Wilhelm Wundt

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wilhelm Wundt
Medicina, filosofia e psicologia
Nacionalidade Alemanha Alemão
Residência  Alemanha
Nascimento 16 de agosto de 1832
Local Neckarau
Morte 31 de agosto de 1920 (88 anos)
Local Großbothen
Atividade
Campo(s) Medicina, filosofia e psicologia
Instituições Universidade de Leipzig
Alma mater Universidade de Heidelberg
Tese 1856: Untersuchungen über das Verhalten der Nerven in entzündeten und degenerirten Organen
Orientador(es) Hermann von Helmholtz
Orientado(s) Wladimir Bechterew, James McKeen Cattell, Stanley Hall, Oswald Külpe, Gottlob Friedrich Lipps, Hugo Münsterberg, Edward Titchener, Lightner Witmer

Wilhelm Maximilian Wundt (Neckarau, 16 de agosto de 1832Großbothen, 31 de agosto de 1920) foi um médico, filósofo e psicólogo alemão. É considerado um dos fundadores da moderna psicologia experimental junto com Ernst Heinrich Weber (1795-1878) e Gustav Theodor Fechner (1801-1889).

Entre as contribuições que o fazem merecedor desse reconhecimento histórico estão criação do primeiro laboratório de psicologia no Instituto Experimental de Psicologia da Universidade de Leipzig (Lipsia) na Alemanha em 1879 e a publicação de Principles of Physiological Psychology / Princípios de Psicologia Fisiológica em 1873 onde afirmava textualmente que seu propósito, com o livro, de demarcar um novo domínio da ciência.

Formação[editar | editar código-fonte]

Filho de pastores luteranos e Alemães, com aprendizado na área de humanidades ao encargo de um vigário com quem residiu na juventude. Formado pela Universidade de Heidelberg em 1855 vindo transferido da Universidade de Universidade de Tubinga (Tübingen) em 1851. Após um curso de fisiologia com Johannes Müller (1801-1858), o criador da teoria vitalista das energias nervosas sensoriais específicas, no mesmo ano de sua formatura em Berlim retorna para Heidelberg em 1856, onde doutora-se em filosofia e começa a lecionar fisiologia como Privatdozent. Somente 19 anos mais tarde iria lecionar na Universidade de Leipzig.

Carreira de Trabalho[editar | editar código-fonte]

  • Privatdozent de Fisiologia (1857-1864)
  • Professor adjunto da Universidade de Heidelberg (1871-1874)
  • Professor de Filosofia indutiva na Universidade de Zurique (1874)
  • Professor de Filosofia indutiva na Universidade de Leipzig (1875-1917)
  • Fundou o primeiro laboratório experimental de Psicologia do Mundo, das Wundt-Laboratorium (1879)
  • Aposentou-se em 1917 na Universidade de Leipzig...

Estudos e Publicações[editar | editar código-fonte]

Em 1855 defende tese na Universidade de Heidelberg sobre Sensibilidade táctil de pacientes histéricos utilizando o método de Weber de discriminação limiar entre dois pontos.

A partir de 1858 Wundt publicou fragmentariamente vários estudos sobre psicofísica, sensação e percepção organizados em livros: Contribuições para a teoria da percepção sensorial / Outlines of Psychologypublicado em 1862, ainda não considerado psicologia.

Em 1863 publica as Lições de psicologia humana e animal ("Lectures on human and animal psychology", um dos primeiros estudos de psicologia comparada. Charles Darwin (1809-1882) o autor da teoria da evolução publicada em 1859 (A origem das espécies) só viria a publicar seu clássico da psicologia comparada, "A expressão das emoções nos homens e nos animais", em 1872.

Em 1873 – 1874, publica os Fundamentos da psicologia fisiológica / Principles of Physiological Psychology , (2 volumes) com 6 reedições até 1910, sendo a edição de 1896 mais resumida e onde inclui pela primeira vez sua teoria tridimensional das emoções é o livro que situa a psicologia no domínio das ciências naturais.

1879 é o ano de fundação do primeiro laboratório de pesquisas psicologia que recebe o nome de Psychologische Institut na Universidade Leipzig.

Em 1881 Funda a primeira revista científica de psicologia, a Philosophische Studien.

Entre 1900 e 1920 publica Volkerpsychologie (Psicologia popular ou cultural) em 10 volumes

Morreu com 88 anos de idade no mesmo ano em que publica sua autobiografia em 1920.

Vida e Obra[editar | editar código-fonte]

No sistema de ensino alemão os Privatdozent podem oferecer cursos particulares, Wundt o fez e porém sem obter sucesso segundo consta no seu primeiro curso de fisiologia matricularam-se apena 4 alunos. Contudo com a progressão de seus estudos e publicações (um universo de 53.735 páginas) recebeu várias propostas de universidades e criou o laboratório que, vinte e quatro anos depois, deu origem instituto de psicologia em 1903 (Psychologische Studien) e concomitante reconhecimento da psicologia como ciência.

Ainda em Heidelberg, trabalhou como assistente de Hermann von Helmholtz (1821-1894) entre 1858 e 1864. Helmholtz, praticamente iniciou os estudos do tempo de reação e conseguiu estabelecer a velocidade do impulso nervoso através desse método em torno de 90 pés por segundo (95 km por hora). Possui também grandes contribuições ao estudo da fisiologia da visão e audição, entre as quais o invento do oftalmoscópio e contribuições a teoria da cor.

Wundt discordava da teoria das cores, hoje conhecida como de Young-Helmholtz que explicava a visão das cores apoiando-se no esquema tricromático, propôs um número ilimitado baseado nas teorias da variação contínua da qualidade cromática com o comprimento de onda. (Pieron, 1969) Entre seus estudos da percepção visual inclui-se as ilusões de óptica.

ilusão de Wundt

Ainda na faculdade pesquisou sobre os nervos cranianos e respiração com o método da ablação em cães auxiliando a identificar as funções do ramo torácico do nervo vago (X par craniano).

Entre suas contribuições à fisiologia está o reconhecimento é método do tempo de reação e o equacionamento do problema da subjetividade desta na espécie humana. Dando continuidade aos estudos de psicofísica de sua época propôs uma modificação na relação, simultaneamente proposta por Exner (1868), entre os tempos de reação e a intensidade do estímulo estabelecendo o que hoje é conhecido como lei de Wundt com o seguinte enunciado: O tempo de reação cresce em sentido inverso ao da intensidade estimuladora e tanto mais rapidamente quanto mais se aproxima do limiar. (1880)

Os seus críticos o classificam como "elementista" e atualmente os cognitivistas têm se identificado com suas proposições. Também pode ser classificado como um empirista, em oposição ao nativismo. Acreditava que a vida mental era fruto da experiência e não de idéias inatas e que os fenómenos mentais do presente se baseavam em experiências passadas, antecipando, de certa forma, o construtivismo.

O seu laboratório foi palco de muitas experiências. Os estudos das sensações e da percepção, onde foram medidas e classificadas as sensações no seu aspecto visual, tátil, olfativo e cinestésico. Foram pesquisados os sentimentos, a vontade e a emoção, registrando-se as variações físicas, tais como, da alteração da respiração e da pulsação, dentre outros.

Wilhelm Wundt com pesquisadores no laboratório da universidade.

Entre os celebres freqüentadores do seu laboratório experimental podemos destacar Kraepelin criador do conceito de Demência Precoce, hoje Esquizofrenia); Oswald Külpe; o psicometrita James McKeen Cattell; Granvillle Stanley Hall e Edward Titchener fundadores da Associação Americana de Psicologia Charles Spearman que demonstrou a presença de um elemento comum em todas as habilidades e fatores da inteligência humana o fator G entre outros.

Os estudos feitos por Wundt foram férteis e abundantes. À medida que a ciência se desenvolvia o laboratório e as publicações de seus integrantes tornava-se mais produtivo.

E com isso surgiram várias ramificações, dando assim origem a novas tendências que se estruturaram ao longo do século XX, as quais foram: O Estruturalismo, O Funcionalismo, O Behaviorismo, a Gestalt e a Psicanálise. Cada uma dessas escolas caracterizou-se pela sua definição de psicologia, pelos seus conteúdos e pelos métodos que empregavam no decorrer de suas actividades.

O estudo da consciência[editar | editar código-fonte]

Wundt definia a psicologia como uma ciência da mente seu objeto a experiência imediata tal como é dada direta e fenomenalmente ao observador.

Analisava os compostos e complexos conscientes a partir dos elementos ou unidades: sensação (conteúdo objetivo da experiência imediata) e sentimentos ou afetos. As sensações podem ser classificadas de acordo com a modalidade sensorial em que são recebidas; além disso, possuem qualidade e intensidade.

Para Wundt, a mente executa uma síntese química mental que se processa através da associação e que se realiza de três formas: pela fusão, onde os elementos combinados aparecem sempre juntos, como é o caso da nota musical; Pela assimilação, que é também uma combinação de elementos em que nem todos estão presentes do consciente. Quando se vê uma casa por exemplo, podem não estar presentes na consciência, as figuras que compõem aquela casa (triângulo, rectângulo, quadrado). Como na fusão, essa combinação gera um produto novo que não é o resultado da simples soma dos elementos; A terceira forma é chamada complicação, em que se reúnem elementos de diferentes modalidades e sentidos: a noção do sabor e da temperatura. É possível que o autor tenha considerado as proposições de Aristóteles sobre: contingência, semelhança e contraste.

Os afetos ou sentimentos acompanham as sensações e suas combinações entre os modelos de classificação dos sentimentos que utilizou o mais influente foi o referente à sua teoria tridimensional das emoções, que estabelecia três pares dicotômicos: agradável – desagradável; tenso – descontraído; excitado – calmo.

A conscientização ou voluntarismo segundo Wundt é uma combinação de complexos que envolvem as sensações e os aspectos subjetivos: emoções, volições, intelecções. O principal processo de conscientização é a atenção: o que torna o campo consciente mais nítido que o fundo no processo denominado apercepção. Utiliza esse termo na mesma acepção de Leibnitz – perceber claramente mediante o reconhecimento ou identificação do material percebido com o pré–existente na memória.

O materialismo científico também esteve com Wundt, buscando a relação entre os fenómenos psíquicos e fisiológicos, entre a mente e o corpo. Os processos mentais e os processos corporais e fisiológicos decorrem paralelamente, sem interferência mútua.

Psicologia social[editar | editar código-fonte]

Para esse autor o método experimental é o adequado à investigação dos processos básicos como a sensação e associação, mas somente a observação deve ser usada compreender os processos mentais superiores. Esta por sua vez,deve ser realizada através do estudo dos produtos ou artefatos culturais da vida social: arte, linguagem, hábitos culturais ética, etc.

O aspecto social de seus trabalhos, a contragosto seu, foi relegado a um segundo plano mas a sua obra Volkerpsychologie / Psicologia popular ou cultural (10 volumes) contém análises detalhadas da linguagem humana (hoje psicolingüística) em 2 volumes; três volumes sobre cultura intitulados Psicologia dos mitos e religião; um volume sobre cultura e história intitulado Antropologia; um sobre Ética e Lei o que hoje corresponderia aos estudos da psicologia forense e um volume sobre a psicologia da arte. Um verdadeiro (handbook) manual de procedimentos dessa observação.

Segundo Farr, uma moderna revisão dessa obra identifica sua influência na também emergente ciência social da época cientistas como Durkheim (1858-1917); Franz Boas (1858-1942). Consta que Sigmund Freud (1856-1939) escreveu Totem e Tabu como uma resposta a Wundt. Ainda segundo Farr é relevante para compreensão da psicologia moderna compreensão dos motivos de Wundt para separação da da psicologia social da experimental e o seguimentos que estas proposições constituíram.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Cabral, Álvaro; Oliveira, Eduardo P. Uma breve história da psicologia. RJ, Zahar, Ed. 1972
  • Farr, Robert M. As raízes da psicologia social moderna. RJ, Petrópolis, Vozes, 2008
  • Goodwin, C.James. História da psicologia moderna. SP, Cultrix, 2005
  • Piaget J.; Fraise, P. (org.). Tratado de psicologia experimental v.2 (10 v.) Sensação e motricidade. SP, Forense, 1969
  • Pieron, H. Dicionário de Psicologia, RGS, Globo 1969

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikilivros
O Wikilivros tem um livro chamado Psicologia