Museu da Língua Portuguesa

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Museu da Língua Portuguesa
Tipo Artes
Inauguração 20 de março de 2006 (8 anos)
Visitantes 580.000[1] (2006)
Diretor Antonio Sartini
Curador João Manuel Rendeiro
Website www.museulinguaportuguesa.org.br
Geografia
Localidade São Paulo

Museu da Língua Portuguesa ou Estação Luz da Nossa Língua é um museu interativo sobre a língua portuguesa localizado na cidade de São Paulo, Brasil no histórico edifício Estação da Luz, no Bairro da Luz, concebido pela Secretaria da Cultura paulista em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, tendo um orçamento de cerca de 37 milhões de reais (14,5 milhões de euros).

O objetivo do museu é criar um espaço vivo sobre a língua portuguesa, considerada como base da cultura do Brasil, onde seja possível causar surpresa nos visitantes com os aspectos inusitados e, muitas vezes, desconhecidos de sua língua materna. Segundo os organizadores do museu, "deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa". O museu tem como alvo principal a média da população brasileira, composta de pessoas provenientes das mais variadas regiões e faixas sociais do país, mas que ainda não tiveram a oportunidade de obter uma idéia mais precisa e clara sobre as origens, a história e a evolução contínua da língua.

Cerimônia de Inauguração[editar | editar código-fonte]

O museu foi inaugurado na segunda-feira de 20 de março de 2006, com a presença do ministro da cultura e cantor Gilberto Gil, representando o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da cultura de Portugal, Isabel Pires de Lima, do governador paulista Geraldo Alckmin, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de António Carmona Rodrigues, presidente da câmara municipal de Lisboa, do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian e outras autoridades representativas, não apenas de Portugal e do Brasil, mas de todos os países lusófonos.

Cquote1.svg A língua fala por si. A importância de tratar da língua seja através dos museus, dos programas, dos acordos ortográficos, seja através dos processos de liberalização das falas novas, a língua é importante. A língua é nossa mãe. O museu cuida de todos os aspectos da língua escrita, falada, da língua dinâmica, a língua da interação, a língua do afeto, a língua do gesto, e de tudo isso este museu vai cuidar. Cquote2.svg
Gilberto Gil

Assim expressou-se Gilberto Gil, durante a cerimônia. Por sua vez, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso enalteceu a iniciativa pioneira como sendo fundamental por mostrar "nossa identidade cultural: a expressão linguística". Chamou atenção para a importância dos acordos ortográficos entre os povos que fazem uso desta língua como principal: "temos que valorizá-la", disse.

A entrada.

O projeto é inédito, informou Sílvia Finguerut, gerente de patrimônio e meio ambiente da Fundação Roberto Marinho, afirmando não existir no mundo um museu exclusivamente dedicado à língua (vide tópico Curiosidades). Sílvia lembrou, também, o simbolismo relacionado à localização do museu:

Cquote1.svg Durante muitas décadas, os imigrantes estrangeiros que chegavam a São Paulo desembarcavam nesta estação, um local, portanto, onde as outras línguas se encontravam com o nosso português. Cquote2.svg
Sílvia Finguerut

Geraldo Alckmin fez alusão à importância deste museu para toda a comunidade lusófona. Citou Eça de Queirós, o grande escritor, nascido na Póvoa de Varzim, o qual dizia que os brasileiros falavam um "português com açúcar". Assim como citou o verso "minha pátria é minha língua", da música "Língua" de Caetano Veloso: uma releitura que o cantor e compositor fez de Bernardo Soares (Fernando Pessoa) no "Livro do Desassossego": "Minha pátria é a língua portuguesa". Para o governador, o museu irá estimular o estudo e será muito importante não somente para os estudantes, mas, também, para a formação de professores e a própria preservação do idioma.

Complementaram ainda, de forma categórica, Antônio Isaac Monteiro, Ministro das Relações Exteriores de Guiné-Bissau, e José Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo:

Cquote1.svg Isso mostra mais uma vez o importante papel do Brasil no quadro do desenvolvimento da língua portuguesa. É uma iniciativa extraordinária para o reforço da solidariedade entre os povos que falam português. Cquote2.svg
Antônio Isaac Monteiro
Cquote1.svg É fundamental as pessoas se comunicarem. É preciso ter conhecimento da língua para se aprofundar em vários temas. E nesse espaço encontramos uma forma de dirigir as pessoas ao estudo, ao interesse pela língua e também de ter uma intersecção do mundo acadêmico para o dia-a-dia. Cquote2.svg
José Roberto Marinho

No dia seguinte, em 21 de março, as portas do Museu da Língua Portuguesa foram abertas para visitação pública.

Idealização[editar | editar código-fonte]

Totens interativos que permitem o acesso multimídia a informações sobre as línguas que influenciaram a formação da Língua Portuguesa contemporânea.

O projeto foi iniciado em 2002, quando se começou a restaurar o prédio da Estação da Luz, sendo concluído em 2006. Teve como aliada no projeto a Lei de Incentivo à Cultura, que demonstra a contemporaneidade em que vivemos. São Paulo ainda possui um fator simbólico para o local do museu, sendo a maior cidade de falantes do português no mundo, com cerca de dez milhões de habitantes.

Foram ainda parceiros o Ministério da Cultura, IBM Brasil, Correios, Rede Globo, Petrobrás, Vivo, Eletropaulo, Grupo Votorantim e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Contou também com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da Prefeitura de São Paulo, da CPTM, dos elevadores Otis, dos sistemas de climatização Carrier e da Fundação Luso-Brasileira.

A idéia foi de Ralph Appelbaum, autor também do Museu do Holocausto, em Washington, e da Sala de Fósseis do Museu de História Natural, em Nova Iorque. O projeto arquitetônico do museu é de Paulo e Pedro Mendes da Rocha, pai e filho, ambos brasileiros. A direção do museu fica por conta da socióloga Isa Grinspum Ferraz, que coordenou uma equipe de trinta especialistas do idioma para o museu. A direção artística é de Marcello Dantas.

O museu[editar | editar código-fonte]

Salão de Exposições Temporárias, localizado no primeiro andar da Estação da Luz.

Apesar da palavra museu trazer a idéia de algo rústico e antigo, o museu possui um acervo inovador e predominantemente virtual, combinando arte, tecnologia e interatividade, lembrando que o museu está localizado em um prédio histórico. Composto das mais diversificadas exposições nas quais são utilizados objetos, vídeos, sons e imagens projetadas em grandes telas sobre a língua portuguesa, considerada do ponto de vista de patrimônio cultural dos povos lusófonos.

O museu ocupa três andares da Estação da Luz, com 4.333 m². Criação do arquiteto brasileiro Rafic Farah, logo na entrada vê-se a chamada "Árvore da Língua", uma escultura com três andares de altura em que nas folhas surgem contornos de objetos e as raízes são formadas por palavras que deram origem ao português. A árvore pode ser visualisada quando o visitante usa o elevador de acesso aos outros andares com paredes transparentes.

Ambientes internos[editar | editar código-fonte]

O museu conta com os seguintes ambientes:

Auditório[editar | editar código-fonte]

Auditório
Foto da Grande Galeria, com seu telão de 106 metros.

O auditório possui um telão de nove metros de largura, onde é apresentado um curta-metragem, criado por Antônio Risério e com direção de Tadeu Jungle, sobre o surgimento, história, diversidade,e a importância das línguas para a humanidade. O telão se revela uma grande porta basculante para a "Praça da Língua".

Grande Galeria[editar | editar código-fonte]

Espaço que lembra uma estação de trem e um grande túnel, possui um telão de 106 metros de comprimento, onde são projetados onze filmes simultaneamente, dirigidos por Marcello Dantas, Victor Lopes, Carlos Nader e Eduardo Menezes. Cada projeção ocupa nove metros da parede, com seis minutos de duração, tratando de temas como cotidiano, dança, festas, carnavais, futebol, música, relações humanas, culinária, valores, saberes e um dedicado à cultura portuguesa.

Participaram da concepção de som e imagens desse amplo espaço Eloá Chouzal, Jorge Grinspum, Solange Santos, Mônica Médici, Marialice Generoso, Ana Lucia Pinho, Andréa Wanderley, Eduardo Magalhães e Sérgio Marini, sob a orientação e coordenação de Helena Tassara. Os textos-base foram escritos por Antônio Risério, Manuela Carneiro da Cunha e Marilza Oliveira. Os roteiristas foram Isa G. Ferraz, Marcos Pompéia e Marcelo Macca.

Beco das Palavras ou Jogo da Etimologia[editar | editar código-fonte]

Considerado um dos espaços mais lúdicos da exposição permanente, onde os visitantes se divertem movimentando imagens que contém fragmentos de palavras, que incluem sufixos, prefixos e radicais, formando um jogo curioso que tem como objetivo formar palavras completas. Quando o objetivo é alcançado, a mesa de projeção se transforma uma tela futurista que mostra animações e filmes sobre a origem e o significado da palavra formada. Criado por Marcelo Tas com o suporte do etimologista Mário Viaro, da diretora de arte Liana Brazil e do diretor de tecnologia Russ Rive.

Mapa dos Falares
Totens interativos presentes no espaço Lanternas das Influências

Mapa dos Falares[editar | editar código-fonte]

Uma grande tela interativa que mostra os falares do Brasil, onde é possível navegar pelo mapa e acessar áudios com amostras da forma de falar dos brasileiros dos estados da Federação. No site do museu é possível acessar esses áudios.

Lanternas das Influências ou Palavras Cruzadas[editar | editar código-fonte]

Espaço com oito totens multimédia, em formato triangular e são dedicados às línguas que formaram e influenciaram o português brasileiro, composto de dois totens dedicados às línguas africanas, dois às línguas indígenas, um para espanhol, um para inglês e francês, um para línguas dos imigrantes e o último para o português no mundo, sendo que cada toten possui três monitores interativos, um para cada face. O objetivo dos totens é transmitir a riqueza cultural da nossa língua, bem como mostrar a contribuição desses povos que ajudaram a gerar a língua e identidade brasileiras.

O roteirista Marcello Macca, sob a coordenação de Isa G. Ferraz, desenvolveu os conteúdos das telas multimédia com base nos textos de Ataliba Teixeira de Castilho, Aryon Dall'Igna Rodrigues, Yeda Pessoa de Castro, Alberto da Costa e Silva, Ivo Castro, Carlos Alberto Ricardo, Marilza Oliveira, Ana Suely Cabral, Ieda Alves, Mirta Groppi, Oswaldo Truzzi e Mario Eduardo Viaro.

Praça da Língua[editar | editar código-fonte]

Visitantes observando o piso luminoso da Praça da Língua.

Lembrando um anfiteatro, com arquibancadas, é um planetário de palavras no qual efeitos visuais são projetados no teto e um piso que se torna luminoso. Na tela são apresentados os grandes clássicos da prosa e da poesia em sons e imagens, tendo como temas amor, exílio, pessoas, favela e música, acompanhados de imagens criadas por Eduardo Menezes, Guilherme Specht e André Wissenbach, com direção artística de Marcello Dantas e produção musical e sonora de Cacá Machado.

A seleção, que reúne poesias de Carlos Drummond de Andrade, Gregório de Matos, Fernando Pessoa e Luís de Camões, textos de Guimarães Rosa, Euclides da Cunha e Machado de Assis e canções de Noel Rosa e Vinícius de Moraes, foi elaborada pelos professores de literatura e músicos José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski.

A apresentação completa possui três versões de vinte minutos cada, que ocorrem alternadamente. Os narradores selecionados são Arnaldo Antunes, Bete Coelho, Chico Buarque, Juca de Oliveira, Maria Bethânia, Paulo José, Zélia Duncan, dentre outros selecionados pela beleza da voz.

Linha do Tempo ou História da Língua Portuguesa[editar | editar código-fonte]

Painel mostrando Linha do Tempo da Língua Portuguesa

Num grande painel, resultado da pesquisa do professor Ataliba de Castilho, são mostradas as origens remotas e indoeuropéias da nossa língua, apresentando a evolução histórica do português desde o etrusco, o latim clássico e vulgar, as línguas românicas antigas e as três línguas que compõe o cerne da língua portuguesa contemporânea: o português lusitano, as línguas indígenas e as africanas, revelando que a história da língua portuguesa remonta a quatro mil anos antes de Cristo. O painel cobre um período de seis mil anos da história humana.

Uma seleção de 120 grandes obras da literatura brasileira, escolhidas por Alfredo Bosi, complementam a exposição histórica da língua.

Exposições Temporárias[editar | editar código-fonte]

Trechos pendurados de Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa, no Salão de Exposições Temporárias do museu.
Diagrama das Grandes Famílias Linguísticas do Mundo, onde é possível vislumbrar as raízes indo-européias do Latim, passando pelo Romanche até o Português moderno.

Ambiente destinado a exposições temporárias sobre o idioma, iniciando com os 50 anos de um clássico da literatura brasileira: Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Nessa primeira exposição há sete caminhos a serem percorridos, cada um correspondente a um personagem ou a um aspecto importante do livro.

Eixos da língua[editar | editar código-fonte]

O museu se propõe a analisar a língua portuguesa com base em alguns eixos principais:

  • Antigüidade
A língua é estudada em seus aspectos históricos, remontando desde as suas origens latinas até a sua chegada ao Brasil.
  • Artístico
São apresentados os diversos usos literários, musicais e poéticos da língua.
  • Mestiçagem
São examinadas as diversas fontes culturais e linguísticas que vieram a enriquecer o idioma.
  • Universalidade
Mostrando-se como a língua é usada em diversas partes do mundo, sendo falada em nove países nos quatro continentes que são Europa, América do sul, África e Ásia, somando-se cerca de 200 milhões de falantes nativos.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Ao contrário do que foi informado durante a sua inauguração, o Museu da Língua Portuguesa não é o primeiro museu linguístico dedicado a uma única língua em todo o mundo, existindo pelo menos um outro: o Museu da Língua Africâner, fundado em 1975 na África do Sul.
  • A Estação da Luz, considerada a porta de entrada da capital paulista, era o espaço onde se dava o primeiro contato dos imigrantes com o idioma do país no fim do século XIX.
  • A primeira exposição temporária do museu teve como atração a comemoração dos cinqüenta anos do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, organizada pela diretora artística e cenógrafa Bia Lessa. Essa amostra tem o prazo de seis meses.
O erro já foi corrigido.
  • Durante a cerimônia de inauguração, em um dos painéis, se encontrava a palavra raíz, quando o correto seria raiz, sem o acento agudo. O equívoco foi causado por uma divergência ortográfica entre épocas diferentes e foi corrigido posteriormente.
  • A cerimônia de inauguração foi ao som da canção brasileira "Asa Branca" e do fado português "Foi Deus".
  • O primeiro projeto do museu é o Programa de Formação de Educadores, coordenado pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo e pela Fundação Roberto Marinho. Tem por principal objetivo a capacitação de 4.800 professores das áreas de Língua Portuguesa, Literatura, Educação Artística, Geografia e História, envolvendo cerca de 300 escolas públicas.
  • A Grande Galeria é considerada a maior tela de projeção do mundo, com 106 metros de comprimento, onde são utilizados 38 projetores que exibem simultaneamente três filmes sobre as relações da língua portuguesa com os mais variados aspectos da cultura brasileira. O software utilizado para o gerenciamento simultâneo das imagens é o Watchout, da empresa sueca Dataton.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. ALFANO, Ana Paula (11 de janeiro de 2008). Istoé Gente: Museu da Língua Portuguesa é o mais visitado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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