John Dewey

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John Dewey
Século XX
John Dewey in 1902.jpg
Nome completo John Dewey
Escola/Tradição: Pragmatismo
Data de nascimento: 20 de outubro de 1859
Local: Burlington, Vermont
Data de falecimento 1 de junho de 1952 (92 anos)
Local: Nova Iorque, Nova Iorque
Principais interesses: Filosofia da educação
Epistemologia
Jornalismo
Ética
Influenciado por: Platão · Locke · Rousseau · Kant · Hegel · Darwin · Peirce · James · Ladd · George · Ward · Wundt · Parker
Influências: Veblen · Dr.B.R. Ambedkar · Santayana · Kaplan · Hu Shih · Hook · Young radicals · Greene · Richard McKeon · Putnam · Chomsky · Habermas · Rorty · West · Park · Durkheim

John Dewey (Burlington, Vermont, 20 de Outubro de 18591 de Junho de 1952) foi um filósofo, pedagogo e pedagogista norte-americano.

É considerado o expoente máximo da escola progressiva americana[1] .

Biografia[editar | editar código-fonte]

Graduou-se pela Universidade de Vermont em 1879 e exerceu as funções de professor do secundário durante dois anos, tempo em que desenvolveu um profundo interesse por Filosofia. Em setembro de 1882, deixou o ensino e retomou os estudos de Filosofia na Universidade Johns Hopkins, onde obteve o doutoramento.

Dewey exerceu a função de professor de Filosofia na Universidade de Michigan, onde ensinou a partir de setembro de 1884. Três anos mais tarde (1887), publicava o seu primeiro livro, Psychology, onde propunha um sistema filosófico que conjugava o estudo científico da psicologia com a filosofia idealista alemã.

Esse livro foi importante para o passo seguinte da carreira de Dewey: o cargo de professor de Filosofia Mental e Moral na Universidade de Minnesota, que assumiu em 1888. Porém, no ano seguinte, após a morte súbita do seu mentor, George Morris, regressou à Universidade de Michigan para se tornar chefe do Departamento de Filosofia. Em 1894, no entanto, saiu de Michigan para a recém-criada Universidade de Chicago onde logo passaria a liderar o departamento de Filosofia e o departamento de Pedagogia, criado por sua sugestão.

No final da década de 1890, Dewey começou a afastar-se da sua anterior visão idealista neo-hegeliana e a adotar uma nova posição, que viria a ser conhecida mais tarde como pragmatismo.

Depois de problemas graves na política interna do Departamento de Educação da Universidade de Chicago, Dewey abandonou a instituição para se ligar à Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde permaneceu até ao fim da sua carreira no ensino, em 1930. Continuou, no entanto, a ensinar como Professor Emérito até 1939, e continuou a escrever e a intervir socialmente até às vésperas da morte.

Entre suas obras se destacam The School and Society ( "A Escola e a Sociedade", 1899) ,Democracy and Education ( "Experiência e Educação", 1938) e Art as Experience (Arte como experiência, 1958).

Outros dados[editar | editar código-fonte]

John Dewey é reconhecido como um dos fundadores da escola filosófica de Pragmatismo (juntamente com Charles Sanders Peirce e William James), um pioneiro em psicologia funcional, e representante principal do movimento da educação progressiva norte-americana durante a primeira metade do século XX. Foi também editor, tendo contribuído para a Enciclopédia Unificada de Ciência, um projeto dos positivistas, organizado por Otto Neurath.

Em 1907 participou da Comunidade Helicon Hall, em Englewood (Nova Jérsei).[2] [3]

Filosofia da Educação[editar | editar código-fonte]

Como se pode ler em Democracy and Education ("Democracia e Educação"), Dewey tenta sintetizar, criticar e ampliar a filosofia da educação democrática ou proto-democrática contidas em Rousseau e Platão. Via em Rousseau a valorização do indivíduo, enquanto Platão acentuava a influência da sociedade na qual o indivíduo se inseria. Dewey contestou esta distinção. Tal como Vygotsky, concebia o conhecimento e o seu desenvolvimento como um processo social, integrando os conceitos de "sociedade" e indivíduo. Para ele, o indivíduo somente passa a ser um conceito significante quando considerado como parte inerente de sua sociedade. Esta, por sua vez, nenhum significado teria, sem a participação dos seus membros individuais.

Depois, como reconhece na obra posterior Experience and Nature ("Experiência e Natureza"), o empirismo subjetivo da pessoa é quem realmente introduz as novas idéias revolucionárias no conhecimento.

Para Dewey era de vital importância que a educação não se restringisse à transmissão do conhecimento como algo acabado – mas que o saber e habilidade adquiridos pelo estudante pudessem ser integrados à sua vida como cidadão, como pessoa. No laboratório-escola que dirigiu junto com sua esposa Alice, na Universidade de Chicago, as crianças bem novas aprendiam conceitos de física e biologia, presenciando os processos de preparo do lanche e das refeições, que eram feitos na própria classe. Essa ligação entre ensino e prática cotidiana foi sua grande contribuição para a escola filosófica do Pragmatismo. Mas a iniciativa fracassou após três anos, e Dewey viu-se forçado a deixar Chicago. Criou, então, a famosa Lincoln School, em Manhattan (Nova Iorque), que também falhou em pouco tempo.

Sua idéias, embora bastante populares, nunca foram ampla e profundamente integradas nas escolas públicas norte-americanas, embora alguns dos valores e premissas tenham se difundido. Suas idéias de "Educação Progressiva" foram duramente perseguidas no período da Guerra Fria, quando a preocupação dominante era criar e manter uma elite intelectual científica e tecnológica, para fins militares. No período pós-Guerra Fria, entretanto, os preceitos da Educação Progressiva ressurgiram na reforma de muitas escolas, e o sistema teórico de educação formulado a partir das pesquisas de Dewey tem evoluído.

Dewey e a Educação Progressiva[editar | editar código-fonte]

A ideia básica do pensamento de John Dewey sobre a educação está centrada no desenvolvimento da capacidade de raciocínio e espírito crítico do aluno.

Para ele, o pensamento não existe isolado da acção. A educação deve servir para resolver situações da vida e a acção educativa tem como elemento fundamental o aperfeiçoamento das relações sociais[4] .

Apesar disso, dessa compreensão ser fácil de entender e as suas idéias tenham sido muito populares durante sua vida e postumamente, sua adequação à prática sempre foi problemática. Seus escritos são de difícil leitura: ele tem uma tendência para utilizar termos novos, e frases complexas fazem com que seu pensamento seja extremamente mal entendido, forçando reinterpretações dos textos. Apesar de permanecer como um dos intelectuais norte-americanos mais conhecidos, o público não conhece o seu pensamento. Muitos que pensavam seguir uma linha deweyana, estavam, na verdade, muito longe disto. O próprio Dewey tentou frear alguns entusiastas, sem muito sucesso.

Ao mesmo tempo, outras idéias e propostas de Educação Progressiva foram surgindo, boa parte delas influenciada por Dewey, embora não necessariamente derivadas das suas teorias. Entre essas ideias, algumas tornaram-se igualmente populares, umas mais ou menos aplicáveis na prática e outras contraditórias, como registram historiadores, a exemplo de Herbert Kliebard.

Frequentemente diz-se que a Educação Progressiva fracassou, mas isto depende do que as pessoas entendem por "evolução" e "fracasso". Muitas formas de educação progressiva tiveram sucesso e transformaram a paisagem educacional. A quase onipresença dos serviços de orientação ou aconselhamento, para citar-se um exemplo, é fruto das idéias progressivas. Derivações radicais do progressivismo educacional quase nunca foram testadas, e quando o foram não tiveram vida longa.

A Escola de Pragmatismo da Universidade de Chicago[editar | editar código-fonte]

John Dewey fundou a Escola de Pragmatismo de Chicago durante os dez anos que esteve nesta universidade, de 1894 a 1904. O grupo original era composto por George H. Mead, James H. Tufts, James R. Angell, Edward Scribner Ames (Ph.D. Chicago 1895) e Addison W. Moore (Ph.D. Chicago 1898). Jane Addams, fundadora da Hull House de Chicago, escritora e ativista social também esteve associada com o grupo. Estiveram também associados ao grupo os seguintes estudantes da Universidade de Chicago: Simon F. MacLennan (Ph.D. Chicago 1896, professor do Oberlin College), Ernest Carroll Moore (Ph.D. Chicago 1898, professor da University of California, Berkeley), Arthur K. Rogers (Ph.D. Chicago 1899, professor em Yale University), Ella Flagg Young (Ph.D. Chicago 1900, professor de pedagogy, University of Chicago), H. Heath Bawden (Ph.D Chicago 1900, professor no Vassar College e na University of Cincinnati), Henry W. Stuart (Ph.D. Chicago 1900, professor em Stanford University), Irving E. Miller (Ph.D. Chicago 1904, Professor de Psychology e Pedagogia, State Normal School de Wisconsin), Irving King (Ph.D. Chicago 1905, professor de religião, State University of Iowa) e William K. Wright (Ph.D. Chicago 1906, professor no Dartmouth University). (in Pragmatism Cybrary)

Pragmatismo em Dewey[editar | editar código-fonte]

Dewey é uma das três figuras centrais do pragmatismo nos Estados Unidos, ao lado de Charles Sanders Peirce (que re-significou o termo após a leitura da antropologia prática de Immanuel Kant), e William James (que o popularizou). Mas Dewey não chamava sua filosofia de pragmática, preferindo o termo "instrumentalismo".

Sua linha filosófica era de influência fortemente hegeliana e neo-hegeliana. Ao contrário de William James, que seguia uma linha positivista inglesa, Dewey era particularmente empirista e utilitarista. Ele também não era tão pluralista ou relativista como James. Segundo Dewey, "a própria natureza é melancólica e patética, turbulenta e passional" (in: "Experiência e Natureza").

James afirmava que a experiência (social, cultural, tecnológica, filosófica) poderia ser usada como juízo de valor da verdade. Segundo ele, a vida de muitas pessoas sem crença religiosa era superficial e desinteressante, e, embora nenhuma crença religiosa pudesse ser demonstrada como correta, somos todos responsáveis por nossas apostas em algum tipo de teísmo, ateísmo, monismo, etc. Para James, a religião seria boa sempre que ela fizesse com que o indivíduo tivesse "calma", ao ter acesso cognoscitivo ao dogma religioso, afirmando "que seria mais vantajoso ter a crença religiosa e os bons valores defendidos por ela, do que "[…]sofrer o risco da danação eterna […]"). Dewey, em contraste, embora reconhecesse a importante função das instituições e práticas religiosas na vida humana, rejeitava a crença em um ideal estático, tal como um deus pessoal. Dewey acreditava que o método científico seria o único recurso confiável no sentido de promover o bem da humanidade. Sobre a ideia de Deus, Dewey dizia: "Denota a unidade de todos os fins ideais, levando-nos a desejar e a agir."

Assim como houve um ressurgimento da filosofia progressiva da educação, as contribuições de Dewey para a filosofia (afinal ele era muito mais filósofo do que pedagogo) também voltaram à baila, a partir dos anos 1970, com pensadores como Richard Rorty, Richard Bernstein e Hans Joas.

Por causa de seu processo de orientação e visão sociologicamente consciente do mundo e do conhecimento, muitas vezes Dewey é tido como alternativa válida aos dois modos de pensar - o moderno e o pós-moderno -, mesmo sendo-lhes contemporâneo.

Referências

Principais Obras[editar | editar código-fonte]

Além de publicar prolíficamente, Dewey também fez parte do corpo editorial de revistas, tais como Sociometry (1942) e Journal of Social Psychology (1942), além de ter publicado em outras revistas, tais como New Leader, da qual foi editor contribuinte (1949).

As seguintes referências, longe de englobarem todas as publicações de Dewey, são apenas algumas de suas principais e mais conhecidas obras.

  • The New Psychology, In: Andover Review, 2, 278-289 (1884) [1]
  • Psychology (1887)
  • Leibniz's New Essays Concerning the Human Understanding (1888)
  • The Ego as Cause, In: Philosophical Review, 3,337-341. (1894) [2]
  • Interest and Effort in Education (1913)
    • Traduzido para o português por Anísio Teixeira sob o título de “Interesse e Esforço” (In: Os Pensadores, Abril Cultural, 1980).
  • The Reflex Arc Concept in Psychology (1896) [3]
  • My Pedagogic Creed (1897)
    • Traduzido para o português sob o título de “Meu credo pedagógico” (In: D'Ávila, Antônio. Pedagogia. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1954).
  • The School and Society (1900)
  • The Child and the Curriculum (1902) [4]
    • Traduzido para o português por Anísio Teixeira sob o título de “A Criança e o Programa Escolar” (In: Os Pensadores, Abril Cultural, 1980).
  • The Postulate of Immediate Empiricism (1905) [5]
  • Moral Principles in Education (1909) Project Gutenberg
  • How We Think (1910) [6]
    • Traduzido para o português com o título de “Como pensamos: como se relaciona o pensamento reflexivo com o processo educativo: uma reexposição.” (Companhia Editora Nacional, 1959).
  • Democracy and Education: an introduction to the philosophy of education (1916) [7]
    • Traduzido para o português sob o título de “Democracia e educação: capítulos essenciais” (Ática, 2007).
    • Traduzido para o espanhol sob o título de “Democracia y educacion: una introduccion a la filosofia de la educacion.” (Morata, 1995).
  • Reconstruction in Philosophy (1919) [8]
    • Traduzido para o português por António Pinto de Carvalho sob o título de “Reconstrução em Filosofia” (Companhia Editora Nacional, 1959).
  • Human Nature and Conduct: An Introduction to Social Psychology
    • Traduzido para o português sob o título de “A natureza humana e a conduta (introdução à psicologia social)” (Brasil, 1956).
  • Experience and Nature (1925) [9]
    • Traduzido para o português por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme sob o título de “Experiência e Natureza” (In: Os Pensadores, Abril Cultural, 1980).
  • The Public and its Problems (1927)
    • Traduzido para o espanhol sob o título de “La opinión pública y sus problemas” (Morata, 2004)
  • The Quest for Certainty (1929)
    • Traduzido para o espanhol sob o título de “La busca de la certeza: um estudio de la relación entre el conocimiento y la acción” (Fondo de Cultura Econômica, 1952).
  • The Sources of a Science of Education (1929)
    • Traduzido para o espanhol sob o título de “La ciencia de la educación” (Losada, 1951).
  • Individualism Old and New (1930) [10]
  • Philosophy and Civilization (1931)
  • Ethics, segunda edição (com James Hayden Tufts) (1932)
  • Art as Experience (1934) [11]
    • Traduzido para o português por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme sob o título de “A arte como experiência” (In: Os Pensadores, Abril Cultural, 1980).
  • A Common Faith (1934)
  • Liberalism and Social Action (1935)
    • Traduzido para o espanhol sob o título de “Liberalismo y Acción Social” (In: Liberalismo y Acción Social y otros ensayos. Valência: Alfons El Magnànim, 1996)
  • Experience and Education (1938)
    • Traduzido para o português por Anísio Teixeira sob o título de “Experiência e Educação” (Companhia Editora Nacional, 1971).
  • Logic: The Theory of Inquiry (1938)
    • Traduzido para o português por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme sob o título de “Lógica - a teoria da investigação” (In: Os Pensadores, Abril Cultural, 1980).
  • Freedom and Culture (1939)
    • Traduzido para o português sob o título de “Liberdade e cultura” (Revista Branca, 1953).
  • The Living Thoughts of Thomas Jefferson (1940)
    • Traduzido para o português por Lêda Boechat Rodrigues sob o título de “O Pensamento Vivo de Jefferson” (Livraria Martins Editora, 1954).
  • Knowing and the Known (1949) (com Arthur Bentley) Cópia completa em pdf disponibilizada pelo American Institute for Economic Research
  • Theory of Moral Life (1960)
    • Traduzido para o português por Leônidas Contijo de Carvalho sob o título de “Teoria da vida moral” (In: Os Pensadores, Abril Cultural, 1980).
  • The Essential Dewey: Volumes 1 and 2. Editado por Larry Hickman e Thomas Alexander (1998). Indiana University Press
  • The Philosophy of John Dewey Editado por John J. McDermott (1981). University of Chicago Press
  • John Dewey - O pensador que pôs a prática em foco ligação externa
  • Dewey's Complete Writings, em 3 conjuntos multi-volumes (37 volumes ao todo). Publicação da Southern Illinois University Press:
    • The Early Works: 1892-1898 (5 volumes)
    • The Middle Works: 1899-1924 (15 volumes)
    • The Later Works: 1925-1953 (17 volumes)
    • Posthumous Works: 1956-2009
  • The Correspondence of John Dewey, em 3 volumes CD-ROM.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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