Véu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto (desde março de 2012).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Mulher segurando um véu. figura de terracota, ca. 400–375 a.C.

Véu é um tecido ou peça de vestuário, utilizado quase exclusivamente por mulheres de diferentes culturas, usado para cobrir totalmente ou em parte a cabeça e a face.

Uma visão é a de que se trata de um item religioso, usado para honrar um local ou objeto de culto. As funções socioculturais, psicológicas e sociosexuais do véu, entretanto, não foram extensamente estudadas, mas provavelmente também incluem a manutenção de uma distance social, a comunicação de status social e identidade cultural [1] [2] . Em sociedades islâmicas, várias formas de véus foram adotadas da cultura árabe onde o Islã nasceu.[carece de fontes?].

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra "véu" é derivada do latim vēlum, que também era usada para denominar as vela das embarcações. Há duas teorias sobre a origem do termo vēlum:

  • da raiz indo-europeia *wel-, significando "cobrir";
  • da raiz indo-europeia *wegh-, que significa "carregar um veículo".

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro uso conhecido do véu para mulheres é reportado em um texto legislativo assírio do século 13 a.C., que restringia seu uso a mulheres da aristocracia e proibia prostitutas e mulheres comuns de o adotarem [carece de fontes?]. O termo em grego micênico a-pu-ko-wo-ko, significando "artesão de véus para cavalos", também é atestado dese cerca de 1300 a.C. na escrita silábica Linear B[3] [4] . Textos gregos antigos também citam o uso do véu e a isolamento de mulheres praticada pela elite persa [carece de fontes?]. Estátuas em Persépolis retratam mulheres usando véus[carece de fontes?].

Estátuas gregas dos períodos clássico e helênico por vezes retratam mulheres gregas com a cabeça e face cobertas por véus. Ambos Caroline Galt e Lloyd Llewellyn-Joves argumentaram com base nessas representações e referências literárias que era comum entre as mulheres gregas desse período (ou pelo menos das mulheres de alto status social) o uso do véu em público[carece de fontes?].

Por muitos séculos, até por volta de 1175, mulheres anglo-saxãs e anglo-normandas, excetuando as jovens solteiras, usavam véus que cobriam totalmente os cabelos e, por vezes, o pescoço e o queixo. Apenas no período Tudor(1485), quando o uso de capuzes se tornou popular, véus desse tipo começaram a ser menos comuns [carece de fontes?].

O uso do véu entre mulheres europeias também é atestado em situações de luto e em substituto às máscaras como método de ocultação da identidade de uma mulher. De maneira mais pragmática, o véu também era usado para proteger a pele do sol, da mesma forma que o keffiyeh é usado hoje em dia [carece de fontes?].

Uso religioso do véu[editar | editar código-fonte]

No judaísmo, cristianismo e islã, o ato de cobrir a cabeça está associado a modéstia e recato. A maioria dos retratos tradicionais da Virgem Maria a mostram com a cabeça velada. Durante a Idade Média, a maioria das mulheres europeias e bizantinas casadas cobriam suas cabeças com uma variedade de tipos diferentes de véus. Cobrir os cabelos era prática comum entre mulheres ao frequentar igrejas até a década de 1960[5] , tipicamente usando véus de renda. Um tipo de véu de renda que cobrem a face ainda é usada por mulheres européias e de diversas denominações cristãs em funerais.

No Brasil denominações cristãs como a Congregação Cristã no Brasil[6] , dentre outras, ainda adotam o uso de véus durante serviços religiosos e orações. Os Menonitas e outras religiões americanas [7] [8] também adotam o uso do véu nessas situações.

No norte da Índia, mulheres hindu frequentemente se cobrem com véus em regiões rurais, particularmente em Gujarat e no Rajastão quando em situações tradicionais e diante de homens mais velhos. Este véu é denominado Ghoonghat ou Laaj. Seu propósito é demonstrar humildade e submissão aos anciãos.

Apesar da religião ser comumente indicada como a razão para o uso do véu, essa prática também reflete situações políticas e também serve como meio para a exposição pública das convicções ideológicas da pessoa que o usa[9] .

O Véu no Judaísmo[editar | editar código-fonte]

Mulher judia orando enquanto usa um Tichel

O uso do véu entre mulheres judias casadas é, segundo formas mais restritas do Judaísmo ortodoxo, uma expressão da devoção e amor exclusivos de uma mulher pelo seu marido. Dessa forma, o Tichel e outras formas de cobertura para os cabelos, considerado uma parte sensual do corpo, são recomendados a mulheres judias de tradições mais ortodoxas como um ato de modéstia.

O uso de cobertura para o cabelo é referido na Torah (Números 5:18), onde a cerimônia de punição a mulheres acusadas de adultério se inicia pela remoção dessa cobertura por um sacerdote. A Mishna(Ketuboth 7:6) e o Talmud (Ketuboth 72) também se referem à cobertura dos cabelos como uma obrigação feminina. Tanto a Torah (Cântico dos Cânticos 4:1) como o Talmud (Berakhot 24a) se referem aos cabelos como objeto de erotismo e sexualidade (ervah).

Véus bordados também são usados de forma simbólica como coberturas para a arca que contém os rolos da Torah nas sinagogas. Essa cortina ou véu chamado parochet, é uma herança do véu do tabernáculo e dos véus que originalmente cobriam a Arca da Aliança e o Santo dos Santos (Kodesh Hakodashim) no Templo de Jerusalém. Esses véus separam fisicamente aqueles espaços considerados particularmente sagrado de outros espaços, e limitam o acesso a esses espaços.

O Véu no Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Véus litúrgicos[editar | editar código-fonte]

Véu eucarístico cobrindo o cálice e a patena.

Dentre as igrejas cristãs que possuem tradições litúrgicas, diferentes tipos de véus são usados. Muitos desses véus estão associados ao véu do Tabernáculo do deserto e ao véu do Santo dos Santos do Templo de Salomão. O propósito desses véus é, em geral, proteger os objetos mais sacros, em particular a Eucaristia:

  • o Véu do Tabernáculo, usado para cobrir o Sacrário, usado particularmente na liturgia Católica Romana, mas também em outras tradições, é usado quando a Eucaristia está dentro do sacrário;
  • o Cibório ou Âmbula, o cálice onde as hóstias são armazenadas na tradição Católica, é protegido por um véu quando as hóstias que armazena foram consagradas; antes parte obrigatória da liturgia, hoje são considerados opcionais;
  • o cálice e patena contendo o vinho e o pão eucarísticos são também cobertos com um véu para evitar que os materiais sejam contaminados ou derramados. Na tradição católica um único véu é usado para ambos os materiais; nas igrejas orientais três véus são usados: um para o cálice, outro para o diskos (patena) e um terceiro, o Aër, para cobrir os dois anteriores;
  • o Véu umeral é uma veste litúrgica utilizada no Rito romano, bem como em algumas igrejas Anglicana e Luterana durante a exposição do Santíssimo Sacramento;
  • durante a quaresma, muitas igrejas velam seus crucifixos com véus de cor roxa, vermelha ou preta, a depender da tradição litúrgica, para demonstrar luto pela morte de Cristo.

Véu feminino[editar | editar código-fonte]

Freiras usando véu.

Tradicionalmente no cristianismo, as mulheres eram encorajadas a cobrir suas cabeças dentro das igrejas, bem como era (e ainda é, em muitos lugares) costume entre os homens descobrir as cabeças em sinal de respeito. Essa prática é baseada no texto bíblico da primeira epístola aos Coríntios atribuída a Paulo de Tarso:

Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça; e toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça; pois é como se a tivesse rapada. Se a mulher não cobre a cabeça, deve também cortar o cabelo; se, porém, é vergonhoso para a mulher ter o cabelo cortado ou rapado, ela deve cobrir a cabeça. O homem não deve cobrir a cabeça, visto que ele é imagem e glória de Deus; mas a mulher é glória do homem. Pois o homem não se originou da mulher, mas a mulher do homem; além disso, o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem. Por essa razão e por causa dos anjos, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade. No Senhor, todavia, a mulher não é independente do homem, nem o homem independente da mulher. Pois, assim como a mulher proveio do homem, também o homem nasce da mulher. Mas tudo provém de Deus. Julguem entre vocês mesmos: é apropriado a uma mulher orar a Deus com a cabeça descoberta? A própria natureza das coisas não lhes ensina que é uma desonra para o homem ter cabelo comprido, e que o cabelo comprido é uma glória para a mulher? Pois o cabelo comprido foi lhe dado como manto. Mas se alguém quiser fazer polêmica a esse respeito, nós não temos esse costume, nem as igrejas de Deus. (1 Coríntios 11:4-16, tradução Nova Versão Internacional)

Enquanto a autoria dessa carta é quase unanimemente atribuída a Paulo de Tarso, o trecho acima entretanto é considerado por diversos estudiosos bíblicos como uma adição posterior, contemporânea das epístolas pastorais, por ter estilo e doutrina em geral divergentes do defendido em outros trechos atribuídos a Paulo [10] .

Em muitas Igrejas Ortodoxas Orientais, e em algumas igrejas Protestantes bastante conservadoras, o costume de cobrir a cabeça nas igrejas, ou mesmo em orações privadas em casa, ainda é mantido. Na Igreja Católica, era costumeiro na maioria das localidades a cobertura da cabeça por véus, capas, estolas, echarpes e barretes, até a década de 1960. O costume, apesar de não mais obrigatório, continua em locais onde é considerado um prática de etiqueta, cortesia ou elegância. tradicionalistas católicos porém ainda mantém a prática. O uso de cobertura para a cabeça foi pela primeira vez tornado obrigatório e universal no Rito Latino pelo Código de Direito Canônico de 1917[11] que foi revogado pelo atual Código de Direito Canônico de 1983. [12] apesar de muitos tradicionalistas católicos disputarem a respeito da legalidade da revogação.

Um véu sobre o cabelo faz parte do vestuário e hábito da maioria das ordens de freiras e irmãs religiosas na Igreja Católica e em algumas ordens religiosas femininas Anglicanas. Na era medieval, mulheres casadas normalmente cobriam a cabeça com véus, depois copiados pelo vestuário das freiras, indicando sua posição como "noivas de Cristo". Em muitas ordens um véu branco, o véu da provação, é usado durante o noviciado e um véu preto, o véu da profissão, depois que os votos são tomados. As cores no entanto variam entre as diferentes ordens. No Rito Oriental da Igreja Católica e em Igrejas Ortodoxas Orientais, um véu chamado epanokameloukion é usado por religiosos de ambos os sexos (monges e freiras), cobrindo um chapéu denominado kalimavkion.

O Véu no Islã[editar | editar código-fonte]

Mulher usando um véu e vestuário compatível com o hijab

Uma variedade de peças de vestuário para a cabeça são usados por mulheres e meninas muçulmanos de acordo com o hijab (o princípio da modéstia no vestuário), normalmente sendo referidos no ocidente como véus. O principal objetivo do véu muçulmano é ocultar aquilo que poderia ser considerado sexualmente atraente para os homens. Muitas dessas peças de vestuário cobrem os cabelos, orelhas e garganta, mas não a face. O khimar é uma espécie de lenço para a cabeça. O nicabe e a burca são véus que cobre toda a face, exceto uma pequena fresta para os olhos. A burca afegã cobre o corpo todo, ocultando totalmente a face, exceto por uma rede que permite que a mulher que a está usando possa enxergar. A boshiya é um véu que pode ser usado como um lenço sobre a cabeça, que cobre toda a face com um tecido translúcido [carece de fontes?]. É sugerido que a prática do uso do véu, incomum entre os árabes antes do surgimento do Islã, se originou no Império Bizantino e se espalhou posteriormente na região. [13] [14] .

O uso de véus e coberturas para a face por mulheres muçulmanos levantou questões políticas em países do ocidente, especialmente em Quebeque, na França e no Reino Unido. Há também um acalorado debate na Turquia, país secular de maioria islâmica, onde os véus foram banidos em universidades e prédios do governo por serem considerados um símbolo de militância política de grupos Islamistas.

Usos não-religiosos do véu[editar | editar código-fonte]

Frances Perkins usando um véu após a morte de Franklin D. Roosevelt

Chapéus[editar | editar código-fonte]

Véus como parte de chapéus sobreviveram às mudanças na moda europeia ao longo dos séculos e ainda são usados eventualmente em ocasiões formais. Esse tipo de véu é normalmente feito de redes, não objetivando esconder o rosto totalmente.

Véus de noiva[editar | editar código-fonte]

Véus também são parte integrante do vestuário das noivas em grande parte das culturas ocidentais. Véus compridos, cobrindo o cabelo e a face, substituíram o uso do cabelo longo e solto como símbolo da virgindade da noiva. O véu que cobria a face era normalmente removido ao apresentar a noiva ao noivo, ato que nos casamentos modernos é ignorado. Na tradição judaica a noiva era desvelada apenas antes da consumação do casamento.

Não é claro que o uso do véu no casamento é um uso não-religioso, uma vez que na tradição ocidental casamentos quase sempre acontecem em situações religiosas. Entretanto, o uso do véu no casamento predata a associação da cerimônia do casamento com a religião cristã. Noivas romanas usavam véus coloridos para espantar maus espíritos e posteriormente esse véu foi adotado nas cerimônias cristãs. O véu, uma vez tornado símbolo de virgindade, passou a ser adotado também por mulheres cristãs que consagravam sua virgindade a Cristo.

Véus masculinos[editar | editar código-fonte]

Entre certos grupos de povos Tuaregues, Songhai, Hauçás, Fulas e Mouros, mulheres não usam véus tradicionalmente, mas os homens sim. O uso dos véus masculinos está associado à proteção contra maus espíritos, mas muito provavelmente tem origem em usos mais pragmáticos, como proteger a face das condições rigorosas do deserto. Os homens passam a usar aos 25 anos de idade um tipo de véu que cobre toda a face, exceto os olhos, e não o removem mesmo junto aos membros de sua família.

Referências

  1. Murphy, R.F.. (1964). "Social Distance and the Veil.". American Anthropologist, New Series 66 (6): 1257-1274.
  2. Brenner, S.. (1996). "Reconstructing Self and Society: Javanese Muslim Women and "The Veil".". American Ethnologist 23 (4): 673-697.
  3. Palaeolexicon. Word study tool of ancient languages.
  4. Jose L. Melena. Index of Mycenaean words.
  5. Enciclopédia brasileira Mérito. [S.l.: s.n.]. 318 p. 20 vol.
  6. Regina Novaes. Os Escolhidos de Deus. [S.l.: s.n.], 1985. 60-61 p.
  7. Frank Spencer Mead. Handbook of denominations in the United States. [S.l.: s.n.], 1961. 57 p.
  8. Wenger, John C. and Elmer S. Yoder. (1989). Prayer Veil. Global Anabaptist Mennonite Encyclopedia Online. Página visitada em 27 de Março de 2012.
  9. Secor, A.. (2002). "The Veil and Urban Space in Istanbul: Women’s Dress, Mobility and Islamic Knowledge.". Gender, Place and Culture 9 (1): 5-22.
  10. John Barton; John Muddiman. The Oxford Bible Commentary. New York: Oxford University Press Inc., 2001. 1125 p. ISBN 978-0-19-875500-5 ("It is full of awkward argumentation, so awkward that a few scholars even consider it a later addition to the letter by another hand.")
  11. 1917 Codex Iuris Canonici. Canon 1262, Section 2.
  12. Canon 6 §1 of the Code of Canon Law.
  13. Review of Herrin book and Michael Angold. [S.l.]: Cambridge University Press. 426–7 & ff;1995 p. ISBN 0521269865
  14. John Esposito. Islam: The Straight Path. 3rd ed. [S.l.]: Oxford University Press, 2005. 98 p.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]