Criança índigo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Crianças índigo é o termo utilizado para descrever crianças que a pseudociência e a parapsicologia acreditam ser especiais. Os defensores desta crença afirmam que os "Índigos" constituem uma nova geração de crianças com habilidades especiais, e que têm por objetivo a implantação de uma "Nova Era" na Humanidade. Estas crianças são geralmente classificadas como possuidoras de habilidades sociais mais refinadas, maior sensibilidade, desenvolvimento profundo de questões ético-morais e portariam personalidades peculiares que possibilitariam facilmente sua identificação relativamente a outras crianças.

Embora farta literatura tenha sido publicada nos últimos anos, não há qualquer demonstração científica sobre a ocorrência do fenômeno. O sistema de classificação "crianças índigo" e "crianças cristais" é rejeitado por conselhos de pediatria e especialistas em educação infantil.[1] Críticos apontam que o sistema é tão vago que pode aplicar-se a praticamente qualquer um, levando ao que se conhece como efeito Forer. Contudo, é de notar a crescente relevância que as crianças índigo têm revelado para a parapsicologia.

As crianças índigo são também comumente associadas à Geração Y.[2]

Definição[editar | editar código-fonte]

Chamam-se crianças índigo a certos indivíduos que, supostamente ao nascer, trouxeram características que os diferenciam das crianças normais, tais como a intuição, a espontaneidade, a resistência à moralidade estrita e restritiva, e uma grande imaginação, avolumando-se frequentemente também entre tais capacidades, os dons paranormais, embora estes dons não sejam usualmente do conhecimento da própria criança. As crianças índigo podem ser vistas como uma espécie de milenarismo, em que se acredita que tais seres mudarão o mundo trazendo-o até um estado mais espiritual e menos estritamente moralizado.

Há que notar que uma boa quantidade das crianças índigo são classificadas de hiperativas ou diagnosticadas com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, o que explicaria em boa parte o crescente interesse de pais e educadores por este assunto. Russell Barkley, pesquisador do instituto de psiquiatria da State University of New York Upstate Medical University in Syracuse, disse em entrevista ao periódico New York Times:[3] "Todos preferiríamos não ter nossas crianças tachadas com uma doença psiquiátrica, mas neste caso (criança índigo) é um diagnóstico falso".

História[editar | editar código-fonte]

Em 1982 a parapsicóloga Nancy Ann Tappe elaborou um sistema para classificar os seres humanos de acordo com a suposta cor da sua aura espiritual, lançando a obra "Compreenda a sua Vida através da Cor" onde fez um estudo sobre "as cores da vida". Segundo a autora, cada pessoa possui uma certa cor na sua aura em função da sua personalidade e interesses. No caso das crianças índigo, a aura deles tenderia a mostrar as cores anil ou azul, ao que se atribui uma espiritualidade mais desenvolvida.

A autora afirmou ter detectado pelo seu método que as auras de cor índigo começaram a surgir com mais frequência na década de 1980, mostrando uma tendência a proliferar, o que parece justificar o seu papel de transformação da sociedade nas primeiras décadas do século XXI.

É importante ressaltar que o conceito de aura nunca foi demonstrado lógica ou empiricamente. Assim, qualquer estudo que tire conclusões a partir da análise de auras ainda deve demonstrar a validade da premissa, ou seja, a existência de tal coisa como a aura.

Supostas Características[editar | editar código-fonte]

As crianças índigo apresentariam uma série de atributos sensoriais recorrentes, como a hipersensibilidade auditiva ou a hipersensibilidade tátil. De igual modo, apresentariam um padrão de comportamento peculiar, destacando-se:[4]

  • Chegam ao mundo com sentimento de realeza e a curto tempo se comportam como tal;
  • Têm a sensação de ter uma tarefa específica no mundo, e se surpreendem quando os outros não a partilham;
  • Custa-lhes aceitar a autoridade que não oferece explicação nem alternativa;
  • Sentem-se frustrados com os sistemas ritualistas que não requerem um pensamento criativo;
  • A curto tempo encontram formas melhores de fazer as coisas, tanto em casa como na escola;
  • Não reagem pela disciplina da culpa;
  • Não são tímidos para manifestar as suas necessidades.

O sítio Indigo Child, relativamente aos relatos de quem diz ver as "cores das auras", de alguma forma, adverte:[4]

"e... só para o caso de ouvirem o contrário de outras fontes 'índigo', a palavra "Índigo" não tem nada a ver com a cor de uma aura! Isso é o resultado de observações científicas da parte de uma mulher com um distúrbio cerebral a que é dado o nome de sinestesia."
indigochild.com
"and... just in case you heard otherwise from other 'indigo' sources, the designated word "Indigo" has nothing to do with the color of an aura! It is the result of scientific observations by a woman who has the brain disorder called synesthesia."

Tipos de crianças índigo[editar | editar código-fonte]

Segundo os investigadores desta temática, podem ser identificados quatro tipos de crianças índigo:

  • Humanistas - muito sociais, conversam com toda a gente e fazem amizades com muita facilidade. São desastrados e hiperativos. Não conseguem brincar só com um brinquedo, gostam de espalhá-los pelo quarto, embora às vezes não peguem na maioria. Distraem-se com muita facilidade. Por exemplo: se começam a arrumar o quarto e encontram um livro, nunca mais se lembram de acabar as arrumações. Como profissões, escolherão ser médicos, advogados, professores, vendedores, executivos e políticos. Trabalharão para servir as massas e, claro, atuarão sempre ativamente.
  • Conceptuais - estão muito mais voltados para projetos do que para pessoas. Assumem uma postura controladora. Se os pais não estiverem pelos ajustes e não permitirem esse controle, eles vão à luta. Têm tendência para outras inclinações, sobretudo drogas quando da puberdade, caso se sintam rejeitados ou incompreendidos. Daí a redobrada atenção por parte de pais e educadores em relação aos seus padrões de comportamento. No futuro poderão ser engenheiros, arquitetos, pilotos, projetistas, astronautas e oficiais militares.
  • Artistas - são criativos em qualquer área a que se dediquem, podendo, inclusive, vir a ser investigadores, músicos ou atores altamente conceituados. Entre os 4 a 10 anos poderão vir a interessar-se por até 15 diferentes áreas do conhecimento (ou instrumentos musicais, por exemplo), largando uma e iniciando outra. Quando atingirem a puberdade, aí sim, escolherão uma área definitivamente. Poderão ser futuros professores e artistas.
  • Interdimensionais - entre os seus 1 e 2 anos os pais não podem tentar ensinar-lhes nada, pois eles responderão que já sabem e que podem fazer sozinhos. Normalmente, porque são maiores que os outros tipos de índigos, mostram-se mais corajosos ainda e por isso não se enquadram nos outros padrões.

Desta forma, os estudiosos do assunto acreditam que estas crianças seriam as responsáveis pela introdução de novas filosofias ou espiritualidade no mundo.

Crianças índigo e Doutrina Espírita[editar | editar código-fonte]

O tema, apesar de originalmente atravessar décadas, ganhou um novo estímulo nos últimos anos, sendo divulgado pela Doutrina Espírita. Particularmente depois que o médium e orador espírita Divaldo Franco teve uma de suas palestras sobre o tema transcrita e ampliada,[5] e que foi transformada em livro bilíngue pelas mãos da neurocientista brasileira Vanessa Anseloni, radicada nos EUA e antiga defensora da integração entre os dois temas.[6] A partir de então, o conceito passou a ser visto com simpatia por muitos espíritas.[7]

Para eles, as crianças índigo seriam espíritos exilados de outros mundos. Como não fossem capazes de acompanhar o "progresso moral" de tais planetas, eles teriam sido encaminhados para mundos inferiores, como a Terra, com a meta de auxiliar sua evolução. Os defensores dessa ideia tratam-na como um desenvolvimento do tema migrações espirituais, presente em obras populares no meio espírita brasileiro, como A Caminho da Luz e Exilados de Capela, e referido por Allan Kardec em A Gênese.[8]

Por outro lado, há grupos espíritas que são contrários à associação entre o tema crianças índigo e o espiritismo.[7] Defendem que as obras A Caminho da Luz[9] e A Gênese[10] não abordam o termo crianças índigo, tampouco trazem referências às características físicas e psicológicas que costumam ser atribuídas a elas. Eles repudiam[7] a publicação e a tradução de livros relacionados ao tema por editoras que possuem foco de mercado no público espírita, como a Petit,[11] bem como os palestrantes espíritas que utilizam esta temática.[7]

Alguns pesquisadores[12] dizem ser muito difícil haver uma civilização mais evoluída no sistema solar de uma estrela Plêiade como Alcyone, conforme afirma Divaldo[8] pois estas teriam apenas cerca de 100 milhões de anos, enquanto a Terra teria demorado quase um bilhão de anos apenas para esfriar e aparecerem os primeiros organismos unicelulares e quase mais quatro bilhões para o surgimento do "Homo sapiens". Além de contestar a suposta influência gravitacional de Alcione na Terra.

Divaldo Franco não reconhece influência mediúnica em suas elaborações sobre o tema. Por se tratar de um palestrante que também se notabilizou como médium, esse fato pode servir como fonte de descrédito, diante de certos setores espíritas, para as ideias que defende sobre crianças índigo.

O boletim "Mensagem" discute sobre a origem do termo crianças índigo e sua utilização no movimento espírita.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Da Redação (25 de setembro de 2010). Sociedade de Pediatria não reconhece conceitos índigo e cristal mulher.uol.com.br. Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  2. Noronha, Heloísa (25 de setembro de 2010). Crianças índigo: a polêmica da evolução da humanidade mulher.uol.com.br. Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  3. Leland, John (12 de janeiro de 2006). Are They Here to Save the World? (em en) New York Times. Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  4. a b What is an indigo Child? (março de 2009). Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  5. Franco, Divaldo Pereira; Anseloni, Vanessa. [www.divaldofranco.com/noticias.php?not=42 A nova geração: A visão espírita sobre crianças índigo e cristal.] [S.l.: s.n.]. 200 pp. ISBN 978-857-347-167-0. Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  6. 2006 SPECIAL WORKSHOP SERIES ssbaltimore.org (2006). Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  7. a b c d e Mensagem (pdf) pedagogiaespirita.org.br.
  8. a b Entrevista de Divaldo Pereira Franco ao Programa Televisivo O Espiritismo Responde, da União Regional Espírita divaldofranco (21 de março de 2007). Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  9. XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1939.
  10. KARDEC, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro, FEB, 2005
  11. petit.com acesso em 08/02/2008
  12. Bruno, Giovanni (março de 2007). Kardec e os EXILADOS jornaldosespiritos. Visitado em 10 de dezembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]