Impressionismo

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Impressionismo foi um movimento que surgiu na pintura francesa do século XIX, vivia-se nesse momento a chamada Belle Epoque ou Bela Época em português. O nome do movimento é derivado da obra "Impressão: nascer do sol" (1872), de Claude Monet. [1] [2]

Começou com um grupo de jovens pintores que rompeu com as regras da pintura vigentes até então. Os autores impressionistas não mais se preocupavam com os preceitos do Realismo ou da academia. A busca pelos elementos fundamentais de cada arte levou os pintores impressionistas a pesquisar a produção pictórica não mais interessados em temáticas nobres ou no retrato fiel da realidade, mas em ver o quadro como obra em si mesma. A luz e o movimento utilizando pinceladas soltas tornam-se o principal elemento da pintura, sendo que geralmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse capturar melhor as variações de cores da natureza.

É um modo de pintar, sem muitos detalhes e geralmente é na natureza.

Características[editar | editar código-fonte]

Monet: Mulheres no jardim de 1866.

Orientações gerais que caracterizam a pintura:

  • a tintura deve mostrar os pontos que os objetos adquirem ao refletir a luz do corpo num determinado momento, pois as cores da natureza mudam todo dia, dependendo da incidência da luz do sol;
  • é também, com isto, uma pintura instantânea (captação do momento), recorrendo, inclusivamente, à fotografia;
  • as figuras não devem ter contornos nítidos pois o desenho deixa de ser o principal meio estrutural do quadro, passando a ser a mancha/cor;
  • as sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam. O preto jamais é usado em uma obra impressionista plena;
  • os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim um amarelo próximo a um violeta produz um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos academicistas no passado. Essa orientação viria dar mais tarde origem ao [pontilhismo];
  • as cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura de pigmentos. Pelo contrário,devem ser puras e dissociadas no quadro em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se tornar óptica;
  • preferência pelos pintores em representar uma natureza morta a um objeto;
  • Valorização de decomposição das cores.

Entre os principais expoentes do Impressionismo estão Claude Monet, Edouard Manet, Edgar Degas, Auguste Renoir, Alfred Sisley e Camille Pissarro. Podemos dizer ainda que Claude Monet foi um dos maiores artistas da pintura impressionista da época. [3]

Impression Sunrise, óleo sobre tela de 1872.

Orientações gerais que caracterizam o impressionista:

  • rompe completamente com o passado;
  • inicia pesquisas sobre a óptica e os efeitos (ilusões) ópticos;
  • é contra a cultura tradicional;
  • pertence a um grupo individualizado;
  • falam de arte, sociedade, etc: não concordam com as mesmas coisas porém discordam do mesmo;
  • vão pintar para o exterior, algo bastante mais fácil com a evolução da indústria, nomeadamente, telas com mais formatos, tubos com as tintas, entre outras coisas.

Os efeitos ópticos descobertos pela pesquisa fotográfica, sobre a composição de cores e a formação de imagens na retina do observador, influenciaram profundamente as técnicas de pintura dos impressionistas.

Eles não mais misturavam as tintas na tela, a fim de obter diferentes cores, mas utilizavam pinceladas de cores puras que colocadas uma ao lado da outra, são misturadas pelos olhos do observador, durante o processo de formação da imagem.

Origens[editar | editar código-fonte]

Édouard Manet não se considerava um impressionista, mas foi em torno dele que se reuniram grande parte dos artistas que viriam a ser chamados de Impressionistas. O Impressionismo possui a característica de quebrar os laços com o passado e diversas obras de Manet são inspiradas na tradição. Suas obras no entanto serviram de inspiração para os novos pintores.

O termo impressionismo surgiu devido a um dos primeiros quadros de Claude Monet (1840-1926) Impressão - Nascer do Sol, por causa de uma crítica feita ao quadro pelo pintor e escritor Louis Leroy "Impressão, Nascer do Sol -eu bem o sabia! Pensava eu, se estou impressionado é porque lá há uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha". A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e seus colegas adotaram o título, sabendo da revolução que estavam iniciando.

Impressionismo no Brasil[editar | editar código-fonte]

O Violeiro, de Almeida Júnior, 1899.
Eliseu Visconti - Moça no Trigal - c.1916

No início do século XX, Eliseu Visconti foi sem dúvida o artista que melhor representou os postulados impressionistas no Brasil. Sobre o impressionismo de Visconti, diz Flávio de Aquino: "Visconti é, para nós, o precursor da arte dos nossos dias, o nosso mais legítimo representante de uma das mais importantes etapas da pintura contemporânea: o impressionismo. Trouxe-o da França ainda quente das discussões, vivo; transformou-o, ante o motivo brasileiro, perante a cor e a atmosfera luminosa do nosso País".

Principais pintores impressionistas brasileiros: Eliseu Visconti, Almeida Júnior, Timótheo da Costa, Henrique Cavaleiro e Vicente do Rego Monteiro.

Música e literatura[editar | editar código-fonte]

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Música impressionista foi e é o nome dado ao movimento da música clássica europeia que surgiu no fim do Século XIX e continuou até o meio do Século XX. Originando-se na França, música impressionista é caracterizada por sugestão e atmosfera. Compositores impressionistas preferiam composições com formas mais curtas, tais como o nocturne, arabesque, e o prelúdio; além disto, frequentemente exploravam escalas, como a escala hexafônica ou também chamada de tons inteiros. [4]

A influência de impressionismo visual na sua contraparte musical é bem discutida. Claude Debussy e Maurice Ravel são considerados, em geral, os maiores compositores impressionistas. Mas, Debussy não concordou com o termo, chamando-o de invenção dos críticos.[5] Entre outros músicos impressionistas fora da França incluem-se obras de Ralph Vaughan Williams e Ottorino Respighi.[6]

Com Clair de Lune de Debussy e Bolero de Ravel, vemos que há ainda vestígios do Romantismo na música Impressionista.

Literatura[editar | editar código-fonte]

O termo Impressionismo também é usado para descrever obras de literatura nas quais basta acrescentar poucos detalhes para estabelecer as impressões sensoriais de um incidente ou cena. Literatura impressionista é bem relacionada a simbolismo, entre os seus melhores exemplares podemos encontrar: Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud e Verlaine. [7] Autores tais como Virginia Woolf e Joseph Conrad escreveram trabalhos impressionistas de modo que, em vez de interpretar, eles descrevem as impressões, sensações e emoções que constituem uma vida mental de um caráter. [8]

Referências

  1. Moisés, Massaud. Dicionário de termos literários. [S.l.]: Editora Cultrix, 2002. 520 pp. p. 239. ISBN 9788531601309
  2. Oliveira, Valéria Ochoa. A arte na belle époque: o simbolismo de Eliseu Visconti e as Musas. [S.l.]: EDUFU, 2008. p. 49-50, 55. ISBN 9788570781949
  3. Portela, Luiz. O Prazer do Ser. [S.l.]: Leya, 2012. ISBN 9789892311043
  4. Dourado, Henrique Autran. Dicionário de termos e expressões da música. [S.l.]: Edutora 34, 2004. 382 pp. ISBN 9788573262940
  5. Tsai, Shengdar. Impressionistic Influences in the Music of Claude Debussy. Accessed 22 July 2006.
  6. "Impressionism, in music". The Columbia Encyclopedia (6th ed.). New York: Columbia University Press. Consultado em 2006-07-22. 
  7. Raymond, Marcel. De Baudelaire ao Surrealismo (em inglês). [S.l.]: EdUSP, 1997. 322 pp. p. 103. ISBN 9788531403897
  8. Gompertz, Will. Isso é arte?: 150 anos de arte moderna. Do impressionismo até hoje. [S.l.]: Jorge Zahar Editor Ltda, 2013. 464 pp. ISBN 9788537811009

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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