Nudez

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Nota: Se procura o livro de Carlos Drummond de Andrade, consulte Nudez (livro).

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Olympia, de Manet.

A nudez ou o nu é a condição ou estado pessoal em que, parcial ou totalmente, encontra-se uma pessoa sem cobertura de roupas. É usado por vezes para designar o uso de menos roupa do que o esperado por uma convenção cultural, particularmente no que se refere à exposição das partes íntimas, torso ou membros.

O conceito relaciona-se com a vergonha, embora tenha sua independência como sentimento. Pode também resultar numa sugestão sexual. A nudez depende essencialmente de localização espacial e temporal, podendo ir de extremos como a nudez apenas no caso da ausência de aparatos ou proteção de genitálias até o caso das religiões que consideram mulheres sem véu protetor como "nuas".

Há também o chamado nu artístico, que consiste na reprodução (pictórica ou escultural) de uma pessoa sem vestimentas.

Índice

[editar] Perspectiva história

Praia nudista
David representado por Miguel Ângelo.

Em algumas regiões da Grécia Antiga, tais como Minoa e Esparta, a nudez era muito bem aceita. Os soldados espartanos combatiam nus. Também nos Jogos Olímpicos os atletas competiam nus e os juízes estavam geralmente despidos: era uma forma de verificar que não havia mulheres presentes nestas cerimónias sagradas. A palavra ginásio significa local de nudez. Na época do Império Romano a nudez era habitual nos banhos públicos. No entanto, a exposição de um corpo nu fora destes contextos era considerada humilhante.

Até ao início do século VIII, os baptismos cristãos eram feitos com a pessoa baptizada nua e imersa em água, como símbolo de um novo nascimento. O desaparecimento desta prática acentou uma certa conotação sexual com a nudez.

Durante a época vitoriana, a nudez era considerada obscena, existindo nas praias equipamento para mudança de fatos-de-banho que permitia trocar de roupa sem expor o corpo nu ao olhar de espectadores.

Na actualidade, a nudez não é geralmente aceita nas sociedades, com a excepção da nudez artística. Todavia, existem excepções, tanto para certas partes do corpo (o torso nu do homem é exposto em quase todas as sociedades sem levantar questões acessórias), como para situações onde a nudez é vista como necessária.

[editar] Nudez na mídia

[editar] Cinema

[editar] Brasil

Assim como no cinema estadunidense, a nudez sempre esteve presente no cinema brasileiro. Houve aparições esporádicas nos primeiros filmes produzidos no país - especialmente em documentários sobre povos nativos -, mas as cenas de nudez começaram a aparecer de maneira constante nos filmes a partir da primeira metade déceda de 1960. Em 1962, Norma Bengell aparece nua no filme Os Cafajestes, naquela que é reconhecida como a primeira cena de nu frontal do cinema comercial brasileiro. Em 1964, ocorreu o golpe militar no país, mas ainda demoraria alguns anos para que a censura fosse imposta de modo mais forte. Nessa época era comum homens aparecendo expondo apenas a parte posterior de seu corpo; em 1966 Paulo José expôs seu derrière em Todas as Mulheres do Mundo e em 1968 em O Homem Nu, por exemplo. Com o decreto do AI-5 no ano de 1968, a censura ganhou mais força e os filmes sofreram com isso. A partir daí a nudez era constantemente banida de filmes. Na segunda metade da década de 1970, com o enfraquecimento da ditadura, surgem as pornochanchada - comédias eróticas com as mais variadas cenas de nudez; todas elas super-sexualizadas. Fora do gênero, a nudez de natureza não-sexual é explorada novamente, enquanto outros filmes exploram as cenas de sexo baseando-se na crença de que "sexo vende". A nudez continou muito presente nas décadas seguintes no cinema brasileiro, ocorrendo a desbanalização do frontal masculino. Hoje, todos filmes produzidos no país recebem uma classificação indicativa do Ministério da Justiça e só podem ser vistos por pessoas de certa faixa etária específica.

[editar] Estados Unidos

A representação da nudez em filmes estadunidenses sempre foi controversa. Vários filmes da era silenciosa de Hollywood já apresentavam nudez de uma forma artística e não-sexual. Em resposta às objeções de vários grupos conservadores, as cenas de nudez foram proibidas de filmes produzidos pelos grandes estúdios em 1934 pelo Código das Produções da Motion Picture Association of America (Associação de Filmes dos EUA) - conhecido popularmente pelo nome de Código Hayes. Tal Código dizia que os filmes só poderiam ser exibidos nos cinemas norte-americanos após receberem um selo de aprovação de um júri formado por membros da MPAA. A forte censura regeria até o ano de 1964, quando o filme The Pawnbroker - que mostrava os seios completamente nus de uma mulher - recebeu aprovação do júri da MPAA. Anteriormente a esse filme, apenas alguns documentários e filmes estrangeiros mostravam cenas de nudez sem serem perseguidos pela censura do Código das Produções. Em 1959, o filme The Immoral Mr. Teas se tornou o primeiro filme da indústria erótica a ser exibido em cinemas (antes disso os filmes pornográficos eram exibidos em bordéis como forma de estimular os clientes).

Com a instituição voluntária do sistema de classificação por faixa etária pela MPAA em 1968, a nudez finalmente pôde ser legitimadamente incluída num filme comercial de sucesso. Desde então, vários filmes começaram a usar a nudez em níveis variados; no entanto, a nudez frontal ainda é muito mais presente no cinema europeu do que no norte-americano. Nos Estados Unidos, a violência é muito mais aceita na mídia do que a nudez, ao contrário da Europa.

[editar] Televisão

Apesar de ser muito comum haver nudez nos programas das redes de televisão brasileiras e européias, essa prática é muito incomum na televisão estadunidense. Ao longo dos anos, houve aparições esporádicas de pessoas nuas em programas feitos pelas redes abertas de televisão dos Estados Unidos, como na minissérie Raízes e no seriado Nova Iorque Contra o Crime. A rede pública PBS exibia alguns filmes da BBC com nudez envolvida. Alguns filmes que contêm nudez, quando exibidos na televisão têm suas cenas mais fortes cortadas ou editadas com tarjas pretas. O único filme a ser exibido em sua versão original, com palavras pejorativas e nudez, foi A Lista de Schindler pela NBC em 23 de fevereiro de 1997. Alguns canais da televisão a cabo, como HBO e Showtime, exibem os filmes em suas versões originais. Esses canais também produzem seus próprios filmes, séries e documentários, com palavras profanas e nudez, como Sex and the City e Oz.

Recentemente, com o escândalo do Super Bowl XXXVIII, as redes de televisão temem ser multadas por exibirem cenas de nudez em seus seriados. Agora, as novelas, os filmes, os seriados e até mesmo os programas de esporte do horário nobres, estão sobre constante vigilância da FCC (Comissão Federal das Comunicações). Curiosamente, as cenas de nudez apresentadas em séries de animação (como em Os Simpsons e Family Guy) não causam multas para as redes que os exibem.

[editar] Ver também


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