Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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Logo da 37a Mostra.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é um festival de cinema que ocorre anualmente na cidade de São Paulo (SP). É um evento cultural sem fins lucrativos, realizado pela ABMIC - Associação Brasileira Mostra Internacional de Cinema e com o reconhecimento da Federação Internacional da Associação dos produtores de Filmes. O Estado e o Município de São Paulo estabelecem outubro como mês oficial da mostra. A edição de 2013 acontece entre os dias 18 e 31 de outubro, com arte de Christiane Kubrick e tendo como júri, Lav Diaz, Sergei Loznitsa, Monique Gardenberg, Hans Weingartner e César Charlone.

História[editar | editar código-fonte]

Sua criação data do ano de 1977, quando o crítico de cinema Leon Cakoff quis celebrar os 30 anos de fundação do MASP - Museu de Arte de São Paulo. Já trabalhava no museu como programador de cinema e organizou exibições de filmes estrangeiros inéditos nos anos 70, obtendo sucesso. Essas exibições pré-Mostra obtiveram boa audiência, incluindo em cópias que chegavam sem legendas em português e algumas vezes sem nenhuma tradução, provando a força da necessidade cultural da cidade.

A edição de estreia da Mostra Internacional de Cinema teve 16 longas-metragens e sete curtas (de 17 países), apresentados em 40 sessões no Grande Auditório do MASP, e inaugurou a modalidade do voto do público para a escolha do melhor filme, ritual que nunca mais foi abandonado. O vencedor do Prêmio do Público foi Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), de Hector Babenco. O Jornal do Brasil chegou a escrever que a Mostra era o único lugar no Brasil em que as pessoas tinham o direito de votar.

Censura[editar | editar código-fonte]

Naquela época, o Brasil vivia sob ditadura militar, o que fez com que as primeiras sete edições realizadas pelo Departamento de Cinema do MASP, dirigido por Cakoff, tivessem muitas dificuldades em razão da censura imposta pelo regime. Desligada do museu em 1984, a mostra desafiou a censura instaurando um processo contra a União reivindicando o direito de apresentar os filmes selecionados diretamente ao público, sem censura prévia, como ocorria até então.

A mostra ganhou o processo contra a União, mas apesar de estar no último ano da ditadura (1984), sua programação pública foi suspensa na primeira semana de sua 8ª edição. A interrupção durou quatro dias, tempo suficiente para que os censores do Ministério da Justiça, chefiado por Ibrahim Abi-Ackel, assistissem a todos os filmes da programação do festival. A truculência mostrada repercutiu mundo afora e criou-se um impasse já para a edição seguinte da mostra, apesar do processo de redemocratização a qual o país vinha passando com o fim do regime militar.

A partir de 1985, a mostra não precisou mais passar por censura prévia por causa de uma portaria assinada pelo então ministro da Justiça Fernando Lyra, a pedido dos próprios organizadores do evento. A medida de lei estendeu-se a todo o território brasileiro, isentando a partir dali outros festivais que incorporavam a censura prévia em seus regulamentos de forma passiva. A vitória na justiça fez com que a 9ª Mostra Internacional de Cinema, realizada entre 15 e 31 de outubro de 1985, ocorresse sem censura.

Impacto[editar | editar código-fonte]

“A história da Mostra Internacional de São Paulo é o relato de uma batalha constante contra a censura, as leis arbitrárias, o descaso pela cultura. É, finalmente, uma luta pela criação e preservação de uma memoria coletiva.”

Walter Salles, diretor de Central do Brasil e Diários de Motocicleta.

Em seus 36 anos, a Mostra começou como um evento exclusive do MASP e hoje é espalhada em várias salas de exibição pela cidade. Exibe mais de 300 filmes por ano e é reconhecida como a maior janela no Brasil para o cinema mundial. O diretor Fernando Meirelles afirmou que o Brasil só ia conhecer produções dos Estados Unidos e uma pequena porção da Europa se não fosse pela existência do festival. Laís Bodanzky observou a importância do festival e sua influencia sobre uma geração de cineastas brasileiros que frequentavam o evento nos anos 80 e 90, batizados de “filhos da Mostra”.

O festival já teve a presença de vários cineastas brasileiros. Convidados internacionais de destaque desde 1977 foram Dennis Hopper, Pedro Almodóvar, Miguel Gomes, Victoria Abril, Jane Birkin, Guy Maddin, Abbas Kiarostami, Claudia Cardinale, Amos Gitai, Les Blank, Quentin Tarantino, Maria de Medeiros, Wim Wenders, Alan Parker, Manoel de Oliveira, Kiju Yoshida, Atom Egoyan, Danis Tanovic, Christian Berger, Satyajit Ray, Eizo Sugawa, Theo Angelopoulos, Marisa Paredes, Rossy De Palma, Chan-Wook Park e Jonas Mekas.

Milhares de pessoas assistem a exibição ao ar livre de Nosferatu na 36ª Mostra

A Mostra produziu o curta-metragem Volte Sempre, Abbas em 1999. Dirigido pelos diretores do festival, Leon Cakoff e Renata de Almeida, o filme segue o diretor de cinema Abbas Kiarostami durante uma de suas visitas em São Paulo. A Mostra também produziu longas-metragens coletivos, os notáveis sendo Bem-Vindo a São Paulo (2004) e Mundo Invisível (2011), com curtas não só de Leon e Renata, mas de diretores brasileiros e internacionais. Convidados para filmar na cidade foram Wolfgang Becker, Maria de Medeiros, Hanna Elias, Amos Gitai, Mika Kaurismäki, Jim McBride, Phillip Noyce, Ming-liang Tsai, Andrea Vecchiato, Caetano Veloso, Yoshishige Yoshida, Theo Angelopoulos, Gian Vittorio Baldi, Marcho Bechis, Laís Bodanzky, Beto Brant, Manoel de Oliveira, Atom Egoyan, Guy Maddin, Jerzy Stuhr, Cisco Vasques e Wim Wenders.

Leon Cakoff, fundador, organizador e diretor do evento, faleceu em 2011, pouco antes da abertura da 35ª Mostra. A produtora Renata de Almeida, viúva de Leon, que produziu o festival com ele, assumiu a direção da Mostra. A 37ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo tem como destaque retrospectivas completas do cineastas Stanley Kubrick, Eduardo Coutinho e Lav Diaz, com uma homenagem a Yasujiro Ozu. O Prêmio Leon Cakoff será entregue aos diretores Hector Babenco e Ettore Scola. A programação inclui mais de 360 filmes.

Referências[editar | editar código-fonte]

1. Cakoff, Leon (2006). "Cinema Sem Fim: A História da Mostra - 30 Anos." Imprensa Oficial.

2. "Especial: A Mostra". (2011) Directed by: Hélio Goldsztejn. TV Cultura

Ligações externas[editar | editar código-fonte]