Centro Histórico de São Paulo

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Centro Histórico de São Paulo
Centro SP2.jpg
Área: 4,4 km²
Fundação: 25 de janeiro de 1554
Habitantes: 64 366
Distrito: *
*República
Subprefeitura:
Região Administrativa: Central

O Centro Histórico de São Paulo localiza-se no Centro do município de São Paulo, no Brasil. Corresponde à região onde a cidade foi fundada, em 25 de janeiro de 1554, pelos padres jesuítas. É formada pelos distritos da e República. Nele, se encontra a maior parte dos edifícios que retratam a história da cidade, como o Pátio do Colégio, local de sua fundação.

Na região, se localizam vários centros culturais, bares, restaurantes, museus, grande parte dos pontos de interesse turístico da cidade[1] e escritórios governamentais do município (como a Prefeitura de São Paulo) e do Estado de São Paulo.[2]

Conceituação do Termo[editar | editar código-fonte]

Embora seja comum considerar os distritos Sé e República, de forma única, como sendo o "Centro Histórico de São Paulo", esse título cabe verdadeiramente ao distrito da Sé, mais propriamente à região compreendida entre o Largo São Francisco, o Largo São Bento e a Praça da Sé, que formam o "triângulo histórico" onde, de fato, surgiu o Colégio Jesuíta a partir do qual originou-se o povoado e, posteriormente, a "Vila de São Paulo de Piratininga".

A parte da região central da cidade usualmente incluída no uso da expressão "Centro Histórico" ocupada posteriormente e que corresponde, hoje, ao distrito da República, na outra extremidade do Viaduto Santa Ifigênia e do Viaduto do Chá, muito embora concentre uma quantidade bastante considerável dos marcos históricos da cidade de São Paulo, como o Teatro Municipal, a Ladeira da Memória, a Biblioteca Municipal Mário de Andrade e a Praça da República, dentre outros, recebe, oficialmente, a designação de "Centro Novo".

Economia[editar | editar código-fonte]

O centro Histórico de São Paulo foi durante boa parte de sua história o coração financeiro e o maior polo de atividade comercial, bancária e de serviços da cidade. A região conserva ainda hoje um vigoroso comércio de rua e significativa oferta de serviços e atividade bancária, em que pese a transferência massiva das grandes sedes de instituições financeiras, do comércio de luxo e dos restaurantes e locais da moda para a região da Avenida Paulista e Jardins a partir dos anos 1970 e mais recentemente para a região do Brooklyn e Vila Olímpia.

Atividade Bancaria[editar | editar código-fonte]

Nessa parte da cidade percebe-se fortemente a herança arquitetônica deixada pelas instituições financeiras que um dia estiveram lá fortemente concentradas além de muitas agencias que se mantém em funcionamento.

A existência de grandes arranha-céus, que foram em algum momento sedes administrativas nacionais ou regionais de grandes bancos e instituições financeiras tanto brasileiros como estrangeiros, mostra claramente a força econômica que um dia esteve ali e que deixou suas marcas, dentre os principais Bancos um dia sediados no Centro Histórico de São Paulo podem ser destacados: o Banespa com sua sede no famoso e emblemático Edifício Altino Arantes, o Banco Mercantil de São Paulo que possuía sua sede no Edifício Mercantil Finasa no Vale do Anhangabaú, o Unibanco que possuiu sua sede durante muitos anos no Edifício Barão de Iguape na Praça do Patriarca, e o Bankboston sediado em edifício localizado entre o Vale do Anhangabaú e Rua Líbero Badaró. O Banco do Brasil, que iniciou suas atividades em São Paulo em uma agencia no encontro da Rua da Quitanda com a Rua Álvares Penteado, onde hoje funciona a unidade paulista do Centro Cultural do Banco do Brasil, construiu na década de 1950 um edifício de 142 metros de altura no centro Histórico de São Paulo para ser sua sede regional no estado.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Páteo do Colégio, destacado local de interesse turístico da região.
Mercado Municipal de São Paulo, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.
Catedral Metropolitana de São Paulo.

A concentração de grande e variada quantidade de marcos históricos, arquitetônicos e culturais da cidade, do estado de São Paulo e até mesmo do país, faz desta que é a parte mais antiga, não só da zona central, mas de toda a cidade de São Paulo, uma região com destacado interesse por parte de turistas e visitantes. Entre os pontos de interesse turístico mais divulgados e conhecidos estão:

  • Catedral Metropolitana de São Paulo, inaugurada oficialmente em 1954, ainda inacabada, para integrar as comemorações do quarto centenário da cidade de São Paulo, foi restaurada e totalmente concluída, respeitando-se seu projeto original, em 2002. Trata-se de uma das maiores igrejas em estilo neogótico do mundo. Localiza-se na Praça da Sé local que também abriga o monumento "Marco Zero" que indica o ponto mais central da cidade e de onde partem oficialmente as distancias medidas dentro do Estado de São Paulo.
  • Capela e Museu Padre Anchieta, no Pátio do Colégio, trata-se de um edifício construído nos mesmos moldes do que havia no local a época da fundação da cidade em 1554, nele encontra-se acervo acerca da história dos primeiros anos após a fundação da cidade bem como dos personagens que participaram desse período da história da cidade.
  • Mosteiro de São Bento, quase tão antigo quanto a própria cidade o mosteiro constitui um dos templos católicos mais importantes da história da cidade, localiza-se, famoso pelo canto gregoriano, pelos pães artesanais feitos pelos monges e pela sua arquitetura e decoração interior, localiza-se no Largo São Bento.
  • observatório do Edifício Altino Arantes (Prédio do Banespa), observatório público no alto de um dos edifícios mais emblemáticos e altos da cidade com 161 metros de altura e arquitetura semelhante ao Empire State Bulding de Nova York, esse edifício ao estar em região alta do centro histórico ganha notório destaque na paisagem além de proporcionar ao visitante ampla visão boa parte da cidade e região metropolitana.
  • Edifício Martinelli, suntuoso edifício de 130 metros de altura em estilo clássico, construído pelo Conde Giuseppe Martinelli entre as décadas de 1920 e 1930 na Praça Antonio Prado. Além de sua arquitetura tem como atrativo o terraço aberto da visitação onde há uma mansão feita para a família de Giuseppe Martinelli e variadas histórias que abrangem desde o perído que fora frequentado pela aristocracia paulista até períodos em que esteve em franca degradação e ameaçado de demolição ,
  • Vale do Anhangabaú, local emblemático da cidade hoje fechado ao tráfego onde tradicionalmente ocorrem manifestações, feiras culturais e Shows
  • Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, na Praça da Sé,
  • Viaduto Santa Efigênia, de estrutura metálica trazida da Bélgica foi a segunda ligação entre o centro velho e o centro novo após a construção do viaduto do Chá.
  • Palácio dos Correios, edifício histórico projetado por Ramos de Azevedo onde funcionou por anos a sede ddos correios na cidade de São Paulo, hoje inteiramente restaurado abriga a maior agencia da cidade e aguarda projeto para integrar centro cultural.
  • Praça Das Artes, localizada entre a rua Conselheiro Crispiniano, a Avenida São João e o Vale do Anhangabaú, é um complexo cultural que visa revitalizar a região por meio da cultura, abriga salas de conserto, dança, teatro além de servir como estrutura de apoio do Teatro Municipal de São Paulo[4]
  • Edifício Copan, de formato sinuoso, este singular edifício modernista projetado por Oscar Niemeyer atrai turistas e estudantes de arquitetura de várias partes do mundo.
  • Esquina das avenidas Ipiranga e São João, afamado local imortalizado pela letra da canção "Sampa" de Caetano Veloso

Evolução Urbana[editar | editar código-fonte]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Aspécto urbano do Vale do Anhangabaú com palacetes e jardins cortados por vias de tráfego na primeira metade do Século XX.

Ao longo do século XX, o Centro Histórico da cidade de São Paulo atingiu o seu apogeu econômico e social, bem como sua máxima degradação, além de um processo de esquecimento por boa parte dos habitantes da cidade. Ao mesmo tempo, a centralidade econômica da cidade migrava na direção sudoeste do município com, primeiramente o surgimento do polo de negócios da Avenida Paulista e, posteriormente, o da Avenida Brigadeiro Faria Lima. Mais recentemente, com a criação de um grande polo de negócios que se estende pela região da Vila Olímpia e das Avenidas Engenheiro Luis Carlos Berrini e Chucri Zaidan, nas imediações da Avenida Nações Unidas (Marginal Pinheiros).

Até a década de 1970, o Centro Histórico de São Paulo, já com infraestrutura consolidada e ainda repleto de grandes corporações e grandes arranha-céus, ainda concentrava parte significativa das grandes empresas nacionais e estrangeiras com sede na cidade. Em suas ruas, em boa parte estreitas, onde automóveis e pedestres já dividiam, com dificuldade, o pouco espaço disponível, em um tempo onde grandes lojas de departamentos, de eletrodomésticos, livrarias, restaurantes e das mais variadas finalidades caracterizavam fortemente o perfil urbano das ruas, que diferente das restrições impostas hoje à publicidade na cidade, tinham naquela época, na publicidade externa instalada em suas fachadas repletas de anúncios e neons um forte apelo ao consumo.

Vale do Anhangabaú atualmente restrito a pedestres e com tráfego subterrâneo

Todavia, nesse mesmo período de sua história, já começavam a evidenciar-se os sinais e sintomas de uma decadência urbana severa, tais como a transferência da sede de muitas empresas para outros locais da cidade, a forte deterioração do espaço público, o aumento nos índices de criminalidade, o processo de especulação imobiliária em imóveis abandonados e sem manutenção, o aumento do número de pessoas vivendo nas ruas e o surgimento de muitos cortiços, além da deterioração da qualidade de vida, que desincentivou boa parte da população já estabelecida na região a ali permanecer. Isto ocasionou um esvaziamento populacional da região, que viria a agravar-se de forma contínua e aguda até o início dos anos 1990, quando, diante de um quadro de degradação profundo e absolutamente evidente o poder público, inicia de forma ainda tímida um processo de requalificação urbana da área central da cidade.

Palácio das Indústrias, atual Museu Catavento, onde funcionou a prefeitura de São Paulo entre os anos de 1992 e 2002.

Entre as medidas iniciais da ainda pouco clara política de requalificação urbana na área central da cidade naquela época, estiveram a transferência da sede da Prefeitura da Cidade, até então instalada dentro do Parque do Ibirapuera, para o Palácio das Indústrias Parque Dom Pedro II, já naquela época, e ainda hoje uma das área mais intensamente degradadas do Centro da cidade, sendo dez anos mais tarde transferida novamente para a esquina da rua Líbero Badaró com o Viaduto do Chá, onde encontra-se atualmente. Foi também promovida a reforma e remodelação do Largo São Bento, a reforma do Teatro Municipal, além do aterramento das pistas de tráfego do Vale do Anhangabaú, onde foi instalada uma área exclusiva para uso de pedestres nos moldes de uma praça.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]