Vilém Flusser

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Vilém Flusser
Nascimento 12 de maio de 1920
Praga
Morte 27 de novembro de 1991 (71 anos)
Nacionalidade  brasileiro (naturalizado)
Parentesco David Flusser (tio)
Ocupação Filósofo
Influências
Principais interesses Teoria da comunicação
Causa da morte Acidente rodoviário

Vilém Flusser (Praga,1920 - 1991) foi um filósofo tcheco, naturalizado brasileiro. Autodidata, durante a Segunda Guerra, fugindo do nazismo, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde atuou por cerca de 20 anos como professor de filosofia, jornalista, conferencista e escritor.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido na recém independente Tchecoslováquia, de uma família de intelectuais judeus (seu pai era professor universitário de matemática e física), Vilém estudou filosofia na Universidade Carolina, em Praga, entre 1938 e 1939. Naquele ano deixou seu país, com os pais de sua futura mulher, Edith Barth, para viver em Londres. Prosseguiu seus estudos na London School of Economics and Political Science, sem no entanto concluí-los.

Em 1940, seus pais, irmã e avós são mortos em campos de concentração da Alemanha: o pai, em Buchenwald ; os avós, a mãe e a irmã, em Theresienstadt.

No ano seguinte, ele e Edith emigram para o Brasil. No mesmo ano, casam-se no Rio de Janeiro, fixando-se posteriormente em São Paulo(cidade). Durante os primeiros anos, Vilém trabalha em uma empresa pertencente à família do sogro, A IRB - Indústrias Radioeletrônicas do Brasil Ltda. O primeiro dos três filhos do casal nasce em 1943.

Em 1950, naturaliza-se brasileiro.

Entre 1950 e 1951, dedica-se ao projeto de um livro sobre a história intelectual do século XVIII, trabalha como jornalista e ensina filosofia. A partir de 1960 inicia sua colaboração com a Revista Brasileira de Filosofia, editada pelo Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF) ambos fundados por Miguel Reale, em São Paulo, aproximando-se de um círculo de intelectuais brasileiros de formação liberal.

Ao longo da década de 1960, leciona Filosofia da Ciência, na Escola Politécnica da USP, e Filosofia da Comunicação, na Escola Superior de Cinema e na Escola de Arte Dramática (EAD), também em São Paulo. Além disso, colabora regularmente com com o Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo e participa ativamente da vida artística da cidade, colaborando com a Bienal de São Paulo. Publica seu primeiro livro - Língua e realidade em 1963.

Em 1966, inicia sua colaboração com o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Porém, em 1970, quando a reforma universitária agregou todos os professores de filosofia da USP ao Departamento de Filosofia da FFLCH, Flusser, que era professor da Politécnica, não foi recontratado. A hipótese de que sua saída da Universidade tenha sido mais um episódio de repressão política relacionado ao regime militar, vigente na época, não parece provável. A maioria dos membros do Departamento era bastante crítica com relação ao regime, enquanto Flusser era considerado conservador entre seus pares. Aparentemente, a não renovação do seu contrato com a Universidade deveu-se à falta de comprovação de títulos acadêmicos.[1] .

De todo modo, uma vez excluído da universidade, Vilém deixa o Brasil em 1972 para viver inicialmente na Itália e posteriormente na França e na Alemanha.

Manteve-se bastante ativo até o final de sua vida, escrevendo e ministrando conferências na área de Teoria da Comunicação. Seus trabalhos se concentraram na discussão do pensamento de Heidegger, sendo marcados pelo existencialismo e pela fenomenologia.

Vilém Flusser morreu em acidente de trânsito, ao visitar sua cidade natal, para ministrar uma conferência.

Referências

Principais obras[editar | editar código-fonte]

  • Lingua e Realidade. São Paulo, 1963. São Paulo: Annablume, 2007, 3ª ed.
  • A História do Diabo (São Paulo, 1965)
  • Da religiosidade: a literatura e o senso de realidade (São Paulo, 1967)
  • Le Monde Codifié (Paris, 1972)
  • Natural:mente (Sao Paulo, 1979)
  • Pós-história (São Paulo, 1982)
  • A Filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia (São Paulo, 1983)
  • Ins Universum der technischen Bilder (Göttingen, 1985)
  • Die Schrift – Hat Schreiben Zukunft?(Göttingen, 1987)
  • Vampyroteuthis infernalis (Göttingen, 1987)
  • Angenommen – eine Szenenfolge (Göttingen, 1989)
  • Gesten – Versuch einer Phänomenologie (Düsseldorf/Bensheim, 1991).
  • Bodenlos: uma autobiografia filosófica. São Paulo: Annablume, 2007.
  • A escrita - Há futuro para a escrita?. São Paulo: Annablume, 2010.

Sobre Vilém Flusser[editar | editar código-fonte]

Coletânea[editar | editar código-fonte]

  • O Mundo Codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo, 2007.
  • A Festa da língua. São Paulo, 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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