Luto

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Ivan Kramskoy, Tristeza inconsolável, 1884.

O luto é um conjunto de reações a uma perda significativa, geralmente pela morte de outro ser. Segundo John Bowlby quanto maior o apego ao objeto perdido (que pode ser uma pessoa, animal, fase da vida, status social...) maior o sofrimento do luto. O luto tem diferentes formas de expressão em culturas distintas.[1]

Entende-se por luto não somente a reação vivenciada diante da morte ou perda de um ser amado, mas também as manifestações ocorridas em outras perdas, como separações familiares, de amigos, conjugais. Lembranças de valores emocionais, como mudanças de casa e de país, remetem ao processo de luto. Frente à instalação destas perdas significativas, o luto é visto como um processo mental que as designa.

Cores[editar | editar código-fonte]

O uso de determinadas cores, por exemplo, pode indicar que um indivíduo ou grupo está em luto. Um povo ou país, quando ocorre a morte de uma personalidade importante pode entrar em luto também, sendo comum decretações de luto oficial em diversos países inclusive no Brasil.

Na maior parte da cultura ocidental, quando um amigo ou familiar de uma pessoa morre, é comum ela usar roupas pretas para mostrar seus sentimentos de perda e respeito pela pessoa.

Psicologia da morte[editar | editar código-fonte]

A característica inicial do processo de luto acontece pelas relembranças da perda aliada ao sentimento de tristeza e choro, sendo que a pessoa se consola logo após. Este é um processo que evolui, onde as relembranças são intercaladas com cenas agradáveis e desagradáveis, sem, necessariamente, ser acompanhadas de tristeza e choro. Além destes sentimentos, é comum o estado de choque, a raiva, a hostilidade, a solidão, a agitação, a ansiedade e a fadiga. Sensações físicas como vazio no estômago e aperto no peito podem ocorrer.

A duração deste processo é inconstante e seguido de uma notável falta de interesse pelo mundo exterior. Com o passar do tempo, o choro e a tristeza vão diminuindo e é esperado que a pessoa vá se reorganizando, porém é um processo a longo prazo e os episódios de recaída são comuns. Caso alguém não consiga lidar de uma forma socialmente adequada com a perda por mais de 6 meses, continue em intenso sofrimento e/ou não consiga se reorganizar é considerado um luto patológico e é recomendado que faça psicoterapia.

Existem escalas para medir a gravidade do luto que avaliam fatores emocional, cognitivo, físico, social espiritual/religioso. Um exemplo é a escala proposta por David Fireman: [1]

Pensando a respeito da família, o luto pode provocar uma crise na mesma, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma complexidade, pois esta crise pode estagnar o desenvolvimento da família, fator que pode definir o processo de luto.

Entre alguns psicólogos é comum se referir as pessoas significativas em processo de luto pela perda de um ente querido como sobreviventes como forma de reforçar positivamente a luta pela sobrevivência diante de desafios difíceis.

Como forma de encarar melhor a morte o psicólogo pode ressaltar o caráter de fim do sofrimento da morte ou mesmo estimular moderadamente crenças religiosas/espirituais positivas independente da religião do indivíduo. Outra possibilidade é associar a morte com um descanso, tranquilidade, paz, retorno para a natureza e parte natural do ciclo da vida.

Luto na criança[editar | editar código-fonte]

Filhas do Príncipe Consorte Albert, de luto em 1861 ao lado de um busto representativo do pai

Mesmo bebês em fase antes de aprender a falar já demonstram o processo de luto que são observáveis em desenhos e jogos. Entretanto, é somente a partir do período das operações formais que a criança pode compreender a morte, enquanto fenômeno irreversível, universal e inevitável [2]

Entre os fatores que influenciam o luto dos adolescentes e crianças, destacam-se o apego e depedência com a pessoa perdida, a percepção que possuem da morte, o quanto tempo tiveram para se preparar para essa situação (luto antecipatório) e a forma de restruturação familiar no caso de perda de um membro da família. [3] Caso o luto não seja enfrentado adequadamente é comum resultar em depressão nervosa ou transtorno de estresse pós-traumático.

Para a psicologia a própria passagem para a adolescência também consiste em um processo de luto da infância. Um luto dessa fase mal resolvido envolve um período mais prolongado de dependência dos cuidadores e posteriormente dos parceiros amorosos. Na psicanálise referem-se ao retorno a infância como regressão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Bowlby J.(1982) Attachment and loss: Retrospect and prospect- American Journal of Orthopsychiatry, 1982 - interscience.wiley.com
  2. A. Aberastury & cols. (Org.), A percepção da morte na criança e outros escritos (pp. 128-139). Porto Alegre: Artes Médicas. (Original publicado em 1978)
  3. Bowlby, J. (1993). Separação: Angústia e raiva. Em Apego e perda: Vol. 2 (L. H. B. Hegenberg & M. Hegenberg, Trad.). São Paulo: Martins Fontes. (Original publicado em 1973)