Teoria funcionalista

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A Teoria Funcionalista aborda globalmente os meios de comunicação de massa no seu conjunto. "(…) A questão de fundo já não são os efeitos, mas as funções exercidas pela comunicação de massa na sociedade" (WOLF, 2009, p. 25), o que a distancia das teorias precedentes. Consiste, resumidamente, em definir a problemática dos mass media a partir do ponto de vista do funcionamento da sociedade e da contribuição que os mass media dão a esse funcionamento. Dessa forma, "(…) a Teoria funcionalista representa uma importante etapa na crescente e progressiva orientação sociológica da 'communication research.' (WOLF, 2009, p. 26)

Contexto[editar | editar código-fonte]

Principais autores[editar | editar código-fonte]

 Merton,Lasswell, Mills, Schramm, De Fleur, Blumler, Katz, Max Webber,Endrigo...

Aspectos Importantes[editar | editar código-fonte]

  • O equilíbrio e a estabilidade do sistema, provêm das relações funcionais que os indivíduos e os subsistemas ativam no seu conjunto.
  • A palavra-chave desta teoria é função
  • A lógica que regulamenta aos fenômenos sociais é constituída por relações de funcionalidade que visam à solução de quatro problemas fundamentais, ou imperativos funcionais, que todo sistema social deve enfrentar:

1) A Manutenção do modelo e o controle das tensões 2) A adaptação ao ambiente 3) A perseguição do objetivo 4) A integração

  • No que diz respeito ao problema da manutenção do esquema de valores, o subsistema das comunicações de massa é funcional, na medida em que desempenha parcialmente a tarefa de realçar e reforçar os modelos de comportamento existentes no sistema social.
  • A função é entendida como conseqüência objetiva da ação.
  • As funções podem ser diretas ou indiretas, latentes ou manifestas.

À medida que a abordagem funcional se enraíza nas ciências sociais, os estudos sobre os efeitos passam da pergunta "O que é que os mass media fazem às pessoas?" para a pergunta " O que é que as pessoas fazem com os mass media?"

  • Os mass media são eficazes na medida em que o receptor experimenta satisfaçoes a suas necessidades
  • Tanto o emissor, como o receptor são parceiros ativos

As funções das comunicações de massa[editar | editar código-fonte]

Wright apresenta em Milão, em 1959, um ensaio pelo qual descreve-se uma estrutura conceitual que deveria permitir inventariar, em termos funcionais, as ligações complexas que existem entre os mass media e a sociedade. São elas: Relativa à sociedade:

  • Alerta os cidadãos contra perigos e ameaças
  • Fornece instrumentos para se exercitar certas atividades, como por exemplo, as trocas econômicas

Relativas ao indivíduo:

  • Atribuição de posição social e prestigio às pessoas que são objeto de atenção dos mass media
  • O reforço do prestígio por ser um cidadão bem informado
  • O reforço das normas sociais, caráter ético, confirmando as normas sociais, denunciando seus desvios à opinião pública.
  • Melvin De Fleur salienta a função que particulariza a capacidade de resistência dos mass media aos ataques

As disfunções das comunicações de massa[editar | editar código-fonte]

  • O fato do fluxo informativo dos mass media circular livremente pode ameaçar a estrutura fundamental da própria sociedade
  • A exposição a grandes quantidades de informação pode provocar a chamada "disfunção narcotizante"

A hipótese dos "Usos e Gratificações"[editar | editar código-fonte]

Mesmo que diferenciemos as necessidades das funções, é possível conceber, em termos funcionais, a satisfação das necessidades sentidas pelos indivíduos (Wright, 1974).

Katz, Gurevitch e Haas (1973 distinguem cinco classes de necessidades que os mass media satisfazem:

  • Necessidades cognitivas: aquisição e reforço de conhecimentos e de compreensão
  • Necessidades afetivas e estéticas: reforço da experiência estética, emotiva
  • Necessidades de integração a nível social: reforço dos contatos interpessoais
  • Necessidades de integração a nível da personalidade: segurança, estabilidade emotiva
  • Necessidade de evasão; abrandamento das tensões e dos conflitos

Esta hipótese articula-se em cinco pontos fundamentais:

  • A audiência é concebida como ativa
  • Depende da audiência relacionar a escolha do mass media, com a satisfação da necessidade
  • Os mass media competem com outras fontes de satisfação das necessidades
  • Muitos dos objetivos da utilização dos mass media podem conhecer-se através de dados fornecidos pelos destinatários
  • Devem suspender-se os juízos de valor acerca do significado cultural das comunicações de mass

A hipótese dos usos e satisfações implica um deslocamento da origem do efeito do conteúdo da mensagem, para todo o contexto comunicativo. A atividade seletiva e interpretativa do destinatário, baseada sociologicamente na estrutura das necessidades do indivíduo, passa a constituir parte estável do processo comunicativo, formando uma dos seus componentes não elimináveis.

  • É neste quadro, que toda a hipótese do efeito linear do conteúdo dos mass media sobre as atitudes, valores ou comportamentos do público é invertida, na medida em que é o receptor que estabelece se existirá, pelo menos, um processo comunicativo real.
  • Os mass media não são a única fonte de satisfação dos vários tipos de necessidades sentidas pelos indivíduos

Críticas[editar | editar código-fonte]

Esse modelo teórico está próximo a um funcionalismo sociológico ao supor que a mídia existe para suprir necessidades. Se esse modelo influenciar demandas sociais, será difícil explicar como grupos diversos possam vir a fazer "uso" de conteúdos idênticos para todos e deles derivarem alguma "satisfação".

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • WOLF, Mauro "'Teorias da Comunicação"". Tradução: Maria Jorge Vilar de Figueiredo. Lisboa: Editorial Presença, 2009.
  • Pena, Felipe "' 1000 Perguntas, Teoria da Comunicação, Conceitos, Mídias, Profissões"'