Conjunto Nacional

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Conjunto Nacional
Localização Avenida Paulista, 2073
São Paulo (SP), Brasil
Inauguração 1956
Proprietário Grupo Savoy
Números
Salas de
cinema
2 salas Cine Livraria Cultura
Página oficial www.ccn.com.br

O Conjunto Nacional é um importante edifício e centro comercial da cidade de São Paulo, Brasil. Ocupa a quadra delimitada pela Avenida Paulista, Rua Augusta, Alameda Santos e Rua Padre João Manuel. O projeto é de autoria do arquiteto David Libeskind e caracteriza-se por ser um dos primeiros grandes edifícios modernos multifuncionais implantados na cidade de São Paulo.

O complexo caracteriza-se pela mistura de diferentes usos em uma mesma estrutura urbana: verificam-se no Conjunto Nacional os usos residencial, comercial, serviços e lazer. A relação entre os usos coletivos - comércio, lazer - e os usos privados - residências - dá-se pela composição entre duas lâminas: na lâmina horizontal, a qual ocupa toda a quadra na qual se implanta o edifício -, encontra-se uma galeria comercial e na lâmina vertical, a qual ocupa apenas uma parte da projeção do terreno, encontram-se os apartamentos. A galeria proposta no Conjunto Nacional transformou-se em um paradigma arquitetônico para projetos de edifícios similares na área central de São Paulo durante a década de 1950. O Conjunto Nacional apresenta restaurantes, escritórios e outros tipos de estabelecimentos de comércio e prestação de serviços, além da maior livraria da América Latina em área construída, a Cultura. Abrigou por muitos anos o Cine Astor e o Restaurante Fasano.

Em 2005, a edificação foi tombada pelo Condephaat, o conselho estadual de defesa do patrimônio histórico e arquitetônico.

História[editar | editar código-fonte]

O conjunto começou a ser construído em 1952, após a decisão do empresário judeu argentino José Tjurs de edificar uma grande construção na Avenida Paulista - a qual, até então, possuía caráter predominantemente residencial. Sua intenção era reunir em um mesmo prédio hotel e centro comercial. No final dos anos 50, como a prefeitura não permitiu a construção do hotel no local, foram executadas algumas modificações no projeto original de David Libeskind.

Década de 50[editar | editar código-fonte]

Em 1952, José Tjurs compra a mansão que pertencia à família de Horácio Sabino. Nasceu dos sonhos deste argentino a ideia de criar o Conjunto Nacional. O empresário, que morreu em 1977, teve o seu sonho realizado: transformar a Paulista na Quinta Avenida de São Paulo.

O arquiteto David Libeskind, então com 26 anos, foi o autor do projeto do Conjunto Nacional.

A construção do Conjunto Nacional foi iniciada em 1955 e trouxe para a cidade uma grande novidade na época: uma maravilhosa cúpula geodésica de alumínio, que foi construída pelo engenheiro Hans Eger.

Foi inaugurado em 1956, como o primeiro shopping center da América Latina.[1]

Em 1957 o Conjunto Nacional recebeu seu primeiro e ilustre estabelecimento: o sofisticado Restaurante Fasano. Com mesas espalhadas pela ampla calçada da Avenida Paulista, o local fervilhava de gente dia e noite.

Em 1958, o Fasano abriu o seu luxuoso restaurante no mezanino, onde se realizavam os famosos “jantares dançantes”, e o requintado jardim de inverno, logo eleito o melhor e o mais elegante salão de festas da cidade, com capacidade para duas mil pessoas.

O Fasano era palco obrigatório dos grandes nomes da música internacional que visitavam São Paulo, como Nat King Cole, Roy Hamilton e Marlene Dietrich.

O setor comercial, uma área de 61.354.5142 metros quadrados, foi destinado a um centro de compras e serviços, considerado o primeiro shopping center da América Latina e o maior da América do Sul.

A inauguração da primeira etapa do Conjunto Nacional, em dezembro de 1958, contou com a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek, que observa a maquete do edifício, elaborada por José Zanini Caldas.

Década de 60[editar | editar código-fonte]

No início dos anos 60, o edifício instalou duas escadas rolantes no centro comercial, considerada a terceira construída na cidade.

Em 1961 foi inaugurado o Cine Astor, logo eleito o mais luxuoso e o mais moderno cinema da cidade.

Ao ficar pronto, no início dos anos 60, no alto do edifício foi instalado o relógio luminoso da Willys.

O Fasano foi vendido para a Liquigás em 1963 por causa da situação política do país. Em 1968, o restaurante e o jardim de inverno foram fechados e o local passou por reformas para ser adaptado e funcionar como escritório. A Confeitaria Fasano permaneceu aberta até 1973.

A Livraria Cultura foi transferida para o Conjunto Nacional em 1969

Década de 70[editar | editar código-fonte]

Em 1970, o relógio do Conjunto Nacional passou a exibir a marca da Ford.

A marca do Banco Itaú chegou ao alto do edifício em 1975. Em 1992, o relógio passou por uma grande reforma e recebeu um complexo eletrônico de última geração, controlado por computador e, além das horas, passou a marcar também a temperatura da cidade.

Em 1975, surgiu o Viena Delicatessen, que depois de um começo modesto nos corredores do Conjunto Nacional se tornou uma das maiores redes de fast-food da cidade.

No final dos anos 70, devido a problemas administrativos, o Conjunto Nacional apresentava sinais de decadência e abandono.

Na madrugada do dia 4 de setembro de 1978, um grande incêndio irrompeu no Conjunto Nacional, resultado da má administração da empresa Horsa.

Década de 80[editar | editar código-fonte]

Em 1984, o grupo imobiliário Savoy comprou o que restava dos bens da Horsa no Conjunto Nacional e passou a administrar o condomínio.

Em 1984, foi eleita síndica a advogada Vilma Peramezza, iniciando um período de recuperação com a realização de diversas obras de restauração.

Em 1987, o Cine Rio deu lugar ao Cine Arte. Em poucos meses se tornou um dos melhores cinemas da cidade.

O trabalho de recuperação do Conjunto Nacional foi iniciado na galeria comercial. Na foto, a nova recepção.

A arquiteta Maria Cecília Barbieri Gorski, da Barbieri & Gorski Arquitetos Associados, foi responsável pelo trabalho de restauração e paisagismo do terraço.

Inauguração do Viena, em 1988, na esquina da Rua Augusta com a Alameda Santos.

Década de 90[editar | editar código-fonte]

Em março de 1992, o programa de Coleta Seletiva foi aprovado e oficializado pelos condôminos em Assembleia Geral Ordinária.

O terraço, reinaugurado em junho de 1997, devolveu parte do glamour que caracterizou o Conjunto Nacional nos anos 50, 60 e início dos 70.

Em dezembro de 1997 foi lançada a semente da criação do Espaço Cultural Conjunto Nacional, com uma exposição que reuniu vários artistas plásticos consagrados. Com a realização de exposições de arte, o edifício passou a fazer parte do corredor cultural em que se transformou a Avenida Paulista.

Em dezembro de 1998, o jornalista Ângelo Iacocca lança o livro Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista. A obra foi elaborada para comemorar os 40 anos de existência do edifício, e conta a história da avenida Paulista mostrando cada etapa de sua transformação, acelerada a partir do surgimento do Conjunto Nacional.

A partir de 1999, todo mês de dezembro, as galerias e a fachada do Conjunto Nacional passaram a ser decoradas com adereços elaborados por comunidades carentes utilizando materiais recicláveis.

Em dezembro de 1999, foi instalado, no Horsa II, o painel ‘Festa na Avenida Paulista’, pintado pela artista naif Waldeci de Deus.

2000 em diante[editar | editar código-fonte]

Em 2003, o Espaço Cultural Conjunto Nacional organizou a campanha “SOS Cine Arte”, com o objetivo de evitar o fechamento do cinema.

O livro Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista foi ampliado em mais 30 páginas. A obra foi lançada em janeiro de 2004, em comemoração aos 450 anos da cidade de São Paulo. No capítulo sobre ‘Responsabilidade Social e Qualidade de Vida’, o autor relata as várias ações desenvolvidas pelo Conjunto Nacional, voltadas à valorização dos nossos funcionários e comunidade.

Em abril de 2005, o Conjunto Na foi tombado pelo Condephaat, órgão estadual responsável pelo patrimônio histórico.

Em outubro de 2005, o Cine Bombril substituiu as duas salas do antigo Cinearte. Em setembro de 2010, o cinema tornou-se Cine Livraria Cultura. As duas salas de cinema integram o Circuito Cinearte de exibição, de Adhemar Oliveira e Leon Cakoff.

Em maio de 2007, a tradicional sede da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, passou a ocupar o espaço em que funcionava o antigo Cine Astor. A nova loja é a maior livraria do país, com 4,3 mil metros quadrados de área distribuídos por três pisos. Em março de 2008, o arquiteto David Libeskind, aos 79 anos, é tema de um livro que leva seu nome – David Libeskind - Ensaio sobre as Residências’.

Relógio[editar | editar código-fonte]

Fachada do Conjunto Nacional. No alto, o relógio-termômetro.

O relógio do Conjunto Nacional marca a hora e a temperatura da cidade de São Paulo. Está localizado no alto do Edifício Horsa - Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, sendo visível a partir de vários pontos da cidade, num raio de aproximadamente cinco quilômetros de distância.

A Willys Overland do Brasil usou como estratégia publicitária em 1962, um luminoso de cor verde com o nome Willys, no alto do Conjunto Nacional.

Em 1967, a Ford do Brasil compra a Willys Overland. Em 1970 foi, então, colocado um painel com o nome Ford, e marcando as horas, que era visto em vários pontos da cidade.

No ano de 1975 o Banco Itaú comprou o espaço publicitário, e mais uma vez o nome foi trocado, para Itaú. Em 1992, o relógio foi reformado, passando a ser controlado por computador, regulando a hora e mostrando a temperatura. Tem três faces e pesa 230 toneladas [carece de fontes?].

Em 2007 a propaganda do Itaú teve que ser retirada devido à Lei Cidade Limpa, implantada pelo prefeito Gilberto Kassab. A princípio, a propaganda não foi retirada quando a lei entrou em vigor pois ela fazia parte de uma lista de exceções, que logo foi extinguida. [2] Em seguida, o Banco Itaú consultou o Condephaat sobre se a propaganda também era tombada. A resposta saiu em maio de 2011: o relógio deve ser preservado, mas a publicidade não. A prefeitura deu um prazo até 18 de julho para que o banco retirasse a publicidade. E, até lá, mandou apagar o relógio. Mas a administração do condomínio não permitiu a retirada do anúncio. O Banco Itaú, que foi multado em R$ 14 milhões pela Prefeitura de São Paulo por desrespeitar a lei, comunicou que continuará dando manutenção ao relógio e estuda apresentar um recurso administrativo, para manutenção do anúncio.

Em 2012, o letreiro foi retirado.[3] [4] [5] [6]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

No início dos anos 50, revelando ser um empresário que estava à frente do seu tempo, José Tjurs planejava idealizar em São Paulo um grande edifício, que deveria reunir em um único espaço um hotel, restaurantes, bares, cinemas, lojas comerciais e de prestação de serviços, além de escritórios e apartamentos residenciais com serviço de hotelaria. Também queria ver a Paulista tornar-se a Quinta Avenida de São Paulo. Mas, para tanto, alguém precisava dar o passo inicial, e esse alguém seria ele.

A primeira providência foi comprar a mansão que pertencia à família de Horácio Sabino, que ficava exatamente na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Para concretizar o audacioso empreendimento, Tjurs realizou uma espécie de concurso para a elaboração do projeto, que teve a participação de diversos arquitetos. Para surpresa dos concorrentes, foi escolhido o projeto de David Libeskind, de apenas 26 anos, recém-formado e quase desconhecido.

Ao iniciar as obras, em 1954, Tjurs dava a largada para a futura ocupação comercial da avenida. A lâmina horizontal, concluída em 1958, cobria todo o andar térreo, que formava uma ampla galeria onde se cruzavam quatro amplos corredores que formavam uma praça de 1.600 metros quadrados, com entradas pela Avenida Paulista e pelas ruas Augusta, Padre João Manoel e Alameda Santos.

A construção da torre que abrigaria o Hotel Nacional de São Paulo foi vetada pelas autoridades: não era permitido construir hotéis na Avenida Paulista. Então Tjurs mudou o projeto e reduziu a lâmina vertical para três edifícios de 25 andares: um residencial, o Guayupiá, com apartamentos de 180 a 890 metros quadrados, e dois comerciais: o Horsa I, para pequenos escritórios e consultórios, e o Horsa II, para empresas de grande porte. Em 1962, a lâmina vertical estava pronta, com 120 mil metros quadrados de área construída.

Como José Tjurs havia planejado, o Conjunto Nacional era, de fato, uma cidade dentro da cidade. Depois de concluído, o edifício passou a ser um marco na cidade de São Paulo, que ostentava um novo cartão-postal, e anunciava novos tempos para a Avenida Paulista, dando a largada para a verticalização de toda a região. O edifício também deu início à valorização do metro quadrado dos terrenos das mansões, que com a chegada do poder financeiro, nos anos 70, alcançaria valores astronômicos, uma tendência que transformaria radicalmente a poderosa avenida.

Segurança[editar | editar código-fonte]

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A equipe de segurança do Conjunto Nacional tem a missão de garantir a total tranquilidade e conforto dos usuários, sem restringir a liberdade e a mobilidade.

O edifício possui monitoramento 24 horas e uma equipe com bombeiros e seguranças, periodicamente atualizados por meio de cursos. Para monitorar o que acontece nas galerias e demais áreas, o prédio tem câmeras distribuídas em pontos estratégicos. Os equipamentos são operados por profissionais especializados e as imagens gravadas pelo circuito interno têm acesso restrito.

Semanalmente, um grupo formado por profissionais de diferentes áreas do edifício, se reúne com o intuito de discutir sobre a complexidade da atuação da Segurança no que concerne ao desenvolvimento de um programa de Segurança Cidadã, inspirado na bem-sucedida experiência empreendida pela sociedade civil de Bogotá. Equipe de Bombeiros: pronto atendimento para emergências médicas

O Conjunto Nacional conta com uma equipe de bombeiros, altamente capacitados, que realiza o atendimento médico de urgência. Na lista de formação estão itens como resgate vertical, técnicas de emergência médica, técnicas de combate a incêndio, atendimento pré-hospitalar, entre outras especializações. DEA - Desfibrilador Externo Automático

A forma mais comum de parada cardíaca é por fibrilação ventricular. Quando se utiliza Desfibrilador Externo Automático (DEA) nos primeiros minutos, revertendo o quadro com choque elétrico, a sobrevida chega a 85%. Segundo especialistas, sem o atendimento rápido, a vítima perde 10% das chances de sobreviver por minuto. Diante dessa realidade, o governo sancionou a lei que obriga locais públicos e organizações com mais de 1.500 pessoas a manter um DEA e 30% de seus funcionários treinados.

O Conjunto Nacional possui uma equipe devidamente qualificada para dar assistência nestes casos e capacitada para utilizar o aparelho, que está em um local de fácil utilização. Estes funcionários, identificados com um botton, realizaram o curso “Salva Corações”, promovido pela SBC/Funcor, que inclui treinamento prático com o uso de bonecos especiais para fazer respiração boca a boca, massagem cardíaca e choque com DEA.

A segurança de todos depende da colaboração de cada um:

  • Em situação de emergência, mantenha a calma e a tranquilidade.
  • Evite a divulgação de boatos, informações desencontradas e atitudes paralelas ou isoladas.
  • A central de segurança está diretamente ligada aos órgãos públicos competentes.
  • Os ramais têm identificador de chamadas. Evite alarme falso.
  • Nos andares dos Horsas, ao lado dos elevadores, há um telefone interno que chama automaticamente a segurança.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • XAVIER, Denise; Arquitetura Metropolitana. São Paulo: Editora Annablume, 2006. ISBN 9788574197401

Ligações externas[editar | editar código-fonte]