Demência vascular
| Demência vascular | |
|---|---|
| Cérebro de vítima de demência vascular por leucoaraiose | |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-10 | F01 |
Demência vascular (DV) refere-se a qualquer demência na qual a principal causa foi uma doença vascular encefálica. No Brasil é o segundo tipo mais comum de demência, sendo a primeira por Alzheimer. Cerca de 30% dos idosos com mais de 85 anos, sendo mais comum em homens. Geralmente são resultado de grandes lesões causadas quando um coágulo bloqueia a passagem de sangue no cérebro (acidente vascular cerebral isquêmico). Caso esse coágulo tenha sido formado por arritimia cardíaca será classificada como demência por infartos múltiplos.1
Índice |
Prevalência [editar]
Em alguns países orientais é a primeira causa de demência. No Brasil é sub-diagnosticada quando comparada com outros países em desenvolvimento. Em países desenvolvidos com alta expectativa de vida, o risco de desenvolver demência de origem vascular (DVa) é de 29,8% em homens e 25,1% em mulheres.3 Como é provável que em 2025, o Brasil se torne o 6o país com mais idosos no mundo é importante começar o trabalho preventivo o mais cedo possível. O número de vítimas de demências aumenta exponencialmente com a idade afetando apenas 1,1% dos idosos entre 65 e 70 anos e mais de 65% depois dos 100 anos. A média brasileira em 1998 na população acima de 65 anos era de 7,1%.4
Causas [editar]
Dentre as principais causas estão:5
- Múltiplas lesões por embolia cerebral (AVC isquêmico)
- Única lesão em territórios estratégicos (como tálamo ou giro angular esquerdo)
- Síndrome lacunar
- Alterações crônicas da circulação cerebral
- Lesões extensas da substância branca (como por doença de Binswanger ou Leucoaraiose)
- Angiopatia amilóide cerebral (AAC)
- AVC hemorrágico
São considerados fatores de risco a hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabete melito (DM), tabagismo, alcoolismo, doença cardíaca, aterosclerose, dislipidemia e obesidade. A DV é mais comum no sexo masculino, de raça negra ou mulata e com baixa escolaridade.6
Diagnóstico [editar]
O diagnóstico de DV é feito com base no quadro clínico e em exames complementares de neuroimagem, podendo ser auxiliado pelo emprego de escalas específicas (como a escala de Hachinski e a escala Rose por exemplo). Seus principais diagnósticos diferenciais são outras demências porém existem evidências que indicam a possibilidade dela ocorrer simultaneamente ao Alzheimer.7
Para o diagnóstico DSM-IV os critérios são:
- Evidências de lesão cerebrovascular
- Prejuízos sociais e ocupacionais significativos;
- Prejuízos na memória;
- Afasia (distúrbio de linguagem);
- Apraxia (dificuldade em executar tarefas);
- Agnosia (dificuldade em reconhecer objetos);
- Dificuldade de planejamento, organização, sequênciamente e/ou abstração.
E esses sintomas não podem ocorrer exclusivamente durante delírios
Tratamento [editar]
O tratamento eficaz da DV deve incluir:
- Prevenção de novas lesões cerebrovasculares por exemplo usando hipertensivos e antitrobóticos quando necessário.
- Intervenções farmacológicas para neuroproteção, ativação cerebral, tratar as manifestações psiquiátricas e retirar medicamentos que causem efeitos mais prejudiciais que benéficos. (especialmente os hipotensores e os que causem declínio cognitivo)
- Adequação do ambiente para as dificuldades do idoso.
- Mobilização da família e dos cuidadores.
O tratamento medicamentosos podem diminuir e estabilizar o processo de deterioração cognitiva dos pacientes com DV. Em um acompanhamento de 5 anos, 6% dos pacientes tiveram seus déficits cognitivos e alterações do humor revertidos e 40% se mantiveram independentes.8
Como existe alta frequência de depressão, perturbações comportamentais e transtornos de ansiedade associados as demências o acompanhamento psicoterapêutico para pacientes e familiares pode ajudar muito a melhorar a qualidade de vida da família. Esse acompanhamento geralmente inclui exercícios cognitivos, grupos de apoio, instrução para as principais dificuldades e acompanhamento regular do comprometimento cognitivo através de testes psicológicos.
Referências
- ↑ Jerusa Smid, Ricardo Nitrini, Valéria S. Bahia e Paulo Caramelli.(2001)CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA DA DEMÊNCIA VASCULAR - Avaliação retrospectiva de uma amostra de pacientes ambulatoriais |journal=Arq Neuropsiquiatr |volume=59 |issue=2B|pages=390-393|year=2001 |url = http://www.scielo.br/pdf/anp/v59n2B/a15v592b.pdf}}
- ↑ Marcos A. Lopes, Cássio M.C. Bottino. PREVALÊNCIA DE DEMÊNCIA EM DIVERSAS REGIÕES DO MUNDO. Análise dos estudos epidemiológicos de 1994 a 2000. Arq Neuropsiquiatr 2002;60(1):61-69
- ↑ Hagnell O, Ojesjo L, Rorsman B. Incidence of dementia in the Lundby study. Neuroepidemiology 1992;11(Suppl 1):61-66.
- ↑ Herrera E Jr, Caramelli P, Nitrini R. Estudo epidemiológico populacional de demência na cidade de Catanduva - Estado de São Paulo - Brasil. Rev Psiquiatria Clin 1998;25:70-73.
- ↑ Charles André. Demência vascular: dificuldades diagnósticas e tratamento. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 1998, vol.56, n.3A [cited 2011-03-02], pp. 498-510 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1998000300025&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0004-282X. doi: 10.1590/S0004-282X1998000300025.
- ↑ Nyenhuis DL, Gorelick PB. Vascular dementia: a contemporary review of epidemiology, diagnosis, prevention, and treatment. J Am Geriatr Soc 1998;46:1437-1448.
- ↑ Erkinjuntti T. Differential diagnosis between Alzheimer’s disease and vascular dementia: evaluation of common clinical methods. Acta Neurol Scand 1987;76:433-442.
- ↑ Lechner H, Schmidt R, Goetz B. Long-term experience of a trial in multi-infarct dementia. Neuroepidemiology 1990;9:228-232.