República Checa

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Česká republika, Česko
República Checa / Tcheca
Bandeira da República Checa
Brasão de Armas
Bandeira Brasão de armas
Lema: Pravda vítězí
(Checo: "A verdade prevalece")
Hino nacional: Kde domov můj
Gentílico: checo

Localização da Chéquia / Tchéquia

Localização da República Tcheca (em vermelho)
No continente europeu (em cinza)
Na União Europeia (em branco)
Capital Praga
Cidade mais populosa Praga
Língua oficial checo
Governo República parlamentarista
 - Presidente Miloš Zeman
 - Primeiro-ministro Bohuslav Sobotka
Formação  
 - Indepedência da Áustria-Hungria 28 de Outubro de 1918 
 - Desunificação da Tchecoslováquia 1 de Janeiro de 1993 
Entrada na UE 1 de Maio de 2004
Área  
 - Total 78.866 km² (117.º)
 - Água (%) 2
População  
 - Estimativa de 2007 10.381.130 hab. (78.º)
 - Censo 2001 10.230.060 hab. 
 - Densidade 130 hab./km² (77.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2006
 - Total US$ US 236.536 bilhões (41.º)
 - Per capita US$ US 16.372 (39.º)
IDH (2013) 0,861 (28.º) – muito elevado[1]
Gini (1996) 25,4
Moeda Coroa (koruna) (CZK)
Fuso horário CET (UTC+1)
 - Verão (DST) CEST (UTC+2)
Clima Oceânico e continental
Org. internacionais OCDE, UE, OTAN
Cód. ISO CZE
Cód. Internet .cz
Cód. telef. +420

Mapa da Chéquia / Tchéquia

A República Checa ou República Tcheca[2] (em checo Česká republika), também chamada Chéquia ou Tchéquia[2] (em checo, Česko)[3] é um país da Europa Central, limitado ao norte pela Polónia e pela Alemanha; a leste, pela Eslováquia; ao sul, pela Áustria; a oeste, pela Alemanha. A capital do país é Praga, que também é sua maior e mais populosa cidade. A Boémia, na parte ocidental do país, é cercada por morros baixos e forma uma bacia drenada pelo Labe (Elba) e Moldava (Vltava). Morávia, a parte oriental também é montanhosa e é banhada pelo rio Morava. Silésia, a parte do norte da Morávia, entre a Morávia e a Polônia.

Depois da Batalha de Mohács em 1526, o Reino da Boêmia foi gradualmente integrado na Monarquia de Habsburgo como uma de suas três partes principais, ao lado do Arquiducado da Áustria e o Reino da Hungria. A Revolta Boémia (1618-1620), contra os Habsburgos católicos, levou à Guerra dos Trinta Anos, após o qual a monarquia consolidou sua regra, re-imposta ao catolicismo e adotou uma política de gradual germanização. Com a dissolução do Sacro Império Romano em 1806, o reino da Boêmia tornou-se parte do Império Austríaco. No século XIX, as terras checas tornaram-se a potência industrial da monarquia e do núcleo da República da Checoslováquia, que foi formado em 1918, após o colapso do Império Austro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial. Depois de 1933, a Checoslováquia permaneceu como a única democracia na Europa Central.

Na sequência do Acordo de Munique e da anexação polonesa de Zaolzie, a Checoslováquia caiu sob ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1945, uma grande parte do país foi libertada pelo Exército Vermelho, e a gratidão subseqüente para os soviéticos, combinada com a desilusão com o Ocidente por não intervir, levou o Partido Comunista da Tchecoslováquia a alcançar a vitória nas eleições de 1946. Após o golpe de Estado em 1948, a Checoslováquia tornou-se um Estado comunista de partido único sob a influência soviética. Em 1968, aumentando a insatisfação com o regime, culminou com um movimento de reforma conhecido como a Primavera de Praga, que terminou com uma invasão dos exércitos dos países do Pacto de Varsóvia (com exceção da Roménia). A Checoslováquia permaneceu ocupada até 1989 quando, através da Revolução de Veludo, o regime comunista caiu e uma república parlamentar multipartidária foi formada. Em 1 de Janeiro de 1993, a Checoslováquia pacificamente dissolveu-se em seus estados constituintes: a República Checa e a República Eslovaca.

A República Checa é um país desenvolvido[4] com economia avançada[5] e com padrões de vida elevados.[6] A ONU classifica o país como o 14º no desenvolvimento humano ajustado à desigualdade.[7] A República Checa também classifica-se como o nono país mais pacífico na Europa, ao conseguir o melhor desempenho em governança democrática e mortalidade infantil na região. É uma democracia representativa parlamentar pluralista com a adesão na União Europeia em maio de 2004, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e do Conselho da Europa.

História[editar | editar código-fonte]

Tábor, uma cidade na Boêmia do Sul, fundada em 1420 pelos Hussitas.
A República Checa fazia parte da Checoslováquia, um estado centro-europeu do século XX.

As terras checas emergiram nos fins do século IX quando foram unificadas pelos Premyslidas (Přemyslovci). O reino da Boémia foi uma potência regional com significado, mas conflitos religiosos como as Guerras Hussitas do século XV e a Guerra dos Trinta Anos do século XVII foram devastadoras. Mais tarde, a Boémia caiu sob influência dos Habsburgos e passou a fazer parte da Áustria-Hungria.

Depois do colapso deste estado, que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, os checos e os seus vizinhos eslovacos juntaram-se e formaram a república independente da Checoslováquia em 1918. O primeiro presidente da Checoslováquia foi Tomás Masaryk. Este jovem país continha uma minoria alemã de grandes dimensões, na região dos Sudetas, o que iria levar à dissolução da Checoslováquia quando a Alemanha anexou a minoria por via do Acordo de Munique em 1938, e a Eslováquia também se separou. O estado checo remanescente foi ocupado pelos alemães em 1939.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Checoslováquia caiu na esfera de influência soviética. Em 1968, uma invasão de tropas do Pacto de Varsóvia pôs fim aos esforços dos líderes do país para liberalizar o regime e criar um "socialismo de rosto humano", durante a Primavera de Praga.

Em 1989, a Checoslováquia recuperou a liberdade por via de uma "Revolução de Veludo" pacífica. A 1 de Janeiro de 1993, o país separou-se em dois pacificamente, resultando em países independentes: República Checa e Eslováquia. O primeiro presidente da Republica Tcheca foi Vaclav Havel.

A República Checa aderiu à OTAN em 1999 e à União Europeia em 2004.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Lago de Erzgebirge, na República Checa.

O relevo é montanhoso, devido a cadeia montanhosa dos Cárpatos, a nordeste, na divisa com a sua ex-irmã política Eslováquia. Ao norte, na tríplice fronteira com a Polônia e a Alemanha, localiza-se os montes Sudetos com o ponto mais elevado do país (1.602 m.) no pico Sněžka. Os climas da República Checa são o temperado e o continental, com verões moderados e invernos um pouco rigorosos. A vegetação é basicamente a Floresta Temperada, que possui folhas em forma de agulha que caem no inverno (caducifólia).

Demografia[editar | editar código-fonte]

Evolução demográfica da República Checa desde 1993.

A maioria dos 10,2 milhões de habitantes da República Checa são étnica e linguisticamente checos (95%). Outros grupos étnicos incluem germânicos, ciganos e polacos. Após a divisão de 1993, os eslovacos compõem cerca de 2% da população actual.

A fronteira entre a República Checa e a Eslováquia é aberta para pessoas com cidadania da antiga Checoslováquia. As Leis que estabelecem a liberdade religiosa foram criadas pouco após a revolução de 1989, revogando as leis que a cerceavam, promovidas pelo regime comunista.

A maior comunidade religiosa é a Católica Romana (27% da população). Uma grande percentagem da população checa alega ser ateísta (59%) (ver [1] para detalhes em Tcheco).

A comunidade judia soma alguns milhares hoje; uma sinagoga em Praga é memorial de mais de 80.000 checoslovacos judeus que foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial.


Religião[editar | editar código-fonte]

A República Checa é o país mais secularizado de toda a Europa, apesar de historicamente ser considerado um país religioso dividido entre os católicos e protestantes. O censo de 2001 verificou que 59% da população não tem religião. Apenas 26,8% da população se considera católica e cerca de 2% são protestantes. 30% dos checos se declaram ateus, enquanto cerca de 50% acreditam em algum tipo de força espiritual, não sendo necessariamente Deus.

Política[editar | editar código-fonte]

Vaclav Havel, ex-presidente
Palácio de Wallenstein, sede do Senado.

O cenário político da República Checa abrange um amplo espectro de partidos políticos, desde o semi-reformado Partido Comunista da Boêmia e Morávia na extrema-esquerda até os vários partidos nacionalistas na extrema direita. Geralmente, a direita liberal é dividida, exceto no caso específico do gigantesco Partido Democrático Cívico, e tem falhado a várias tentativas de unificação.

O eleitorado checo se mostrou dividido nas eleições parlamentares de junho de 2002, dando maioria à coalizão dos social-democratas (ČSSD), de centro-esquerda, e dos comunistas. Não houve possibilidade de formar-se um governo funcional por causa do ferrenho anticomunismo de Vladimír Špidla. Os resultados levaram a um governo de coalizão do ČSSD com os democrata-cristãos (KDU-ČSL) e os liberais (US-DEU), enquanto os democratas cívicos (ODS) e comunistas (KSČM) ficaram na oposição. Após os resultados da eleição de junho de 2004 para o Parlamento Europeu, o governo promoveu uma reforma ministerial com a mesma base aliada, mas excluindo Špidla após uma revolta em seu próprio partido. Nas eleições de 2006, o parlamento entrou em um impasse, pois dois grupos se dividiram em exatamente 50 por cento das cadeiras, demorando meses até que o partido de direita, ODS, conseguiu fazer de Mirek Topolánek primeiro-ministro, em coligação com o Partido Cristão-Democrata (KDU-ČSL) e o Partido Verde. Foi a primeira vez na história que o Partido Verde checo conseguiu os necessários mínimos 5 por cento dos votos para entrarem no Parlamento. O partido US-DEU foi encerrado, depois de serem rejeitados nas urnas.

O primeiro-ministro é o chefe de governo e mantém poderes consideráveis, incluindo o direito de determinar a maior parte da política interna e externa, mobilizar a maioria parlamentar e nomear ministros.

Václav Klaus, agora ex-presidente da República Checa, ex-presidente dos democratas cívicos (ODS). Como chefe-de-Estado formal, tem poderes específicos como o direito de veto, nomear juízes do Tribunal Constitucional, indicar o primeiro-ministro e dissolver o parlamento sob raras e especiais condições.

O parlamento é bicameral, com uma Câmara dos Deputados e um Senado. Após a divisão da antiga Tchecoslováquia, os poderes e responsabilidades do agora extinto parlamento federal foram transferidos para o Conselho Nacional Tcheco, que se renomeou como Câmara dos Deputados. Os deputados são eleitos a cada quatro anos em eleições proporcionais com cláusula de barreira de 5% dos votos. Há 14 distritos eleitorais que coincidem com as regiões administrativas do país.

Como o sistema nas condições checas produz repetidamente governos fracos (um problema específico é que o apoio recebido pelos comunistas, cerca de 20% do eleitorado, é rejeitado por todos os outros partidos) há debates constantes sobre mudanças, mas com poucas chances reais de fazer avançar as reformas. Uma tentativa de ampliar elementos de maioria "tweaking" os parâmetros do sistema (mais e menores distritos, por exemplo) proposta pelo ČSSD e o ODS durante seu "acordo de oposição" em 1998-2002, foi veementemente rejeitada por partidos menores e impedida pelo Tribunal Constitucional como contrária demais ao princípio de representação proporcional.

O primeiro Senado foi eleito em 1996; seus membros têm mandato de seis anos, sendo um terço dos senadores renovados a cada dois anos. Este sistema segue o modelo do senado dos EUA mas cada distrito tem aproximadamente o mesmo tamanho e a eleição acontece em dois turnos. O Senado é relativamente impopular na opinião pública e sofre com baixo comparecimento eleitoral (até 10% em alguns distritos).

A instância judicial máxima do país é a Suprema Corte. O Tribunal Constitucional, que arbitra questões constitucionais, é nomeado pelo presidente e seus 15 juízes têm mandatos de 10 anos.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

A República Checa consiste de 13 regiões (checo: kraje, singular - kraj) e de uma cidade capital (hlavní město), marcada por um *:

Czech regions.PNG
Núm. Região (em checo) Capital
01 Karlovy Vary (Karlovarský kraj) Karlovy Vary
02 Ústí nad Labem (Ústecký kraj) Ústí nad Labem
03 Liberec (Liberecký kraj) Liberec
04 Hradec Králové (Královéhradecký kraj) Hradec Králové
05 Pardubice (Pardubický kraj) Pardubice
06 Olomouc (Olomoucký kraj) Olomouc
07 Morávia-Silésia (Moravskoslezský kraj) Ostrava
08 Plzeň (Plzeňský kraj) Plzeň
09 Boémia Central (Středočeský kraj) Praga (Praha)
10 Praga* (Praha)  
11 Boémia do Sul (Jihočeský kraj) České Budějovice
12 Vysočina Jihlava
13 Morávia do Sul (Jihomoravský kraj) Brno
14 Zlín (Zlínský kraj) Zlín

Economia[editar | editar código-fonte]

Praga, capital e maior cidade do país. Desde a década de 1990, a cidade tornou-se um dos maiores pólos turísticos da Europa.

A economia da extinta Tchecoslováquia era essencialmente baseada em indústrias siderúrgicas, metalúrgicas, automobilísticas, de bebidas e de cristais.[8] Mais recentemente, a República Checa, já capitalista, desenvolveu uma agricultura baseada na produção de trigo para exportação. Outros produtos agropecuários produzidos em larga escala no país incluem beterraba, cevada, batata, lúpulo e carne de bovinos, suínos, caprinos e aves.[9]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Entre os cineastas checos da atualidade com projecção internacional encontram-se Jan Svěrák, Jan Švankmajer, Jan Hrebejk, Milan Cieslar, Frank Mellaneh e Gregor Stenpovich.

Desporto[editar | editar código-fonte]

O Estádio de Strahov é o maior do mundo em área e capacidade.

O hóquei no gelo é, ao lado do futebol, o esporte mais popular da República Checa, tendo como atuais jogadores populares Patrik Elias, Jaromir Jagr, Tomas Kaberle, Filip Kuba, Michal Rozsival, Radim Vrbata, entre outros.

Os desportistas mais renomados da República Checa (incluindo também os atletas do tempo da Tchecoslováquia) são: Martina Navrátilová e Ivan Lendl (tênis), Emil Zatopek, Roman Šebrle, Tomáš Dvořák e Jan Železný (atletismo), Frantisek Planicka, Josef Masopust, Tomas Skuhravý, Petr Cech, Pavel Nedved e Milan Baros (todos do futebol) e Tomas Enge (automobilismo).



Referências

  1. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Visitado em 2 de agosto de 2014.
  2. a b Forma utilizada apenas em português brasileiro
  3. Em 1993, o Ministério das Relações Exteriores da República Tcheca, em memorando dirigido a todas as embaixadas e missões diplomáticas do país, recomendou o uso da forma Česká republika (em português, 'República Checa' ou 'República Tcheca') somente em documentos oficiais ou nos títulos de instituições oficiais. Em todos os demais casos, deveria ser dada preferência à forma Česko ('Chéquia' ou 'Tchéquia', que, entretanto, são formas pouco usuais nos países de língua portuguesa). Ver Czechia - The Czech Republic.
  4. World Bank marks Czech Republic's graduation to 'developed' status (em inglês) Radio Prague (28 de fevereiro de 2006). Visitado em 30 de agosto de 2014.
  5. Edit/Review Countries (em inglês) Fundo Monetário Internacional (FMI) (14 de junho de 2006). Visitado em 30 de agosto de 2014.
  6. WORLD ECONOMIC OUTLOOK (em inglês) Fundo Monetário Internacional (FMI) (Abril de 2014). Visitado em 30 de agosto de 2014.
  7. Human Development Reports (em inglês) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Visitado em 30 de agosto de 2014.
  8. Klickeducação - acessado em 18 de maio de 2008.
  9. Portal Brasil - acessado em 18/05/08.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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