Robert Chambers

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Robert Chambers (1802-1871). Editor e escritor britânico conhecido por ser o autor dos Vestígios (Vestiges of the Natural History of Creation, 1844).

Os Vestígios[editar | editar código-fonte]

A defesa de Robert Chambers da transformação das espécies pode resumir-se em seis argumentos:[1]

  1. O comportamento do Homem está sujeito a leis naturais (estatísticas). A leis naturais regem, portanto, as entidades más longe e perto do universo.
  2. O registo fóssil revela um rumo até ao progresso, desde os organismos mais simples até ao Homem. A evolução efectuou-se a partir de um reduzido número de estirpes originais que seguiram linhas filogenéticas paralelas.
  3. Existem evidências de que a matéria inorgânica pode converter-se em matéria viva (geração espontânea), se bem que as condições requeridas se produziram somente nas origens da vida.
  4. Os animais e plantas parecem-se habitualmente com os progenitores, se bem que, em algumas ocasiões, manifestam diferenças importantes com respeito a estes. Graças a isto, a evolução seguiu um progresso baseado em modificações de importância.
  5. O oxigénio e a luz parecem modificar o período de gestação. Em tal caso, o organismo em desenvolvimento pode converter-se membro de uma nova espécie.
  6. A evolução sempre esteve regida por direccionalidade, tendo como última meta a antropogénese. A natureza operou, portanto, de acordo com as suas leis, mas estas executaram um plano preexistente.

A recepção dos Vestigios[editar | editar código-fonte]

Como a de Lamarck, a obra de Chambers foi objecto de numerosas e virulentas críticas por parte de antitransformistas como Whewell, Herschel, Sedgwick, Thomas Huxley e Hugh Miller (Indications of the Creator, 1845; Footprints of the Creator, 1847; Testimony of the Rocks, 1856), que no essencial reproduziam as que havia sofrido Lamarck.

Entre as críticas científicas, o argumento mais frequente foi o dos criadores que não conseguiram produzir nenhuma espécie nova, enquanto que desde a filosofia se assinalou a ausência de una verdadeira causa (Herschel) que explicasse a transformações das espécies[2] .

A Charles Darwin, a obra de Chambers lhe pareceu um tratado falto de rigor científico, se bem que o recebeu com simpatia pela função social que podia cumprir, preparando o terreno para a aceitação do facto da evolução. Sociologicamente, a aparição dos Vestígios teria una imprevista utilidade para Darwin: preparou a opinião publica victoriana para a futura aparição do transformismo científico e permitiu a Darwin antecipar as objecções que iria enfrentar. [3]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. González Recio, José Luis, Teorías de la Vida, Ed. Síntesis. Madrid, 2004
  2. Ruse, p.149
  3. Ruse, p. 164