Rastreio

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Rastreio, rastreamento, screening ou checape[1] pode ser definido como a identificação presumível de doença ou defeito não anteriormente conhecido, pela utilização de testes, exames e outros meios complementares de diagnóstico, os quais podem ser rapidamente aplicados. Estes testes não têm como objectivo ser um diagnóstico mas sim identificar os suspeitos de uma determinada patologia ou outra condição, prosseguindo-se posteriormente o seu encaminhamento.

O rastreio segue alguns critérios que vão contra o senso comum "de quanto mais exame melhor" e "médico bom é aquele que pede muito exame". Embora pareça óbvio que a chance de se localizar uma doença aumente com o número de exames realizados, não é isso que acontece na prática. A mercantilização da saúde, por outro lado, tende a pressionar médicos e pacientes por mais exames, aumentando custos e a morbidade de procedimentos.

Existem quatro grandes tipos diferentes de rastreio, consoante os objectivos a que se propõem:

  • rastreios de massa: rastreio de toda a população;
  • rastreios múltiplos: emprego de um certo número de diferentes testes de rastreio, aplicados ao mesmo tempo;
  • rastreios multifásicos: emprego de um certo número de diferentes testes de rastreio, aplicados por fases;
  • rastreios prescritivos: têm por fim a detecção precoce, em indivíduos presumivelmente saudáveis, de doença que pode ser melhor controlada quando detectada no início da sua história natural.

A ciência fundamental que guia a realização e indicação dos rastreios é a epidemiologia clínica.

Vantagens e Desvantagens[editar | editar código-fonte]

Muitas das vantagens de um rastreio podem ser desvantagens também se vistas de um outro ângulo. Por isso, um rastreio deve ser indicado com critérios clínicos e epidemiológicos para se adequar à situação de cada indivíduo ou população.

Vantagens[editar | editar código-fonte]

  1. Diminui morbidade, mortalidade e custo de algumas doenças
  2. Aumenta o tempo de vida ganho
  3. Segurança dos pacientes com rastreio negativo

Desvantagens[editar | editar código-fonte]

  1. Aumenta morbidade, mortalidade e custos relacionados a procedimentos e investigação.
  2. Viés de tempo de vida ganho e viés de duração da doença
  3. Falsa segurança dos pacientes com rastreio negativo: pacientes podem deixar de se cuidar com um rastreio negativo ou podem se achar saudáveis com um rastreio falso negativo

Critérios[editar | editar código-fonte]

  1. O rastreio deve mudar a conduta de um caso
  2. O exame realizado para o rastreio deve ser aceito pelo paciente e comunidade
  3. O exame deve ser barato, fácil de usar, rápido, indolor e pouco constrangedor
  4. O exame deve ter alta sensibilidade (a especificidade é importante, mas é secundária)
  5. O rastreio deve ser custo-efetivo

O rastreio deve mudar o desfecho da doença[editar | editar código-fonte]

Um exame só se justifica se ele muda a história natural da doença. Nem toda doença diagnosticada precocemente tem tratamento ou nem todo tratamento é efetivo. Muitos tratamentos podem ser piores que a própria doença; podem ser muito caros ou penosos para os pacientes, tanto físico como emocionalmente. Vale lembrar que testes dão falsos resultados para mais e para menos, e muitas vezes podemos estar tratando uma falsa doença.

Muitos argumentam que mesmo sem tratamento, uma pessoa tem o direito de saber-se doente para, por exemplo, planear melhor e com antecedência para um determinado desfecho. Muitos relatam que a percepção da vida muda com um diagnóstico. Contudo, devemos considerar também que muitos pacientes sofreriam por antecipação com determinada estratégia.

Além disso, muitos exame não mudam a conduta ou o tratamento em determinados casos.

O rastreio deve ser aceito pelo paciente[editar | editar código-fonte]

O rastreio deve ser um exame fácil, rápido, barato, indolor e que não seja constrangedor para o paciente. Deve ainda, errar pouco (todos os testes erram para mais ou para menos). É difícil juntar todas essas características.

Organização Mundial da Saúde — Princípios do rastreio[editar | editar código-fonte]

A Organização Mundial da Saúde publicou as diretrizes de rastreio em 1968, mas elas continuam sendo aplicáveis atualmente.[2]

  1. A condição precisa ser um importante problema de saúde.
  2. A condição deve possuir tratamento.
  3. Deve haver facilidades de diagnóstico e tratamento.
  4. A doença precisa ter um estágio latente.
  5. Deve haver um exame diagnóstico para a condição.
  6. Este exame deve ser aceitável pelo paciente.
  7. A história natural da doença deve ser adequadamente compreendida.
  8. Deve haver um política de tratamento definida.
  9. O custo de encontrar os casos deve ser economicamente favorável em relação ao custo do tratamento tardio.
  10. A busca de novos casos deve ser contínua, e não um processo "de uma vez por todas".

Referências

  1. Academia Brasileira de Letras. Disponível em http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23. Acesso em 25 de julho de 2013.
  2. Wilson JMG, Jungner G. (1968) Principles and practice of screening for disease (large pdf). WHO Chronicle Geneva:World Health Organization. 22(11):473. Public Health Papers, #34.
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