Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo

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Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo
Tipo Artes Visuais, História
Inauguração 1985
Curador Ana Cristina Carvalho
Website www.acervo.sp.gov.br
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo, Campos do Jordão

O Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo (AACPG) é o órgão oficial responsável pela conservação, desenvolvimento, exposição e gestão das coleções histórico-artísticas dos palácios governamentais paulistas. Subordinado à Secretaria da Casa Civil, é constituído por um conselho curador e por um grupo técnico de preservação e controle, com sede no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Conta também com a participação da sociedade civil, por meio de uma "Associação de Amigos".[1]

Além do acervo do Palácio dos Bandeirantes, o AACPG gerencia as coleções do Palácio do Horto Florestal, também na capital paulista, e do Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão. Administra um expressivo conjunto de obras de importância histórica, artística e científica, composto por mais de três mil itens - a maioria referentes à arte brasileira, do período colonial aos dias de hoje, além de exemplares da artes decorativas europeias e asiáticas e pinturas da escola cusquenha.[2] Também realiza exposições temporárias e eventos culturais nos palácios do governo.[3]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Aleijadinho (c.1730-1814) São José de Botas, século XVIII. Acervo do Palácio dos Bandeirantes.

O Acervo-Artístico Cultural dos Palácios do Governo foi constituído em 30 de julho de 1985, por decreto do então governador André Franco Montoro, com o objetivo de formar um conselho gestor apto a desenvolver atividades sistemáticas de documentação, conservação e divulgação dos bens culturais amealhados pelo governo do estado nas décadas anteriores, e expostos nos palácios governamentais para fins decorativos. O decreto foi posteriormente revisto, a 13 de março de 1987.[1]

Na tentativa de caracterizar e definir perfis distintos aos ecléticos acervos dos palácios, foram estabelecidas normas e procedimentos museológicos que facilitassem ao público visitante uma boa leitura visual das obras expostas, destinando a cada espaço um grupo harmônico de peças. Assim, o Palácio do Horto abrigaria obras referentes a paisagens, flores e animais, em conformidade com o ambiente que o cerca. Ao Palácio Boa Vista, caberia a guarda de uma expressiva coleção de arte moderna e contemporânea brasileira. Já ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, seriam destinadas diversas coleções relacionadas a significativos períodos históricos e artísticos da cultura nacional, além de painéis e outras obras de grandes dimensões.[4]

Atribuído a Mestre Ataíde (1762-1830) A Flagelação de Cristo, século XVIII. Acervo do Palácio dos Bandeirantes.

Nas administrações posteriores, buscou-se consolidar a sistematização didática das coleções e a ampliação do acervo, do qual se beneficiou particularmente o Palácio dos Bandeirantes. Durante o governo Fleury, criou-se a Galeria das Bandeiras do Estado, no grande auditório da sede do governo, a Galeria dos Direitos Humanos - com obras doadas por artistas, em comemoração aos 200 anos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão -, e a Galeria das Futuras Gerações. No governo Covas, por ocasião dos 50 anos do genocídio praticado na Segunda Guerra Mundial, construíram-se as galerias do Holocausto e de Hiroshima-Nagasaki. Em 1998, em vista das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, iniciou-se o processo de implantação do Museu dos Bandeirantes, no jardim da sede do governo, com apoio do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios.

Mais recentemente, o AACPG passou a organizar exposições temporárias, com obras próprias e emprestadas de outras instituições, ocorridas principalmente no Palácio dos Bandeirantes. Entre as mostras realizadas merecem destaque De Cusco a São Paulo: Pontes da Arte Colonial no Acervo dos Palácios, Modernismo Lutas e Sonhos: 1930 1945, Templos e Palácios Japoneses (em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil) e A arte que banha o Nordeste, esta última, integrante do projeto "Brasil Mostra sua Arte", cujo objetivo é divulgar a arte brasileira produzida fora do eixo Rio-São Paulo.[3]

O acervo[editar | editar código-fonte]

Formação e caracterização[editar | editar código-fonte]

Pedro Américo (1843-1905) Libertação dos Escravos, 1889. Acervo do Palácio dos Bandeirantes.

Originário da necessidade de decorar os palácios do governo, os bens culturais pertencentes ao AACPG têm seu princípio na coleção do Palácio dos Campos Elísios, sede do governo paulista entre 1915 e 1964. Essa coleção, posteriormente transferida para o Palácio dos Bandeirantes, foi significativamente ampliada por meio de uma série de aquisições realizadas na década de 70, por iniciativa do governador Abreu Sodré e de seu secretário da fazenda, Luís Arrobas Martins. Após a abertura dos acervos palacianos ao público, e sua posterior transformação em projeto museológico, registrou-se um número considerável de doações de artistas e empresas. Por fim, houve o acréscimo de um conjunto de obras criadas especificamente para os palácios, como as provenientes do concurso "Painel Bandeirantes".[4]

Atualmente, o Acervo dos Palácios contabiliza mais de três mil obras de expressiva importância artística e histórica, entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, mobiliário e alfaias religiosas, prataria, porcelanas e tapeçarias, originárias do Brasil e de outros países, e executadas entre os séculos XVII e XX.[1]

Pinturas[editar | editar código-fonte]

Almeida Júnior (1850-1899) Estudo da Partida da Monção, 1897. Acervo do Palácio dos Bandeirantes.

Do importante contingente de pintura brasileira presente no Acervo dos Palácios do Governo, a arte colonial está representada por obras raras, como a do flamengo Gillis Peeters (Forte dos Reis Magos), possível integrante da comitiva de João Maurício de Nassau no nordeste do Brasil, e Flagelação de Cristo, atribuída ao Mestre Ataíde. Entre as obras oitocentistas, são dignos de menção os estudos para a Libertação dos Escravos de Pedro Américo (cuja versão definitiva nunca chegaria a ser executada) e para a Partida da Monção de Almeida Júnior, bem como as paisagens litorâneas de Benedito Calixto e a Aclamação de Amador Bueno, de Oscar Pereira da Silva. Também estão presentes no acervo Henri Nicolas Vinet, Eliseu Visconti, João Batista da Costa, Décio Villares, Lucílio de Albuquerque e Theodoro Braga, entre outros.

Escola cusquenha (século XVIII) Cristo de Saia. Acervo do Palácio Boa Vista.

Do modernismo, há um amplo conjunto de pinturas de Tarsila do Amaral, entre as quais Operários, obra-prima da fase social da artista. De Anita Malfatti, o Palácio Boa Vista conserva alguns retratos e uma importante tela de cunho expressionista: A Ventania. Outras obras de vulto são Barca de São Pedro e Floresta, de Cândido Portinari, Pescadores, de Di Cavalcanti e o painel Festa do Divino em Parati, de Djanira, além de pinturas de Guignard, Vicente do Rego Monteiro, Alfredo Volpi, Clóvis Graciano, Ismael Nery e Cícero Dias. Da pintora franco-portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, conserva-se um belo óleo, intitulado O Teatro.

Um conjunto de 100 pinturas a óleo de José Cláudio da Silva, retratando paisagens, animais e o cotidiano dos habitantes da Amazônia, integra o acervo do Palácio dos Bandeirantes. São obras criadas pelo pintor durante sua presença na Expedição Permanente à Amazônia, organizada pelo Museu de Zoologia da USP. Ainda no contexto das tendências contemporâneas, há obras de caráter abstrato de Tomie Ohtake e Manabu Mabe, e outras criações de Wesley Duke Lee, Carlos Scliar, paisagens de Cláudio Tozzi, etc.

Igualmente digno de nota é o painel São Paulo - Brasil: Criação, Expansão e Desenvolvimento, de Antônio Henrique Amaral, uma das maiores telas já produzidas no Brasil (4,5 x 16 metros), escolhida em concurso para decorar o "Salão Nobre" do Palácio dos Bandeirantes.[5] Neste mesmo palácio, a Galeria dos Governadores conserva dezenas de retratos e bustos de autoridades políticas, executados por pintores e escultores de renome. Por fim, há um importante conjunto formado por pinturas da escola cusquenha, produzidas nos séculos XVII e XVIII, conservadas no Palácio Boa Vista.

Esculturas[editar | editar código-fonte]

Johann Moritz Rugendas (1802-1858) Igreja do Hospício de Nossa Senhora da Piedade da Bahia, século XIX. Acervo do Palácio dos Bandeirantes.

Na coleção de esculturas e objetos tridimensionais, encontra-se um conjunto de imaginárias do período colonial brasileiro, dentre as quais destaca-se o São José de Botas, atribuído a Aleijadinho, além do par de anjos tocheiros de Francisco Vieira Servas e a Nossa Senhora do Rosário, de Frei Agostinho de Jesus. Parte das obras é conservada na Capela de São Pedro Apóstolo, anexa ao Palácio Boa Vista e no Salão Barroco, do Palácio dos Bandeirantes. Na já mencionada "Galeria dos Governadores", encontram-se bustos de autoria de Galileo Emendabili e Ettore Ximenes.

A grande maioria das esculturas data do século XX, como a Bailarina e o Retrato de Deisi, ambas de Victor Brecheret. Há uma série de bronzes de Ernesto de Fiori, baixos relevos de temas alegóricos de Caciporé Torres e Antônio Gonçalves Gomide. No jardim do Palácio dos Bandeirantes, estão obras de grande porte de Bruno Giorgi e Felícia Leirner, e no "Salão Nobre" do edifício, a Alegoria aos Bandeirantes, de Emanoel Araújo.

Obras sobre papel[editar | editar código-fonte]

Dentre os desenhos e aquarelas conservados nos palácios, encontram-se dois belos crayons de Almada Negreiros, paisagens e obras figurativas de Nicola de Corsi, Marcelo Grassmann e Arnaldo Pedro d'Horta.

Na numerosa coleção de gravuras, o destaque cabe às trinta litografias ilustrando artigos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, produzidas por artistas como Amélia Toledo, Maria Bonomi, Aldemir Martins e Luiz Paulo Baravelli, entre outros. Há um conjunto de estudos etnográficos e paisagens de Johann Moritz Rugendas, e outras obras de Oswaldo Goeldi, Babinski e Milton Dacosta.

Outro destaque do acervo é a preciosa coleção de estudos botânicos do naturalista João Barbosa Rodrigues, versando sobre diversas espécies de palmeiras encontradas em território brasileiro.

Artes decorativas[editar | editar código-fonte]

Um conjunto de tapeçarias artísticas integra a coleção de artes decorativas do Palácio dos Bandeirantes. Executadas na Europa entre os séculos XVII e XVIII, são provenientes de manufaturas flamengas e francesas, produzidas a partir de composições de pintores célebres, como David Téniers. Destaca-se nesse conjunto a peça setecentista Rapto de Ifigênia, da Manufatura dos Gobelins, cujo desenho é de autoria de Simon Vouet.

Na coleção de prataria dos palácios, predominam os objetos de origem luso-brasileira, dos séculos XVIII e XIX. O essencial do conjunto é composto por alfaias religiosas e utensílios domésticos, como lampadários, copos, guampas, taças e bandejas.

No que tange à louçaria, o Palácio dos Bandeirantes detém em seu "Salão dos Pratos" uma das mais importantes coleções de cerâmica histórica do Brasil.[2] O conjunto abarca peças que pertenceram a titulares do Império brasileiro, um serviço de gala encomendado pelo primeiro presidente do Brasil República, Marechal Deodoro da Fonseca, e um acervo de louça brasonada de importantes famílias paulistas do século XIX - serviços de faianças finas da Marquesa de Santos e porcelanas monogramadas de Bernardo José Maria Lorena e Silveira, o 5º Conde de Sarzedas, entre outros. São também dignas de menção as porcelanas do século XVII, proveninentes das Companhias das Índias Orientais, e as ânforas produzidas pela Manufatura Nacional de Sèvres.

A coleção de mobiliário é composta por peças produzidas a partir do século XVII, com origem em Portugal e no Brasil - notadamente, nos centros de produção mineiros e baianos. São arcas, barguenhos, baús, canapés, cômodas-papeleiras, cadeiras e mesas, usando como suporte madeiras nobres (cedro e jacarandá-paulista, por exemplo), metais e marfim. Destaca-se a coleção de mais de dez arcazes, de diferentes formas e procedências.

Outras obras do acervo[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo

Referências

  1. a b c Comissão do Patrimônio Cultural da USP, 2000, pp. 417.
  2. a b Valladares, 1998, pp. 3-18.
  3. a b Uma exposição no Palácio dos Bandeirantes SP Notícias Online. Visitado em 7 de maio de 2008.
  4. a b Silva, 1994, pp. 3-16.
  5. Silva, 1994, pp. 25-31.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Comissão de Patrimônio Cultural da Universidade de São Paulo. Guia de Museus Brasileiros. São Paulo: Edusp, 2000. 417 pp.
  • Silva, Heloísa Barbosa et al. Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1994.
  • Valladares, Clarival do Prado. Acervo Palácio Bandeirantes. São Paulo: Serasa, 1998.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]