrito por sua filha Mary Catherine Bateson.
  • A SACRED UNITY, FURTHER STEPS TO AN ECOLOGY OF MIND (1991), publicação póstuma na Espanha com o título Una Unidad Sagrada, Pasos Ulteriores Hacia una Ecología de la Mente pela Editorial Gedisa/Barcelona (1993) - Livro póstumo organizado pelo seu aluno Rodney Donaldson, em Seattle/Washington/EUA.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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