Capão Redondo

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Distrito paulistano do
Capão Redondo
Área 13,6 km²
População () 275.230 hab. (2010)
Densidade 202,38 hab/ha
Renda média R$ 711,37
IDH 0,782 - médio (79°)
Subprefeitura Campo Limpo
Região Administrativa Sul
Área Geográfica 7 (Sudoeste)
Distritos de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Estação de metrô Capão Redondo
Commons
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Capão Redondo é um distrito pertencente à subprefeitura do Campo Limpo, na região sudoeste do município de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. Localiza-se a cerca de dezoito quilômetros do marco zero da cidade.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

"Capão" é uma "porção de mato isolado no meio de um campo". O termo possui duas etimologias possíveis, ambas baseadas na língua tupi:

  • "mato redondo", através da junção dos termos ka'a ("mata") e pu'ã ("redondo")[1] .
  • "intervalo de mata", através da junção dos termos ka'a ("mata") e pa'um ("intervalo")[2] .

História[editar | editar código-fonte]

O bairro surgiu não muito distante de Guavirituba, atual M'Boi Mirim, nas imediações da Represa Guarapiranga, onde, segundo depoimento oral de antigos moradores do Jardim Ângela, gente que residia e trabalhava no centro da capital paulista se aventurava caçando, pescando e acampando na região praticamente despovoada dos sertões de Santo Amaro na segunda década do século XX. O nome de Capão Redondo foi dado ao bairro por seus primeiros moradores; o motivo que os levou a usarem esta denominação para o local foi existir, nesta região, um capão de araucárias, bem redondo, com cerca de cinquenta quilômetros de circunferência.

A primeira ocupação do Capão Redondo aconteceu nas imediações do Parque Santo Dias e da EMEF Ricardo Vitiello, nas confluências das Avenidas Solidariedade e Marmeleira da Índia com a Avenida Ellis Maas (que leva o nome de um dos diretores do Collegio Adventista, atual UNASP). A partir de 1915 foi construído um grande complexo de represas que existiu até os anos 1960. Hoje, é possível apenas visualizar a cohab adventista, duas avenidas e um córrego bem poluído a céu aberto, denominado Moenda.

O distrito possui hoje uma infinidade de escolas, tanto privadas quanto publicas. No distrito se localizam atualmente seis Escolas Adventistas, as escolas do Alvorada, Valo Velho, Campo de Fora, Jardim das Palmeiras, Jardim Lillá e Vila das Belezas, e os Colégios Adventistas Ellen White e Campo Limpo. Além da Universidade Adventista de São Paulo, UNASP. O distrito possui ainda os colégios católicos São Luiz de Gonzaga, São Vicente de Paulo e Santa Isabél; e os privados Perspectiva, Prisma, Morumbi Sul, Seiva e o Externato Elvira Ramos (O Colégio Elias Maas fechou em 2012). Há vários colégios estaduais e municipais, tais como o Colégio Afis Gerbara e Joiti Hirata.

Do ponto zero do Capão Redondo, nas imediações da portaria do Parque Santo Dias, o litoral paulista fica a exatos 49,4 quilômetros em linha reta. Os altos de Vila Mariana e do espigão mestre da Avenida Paulista podiam ser vistos onde foi erguido o primeiro edifício público no Capão Redondo no dia 2 de agosto de 1915, atual prédio da reitoria do UNASP. Os prédios da região do Morumbi e imediações do Campo Limpo impedem uma visão mais ampla do Centro da cidade.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

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1827-1829 Imigrantes alemães instalam-se no sertão de Santo Amaro e duas famílias descendentes, os Teizen e os Klein, se estabelecem no Capão Redondo.

1908 Primeira corrida automobilística na América Latina nas imediações do Capão Redondo.

1911 Uma grande área do Capão Redondo do senador Herculano de Freitas é permutada com terras de Salvador Corrêa, que atualmente nomeia como praça a confluência de duas avenidas do bairro, antigo ponto final de ônibus vindos do Vale do Anhangabaú. Adão Correa, seu filho, foi inspetor de quarteirão e colportor e um dos moradores mais antigos do bairro.

1915 Início do Seminário Adventista, atual Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) sob a liderança de dois missionários da Igreja Adventista do Sétimo Dia, os pastores John Boehm e John Lipke. Este último está sepultado no Cemitério Santo Amaro e nome a Biblioteca Universitário do UNASP.

1917 Luz elétrica obtida por represamento do córrego da Moenda ilumina o Seminário Adventista e postes telefônicos instalados por estudantes desta instituição interligam o Capão Redondo a Santo Amaro.

1923 A fazenda modelo do Colégio Adventista importa gado holstein (vacas holandesas) dos Estados Unidos, iniciativa inédita no Brasil e em São Paulo.

1925 Produção de suco de uva, produtos integrais, no Colégio Adventista, e mais tarde a fábrica Superbom.

1929 Nasceu no Capão Redondo, Eunice Michiles, a primeira senadora do Brasil, empossada em 1979, ex-aluna normalista e professora do Colégio Adventista Brasileiro.

1935 O interventor Armando Sales de Oliveira, anexa Santo Amaro e Capão Redondo à cidade de São Paulo.

1942 Início da Escola São Vicente Paulo, mantida por católicos que formaram a Paróquia Nossa Senhora do Carmo.

1956 Construção da capela São José Operário. Doação do coronel Mário Rangel possibilita a construção da paróquia São José Operário em 1969.

1957 Asfaltamento da estrada de Itapecerica na gestão do governador Jânio da Silva Quadros.

1966 O líder sindical José Grigório de Jesus e dona Rosa fundam a Sociedade Assistencial do Capão Redondo, a mais antiga associação de bairro da região.

1970 Nasceu Pedro Paulo Soares da Silva, o rapper Mano Brown. Vocalista do grupo Racionais MC's, grupo de rap que surgiu em 1988 na cidade de São Paulo. Lançou, em 2007, o DVD Mil Trutas Mil Tretas.

1971 Fundação da EMEF Coronel Mário Rangel. Organização dos primeiros desfiles cívicos de rua.

1975 Nasceu, em São Paulo, Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, que, em 1999, fundou a 1DASUL, marca de roupa confeccionada integralmente no bairro. Escreveu o romance de sucesso "Capão Pecado".

1976 Nasceu em São Paulo, Levi de Souza, o rapper e escritor FUZZIL. Vocalista do grupo Dois Ponto Zero. Autor do livro: Caturra. Fundou em 2007 a Marca de Roupa "Deeanto", que trabalha com a temática afro.

1978 Inaugurado o 47º Distrito Policial na Estrada de Itapecerica, que funcionara até então sem edifício próprio nas imediações da Estrada de Itapecerica.

1979 Na gestão de Reinaldo de Barros, o Instituto Adventista de Ensino foi desapropriado: surge a COHAB Adventista na gestão Jânio Quadros (1986-89).

1981 Fundação do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo (CDHEP).

1990 Início das obras do Hospital do Campo Limpo (Hospital Municipal Fernando Mauro Pires Rocha.)

1992 Inauguração do Parque Santo Dias, originária da antiga fazenda preservada pelo UNASP com 134.000 metros quadrados.

1994 Inauguração da Avenida Carlos Caldeira Filho.

1996 Primeira Caminhada Pela Vida e Pela Paz. Surge o Fórum em Defesa da Vida contra a Violência.

2000 Inauguração do Terminal Capelinha. Implantação do Telecentro e do Programa de Saúde da Família (PSF) com o IAE-UNASP.

2001 Decreto Municipal instituindo o Dia do Capão Redondo, 30 de abril.

2002 Início das operações da Linha 5 - Lilás do Metrô de São Paulo. A linha começa no próprio Capão Redondo, que inclusive é onde fica localizado o pátio de manutenção dos trens, o Pátio Capão Redondo(PCR)

2004 Inaugurada a Praça de Atendimento da Subprefeitura do Campo Limpo.

2005 O Grupo Organizado de Valorização à Vida (GOVV), força-tarefa comunitária que envolve representantes do Ministério Público, Polícias Militar e Civil, além de líderes comunitários, lutam pela Lei Seca, que fecha os bares às 22 horas, reduzindo a violência no Capão Redondo e Jardim Ângela.

2006 Shopping Campo Limpo é aberto ao público, ocupando o espaço do antigo supermercado Sé.

2008 Inauguração do CEU Feitiço da Vila e CEU Capão Redondo.

2009 Segundo o cadastro do Programa de Saúde da Família, a população do Capão Redondo ultrapassa 300 000 moradores, embora as projeções do IBGE indiquem para 2010 uma população estimada em 289 000 habitantes.

2014 Inauguração das instalações provisórias do SESC Campo Limpo, próximo ao Shopping Campo Limpo.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.340
  2. NAVARRO, E. A. Método Moderno de Tupi Antigo. Terceira edição. São Paulo: Global, 2005. p.168

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AB' SÁBER, Aziz Nacib. São Paulo: Ensaios Entreveros. São Paulo, EDUSP, 2004.
  • DIAS, Luciana, AZEVEDO, Jô, BENEDICTO, Nair. Santo Dias: Quando o Passado Se Transforma em História. São Paulo, Cortez, 2004
  • BERARDI, Maria Helena. Santo Amaro: Memória e História: da Botina Amarela ao Chapéu de Couro. São Paulo, Scortecci, 2005.
  • BONDUKI, Nabil G. Habitação & Autogestão: Construindo Território de Utopia. São Paulo, FASE, 1992.
  • BORGES, Michelson. A Chegado do Adventismo ao Brasil. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2005.
  • CALDEIRA, João N. Álbum de Santo Amaro. São Paulo, Organização Cruzeiro do Sul, Bentivegna & Netto, 1935.
  • GUERRA, Juvencio. GUERRA, Jurandyr. Santo Amaro:Almanack Commemorativo do 1º Centenário do Município de Santo Amaro. São Paulo, Graphico ossolillo,1932.
  • CARRIL, Lourdes. Quilombo, Favela e Periferia: a Longa Busca Da Cidadania. São Paulo, Annablume, 2006.
  • DIAS, João C. Leite na Paulicéia. São Paulo, Calandra, 2004.
  • FERREZ, Amanhecer Esmeralda Rio de Janeiro, Objetiva, 2003
  • FERREZ, Capão Pecado. Rio de Janeiro, Objetiva, 2005.
  • FERREZ, Ninguém é Inocente em São Paulo. Rio de Janeiro, Objetiva, 2008.
  • FERREZ, Manual Prático do Ódio. Rio de Janeiro, Objetiva, 2003.
  • FUZZIL, Um presente para o gueto. São Paulo, Edições Toró, 2007
  • FUZZIL, Caturra. São Paulo, Elo da Corrente Edições, 2010.
  • FUZZIL, Céu de Agosto. São Paulo, A.P.L Editora, 2013.
  • GARCIA, Ana A. Jerônimo era Assim. Santo Andre, CPB, 1985.
  • GOHN, Maria da Glória Marcondes. Movimentos Sociais e Lutas pela Moradia. São Paulo, Loyola, 1991.
  • HARDER, Palmer. 63 anos. São Paulo, Gráfica IAE, 1990.
  • HOSOKAWA, Elder. Da Colina Rumo ao Mar: Colégio Adventista Brasileiro em Santo Amaro (1915-1947). Dissertação de Mestrado, FFCLH-USP, 200.
  • MARSKI, Geraldo. Quando Tudo Dá Certo. Inspiração Juvenil. Geraldo Marski. Tatuí, CPB, 2000.
  • PEREIRA, Alfredo Torres. GNUTZMANN, João. Missão África & Amazonas. Rio de Janeiro: Editora Golden Star, 1975.
  • PONCIANO, Levino. 450 Bairros: São Paulo 450 Anos. São Paulo, SENAC, 2004.
  • RABELLO, João. John Boehm: Educador Pioneiro. São Paulo, Gráfica IAE, 1985.
  • SCHWANTES, Siegfried J. Professor Toda a Vida. Gráfica IAE, 1985.
  • SIQUEIRA, José N. De Engraxate a Pastor. São Paulo, Gráfica IAE, 1990.
  • SIRIANI, Silvia C. L. Uma São Paulo Alemã. São Paulo, Arquivo do Estado, 2003.
  • STORCH, Gustavo S. Venturas e Aventuras de um Pioneiro. Santo André, CPB, 1980.
  • WALDVOGEL, Luiz. Memórias do Tio Luiz. Tatuí: CPB, 1986.

Documentários sobre o Capão Redondo[editar | editar código-fonte]

  • Capão: Sintonia da Quebrada. Dir. Camilo Tavares. Pactual Secretaria Municipal da Educação. Secretaria Municipal da Cultura. 2007.
  • Mil Trutas, Mil Tretas. Dir. Mano Brown. Ano; 2007.