Günter Grass

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Günter Wilhelm Grass Medalha Nobel
Günter Graß, na Feira do Livro de Frankfurt, em 9 de outubro de 2004
Nome completo Günter Wilhelm Grass
Nascimento 16 de outubro de 1927 (86 anos)
Danzig
Nacionalidade Alemanha Alemão
Prêmios Nobel prize medal.svg Nobel de Literatura (1999)
Günter Grass casa pré-guerra em Gdańsk durante uma tempestade de neve pequena.

Günter Wilhelm Grass (Danzig, 16 de outubro de 1927) é um intelectual, romancista, dramaturgo, poeta e artista plástico alemão.[1] [2] Sua obra alternou a atividade literária com a escultura, enquanto participava de forma ativa da vida pública de seu país. Recebeu o Nobel de Literatura de 1999. Também é reconhecido como um dos principais representantes do teatro do absurdo da Alemanha. Seu nome é por vezes grafado Günter Graß.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Günter Wilhelm Grass estudou em Dantzig (hoje Gdańsk, Polónia) e, aos dezessete anos, foi convocado a servir nas forças armadas da Alemanha nazista nas Waffen-SS. Ferido na guerra (1945), foi preso em Marienbad, então Checoslováquia, e libertado no ano seguinte.[3] [4] Trabalhou em minas e fazendas e como aprendiz de pedreiro e estudou desenho e escultura na Academia de Arte de Düsseldorf no final da década e frequentou a Academia de Artes de Berlim de 1953 a 1955.

Já escrevia poemas, lidos para um grupo de escritores influentes, o grupo 47, mas só depois de mudar para Paris, em 1956, passou a se dedicar à literatura e publicou seu primeiro êxito como escritor, o romance de crítica social "Die Blechtrommel" (O tambor, 1956). Seguiram-se "Katz und Maus" (1961) e "Hundejahre" (1963). Também escreveu poesias e peças de teatro, como em "Noch zehn Minuten bis Buffalo" (1957) e "Die Plebejer proben den Aufstand" (1965). De ideais políticos de esquerda, participou de forma ativa da vida pública de seu país e provocou polêmica em torno de sua produção, renovou a literatura alemã do pós-guerra por meio de textos de ironia e do grotesco, especialmente satirizando a complacente atmosfera do milagre econômico da reconstrução pós-nazista. Entre essas obras de produção mais recente está "Unkenrufe" (1992), traduzido no Brasil como Maus Presságios.

Com uma obra que contesta, desde o início, as idéias nazistas que o atraíram na juventude, hoje é considerado o porta-voz literário da geração alemã que cresceu durante o nazismo, e descreve a si mesmo como um Spätaufklärer, um devoto da iluminação em uma era cansada da razão. Ainda destacam-se as novelas "Der Butt" (1977), "Das Treffen in Telgte" (1979) e "Die Rättin" (1986).

1986
Günter Grass e sua participação na Waffen-SS.

Recentemente o mundo se chocou com a declaração de Grass no seu novo livro "Descascando a cebola", de caráter autobiográfico, de sua participação como membro das Waffen-SS (tropa de elite do exército do Reich). Esta revelação fez muitos escritores e jornalistas posicionarem-se a respeito.Alguns desses posicionamentos foram publicados no jornal "O Estado de São Paulo", no dia 27 de agosto de 2006. Os argumentos dividiram-se basicamente em dois, de um lado estavam os que declaravam que isso não invalidava o valor de seus romances, e que é preciso separar o escritor de sua obra, além de considerarem a pouquíssima idade de Grass quando atuou na Waffen. Do outro, questionaram a demora de Günter em revelar esta participação.

O escritor português José Saramago declarou: "Nunca separei o escritor da pessoa que o escritor é. A responsabilidade de um é a responsabilidade de outro.". Já o editor brasileiro Luis Schwarcz comentou: "Não se pode confundir obra e autor." John Berger, escritor, em um texto originalmente publicado pelo The Guardian, questiona o julgamento a Günter Grass: "A ética determina escolhas e ações e sugere prioridades difíceis. Nada tem a ver com o julgamento das ações dos outros. Tais julgamentos são prerrogativa dos moralistas. Na ética existe humildade; os moralistas acham que estão certos." Em uma entrevista concedida a Der Spiegel, Grass comenta a repercussão que sua atuação na tropa nazista teve e explica-se diante de alguns questionamentos.

Ao ser indagado quanto a demora para a revelação, o escritor alemão declarou: "Acreditava que minha obra como escritor e cidadão era suficiente.", e acrescenta que sempre sentiu vontade de escrever sobre suas experiências, mas num contexto adequado.

O entrevistador do Der Spiegel, Ulrich Wickert faz ainda uma relação com um trecho do livro autobiográfico Descascando a Cebola e o romance O Tambor, buscando no romance um sentimento já revelador desta culpa de atos passados e sua justificação pela pouca idade: "No instante em que invoco o garoto de treze anos que eu era na época, em que o tomo como incumbência, e me sinto tentado a julga-lo, ele me escapa. Ele não quer ser avaliado ou julgado. Foge para o colo da mãe e diz: 'Eu era apenas um garoto, apenas um garoto.' ." (Descascando a Cebola).

"Não sou responsável pelas coisas que fiz quando criança." (Personagem Oskar em O Tambor).

Em um outro romance ainda podemos verificar o aparecimento de um possível traço autobiográfico e sua relação com este sentimento de culpa, trata-se de Maus presságios. É revelado sobre os protagonistas Alexandre e Alexandra: "Não era necessário remexer no passado, porque as poucas aventuras à margem traziam lembranças inexatas ou mal ordenadas. E o fato de que ele, aos quatorze anos e meio, tivesse sido soldado e ela, aos dezessete, membro entusiasta da organização das juventudes comunistas era perdoado aos dois, mutuamente, como defeitos congênitos de sua geração; não era preciso descer a nenhum abismo; até porque ele, nos momentos em que duvidava de si próprio, dizia que tinha de lutar continuamente contra o jovem hitlerista que tinha dentro de si…" Estaria Grass, ao longo de todos os seus romances, já nos dando pistas de sua vida passada? Seriam todos os seus romances um desabafo particular?

Prêmios (seleção)[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Outrage in Germany (em inglês). Der Spiegel (4 de abril de 2012). Página visitada em 16 de outubro de 2012. "Günter Grass, Germany's most famous living author and the 1999 recipient of the Nobel Prize in literature..."
  2. Yishai: Günter Grass not welcome in Israel (em inglês). The Jerusalem Post (4 de abril de 2012). Página visitada em 16 de outbro de 2012. "Germany’s most famous living writer, the Nobel literature laureate Günter Grass..."
  3. Garland, The Oxford Companion to German Literature, p. 302.
  4. "The Literary Encyclopedia", Günter Grass (b. 1927). Página visitada em 16 de outubro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Günter Grass


Precedido por
José Saramago
Nobel de Literatura
1999
Sucedido por
Gao Xingjian