Centro Universitário Maria Antônia da Universidade de São Paulo

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O Centro Universitário Maria Antonia é um órgão da Pro-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo, que promove exposições de arte moderna e contemporânea, cursos na área de humanidades, seminários, debates e outros eventos, com destaque para o diálogo entre as diversas linguagens artísticas. O Maria Antonia, como é conhecido, ocupa a antiga sede da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, juntamente com o Teatro da USP, em um conjunto de edifícios considerado patrimônio histórico da cidade. A Fundação Bienal de São Paulo e o Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB premiaram o projeto de reforma e restauro do Centro Universitário, na Categoria Institucional Não-Executado do Prêmio Votorantim de Arquitetura – Exposição Geral de Arquitetos, desenvolvido pelo escritório de arquitetura UNA Arquitetos. O Maria Antonia é considerado um ponto relevante de divulgação da produção da Universidade de São Paulo em suas várias esferas e um espaço voltado para o intercâmbio do conhecimento gerado dentro e fora da Universidade.

História[editar | editar código-fonte]

O conjunto dos edifícios da Rua Maria Antonia abrigou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, de 1949 a 1968. Nele lecionaram e estudaram muitas das principais personalidades brasileiras em vários campos da política, da cultura e da ciência, tais como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo Florestan Fernandes, dentre muitos outros. Invadido e destruído em outubro de 1968, foi palco de uma das mais importantes batalhas pela democracia, a batalha entre os alunos da USP e da Universidade Mackenzie.1 . Logo após a invasão e depredação dos edifícios, a Faculdade foi transferida para o campus da Cidade Universitária e os prédios destinados a outro uso pelo Governo do Estado. O Edifício Joaquim Nabuco, por exemplo, foi entregue a um setor da administração carcerária2 . Em 1985, o edifício principal foi tombado pelo CONDEPHAAT - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico por sua importância histórica. A partir de 1991, os prédios do conjunto começaram a ser devolvidos à USP. O edifício principal foi reaberto em 1993, como Centro Universitário Maria Antonia, com o intuito de criar um centro de discussão e de novas experiências no campo da cultura, da arte e dos direitos humanos. Dessa forma, a USP voltava a exercer mais uma vez um papel ativo no centro da capital paulista, do qual tinha sido expulsa nos anos mais duros da ditadura militar.

O Maria Antonia hoje[editar | editar código-fonte]

Atualmente o Maria Antonia desenvolve sua programação nos Edifícios Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. Em vinte anos de atuação, a instituição se firmou como polo de referência cultural na cidade, realizando atividades diversificadas e orientadas para um conceito abrangente de formação. O Centro possui espaços de exposição, auditórios e salas de aulas, nos quais abriga mostras de arte moderna e contemporânea, apresentações de música, projeção de filmes, cursos, seminários e debates, além da Biblioteca Gilda de Mello e Souza, com acervo bibliográfico e ampla documentação em suportes diversos, gerada por suas próprias atividades multidisciplinares.

A programação inclui, ainda, iniciativas que colaboram para a revitalização das atividades educativas e culturais da cidade, em parceria com outros órgãos públicos e instituições e privadas ligados à cultura e à educação, como atividades específicas destinadas a professores e alunos das redes públicas municipal e estadual. O edifício Rui Barbosa abriga também organizações não-governamentais, como a SBPC e a Escola de Governo. Situado estrategicamente, na região central de São Paulo, em área de grande concentração de instituições de cultura e ensino, o Centro Universitário Maria Antonia atende um público bastante diversificado.

Desde 1999, mantém um programa de exposições de arte com cerca de 20 mostras por ano, com a diretriz geral de reunir artistas contemporâneos de gerações diversas, dando espaço às mais diferentes técnicas e correntes estéticas, além de mostras de arquitetura e de retrospectivas que visam a discussão sobre o passado recente da arte brasileira. Boa parte dos textos que acompanham essas exposições é produzida por jovens autores, dando, assim, espaço também à pesquisa e à reflexão crítica sobre arte, paralelamente ao trabalho de sua equipe de pesquisa e mediação, que desenvolve projetos de atendimento a escolas da rede pública e à visitação espontânea às exposições.

Os seus cursos de difusão são organizados em três séries – Arte e Cultura Hoje, Filosofia no Centro, Literatura no Centro. Promove palestras dedicadas às diferentes linguagens artísticas e suas conexões, contando com a participação de especialistas de diversas partes do Brasil e do exterior, além de abrigar debates, seminários e eventos diversos que resultam de pesquisas de outros orgãos e unidades da USP e de instituições parceiras.

O projeto arquitetônico de restauro e reforma de suas instalações abrange a sede atual e mais o edifício vizinho, que pertenceu igualmente à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Com obras em andamento, o projeto prevê, ainda, uma praça interna com vegetação, que cria um novo espaço público, espécie de respiro numa área densamente construída, colaborando para a revitalização da região central da cidade de São Paulo.


Referências

  1. veja cronologia em http://www.usp.br/75anos/?idpag=35
  2. Zanelli, M. L., Maria Antonia: dos tempos de regime de exceção à plena democracia, Portal do Governo do Estado de São Paulo, 27/05/08; http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=95215


Ligações externas[editar | editar código-fonte]