Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling

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Friedrich Schelling em 1848.

Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling (Leonberg, 27 de janeiro de 1775Bad Ragaz, 20 de agosto de 1854) foi um filósofo alemão, um dos representantes do idealismo alemão, assim como Fichte e Hegel.

No desenvolvimento do idealismo alemão, os Historiadores da Filosofia normalmente situam Schelling entre Fichte, seu mentor antes de 1800, e Hegel, seu amigo e companheiro de quarto na Universidade de Tübingen.

Vida[editar | editar código-fonte]

Friedrich Wilhelm Joseph Schelling nasceu em 1775, em Leonberg. Em Tubinga teve Hegel como condiscípulo, com o qual, em seguida, sustentou pesada polêmica. Passou da teologia à filosofia e dedicou-se ao estudo de Spinoza, do qual deriva a sua concepção idealista; de Fichte, que constitui o pressuposto imediato do seu pensamento, afastando-se entretanto dele em seguida. Em Leipzig integrou a sua cultura humanista e literária com estudos científicos. Nele influíram também as turvas fantasias da mística alemã. Foi sucessivamente professor nas universidades de Jena, Würzburg, Erlangen, Munique e Berlim, onde dominara o seu adversário Hegel, cujo racionalismo ele demole. Faleceu em Berlim, em 1854, quando o idealismo já estava esfacelado.


Schelling foi um autor variado e fecundo. As faces do seu pensamento são fundamentalmente duas: o período da filosofia da identidade, e o da filosofia da liberdade. As suas obras principais são: o Sistema do idealismo Transcendental; Representação do meu Sistema (primeira fase, filosofia da identidade); Filosofia e Religião; Pesquisas Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana e os Objetos Conexos com Esta (segunda fase, filosofia da liberdade).


A filosofia de Schelling é, fundamentalmente, idealista: o espírito, o sujeito, o eu, é princípio de tudo. Como Fichte, admite que a natureza é uma produção necessária do espírito; recusa, porém, o conceito de Fichte de que a natureza tenha uma existência puramente relativa ao espírito. Para ele, a natureza - embora concebida idealisticamente - tem uma realidade autônoma com respeito ao sujeito, à consciência. A natureza é o espírito na fase de consciência obscura, como o espírito é a natureza na fase de consciência clara.


Então o princípio da realidade não é mais o eu de Fichte (o eu absoluto, o sujeito puro); mas deverá ser um princípio mais profundo, anterior ao eu e ao não-eu: será precisamente a identidade absoluta do eu e do não-eu, sujeito e objeto, espírito e natureza. Dessa identidade, princípio absoluto da realidade, decorrerá, primeiro, a natureza e o seu desenvolvimento, e depois o espírito com toda a sua história, não como sendo oposição e negação da natureza, mas como seu desenvolvimento e consciência.


Que a natureza seja espiritualidade latente e progressiva, Schelling julga demonstrá-lo mediante a racionalidade imanente na própria natureza, e precisamente mediante a sua finalidade.


Ao surgir a sensibilidade, nasce no universo a consciência espiritual, começa o desenvolvimento do espírito humano, que é um progresso, uma continuação com respeito ao desenvolvimento da natureza.


A unidade, a identidade profunda entre natureza e espírito deveria, segundo Schelling, ser aprendida pela intuição estética expressa na obra de arte, que é a obra do gênio. E o gênio se encontra só no campo estético, não no científico. Unicamente o gênio artístico atinge e revela o artista misterioso que atua no universo.



Logo, a realidade absoluta é identidade entre natureza e espírito, objeto e sujeito: unidade de uma multiplicidade. Mas então surge o problema que assoma em toda concepção monista da realidade: ou a realidade verdadeira cabe ao idêntico, ao indistinto, ao uno imutável; ou o multíplice, o devir do mundo tem uma realidade verdadeira. No primeiro caso, a multiplicidade e o devir do mundo, a natureza e o espírito, são meras aparências subjetivas; no segundo, propende para a primeira solução: o idêntico não é a causa do universo, mas é o próprio universo.


Mas então como se explica a visão, mesmo ilusória, do universo que aparece múltiplo e in fieri? Se a realidade absoluta é una e imutável, e nada existe fora dela, como e donde pode surgir essa visão destruidora do Absoluto? Schelling procura resolver esse problema, passando da filosofia da identidade à filosofia da liberdade, de um sistema racional, a um sistema irracional. Tal passagem é representada pela segunda fase do seu pensamento.


Nessa segunda fase, Schelling imagina o ser absoluto, Deus, como indiferença de irracional e racional, possibilidade do irracional e do racional, vontade inconsciente que aspira à racionalidade, à própria auto-revelação. Essa realização de racionalidade, essa revelação de Deus a si mesmo se realizam na determinação das idéias eternas em Deus. Schelling concebe as idéias eternas ao mesmo tempo como verbo de Deus, revelação de Deus a si mesmo, e como exemplares universais e imutáveis das existências particulares e in fieri.



A passagem de Deus, do mundo ideal, ao mundo empírico e contingente, não se pode realizar mediante uma dedução lógica, porquanto há essencial heterogeneidade entre o perfeito, o imutável, o universal e o imperfeito, o temporal, o particular. Tal passagem se explica então mediante um ato arracional, irracional da vontade, de liberdade. E isto é possível, porque as idéias eternas participam da natureza divina, que é liberdade e vontade. Por conseguinte, elas se podem destacar do Absoluto, decair no mundo empírico da multiplicidade, da individualidade, do contingente, do devir.


E, com efeito, tal queda, tal separação aconteceu e constitui o mundo material e espiritual, natural e humano, com todo o mal que nele existe. Através, pois, da história da natureza e da humanidade, deveria realizar-se progressivamente a redenção dessa queda original, o retorno das coisas a Deus, da multiplicidade à Unidade, do finito ao Infinito. Essa redenção redimiria não só e não tanto o mundo e o homem, mas o próprio Deus: porquanto, ele, assim, superaria o seu fundo originário arracional e irracional, revelando-se plenamente a si mesmo, conquistando a sua racionalidade.


Compreende-se, portanto, como, para Schelling, é racional o mundo das ciências, das idéias; mas irracional o mundo da existência, da realidade. Com relação ao primeiro é possível conhecimento racional, ciência, filosofia; ao passo que o segundo pode ser unicamente descrito com base na experiência.

  • 1794 - Sobre a Possibilidade de uma Forma da Filosofia em Geral
  • 1795 - Sobre o Eu Como Princípio da Filosofia ou sobre o Incondicionado no Saber Humano
  • 1797 - Idéias para uma Filosofia da Natureza (ISBN 972-27-1088-5)
  • 1798 - Da Alma do Mundo
  • 1799 - Primeiro Esboço de Um Sistema da Filosofia da Natureza
  • 1800 - Sistema do Idealismo Transcendental
  • 1802 - Bruno ou Sobre o Princípio Natural e Divino das Coisas
  • 1809 - Investigações Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana (ISBN 972-44-0880-9)

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