Daguerreótipo

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Daguerreótipo de Edgar Allan Poe
Câmera de daguerreótipo

O daguerreótipo (em francês: daguerréotype) foi o primeiro processo fotográfico a ser anunciado e comercializado ao grande público. Foi criado em 1839, tendo sido substituído por processos mais práticos e baratos apenas no início da década de 1860. Consiste em uma imagem fixada em uma placa de superfície espelhada, de prata, geralmente sobre outro metal mais barato, como cobre. A imagem é ao mesmo tempo positiva e negativa, dependendo do ângulo em que é observada. Tratam-se de imagens únicas, fixadas diretamente sobre a placa final, sem o uso de negativo. Daguerreótipos são extremamente frágeis, a superfície é facilmente riscada e estão sujeitos à oxidação, por isso precisam ser encapsulados e conservados com cuidado.

Invenção[editar | editar código-fonte]

Heliograph - a primeira fotografia

Desde a criação da camera obscura e camera lucida, que permitiam que artistas riscassem as imagens diretamente projetadas sobre a superfície, houve o desejo de descobrir um meio de fixar as imagens "desenhadas" através da luz, sem interferência do artista[1] . Substâncias capazes de escurecer em contato com a luz já eram conhecidas desde o século XIII[2] , mas era impossível fixar somente a imagem desejada e lavar as áreas não expostas, sendo que pouco depois da exposição à luz, toda a superfície sensitizada escurecia. O primeiro relato confiável da produção de uma fotografia através da camera obscura é de 1790, por Thomas Wedgwood, mas segundo outro relato de 1802, a imagem era muito pálida para ser considerada um sucesso[3] . Em 1822, Joseph Niépce, ao mesmo tempo em que desenvolvia um método para copiar desenhos para a litografia usando a luz solar, conseguiu fixar uma imagem projetada por uma camera obscura (da janela de seu estúdio) numa superfície, usando betume da Judéia (o processo foi batizado de heliografia - "desenho com o Sol"), mas eram necessárias 8 horas de exposição, tornando o processo inviável.

Após a morte de Niépce, em 1833, Louis Daguerre continuou seus estudos, dessa vez testando placas sensitizadas com iodeto de prata. Após acidentalmente quebrar um termômetro de mercúrio sobre uma placa, ele descobriu que podia revelar imagens ainda invisíveis (que levavam horas de exposição para se tornarem visíveis) após apenas 20 ou 30 minutos de exposição. Mais tarde descobriu como fixar a imagem, livrando-se dos sais de prata não expostos, usando uma solução salina. Em 1837, conseguiu criar o primeiro sucesso - um daguerreótipo de uma natureza-morta.

Primeiro daguerreótipo bem-sucedido

O processo foi anunciado em 1839 pela Academia Fancesa de Ciências, batizado de daguerreótipo. No mesmo ano William Fox Talbot anunciou seu processo, o calótipo.

Ao invés de patentear o processo, Daguerre preferiu cedê-lo ao governo francês em troca de uma pensão vitalícia. Assim, ele tornou-se de domínio público, e logo haviam vários daguerreotipistas praticando o processo, ao contrário de Talbot, que exigia uma licença para praticar seu processo, tornando sua popularidade bastante restrita.

O daguerreótipo revolucionou a forma como realidade e ilusão eram percebidas, além de ter tornado possível que mesmo pessoas de meios modestos pudessem possuir cópias exatas das próprias feições e das de entes queridos[4] [5] .

Daguerrotipo Lucrecia 1848, autor Fermin Isaza.tif

Fotografias de pessoas[editar | editar código-fonte]

Nos primórdios da técnica da daguerreotipia, eram necessários cerca de dez minutos de exposição sob forte luz solar para obter uma imagem satisfatória. Por isso, era difícil fotografar retratos, e as ruas pareciam desertas nas fotografias. As primeiras figuras humanas registradas em fotografia foram as de um engraxate e seu cliente, que permaneceram na mesma posição até que a imagem ficasse visível[6] .

Boulevard du Temple (primeiras figuras humanas registradas em fotografia)

Mais tarde, foram desenvolvidas lentes maiores (por Joseph Petzval) e as placas tinham a sensibilidade aumentada com brometo de prata ou cloreto de prata[7] .

Retratos costumavam ser feitos colocando a pessoa em suportes, que impediam movimentos, permitindo a permanência na mesma posição por longos períodos de tempo. As expressões costumam parecer sisudas e as poses sem vida, embora haja exceções.

Fotografia astronômica[editar | editar código-fonte]

Placas de prata coloidal são usadas ainda hoje na fotografia astronômica, já que oferecem maior precisão do que a gelatina, o filme e mesmo a fotografia digital. O daguerreótipo proporciona ainda maior estabilidade, já que mesmo em placas de colódio a imagem "move" ao secar[8] .

Revival[editar | editar código-fonte]

Por possuírem características únicas, como o efeito tridimensional (provocado pela superfície espelhada) e grande precisão de detalhes, daguerreótipos tem sido produzidos por fotógrafos alternativos desde o fim do século XX.

Referências

  1. Stokstad, Marilyn; David Cateforis, Stephen Addiss. Art History. Second ed. Upper Saddle River, New Jersey: Pearson Education, 2005. p. 964–967. ISBN 0-13-145527-3
  2. Szabadváry, Ferenc. History of analytical chemistry. [S.l.]: Taylor & Francis, 1992. p. 17. ISBN 2-88124-569-2
  3. Litchfield, Richard Buckley (1903). Tom Wedgwood, the First Photographer: An Account of His Life. London, Duckworth and Co., p. 192. (direitos autorais expirados) e available at archive.org)
  4. Julie Rehmeyer 1848 Daguerreotypes Bring Middle America's Past to Life Wired Magazine July 9, 2010
  5. Occupational Portrait of Three Railroad Workers Standing on Crank Handcar (1850–1860).
  6. Daguerre's Paris Boulevard.
  7. http://www.telegraph.co.uk/culture/culturepicturegalleries/8898962/Louis-Daguerre-and-the-pioneers-of-photography.html
  8. Julie Rehmeyer 1848 Daguerreotypes Bring Middle America's Past to Life Wired Magazine July 9, 2010

Artigo: Daguerreotype na en.wikipedia.org

Commons
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Ver também[editar | editar código-fonte]

Calótipo
Ambrótipo
Ferrótipo
Processo da prata coloidal
Impressão em papel albuminado