Gentrificação

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Soho no centro do West End de Londres.

Chama-se gentrificação, uma tradução literal do inglês "gentrification" que não consta nos dicionários de português, a um conjunto de processos de transformação do espaço urbano que, com ou sem intervenção governamental, busca o aburguesamento de áreas das grandes metrópoles que são tradicionalmente ocupadas pelos pobres, com a consequente expulsão dessas populações mais carentes, resultando na valorização imobiliária desses espaços.1 .

Na experiência estadunidense e canadense do termo gentrification - derivado do inglês "gentry", que significa pequena aristocracia ou, neste contexto, burguesia -, entende-se também a re-capitalização de espaços urbanos residenciais e de comércio independentes com novos empreendimentos prediais e de grande comércio, ou seja, a substituição de pequenas lojas e residências por edifícios residenciais e comerciais de alto padrão. Nos últimos dez anos, este fenômeno tem por exemplo a mudança radical da natureza das lojas de Queen St. West em Toronto ou o aburguesamento de vários bairros antes populares de San Francisco.

Esses processos são criticados por alguns estudiosos do urbanismo e de planejamento urbano devido ao seu caráter excludente e privatizador. Outros estudiosos, como o sociólogo Richard Sennett da Universidade Harvard 2 , consideram demagógico o caráter das críticas, argumentando que problemas urbanos não se resolvem com benevolência para com as camadas mais pobres da população e, na sua opinião, só se resolvem com alternativas que reativem e recuperem a economia do local degradado. "O problema é que o bota-abaixo de 1902 [no Rio de Janeiro] tirou os pobres do centro, mas não foi seguido de uma solução para essa horda – que acabou se refugiando nos morros, iniciando a formação das favelas (Revista Veja) 2 ."

A expressão da língua inglesa gentrification foi usada pela primeira vez pela socióloga britânica Ruth Glass, em 1964, ao analisar as transformações imobiliárias em determinados distritos londrinos. Entretanto, é no ensaio The new urban frontiers: gentrification and the revanchist city, do geógrafo britânico Neil Smith, que o processo é analisado em profundidade e consolidado como fenômeno social presente nas cidades contemporâneas. Smith identificou os vários processos de gentrificação em curso nas décadas de 1980 e 1990 e tentou sistematizá-los, especialmente os ocorridos em Nova Iorque (com destaque para a gentrificação ocorrida nos bairros de Harlem, naquela cidade e do Soho, em Londres).

Normalmente os processos de aburguesamento urbano identificam casos de recuperação do valor imobiliário de regiões centrais de grandes cidades que passaram as últimas décadas por um período de degradação, durante o qual a população que vivia nestes locais era, em geral, pertencente às camadas sociais de menor poder aquisitivo. Através de uma estratégia do mercado imobiliário, normalmente aliado a uma política pública de revitalização dos centros urbanos, procura-se recuperar a região em questão, de forma a deslocar a população original, atrair residentes de mais alta renda e recuperar a atividade econômica no local.

Foi adotada a expressão em inglês gentrification devido ao caráter supostamente "enobrecedor" que tais estratégias imobiliárias procuram associar às suas regiões-alvo. Em português, alguns textos chegam a traduzir o processo, de fato, através da expressão "enobrecimento urbano", embora seja mais comum utilizar-se do anglicismo "gentrificação". Em Portugal, Espanha e França, a palavra é traduzida mais apropriadamente por "aburguesamento". Dependendo da maneira como seja realizado, o processo também é chamado, por seus críticos, de higienização social ou de limpeza social, especificamente, devido aos abusos cometidos contra as populações tradicionalmente residentes nessas áreas.

Esse aburguesamento de bairros populares e/ou degradados pode tornar-se um problema social de sérias proporções quando as leis não protegem os moradores ou quando a oferta de moradia a preços módicos é inexistente. "Mesmo que os moradores desalojados não fiquem sem teto, a conversão de hotéis dilapidados em apartamentos significa que haverá menos opções de habitação para os mais pobres e, se isso ocorrer em grande escala, criará uma grande pressão nas já assoberbadas organizações de auxílio voluntário, de caridade e provedores de assistencia social".3

Associados aos políticos, ao grande capital e aos promotores culturais, os planejadores urbanos, agora planejadores-empreendedores, tornaram-se peças-chave dessa dinâmica. Esse modelo de mão única, que passa invariavelmente pela gentrificação de áreas urbanas "degradadas" para torná-las novamente atraentes ao grande capital através de mega-equipamentos culturais, tem dupla origem, americana (Nova-York) e européia (a Paris do Beaubourg), atingindo seu ápice de popularidade e marketing em Barcelona, e difundindo-se pela Europa nas experiências de Bilbao, Lisboa e Berlim.4
Otília Arantes, in A Cidade do Pensamento Único: Desmanchando Consensos

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No Mundo [editar]

Na medida em que o estado estaria tornando-se "agente de" ao invés de "regulador do" mercado, o novo urbanismo 5 cada vez mais agiria sob o impulso da produção capitalista, e não mais sob o da reprodução social, segundo os críticos. Com a globalização promovendo um reescalonamento global, a escala do espaço urbano foi refundida. O processo de gentrification, ou em português enobrecimento urbano, que começou como um fato isolado e esporádico aqui e ali, generalizou-se como uma estratégia urbana: sua incidência agora é global, e a gentrification (enobrecimento urbano) estaria intimamente ligada ao circuito global de circulação de capitais, com a mudança de foco da escala urbana, anteriormente definida de acordo com condições de reprodução social, para uma escala em que o capital produtivo detém uma precedência nítida.6

No Brasil [editar]

Pelourinho, centro histórico de Salvador, que passou por um processo de gentrificação.
Praça da Sé, o marco zero de São Paulo. A região central da cidade passou por uma revitalização.

Embora o processo de urbanização brasileiro apresente diferenças significativas em relação ao mundo anglo-saxão - onde já existe uma tradição de estudos sobre gentrificação - no Brasil também ocorrem, sobretudo nas grandes cidades, casos de mudanças de perfil de renda, decorrentes de retirada e substituição de população local, ligadas a operações urbanas de "renovação", "requalificação", "revitalização" e assemelhados. Esses casos têm sido tratados pelos estudiosos como processos de gentrificação.

Entre os vários estudos, destacam-se aqueles relacionados ao bairro do Pelourinho,7 em Salvador. A Operação Pelourinho, como ficou conhecido o projeto de recuperação de um dos mais expressivos conjuntos arquitetônicos do período colonial brasileiro, poderia ser considerada uma das primeiras operações de gentrification no Brasil. No centro histórico da cidade de Salvador, o Pelourinho sofreu uma reforma "relâmpago" quando em 1992 foi aberta pelo governo do Estado uma licitação para que empresas privadas realizassem a reforma com um prazo de 150 dias para a conclusão das obras (Fernandes et al., 1995, p. 47). Feita em curto espaço de tempo, a reforma foi muito criticada em vários pontos, especialmente por ter sido executada praticamente à revelia das instâncias municipais e federais de preservação.8

Em 1993 chegou a vez do Recife. Foi "revitalizado" naquela cidade o Bairro do Recife Antigo que fora, em 1910, reconstruído segundo o modelo da Paris de Haussmann. Foi assinado um acordo com a Fundação Roberto Marinho e a empresa Akzo do Brasil (Tintas Ypiranga) para pintar as fachadas do Bairro do Recife Antigo. O Projeto Cores da Cidade, que também se realizou no Rio de Janeiro.,9 foi um dos primeiros resultados práticos da "revitalização" do Bairro, efetuada no sistema de parcerias: a Akzo doava as tintas, os proprietários arcavam com a mão-de-obra, a prefeitura supervisionava as reformas e dava incentivos fiscais aos proprietários, e a Fundação Roberto Marinho (FRM) assegurava a divulgação das reformas em rede nacional de televisão.10

Outros estudos analisam o projeto executado no centro da cidade de São Paulo11 durante as gestões dos prefeitos José Serra e Gilberto Kassab.12 e na atuação do subprefeito da Sé 13 , Andrea Matarazzo, criticados por vários arquitetos e urbanistas, e também por movimentos de extrema-esquerda.14 15 "Sobre a questão, Ferraz (2004) descreve a problemática de considerar 'uma região homogênea e sem conflitos como centralidade'. De acordo com ele, 'a região do centro sofre com a tentativa de um projeto de alteração do perfil de seus usuários e dos usos, de maneira a tornar o espaço estéril por meio de gentrificação' excluindo vendedores ambulantes e moradores com pouca ou nenhuma renda, 'sem se preocupar para onde irão ou mesmo com a inserção destes programas de assistência social'. Ferraz concluiu que o centro de São Paulo torna-se um museu, sem vida, 'numa realidade montada com demagogia e violência simbólica – a globalização excludente tida como algo positivo'. Para o autor há apenas uma alternativa para fazer do centro uma área democrática: 'ou considera-se o centro uma área de usos mistos, sem excluir os atuais ocupantes, ou se destrói a atual situação e, no lugar, constrói-se um simulacro, uma espécie de teatro a céu aberto, onde uns são bem-vindos e outros não – neste caso, melhor mudar o nome centro'. MORAES, Patricia. Gentrificação e "requalificação" urbana: o caso da Vila Itororó Reprodução autorizada

A ação crítica de muitos movimentos sociais teria, segundo a revista Veja, todavia, um "viés partidário", "ligado a interesses de partidos de esquerda e de extrema-esquerda". O monsenhor Júlio Lancellotti, responsável pelo Vicariato Episcopal do Povo de Rua (Pastoral do Povo de Rua) da Arquidiocese de São Paulo,16 sendo tradicionalmente apoiado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) 17 , tem apresentado críticas contra aquilo que considera ser "políticas urbanas excludentes e perversas". Segundo a opinião da revista Veja, o principal interesse do monsenhor Lancellotti, vigário episcopal do povo de rua na Arquidiocese de São Paulo, "seria manter um público cativo para fazer manobras políticas e demagogia" 17 .

Esse texto da Revista Veja sofreu críticas à sua publicação no Observatório da Imprensa, que o qualificou de "matéria semelhante a texto de propaganda" 18 apontando sua violação a uma das regra mais básicas do bom jornalismo, que teria sido ouvir a versão do "acusado".19

Em contraponto às opiniões expressadas pela Revista Veja registra-se, por outro lado, que a Assembléia das Igrejas do Regional Sul 1, composta por arcebispos, bispos, sacerdotes, religiosos/as, leigos e leigas, (CNBB I) aprovou uma moção de apoio a Lancellotti, dizendo que: "Seu trabalho sempre foi uma grande referência para a Igreja e a sociedade. É sinal do amor misericordioso de Deus junto aos irmãos mais sofridos. Semeando amor e esperança, muitos aprenderam com o Pe. Júlio a recomeçar a vida e encarar o futuro com dignidade".20 A moção de solidariedade foi assinada, dentre outros, pelo então arcebispo Odilo Scherer, que depois foi consagrado cardeal arcebispo pelo papa Bento XVI.

Na realidade, os processos de gentrificação estão agora cada vez mais colocando em risco a coesão social e a inclusão de distritos históricos, levando mesmo, em alguns casos, a uma transformação social brutal e a despejos forçados.21


Recentemente , o bairro de Madureira , no Rio de Janeiro , sofre um processo de gentrificação. Após um longo período de relativo abandono , foi construído o terceiro maior parque da Cidade com um ideal totalmente sustentável e fazendo com que a população de baixa renda tenha dificuldade de se manter na região , ou prefira vender suas casas pelo preço elevado em que se encontram e comprar em outros lugares mais baratos. Muitos políticos, "promotores de negócios", corretores imobiliários, e até alguns acadêmicos conservadores têm considerado a gentrificação como sendo uma política puramente positiva. Vêem nela o remédio ideal para a solução humana, ecológica e fiscal de regiões urbanas decadentes. "Mas como os esforços da Central City East Assn.’s (em Los Angeles) para varrer e lavar as áreas da cidade onde moram vagabundos demonstrou gentrificar um bairro frequentemente significa deslocar os que lá habitavam, e deslocamentos não ocorrem sem brigas (…) E muitas vezes, o preço a pagar é alto demais".

Referências [editar]

  1. HOFFMANN, Friederike. Istanbul: Living Together Separatly. Urban Action 2007, College of Behavioral and Social Sciences, San Francisco State University, 2007
  2. a b ANTUNES, Camila. A Solução é Derrubar. A prefeitura de São Paulo vai demolir a parte mais degradada do centro da cidade e oferecer os terrenos à iniciativa privada. Urbanismo, Revista Veja, Edição 1938, 11 de janeiro de 2006.
  3. SLATER, Tom. The downside of upscale. Los Angeles: Los Angeles Times, July 30, 2006
  4. ARANTES, Otília, VAINER. Carlos Vainer e MARICAT, Ermínia. A Cidade do Pensamento Único: Desmanchando Consenso. Petrópolis: Editora Vozes, 3a edicao, 2002, ISBN 85-326-2384-0
  5. SMITH,"" Neil; The New Urban Frontier; Gentrification and the Revanchist City; Nova Iorque: Routledge, 1996
  6. SMITH, Neil. New Globalism, New Urbanism: Gentrification as Global Urban Strategy, Graduate Center, City University of New York, New York
  7. NOBRE, Eduardo; Intervenções urbanas em Salvador: turismo e "gentrificação" no processo de renovação urbana do Pelourinho, artigo publicado nos anais do X Encontro Nacional da Anpur, 2003
  8. FERNANDES, Ana et al. (1995), Operação pelourinho: o que há de novo, além das cores?, in FERNANDES, Ana et al. (1995), Estratégias de intervenção em áreas históricas: revalorização de áreas urbanas centrais . Mestrado em Desenvolvimento Urbano. Universidade Federal de Pernambuco, Recife.
  9. Iniciado no Rio de Janeiro, o Projeto Cores da Cidade desenvolveu o Projeto Corredor Cultural, que recuperou parte das fachadas da rua Sete de Setembro, entre 1993 e 1994 (FINGUERUT, Sílvia. (1995), Cores da cidade: os casos do Rio de Janeiro e Recife, in FINGUERUT, Sílvia. (1995), Estratégias de intervenção em áreas históricas: revalorização de áreas urbanas centrais. Mestrado em Desenvolvimento Urbano. Universidade Federal de Pernambuco, Recife, p. 53)
  10. LEITE, Rogerio Proença. CONTRA-USOS E ESPAÇO PÚBLICO: notas sobre a construção social dos lugares na Manguetown. Revista Brasileira de Ciências Sociais (Rev. bras. Ci. Soc. vol.17 no.49 São Paulo June 2002)
  11. Para mais detalhes, conferir o artigo Gentrificação na cidade de São Paulo
  12. Repórter Brasil - Dossiê aponta limpeza social dos sem-teto em São Paulo
  13. NUNES, Fabiano. Jato d'Agua Expulsa Morador de Rua de Calçada. Mendigos são Surpreendidos Durante Limpeza da Prefeitura na Madrugada. Ministério Público Investiga Abusos e Agressões. Prefeitura Fala em Punição - Fotos São Paulo, SP: Jornal São Paulo Agora (grupo Folha de S. Paulo), 13 de fevereiro de 2008. Fonte: Ministério Público do Estado de São Paulo www.mp.sp.gov.br
  14. Centro de Mídia Independente Brasil; Serra constrói rampas antimoradores/as de rua
  15. E-agora
  16. Arquidiocese de São Paulo, Vicariato Episcopal do Povo de Rua, Coordenador Mons. Júlio Renato Lancellotti
  17. a b ANTUNES, Camila. O pecado da demagogia, in A Solução é Derrubar. A prefeitura de São Paulo vai demolir a parte mais degradada do centro da cidade e oferecer os terrenos à iniciativa privada. Urbanismo, Revista Veja, Edição 1938, 11 de janeiro de 2006.
  18. CAPELLARI, Humberto Amadeu. Sobre o pogrom higienista. Feitos & Desfeitas, Observatório da Imprensa, 23 de janeiro de 2006
  19. "" CAPELLARI, Humberto Amadeu. Sobre o pogrom higienista. Feitos & Desfeitas, Observatório da Imprensa, 23 de janeiro de 2006
  20. Moção de Apoio ao Pe. Júlio Lancellotti. Arquidiocese de São Paulo
  21. From gentrification to forced eviction – how should economic competitiveness be reconciled with social sustainability in historical districts? Social and Humam Sciences, Social Transformations, Themes, UNESCO

Ver também [editar]

Ligações externas [editar]

Bibliográficas [editar]

  • AGÊNCIA de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco – AD/Diper. (1992), Plano de revitalização - Bairro do Recife . Planejamento Urbano e Economia, vol. 1, Recife.
  • ARANTES, Otília, VAINER. Carlos Vainer e MARICAT, Ermínia. A Cidade do Pensamento Único: Desmanchando Consenso. Petrópolis: Editora Vozes, 3a edicão, 2002, ISBN 85-326-2384-0
  • BIDOU-ZACHARIASEN, Catherine. De Volta a Cidade - Dos Processos de Gentrificação às Políticas de Revitalização dos Centros Urbanos, São Paulo: Ed. Annablume, 1ª edição 2006, ISBN 978-85-7419-622-0
  • DELEUZE, G. & GUATTARI, F. (1997), Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia . São Paulo, Editora 34, vol. 5.
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  • KARA-JOSÉ, Beatriz. Políticas culturais e negócios urbanos. A instrumentalização da cultura na revitalização do centro de São Paulo. São Paulo, Annablume Editora, 1ª edição, 2007 ISBN 8574196732
  • KUNSCH, G. . A quem se destinam as intervenções urbanas. Jornal O Independente, Florianópolis e São Paulo, p. 4 - 5, 01 nov. 2005.
  • KUNSCH, G. . Revitalização" da Vila Itororó: projeto da prefeitura exclui moradores. Centro de Mídia Independente - www.midiaindependente.org, 11 abr. 2006.
  • LEITE, Rogerio Proença. (1998), Mercado de relíquias: 'gentrification' e tombamento no bairro do Recife Antigo. VII Encontro de Antropólogos do Norte-Nordeste – Abanne, Recife.
  • RANCIÈRE, Jacques. (1996), O desentendimento. São Paulo, Editora 34.
  • SMITH, Neil; The New Urban Frontier; Gentrification and the Revanchist City; Nova Iorque: Routledge, 1996
  • ZUKIN, Sharon (2000) Paisagens urbanas pós-modernas: mapeando cultura e poder in ARANTES, Antônio (org.); O Espaço da diferença; São Paulo: Papirus Editora, pp 81–102
  • ZUKIN, Sharon. (1995), The cultures of cities. Cambridge, Massachussetts, Blackweell.
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