Bienal Internacional de Arte de São Paulo

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Bienal de São Paulo
Bienal Internacional de Arte de
São Paulo
Edifício Pavilhão Bienal, de Niemeyer
Primeira edição 1951
Período Bienal
Local(is) São Paulo - SP
Gênero Artes Visuais
Classificação Livre
Ingresso Pago
Idealizado por Ciccillo Matarazzo e
Yolanda Penteado

A Bienal de São Paulo (ou ainda Bienal Internacional de Arte de São Paulo) é uma exposição de artes (em geral de grandes proporções) que, como o nome indica, ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo. O evento é constantemente responsável por projetar a obra de artistas internacionais desconhecidos e por refletir as tendências mais marcantes no cenário artístico global: é considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional, junto da *Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel.

O evento acontece no Pavilhão Ciccillo Matarazzo do Parque do Ibirapuera, motivo pelo qual o prédio também é conhecido como Pavilhão da Bienal, projetado por Oscar Niemeyer.

História[editar | editar código-fonte]

27ª Bienal de São Paulo, 2006.

A primeira Bienal de São Paulo ocorreu em 1951 devido aos esforços do empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (1892 - 1977) (conhecido como Ciccillo Matarazzo) e de sua esposa Yolanda Penteado. A segunda edição (1953) ficou famosa por trazer ao Brasil a até então inédita no país Guernica, de Pablo Picasso.[1]

É a primeira exposição de arte moderna de grande porte realizada fora dos centros culturais europeus e norte-americanos. Sua origem articula-se a uma série de outras realizações culturais em São Paulo - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp (1947), Teatro Brasileiro de Comédia - TBC (1948), Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP (1949) e Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949) - que aponta para o forte impulso institucional que as artes recebem na época, beneficiado por mecenas como Ciccillo Matarazzo e Assis Chateaubriand (1892 - 1968). Concebida no âmbito do MAM/SP, a 1ª Bienal é realizada em 20 de outubro de 1951 na esplanada do Trianon, local hoje ocupado pelo Masp. O espaço, projetado pelos arquitetos Luís Saia e Eduardo Kneese de Mello, dá lugar a 1.800 obras de 23 países, além da representação nacional.

Atualmente, a Bienal é mantida pela Fundação Bienal de São Paulo, entidade sem fins lucrativos que também promove a Bienal Internacional de Arquitetura, Urbanismo e Design de São Paulo em colaboração com o Instituto de Arquitetos do Brasil.[2] [3]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Catálogo da I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1951
  • A 1ª edição da Bienal, traz ao Brasil, pela primeira vez, obras de Pablo Picasso (1881 - 1973), Alberto Giacometti (1901 - 1966), René Magritte (1898 - 1967), George Grosz (1893 - 1959) etc., além de apresentar a produção brasileira de Lasar Segall (1891 - 1957), Victor Brecheret (1894 - 1955), Oswaldo Goeldi (1895 - 1961), Jorge Mori entre outros. Os prêmios concedidos à escultura Unidade Tripartida de Max Bill (1908 - 1994) e à tela Formas de Ivan Serpa (1923 - 1973) são sintomas da atenção despertada pelas novas tendências construtivas na arte. Fundador da Hochschule für Gestaltung Ulm [Escola Superior da Forma], em Ulm (1951), Max Bill é o principal responsável pela entrada do ideário concreto na América Latina, sobretudo na Argentina e no Brasil, no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A exposição do artista em 1951 no Masp e a presença da delegação suíça na 1ª Bienal, no mesmo ano, abrem as portas do país para as novas linguagens plásticas, que passam a ser amplamente exploradas.
  • A 2ª edição da Bienal, em dezembro de 1953, ocorre no parque do Ibirapuera recém-inaugurado por ocasião das comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo, e cujo projeto é assinado por Oscar Niemeyer (1907) e Burle Marx (1909 - 1994). Conhecida como a Bienal de Guernica, o célebre quadro de Picasso de 1937, a mostra conta também com Constantin Brancusi (1876 - 1957), de Giorgio Morandi (1890 - 1964) e de obras dos futuristas italianos, além de outros grandes nomes da arte moderna internacional. Eliseu Visconti, falecido em 1944, foi homenageado com uma sala especial em que foram apresentadas 37 dentre suas mais importantes obras de cavalete.
  • A Bienal de 1955, beneficiada por 46 trabalhos de Sophie Taeuber-Arp (1889 - 1943) e por 44 gravuras dos muralistas mexicanos, marca a consolidação do evento.
  • Em 1957, a exposição conta com a presença surrealista e com a participação da obra de Jackson Pollock (1912 - 1956).
  • A 5ª edição, de 1959, é grande sucesso de público e traz como novidade, segundo o crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981), a "ofensiva tachista e informal". Aí também é inaugurada uma área para teatro, que passa a dividir o espaço, com as mostras de filmes, com as artes plásticas e a arquitetura.
  • Na 6ª edição, de 1961, a curadoria geral de Mário Pedrosa combina obras contemporâneas (Kurt Schwitters, 1887-1948) com retrospectivas históricas (Alfredo Volpi (1896 - 1988)). A ampliação da participação nacional e a maior representação de obras de caráter histórico valem uma série de críticas ao evento.
  • A mostra de 1963, por sua vez, destaca-se pela grandiosidade que, a partir daí, torna-se um de seus traços característicos.
  • No período de 1965 a 1973, a Bienal sofre de perto os efeitos do golpe militar e da repressão política no país. As participações, nacionais e internacionais, diminuem sensivelmente, o que compromete o evento (mesmo assim, a mostra de 1967 conta com representativa presença da arte pop).
Pavilhão Ciccillo Matarazzo.
  • A oposição dos artistas à ditadura militar ganha expressão ampliada na 10ª Bienal (1969), quando, no Museu de Arte Moderna de Paris, diversos artistas e intelectuais assinam o Manifesto Não à Bienal.
  • A partir da 14ª Bienal (1977), a exposição passa a se organizar por núcleos temáticos, no interior dos quais as obras passam a ser alocadas.
  • Da década de 1980 em diante, os curadores se notabilizam pela definição de temas e questões que orientam a organização dos trabalhos, assim como pelas inovações museográficas.
  • A 16ª e 17ª Bienais (1981 e 1983), sob a curadoria geral de Walter Zanini, têm papel importante no resgate do prestígio do evento, abalado na década anterior. Zanini organiza a mostra tendo como eixo as analogias de linguagens entre obras variadas (Núcleo 1: "Linguagens Aproximadas"). Fortalece o núcleo histórico (Núcleo 2), apresenta o acervo do Museu do Inconsciente e reconquista a participação dos artistas contemporâneos (entre esses, tem grande impacto a representação nacional, com Antonio Dias (1944), Cildo Meireles (1948), Tunga (1952), entre outros).
  • Em 1985 e 1987, a curadora da 18ª e 19ª Bienais, Sheila Leirner, com o auxílio de arquitetos, apresenta novas soluções para a montagem da exposição. As ideias norteadoras dos eventos - A Grande Tela onde as obras foram expostas em três vastos corredores, com 30 cm de distância entre cada uma delas, e A Grande Coleção onde os trabalhos foram exibidos de forma vertical no grande hall do Pavilhão projetado por Oscar Niemeyer, marcaram um novo conceito de curadoria.
  • Nos anos 1990, as mostras são organizadas com base em grandes temas, por exemplo "Ruptura com o Suporte" (1994) e "Antropofagia" (1998). Nessa década, as bienais são tomadas por espetáculos de diversos tipos: dança, teatro, música etc., o que faz delas eventos culturais mais amplos.
  • Em 2010 foi realizada a 29ª edição, sendo que e a 30ª edição aconteceu em 2012. A 31ª edição já está marcada para acontecer em 2014.[4]
  • Informações sobre a 30ª edição.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  • Enciclopédia Itaú Cultural
  • 50 anos Bienal de São Paulo: 1951-2001. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2001. 352 p., il. p&b color.
  • AMARAL, Aracy. Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burguer: 1961 - 1981. Apresentação Ana Maria de Moraes Belluzzo. São Paulo: Nobel, 1983. 423 p.
  • ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Metrópole e cultura: São Paulo no meio século XX. Bauru: Edusc, 2001. 482 p., il. color., p&b. (Ciências Sociais).
  • Retrospectiva: figuras, raízes e problemas da arte contemporanea. Prefácio Eduardo Etzel; introdução Eduardo Etzel. São Paulo: Cultrix, 1975. 222 p.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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