Zona Central de São Paulo

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Central
Área 27 km²
População 431.106[1] hab. (2010)
Renda média R$ 2.335,54
IDH 0,928 - muito elevado
Zonas de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg

Chama-se comumente Zona Central de São Paulo (ou simplesmente Centro de São Paulo) à região administrada pela Subprefeitura da Sé, que engloba os distritos da Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, e Santa Cecília.[2]

Não deve ser confundida com a região conhecida como centro expandido, utilizada eventualmente pela prefeitura da cidade em ações de planejamento urbano, a qual engloba também partes das subprefeituras da Mooca, Lapa, Pinheiros e Vila Mariana, ou com o Centro Histórico de São Paulo, que engloba apenas a parte mais antiga da região central.

Definição[editar | editar código-fonte]

Zona Central de São Paulo, com destaque para o Edifício Altino Arantes.

Oficialmente, a zona central é delimitada pelos distritos da Subprefeitura da Sé. No entanto, a percepção social daquilo que se chama "centro de São Paulo" varia e eventualmente inclui outras áreas da cidade. Até a criação da subprefeitura da Sé, a noção de "centro" equivalia à região da antiga Administração Regional da Sé, que também incluía os distritos do Brás e do Pari - atualmente englobados pela Subprefeitura da Mooca -, interpretação que também é encontrada atualmente.[3]

A noção de "área central de São Paulo", porém, é mais ampla a depender do estudo que é feito a respeito da região e pode incluir pontos como os centros financeiros da Avenida Paulista e da Avenida Berrini.[4] Para Villaça, chama-se de "área de concentração das camadas de alta renda" a região da cidade que engloba todas as centralidades que são historicamente chamadas de "centro" e cujas imagens são de tempos em tempos ideologicamente associadas à própria imagem da cidade. Esta região, que poderia ser entendida como o centro metropolitano de São Paulo, também é chamada de "vetor sudoeste" [5] e concentra a maior parte da renda, dos empregos e da atuação do Estado na cidade.

Degradação e revitalização[editar | editar código-fonte]

Fotografia aérea da região central da cidade, com destaque para os edifícios Copan, Itália e Ipiranga 165.

O centro de São Paulo foi também o principal distrito financeiro da cidade até aproximadamente a segunda metade do século XX. A partir da década de 1970, por vários erros de sucessivos governos municipais e pelo desenvolvimento de outras áreas da cidade, muitas empresas começaram a se mudar para outros distritos da cidade.[6] Novos centros financeiros começaram a surgir pela cidade e a sede de órgãos do governo do estado de São Paulo deixaram a região, como a transfência sua sede para o Palácio dos Bandeirantes no bairro do Morumbi (Zona Oeste de São Paulo). Com o forte processo de degradação urbana e de queda na qualidade de vida da região, a maioria das pessoas de alta e média renda, além de artistas e intelectuais que viviam na região, também começaram a mudar-se para outras áreas da cidade, resultando no agravamento da decadência da região central da cidade. O intenso processo de esvaziamento e degradação urbana na região trouxe várias consequências como o aumento das taxas de delinquência, economia informal, atos de vandalismo, falta de investimento privado em novos imóveis, depredação do patrimônio histórico, especulação imobiliária, prostituição, aumento no número de mendigos e consumo de drogas.[7]

Viaduto do Chá à noite, com do Teatro Municipal à direita.

No início da década de 1990 começaram a surgir as primeiras intenções e movimentos por parte da sociedade (como a associação "Viva o Centro") e do governo (municipal e estadual) que tratavam da recuperação social, econômica, turística e cultural da região, iniciando um lento, porém constante, processo de revitalização. Vários centros culturais foram criados ou recuperados, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, a Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa, a Estação Júlio Prestes, a Sala São Paulo, o Teatro Municipal de São Paulo, o Mercado Municipal de São Paulo, o Palácio das Indústrias, o Museu Catavento, entre outros.[6]

Em 2009 foi criada uma nova forma de vigilância dos espaços públicos para esta zona da cidade, denominada "Aliança pelo Centro Histórico de São Paulo" que inclui esforços da prefeitura da cidade, da associação "Viva o Centro" e das empresas privadas da região. O projeto "Aliança pelo centro histórico" tem o objetivo de proporcionar a qualidade total dos serviços públicos como: a segurança, a iluminação e a limpeza das ruas e praças e outros mais.[8]

Outra importante iniciativa de recuperação da região central de São Paulo é o Projeto Nova Luz, criado pela prefeitura em 2004 e iniciado em 2005, tem por objetivo reformular por completo a área da atual "Cracolândia", local bastante degradado no centro da cidade, conhecido por ser ponto de tráfico e uso de drogas.[9]

Vista do centro de São Paulo a partir da torre do Banespa e ao fundo a Zona Norte.
Região central da cidade vista do Edifício Itália.

Características sociais[editar | editar código-fonte]

Monumento situado no centro do Pátio do Colégio
Avenida Prestes Maia, parte de um complexo viário construído sob a praça do Vale do Anhangabaú.

A população total da subprefeitura da Sé, segundo o censo de 2010, é de 431 106 habitantes, sendo a região administrativa menos populosa da cidade, ainda que seja aquela com a maior oferta de equipamentos públicos e empregos.[4] Contudo, nos anos 2000, houve reversão do declínio populacional, com aumento de 15% do número de habitantes no período. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, a cada ano da década de 1990 a zona central de São Paulo apresentou uma taxa negativa de crescimento demográfico que chegou a -5 por cento ao ano.[10] [11] Esse fator contribuiu para aquilo que se convencionou chamar de "degradação" da região, pois, segundo alguns especialistas em estudos urbanos,[12] com o afastamento das elites paulistanas das áreas centrais, ocorreu juntamente o afastamento da zeladoria pública, levando a uma sensação de "abandono".

Distrito População (2010) IDH (2000)
Santa Cecília 83 717 hab. 0,930
Bela Vista 69 460 hab. 0,940
Liberdade 69 092 hab. 0,936
Consolação 57 365 hab. 0,950
República 56 981 hab. 0,901
Cambuci 36 948 hab. 0,903
Bom Retiro 33 892 hab. 0,864
23 651 hab. 0,858

Apesar de apresentar uma renda da média superior a de outras regiões do município, possui uma grande quantidade de moradores de rua e bolsões de pobreza, como a região da "Cracolândia" (a qual tem sido recentemente alvo de um processo de "revitalização" por parte da prefeitura, o qual é acusado por especialistas de tentar promover "higienização social" e a gentrificação[13] ).

É ponto de entroncamento das vias principais da cidade, e também a região mais bem servida de transporte público na cidade, sendo atendida por todas as linhas de metrô, com exceção da Linha 5. É também a sede de algumas das principais instituições de ensino superior da cidade, como a Universidade Mackenzie, a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e unidades da Universidade de São Paulo, como a Faculdade de Direito, o Centro Universitário MariAntonia e a sede dos cursos de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Panorama da zona central de São Paulo vista do Edifício Altino Arantes (2006)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • FRÚGOLI Jr, Heitor; Centralidade em São Paulo; São Paulo: Edusp, 2001
  • VILLAÇA, Flávio; Espaço intra-urbano no Brasil; São Paulo: Studio Nobel, 1998
  • ___; A responsabilidade das elites e a decadência dos centros de São Paulo e Rio., não publicado, 1993, disponível em [2]
  • FELDMAN, Sarah; São Paulo: Qual Centro?. In: Schicchi, Maria Cristina; Benfatti, Denio. (Org.). Urbanismo: Dossiê São Paulo-Rio. São Paulo: Oculum ensaios, 2004, v. 01, p. 37-50.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]