Divaldo Pereira Franco

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Divaldo Franco
Divaldo Franco em Porto Alegre (2006)
Nome completo Divaldo Pereira Franco
Conhecido(a) por Ser um dos principais divulgadores da Doutrina Espírita
Nascimento 5 de maio de 1927 (87 anos)
Feira de Santana, BA
 Brasil
Ocupação Professor, médium, um dos expoentes do Espiritismo, escritor, orador e filantropo
Página oficial
www.divaldofranco.com.br

Divaldo Pereira Franco, mais conhecido como Divaldo Franco ou simplesmente Divaldo (Feira de Santana, 5 de maio de 1927) é um professor, médium, filantropo e orador espírita brasileiro.

Divaldo é um verdadeiro "apóstolo do Espiritismo", com mais de cinqüenta anos devotados à mediunidade e mais de sessenta como um importante orador espírita. Dos seus oitenta e sete anos, sessenta e sete foram devotados à causa espírita e às crianças excluídas, das periferias de Salvador, na Bahia. Para este último fim fundou, em 15 de agosto de 1952, junto com Nilson de Souza Pereira, a instituição de caridade Mansão do Caminho, que ajuda diariamente cerca de seis mil pessoas e abriga mais de três mil, centenas delas registradas como filhos do médium.[1]

Ainda que tenha psicografado mais de 150 livros e realize um grande trabalho filantrópico, é como conferencista e missionário do Espiritismo no exterior que ele é mais conhecido. Representado como peregrino ou o "Paulo de Tarso do Espiritismo", Divaldo já percorreu mais de 50 países divulgando a doutrina por palestras de ampla publicidade.[2]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Divaldo cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, onde recebeu o diploma de Professor Primário em 1943. Trabalhou como escriturário no antigo IPASE, em Salvador, aposentando-se em 1980.

Desde a infância relata comunicar-se com os espíritos. Quando jovem, foi abalado pela morte de seus dois irmãos mais velhos, o que o deixou traumatizado e enfermo, sendo conduzido a diversos especialistas, na área da Medicina, sem, contudo, lograr qualquer resultado satisfatório. Nessa época conheceu a Sra. Ana Ribeiro Borges, que o conduziu à Doutrina Espírita, o que o teria libertado do trauma e trazido consolações, tanto para ele como para toda a sua família. Divaldo dedicou-se, então, ao estudo do Espiritismo, ao tempo em que foi aprimorando suas faculdades mediúnicas, pelo correto exercício e continuado estudo do Espiritismo.

Transferiu residência para Salvador no ano de 1945, tendo feito concurso para o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), onde ingressou a 5 de Dezembro de 1945, como escriturário.

Já espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), em 7 de Setembro de 1947.

Em A Veneranda Joanna de Ângelis (Salvador: LEAL, 1987), escrito por Divaldo e Celeste Santos, constam biografias do médium baiano e de sua mentora espiritual, Joanna de Ângelis, bem como informações sobre o trabalho educacional e assistencial desenvolvido pela Mansão do Caminho, além de entrevistas com Divaldo e relatos sobre reencarnações de Joanna de Ângelis.

Atividades como médium psicógrafo[editar | editar código-fonte]

Divaldo apresentou, desde jovem, diversas faculdades mediúnicas, tanto de efeitos físicos quanto de efeitos intelectuais. Destaca-se, dentre elas, no entanto, a psicografia.

Inicialmente, diversas mensagens foram escritas pelo seu intermédio, sob a orientação dos benfeitores espirituais, até que um dia, ele recebeu a recomendação para que fosse queimado o que escrevera até ali, pois não passavam de simples exercícios.

Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como "um Espírito Amigo", ocultando-se no anonimato, à espera do instante oportuno para se fazer conhecida. Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável, repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta aos mais diversos leitores e necessitados de diretriz espiritual.

Em 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias das mensagens de sua autoria e enfeixou-as num livro, que recebeu o sugestivo título de Messe de Amor. Foi o primeiro livro que o médium publicou. Logo em seguida, Rabindranath Tagore ditou Filigranas de Luz. O que se seguiu constitui-se hoje em um verdadeiro fenômeno editorial, pois, em 31 anos de atividade como médium, teve publicados 240 títulos, totalizando mais de quatro milhões e quinhentos mil exemplares, muitos deles ocupando lugar de destaque na literatura, no pensamento e na religiosidade universal. Dessas obras, houve 80 versões para 15 idiomas (alemão, castelhano, esperanto, francês, italiano, polonês, tcheco, braille e outros). Os livros englobam uma grande variedade de estudos literários, como prosa, romances, narrações e etc., abrangendo temas filosóficos, doutrinários, históricos, infantis, psicológicos e psiquiátricos.

Nessas obras psicografadas, apresentam-se 211 alegados autores espirituais, além de Joanna de Ângelis, entre eles, Manoel Philomeno de Miranda, Victor Hugo, Amélia Rodrigues, Ignotus, Vianna de Carvalho, Carlos Torres Pastorino, Bezerra de Menezes, Rabindranath Tagore, João Cléofas, Eros e Simbá.

Psicografias de Joanna de Ângelis[editar | editar código-fonte]

Por meio das obras de Joanna de Ângelis, Divaldo pôde alcançar o reconhecimento não apenas entre os religiosos e espiritualistas, mas também em outras linhas de conhecimento, como a psicologia e a parapsicologia. Isso se deu principalmente em função dos livros publicados na Série Psicológica, onde tratou dos malefícios das fugas da realidade e enfatizou a importância do autoconhecimento e auto-enfrentamento.

A Série Psicológica foi escrita à luz dos pensamentos de Allan Kardec e de pesquisadores da psiquê humana, a exemplo de Carl Jung. Na referida série se encontram duas obras voltadas à psicologia transpessoal: Autodescobrimento (1995) e Triunfo Pessoal (2002).

A maioria das obras escritas por Divaldo Franco sob o comando de Joanna de Ângelis almeja incentivar o autodescobrimento e facilitar a aplicação no dia-a-dia dos ensinamentos morais de amor fraterno contidos nos Evangelhos e na Doutrina Espírita, incentivando o leitor a enfrentar as dificuldades cotidianas de modo mais prático e otimista.

Grande parte das obras ditadas a Divaldo por Joanna de Ângelis foi publicada pela Editora LEAL, de Salvador (BA), como por exemplo o de título Conflitos Existenciais (LEAL, 2005), obra que analisa os principais conflitos do ser humano, as suas causas, origens e formas de terapia - inclusive, estuda as tentativas atuais de se preencherem os vazios existenciais, a exemplo de relacionamentos efêmeros por meio da Internet.

Atividades como Orador[editar | editar código-fonte]

Como orador, Divaldo começou a fazer palestras em 1947, difundindo a Doutrina Espírita e hoje apresenta uma histórica e recordista trajetória no Brasil e no exterior, sempre atraindo multidões, com sua palavra inspirada e esclarecedora, acerca de diferentes temas sobre os problemas humanos e espirituais. Há vários anos, viaja em média 230 dias por ano, realizando palestras e também seminários no Brasil e no mundo. Em um levantamento preliminar:

Mais de 11 mil conferências proferidas no Brasil e no exterior percorrendo mais de 62 países.

  • Europa: Esteve em mais de 20 países, em mais de 80 cidades, onde realizou mais de 500 palestras, concedeu mais de 50 entrevistas de rádio e TV para cerca de 40 emissoras, tendo recebido homenagens de vários países; fez conferência em cerca de 10 universidades européias e, por 2 vezes, na ONU, departamento de Viena.
  • África: Esteve em mais de 5 países, em 25 cidades, realizando 150 palestras, concedeu mais de 12 entrevistas de rádio e TV, em 11 emissoras; recebeu 4 homenagens.
  • Ásia: Esteve em mais de 5 países, em 10 cidades, realizando mais de 12 palestras.

Em 31 de agosto de 2000, a convite da ONU, participou do Primeiro Encontro Mundial da Paz, reunião de cúpula com líderes religiosos de expressão internacional para se discutir e formular proposta de paz.

É considerado um dos maiores divulgadores do espiritismo no Brasil e no exterior. Na península ibérica se destacou pela assistência ao movimento espírita português e espanhol durante a ditadura fascista de ambos os países.

Suas palestras promovem o pacifismo, estabelecem pontos de convergência entre a doutrina espírita e a ciência (principalmente a psicologia) e incentivam a busca constante pelo autoconhecimento, ancorada em conhecimentos sobre psicologia e doutrina espírita.

Recentemente (2006-2007), estreou no site da Mansão do Caminho o programa de entrevistas Encontro com Divaldo [1].

Mansão do Caminho[editar | editar código-fonte]

Divaldo, desde jovem, teve vontade de cuidar de crianças. Educou mais de 600 filhos, hoje emancipados, a maioria com família constituída e a própria profissão, como professores (magistério), contadores, administradores, psicólogos, médicos, entre outros. Divaldo possui ainda mais de 200 netos e bisnetos. Na década de 60 iniciou a construção de escolas-oficinas profissionalizantes e de atendimento médico. Hoje a Mansão do Caminho é um admirável complexo filantrópico que atende a 3.000 crianças e jovens carentes, na Rua Jayme Vieira Lima, 104 – Pau da Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador; tem 83.000 m² e 43 edificações. A obra é basicamente mantida com a venda de livros mediúnicos, fitas e DVDs gravados nas palestras.

O Centro Espírita Caminho da Redenção administra, dentre outros, os seguintes órgãos assistenciais:

  • Mansão do Caminho (semi-internato para crianças e jovens carentes), fundado em 15 de agosto de 1952;
  • A Manjedoura (creche para crianças carentes de 2 meses a 3 anos de idade) ;
  • Escola Jesus Cristo (ensino fundamental), fundada em março de 1950;
  • Escola Allan Kardec (ensino fundamental), fundada em 1965;
  • Escola de Informática;
  • Escola de Educação Infantil Alvorada Nova, fundada em fevereiro de 1971 com o nome de Esperança;
  • Escola de Evangelização (ensino espírita para público infantil);
  • Juventude Espírita Nina Arueira (evangelização e ensino espírita para o público jovem);
  • Caravana Auta de Souza (auxilia idosos e pessoas inválidas portadoras de doenças irrecuperáveis e degenerativas);
  • Casa de Assistência Lourdes Saad (distribuição diária de sopa e pão);
  • Casa da Cordialidade (assiste a famílias carentes);
  • Centro de Saúde J. Carneiro de Campos;
  • Evangelização Nise Moacyr (evangelização de crianças);
  • Grupo Lygia Banhos (esclarecimento e consolo a comunidades carentes);
  • Livraria Espírita Alvorada (editora e gráfica).

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1927
    • Maio, 5: Nasce em casa humilde, filho de Francisco Pereira Franco e Ana Alves Franco. Desde criança já demonstrava capacidade de comunicar-se com o mundo espiritual.
  • 1943
    • Recebe o diploma de professor primário pela Escola Normal Rural de Feira de Santana.
  • 1945
    • Muda-se para Salvador;
    • Aprovado no concurso do IPASE (Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado).
  • 1947
    • Começa a realizar conferências. Desde então, já realizou mais de 14 mil em mais de 1400 cidades (cerca de 500 destas no exterior, e 900 no Brasil).
    • Setembro, 7: funda o Centro Espírita Caminho da Redenção.
  • 1949
    • Começa a atividade de psicografar.
  • 1952
    • Agosto, 15: funda a Mansão do Caminho.
  • 1964
    • Primeira obra psicografada. O livro Messe de Amor, série de mensagens de Joanna de Ângelis.
  • 2000
    • Agosto: Participa do I Encontro Mundial pela Paz, a convite da ONU, onde vários religiosos debateram e elaboraram uma proposta para a paz no mundo.

Títulos e prêmios[editar | editar código-fonte]

Divaldo tem recebido inúmeras homenagens, ao longo de sua vida. Destacam-se, entre estas:

Homenagem poética[editar | editar código-fonte]

Feito em estilo cordelístico, o poeta José Olívio Paranhos Lima publicou em 1993 um libreto em versos, contando a vida do médium, intitulado "Divaldo Franco, o baiano que virou cidadão do mundo". Algumas citações:

Médium ou medianeiro
É o porta-voz do além
Por onde fala o espírito
O que não e o que convém
Prova ser a vida eterna
Não se engana e nem erra
Quem o dito crê e bem.
....
Divaldo, Paulo de Tarso,
Desse tempo atual
Conversa com os espíritos
Como se fosse um igual
Mas seu maior atributo
É ser um tribuno arguto
Do mundo espiritual.

Livros sobre Divaldo[editar | editar código-fonte]

  • "A Jornada Numinosa de Divaldo Franco" - pelo jornalista Sérgio Sinotti
  • "Divaldo, médium ou gênio?" - pelo jornalista Fernando Pinto;
  • "Moldando o Terceiro Milênio - Vida e obra de Divaldo Pereira Franco" - pelo jornalista Fernando Worm;
  • "O Semeador de Estrelas" - por Suely Caldas Schubert, contando episódios da vida de Divaldo;
  • "Viagens e entrevistas" - Obra organizada por Yvon ª Luz, relacionando algumas viagens e entrevistas de Divaldo.
  • "Divaldo Franco - A história de um humanista" - por Jason de Camargo

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SINOTTI, Sérgio. A Jornada Numinosa de Divaldo Franco

Referências

  1. Musical Semeador de Estrelas conta biografia do espírita Divaldo Franco. G1; 04/11/2011. Página visitada em 06/09/2014.
  2. LEWGOY, Bernardo. A transnacionalização do espiritismo kardecista brasileiro: uma discussão inicial. Relig. soc. [online]. 2008, vol.28, n.1 [cited 2014-09-05], pp. 84-104 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-85872008000100005&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0100-8587. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-85872008000100005.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]